Abril 28, 2008

O inferno de ser professor



Por cortesia do bloguer REFLEXO (http://sol.sapo.pt/blogs/REFLEXO/default.aspx) deixamos aqui um testemunho de uma colega sobre ser professor, hoje em dia. Um texto que deve merecer a nossa melhor atenção…

Às escolas de hoje, às públicas claro, exige-se tudo: - Que se ensine, que se eduque, que se acompanhem alunos, que se giram diferenças, que se encontrem estratégias para combater desinteresse, insucesso, consumos de drogas, consumo de tabaco, sinais de esquizofrenia, problemas familiares, práticas sexuais de risco, etc.

Escolhi ser professora de forma livre, consciente, apaixonada. Sonhava, desde miúda, com livros cheios de mistérios para desvendar, olhares curiosos, inter-actividade e ambientes constantemente renovados. No início da minha carreira, há mais de vinte anos! Cada novo ano vestia-se de curiosa ansiedade.

Fazia planos, idealizava actividades, projectava tarefas, concretizava climas de aprendizagem e, embora trabalhasse muito, sentia-me gratificada pelo meu desempenho. Lembro ainda os alunos, tantos! Sei-lhes o olhar, ainda que tenha esquecido os nomes. No meu ano de estágio, senti-me realizada profissionalmente! O que eu aprendi! Como era fantástico, ao fim da tarde, juntarmo-nos para, em grupo de trabalho, analisarmos práticas, reformularmos, partilharmos ideias sob a orientação sábia mas muito amiga das Dr.ª. Graciete Leitão e Leonor Ferreira.

Não nos reuníamos para nos lamentarmos, para nos agredirmos, para temermos a avaliação. Não! Eram momentos de efectiva partilha e aprendizagem. Então, era bom ser professora.

Era, para mim, na época a viver um momento pessoal muito difícil, um privilégio poder ser professora. Os tempos correram, depressa demais para o meu gosto, e, hoje, olho com profunda tristeza o meu quotidiano profissional.

Não pretendo que ninguém tenha pena de mim, quem tem pena é galinha e eu até detesto penosas! Mas apetece-me partilhar angústias e este é o espaço onde, por enquanto, a minha essência pode correr livre de pressões ou receios.

Hoje, ser professor é ser-se humilhado, agredido, menosprezado quase diariamente. A ministra da educação, a sua equipa, o próprio primeiro-ministro, têm revelado total desprezo pelos professores, e têm conseguido virar a opinião pública contra aqueles que são as peças fundamentais da construção de um país.

Para se ser um bom professor, não tenho dúvidas, é preciso, para além de uma consistente formação científica de base, ter-se autoridade, autonomia e respeito. Nada disto Portugal dá aos professores!

Hoje, neste Portugal que nos escurece a visão agitando a bandeira europeia, as escolas, as públicas, são, frequentemente, o depósito de miúdos a quem os professores devem ensinar. Estes miúdos não são mais, como há 40 anos, gente que reconhece o valor do saber, gente que reconhece a autoridade do adulto.

Muitas vezes, são apenas miúdos que cresceram com a televisão como referência, sozinhos com o computador, sem hábitos de trabalho ou sequer sem regras mínimas de socialização. A estes miúdos, diz a televisão (e por vezes os pais) que a escola é uma porcaria e o professor, ou professores, um funcionário pago para os aturar. Aos professores de hoje, dá-se um horário cheio de tempos de coisa nenhuma, camuflados por siglas pomposas, para lhes lembrar que são funcionários públicos e, por isso apenas, devem permanecer no local de trabalho um x número de horas por semana. A estes mesmos professores, exige-se que cumpram programas que, frequentemente, são excessivamente teóricos, obsoletos e longos. A estes mesmos professores, que por acaso até são pessoas também e têm vida particular, exige-se que mudem todos os anos de quarto alugado, que abandonem filhos e família, que façam quilómetros sem fim para, apenas, não perderem o emprego.

Aos mesmos professores, retira-se a autoridade conferindo, aos alunos, o poder de fazerem o que mais lhe apetecer. Pede-se aos professores que registem, de preferência diariamente, as faltas dos alunos, que as enviem aos pais para que... as mesmas possam ser justificadas! A estes professores chama-se medíocres e nabos quando, ao publicarem-se os rankings, se mostra que as escolas privadas são melhores do que as públicas!
Portugal é um país que não merece os professores que tem. Com certeza haverá maus professores. Há maus profissionais em todas as áreas. Mas não são, de certeza, a maioria. A maioria dos professores portugueses devia ser condecorada pela resistência, pela capacidade de sobrevivência, pela Arte de constante renovação da esperança. Às escolas de hoje, às públicas claro, exige-se tudo: - Que se ensine, que se eduque, que se acompanhem alunos, que se giram diferenças, que se encontrem estratégias para combater desinteresse, insucesso, consumos de drogas, consumo de tabaco, sinais de esquizofrenia, problemas familiares, práticas sexuais de risco, etc. Nas escolas de
hoje há clubes de saúde, clubes europeus, clubes de solidariedade, clubes de alimentação, clubes de ciência, clubes de tudo aquilo que se possa imaginar porque, na escola de hoje, cabe tudo! Só começa a não haver espaço para se ser professor...

Publicado originalmente in "O Distrito de Portalegre")

Mudar de nome para melhorar a vida é um mito



É muito comum associar a numerologia à mudança de nome, como se uma coisa implicasse a outra. Contudo, nada pode ser mais depreciativo quanto ao verdadeiro potencial da numerologia que a idéia segundo a qual mudar de nome, ou uma letra do mesmo, vá operar mudanças (em geral milagrosas) na personalidade e no destino de alguém. Isto é tapar o sol com a peneira, criar castelos de areia que são facilmente destruídos ao menor sinal de vento ou tempestade. É óbvio que a numerologia não serve para operar milagres, e que a mera modificação do nome não causa efeito algum, positivo ou negativo, na vida de ninguém.

Mas se é assim, deve estar se perguntando o leitor, de onde surgiu esta crença? O fato é que o conhecimento esotérico indica que o nome de uma pessoa reflete quem é esta pessoa, da mesma forma que um espelho reflete nossa imagem, e que o nosso código de DNA indica (ou seja, reflete) nossos potenciais biológicos.

O nome não causa nada, ninguém é como é, por causa do nome que recebeu. Antes o nome que recebeu é uma pista, uma indicação, um elemento de identificação da personalidade e do potencial daquela pessoa. Desta forma, a crença na mudança de nome como fator de melhoramento pessoal é exatamente isto: uma crença. E a crença é vizinha da superstição, e irmã da auto-indulgência.

Como tudo em nosso mundo dualista, a crença é uma faca de dois gumes, o que faz com que aqueles que crêem que uma mudança no nome lhes abrirá as portas do sucesso estejam mais propensos a estas realizações devido ao fator psicológico e à autoconfiança estimuladas pela crença firme no poder do nome. Mas mesmo assim, a crença trava uma batalha com a razão, o que tanto pode servir para desabar uma fé que proporcione conforto e autoconfiança, quanto para chamar a pessoa à consciência e salvá-la das garras da superstição e da ignorância.

Portanto, aquele que se submete a uma mudança de nome, mas não crê profundamente no processo, não terá qualquer progresso. Então fica fácil perceber que a mudança de nome é uma muleta psicológica: funciona para aqueles que nela crêem.

O que pode levar alguém ao sucesso através da troca de nome, é meramente sua crença no processo, não o processo em si. Em outras palavras, é o efeito placebo, que é o termo que os médicos usam para medicamentos inócuos ministrados a pacientes que pensam estar ingerindo remédios verdadeiros e que se curam mesmo assim, tamanha sua certeza de estarem tomando uma substância que os curará.

Apenas aquele que assina um nome diferente com tamanha fé - o que é mais difícil do que crer num remédio palpável que se ingere - poderá ter algum benefício, e mesmo neste caso, será correto enganar o indivíduo, atribuindo à numerologia um poder que está nele mesmo? Penso que não...

A análise dos casos de artistas que mudaram de nome devido à numerologia leva à conclusão que nada de relevante ou significativo aconteceu. A cantora Sandra de Sá, por exemplo, que antes assinava Sandra Sá, continua sua carreira normalmente, sem nenhum salto qualitativo dramático em seu trabalho. Isto se dá por dois fatores: em primeiro lugar, porque o nome completo verdadeiro da cantora e sua data de nascimento é que refletirão sua personalidade e sua vida e, dentro disto, sua carreira. A segunda razão é que os nomes Sandra Sá e Sandra de Sá são quase idênticos em termos numerológicos. Confira:

1+1+5+4+9+1 +1+1 = 23 (2+3) 5
S A N D R A S Á

1+1+5+4+9+1 +4+5 +1+1 = 32 (3+2) 5
S A N D R A D E S Á

Em termos de simbolismo numerológico, a mudança é praticamente nenhuma, pois apesar de o número de origem contar muito na interpretação, aqui não há diferenças gritantes entre os números 23 e 32 - se um dos nomes resultasse em 14, haveria uma diferença clara, já que são números diferentes. Mas mesmo assim, o nome verdadeiro completo seria a única fonte numerológica confiável.

Outro caso muito citado é de Jorge Benjor, ex-Jorge Ben, cuja mudança de nome nada teve a ver com numerologia, mas sim com direitos autorais no exterior. O cantor norte-americano George Benson e Jorge Ben eram freqüentemente confundidos devido à pronúncia dos nomes em inglês, o que prejudicava a carreira de Benjor no exterior. Assim, ele passou a assinar Jorge Benjor, sem qualquer relação com a numerologia.

Outro caso conhecido foi o da atriz Lady Francisco, que usou assinaturas esdrúxulas de seu nome, sem qualquer sucesso, e recentemente lançou uma autobiografia retomando o nome artístico e próprio original - tanto Lady quanto Francisco fazem parte de seu nome original completo.

Alguns me questionam quanto ao meu próprio nome. Johann Heyss é de fato um nome artístico, que comecei a usar como músico - carreira que comecei a desenvolver antes de meus estudos numerológicos - por motivos diversos, e sem qualquer implicação direta com a numerologia.

Portanto, gostaria de enfatizar para todos aqueles que pensam em mudar de nome ou de assinatura para desenvolver algo de positivo em suas vidas que, ao invés disso, estudem seus mapas numerológicos em profundidade, para que possam assim identificar e estimular os potenciais positivos, e reconhecer e mitigar as armadilhas da personalidade e da vida. Através do autoconhecimento podemos nos desenvolver e progredir, não através de muletas psicológicas.

Johann Heyss
http://www1.uol.com.br/vyaestelar/fatos_numeros_mito.htm

Abril 27, 2008

A tirania adolescente


Até poucas décadas atrás, os pais educavam seus filhos com base numa regra simples: cabia a eles exercer sua ascendência sobre a prole de maneira inquestionável, pois – como diziam os avós dos adultos de hoje – criança não tinha direito nem querer. Muita coisa mudou desde então. Com a revolução comportamental dos anos 60, a difusão dos métodos pedagógicos modernos e a popularização da psicologia, a liberdade passou a dar o tom nas relações entre pais e filhos. A tal ponto que hoje se vive o oposto da rigidez que pontificava antes disso: em muitos lares, os pais é que se sentem desorientados e os filhos, na ausência de quem estabeleça limites à sua conduta, assumiram o papel de tiranos. Trata-se de uma bomba-relógio que começa a ser gestada cedo, mas cujos efeitos se agudizam na adolescência. É nesse período que os pais se sentem mais confusos sobre seu papel. A questão se tornou tão séria que uma tendência que representa um certo refluxo na maneira de pensar a educação dos jovens vem ganhando cada vez mais força. "Chegamos a uma situação-limite. Está na hora de os pais recuperarem sua auto-estima e sua autoridade", diz a educadora carioca Tania Zagury, uma das mais conhecidas autoras da área. Em seu novo livro, Os Direitos dos Pais (Record; 206 páginas; 25 reais), ela defende que práticas que andavam esquecidas na educação dos filhos sejam resgatadas, em nome do futuro do próprio jovem – e da sociedade.

Até meados dos anos 60, as regras dentro de casa eram impostas implacavelmente aos jovens. Hoje, é prática corrente estabelecê-las de comum acordo entre pais e filhos. Antes, os pais davam broncas, punham os filhos de castigo e cortavam regalias porque era assim que as coisas funcionavam, e ponto final. Hoje, cada sanção precisa ser acompanhada de boas justificativas – e haja suor e lábia para dar 200 explicações. Um dos motivos disso é que os jovens atuais são muito bem informados. Outro dado é que eles nasceram num ambiente já bastante marcado pela educação liberal – seus próprios pais gozaram de boa dose de liberdade quando adolescentes. Nessas condições, é natural que estabelecer limites de conduta se transforme numa tarefa difícil. O que Tania defende não é uma volta à educação rígida de antigamente, e sim a busca de um ponto de equilíbrio que se perdeu em algum momento entre o fim dos anos 70 e a atualidade.(...)

Às vezes não é o uso indevido da psicologia moderna nem a culpa que causam o estrago: é o desejo de fugir da tarefa difícil que é educar um adolescente. Alguns pais usam a falta de tempo como subterfúgio. Outra rota de fuga é aquilo que os educadores convencionaram chamar de "medicalização" da adolescência: ao menor sinal de que alguma coisa está fora dos eixos, os pais correm para um consultório, em vez de tomar eles próprios as rédeas da situação. É claro que existem situações que pedem o apoio de um médico. Do ponto de vista biológico, nenhuma época da vida é marcada por tantas mudanças. A Organização Mundial da Saúde estabelece que a adolescência compreende a faixa etária entre 10 e 19 anos. É nessa fase que se adquirem 25% da estatura final e 50% do peso total. Nesse processo, meninos e meninas experimentam uma verdadeira explosão hormonal. Entre 11 e 12 anos, acontece a primeira menstruação – as garotas ficam mais irritadiças e o humor oscila muito. A cintura afina, os quadris alargam e, por volta dos 15 anos, os seios ganham formas definitivas. O primeiro sinal de que a puberdade chegou para os meninos é o aumento de tamanho dos testículos. Mãos e pés crescem desproporcionalmente ao tronco e surgem os primeiros pêlos pubianos. A voz começa a engrossar e, por volta dos 14 anos, o rosto ganha uma barba rala. Do ponto de vista emocional, o adolescente é um vulcão. Ele ainda não sabe o que quer ser, mas tem certeza dos modelos em que não gostaria de se espelhar: os adultos que o circundam, em especial os pais. Nas diversas subfases que se sucedem na adolescência, ele alterna momentos de agressividade, egocentrismo, insegurança e completa falta de senso de perigo. Até duas décadas atrás, acreditava-se que a causa do comportamento impulsivo do adolescente era simplesmente a ebulição hormonal própria do processo de crescimento. Com os novos conhecimentos sobre o funcionamento do cérebro, refinou-se essa explicação: a raiz de toda essa instabilidade estaria no fato de a adolescência ser um período de muitas mudanças cerebrais. Pesquisas recentes mostram que nessa fase se formam novas conexões neuronais, principalmente em áreas do cérebro ligadas às emoções.
Por causa desses fatos todos, existem hoje médicos especializados no atendimento aos adolescentes, os hebiatras (o nome é uma referência a Hebe, a deusa da juventude na mitologia grega). A especialidade, que começou a ganhar corpo na década de 50, nos Estados Unidos e na Inglaterra, foi reconhecida pela Associação Médica Brasileira há seis anos. Crescimento, nutrição e sexualidade são alguns dos aspectos enfocados pelos hebiatras. Mal orientados, muitos garotos recorrem à musculação para ganhar um corpo perfeito, mas o exagero pode atrapalhar o crescimento. As meninas, influenciadas pelos modelos de beleza do momento, muitas vezes partem para dietas radicais e ficam sujeitas a distúrbios alimentares graves, como a anorexia e a bulimia. Um hebiatra pode ajudar os adolescentes em questões específicas. Há pais, no entanto, que encaminham os filhos para o consultório médico por motivos banais – como uma crise de insolência na escola. "No fundo, o que eles procuram é se livrar do problema. Querem uma justificativa externa para o mau comportamento dos filhos e têm a falsa idéia de que dois comprimidos por dia resolvem qualquer problema", afirma o psiquiatra Francisco Assumpção, da Universidade de São Paulo. Mesmo doenças como a bulimia ou a anorexia podem ter seu surgimento relacionado à omissão dos pais. Com medo de parecerem repressores, muitos fazem vista grossa à recusa de seus filhos em comer.

Acreditar que a escola possa assumir sozinha o papel de educar os adolescentes é uma saída pela tangente bastante comum. A permissividade chegou a um ponto em que os próprios colégios estão tendo de chamar a atenção dos pais para seus deveres. Nos últimos tempos, um dos colégios mais liberais de São Paulo viu-se obrigado a retomar práticas tidas como ultrapassadas para colocar os alunos – e seus pais – na linha. Ao perceber que muitos estudantes saudáveis conseguiam dispensa das aulas de educação física graças a atestados obtidos com a conivência dos pais, a direção da instituição estabeleceu que quem decide sobre a concessão ou não da licença é só o médico da escola. Resultado: desde que a regra foi adotada, nenhum aluno conseguiu escapar da educação física. Outra medida foi reeditar a exigência do uniforme, já que o pessoal andava se vestindo como se estivesse num clube: as meninas apareciam de top e blusas decotadas e os garotos, de camiseta regata, chinelo e bermudão.

As conseqüências da omissão dos pais na educação podem ser graves. Dados do Ministério da Saúde mostram que mais de 20% das garotas entre 13 e 19 anos já enfrentaram uma gravidez precoce. Por outro lado, uma pesquisa recente revelou que um em cada quatro estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública brasileira já experimentou algum tipo de droga, além do cigarro e das bebidas alcoólicas. Em apenas uma década, a idade do primeiro contato com esse tipo de substância caiu dos 14 para os 11 anos. Mesmo que não ocorram desastres, as conseqüências para o futuro podem ser sérias. Jovens educados de maneira negligente correm o risco de se tornar adultos infelizes e desajustados. A falta de limites faz com que muitas vezes essas pessoas se revelem inaptas para lidar com os reveses e frustrações naturais da vida. Elas têm dificuldades para se relacionar em ambientes marcados por hierarquias (como o trabalho) e, em muitos casos, não conseguem nem mesmo se emancipar – tanto do ponto de vista emocional quanto do financeiro. "Muitos pais acham que dar tudo de mão beijada para os filhos é uma maneira de fazê-los felizes, o que não é verdade. Quando saem do ninho, esses jovens se sentem atraiçoados pela vida, pois não desenvolveram defesas para enfrentar o mundo", diz Tania. É certo que, com força de vontade, um adulto pode superar esses problemas. Mas uma boa educação na infância e adolescência o pouparia dessas dificuldades.

É claro que boa parte dos pais percebe que muita coisa vai mal na educação de seus filhos. Eles não querem fugir de suas responsabilidades nem delegá-las a outros. Prova disso é que a demanda por aconselhamento deu origem a um filão lucrativo no mercado editorial de auto-ajuda. Os principais representantes do ramo no país são a própria Tania Zagury e o psiquiatra paulista Içami Tiba. A eles somam-se autores estrangeiros como o inglês Steve Biddulph, cujo manual Criando Meninos se tornou um campeão de vendas nas livrarias. Desde 1985, Tania lançou dez livros, que totalizam mais de 300.000 exemplares vendidos. Faz cerca de oito palestras por mês, com cachê médio de 2.000 reais. Tiba, por sua vez, também tem dez obras publicadas na área e já dobrou a marca de 1 milhão de exemplares comercializados – seu mais recente lançamento, Quem Ama, Educa!, figura na lista de mais vendidos de VEJA há 58 semanas. Desde o fim dos anos 80, tanto Tania quanto Tiba vêm batendo na tecla de que é preciso resgatar a autoridade dos pais na educação dos adolescentes.(...)
Um adolescente típico carrega sempre na ponta da língua munição para atacar os pais quando estes tentam colocá-lo na linha: chama-os de "caretas", repressores e por aí afora. Ele vive encastelado em seu quarto – uma fortaleza indevassável, em que os pais comumente têm sua entrada vetada. Uma pesquisa da MTV revelou que o quarto de um adolescente brasileiro de classe média ou alta é equipadíssimo: a maioria possui aparelho de som, metade tem TV e um quarto deles, computador. O conselho da autora é que se enfrente essa resistência: se os pais chegarem à conclusão de que há algo estranho acontecendo – como, por exemplo, o envolvimento do jovem com drogas –, eles têm o direito, sim, de entrar em seu quarto sem autorização e até remexer em seus pertences (veja quadro). Tania também tranqüiliza aqueles pais que não sabem onde se enfiar quando o filho comunica que a namorada vai dormir com ele em casa ou vice-versa – um tipo de comportamento tolerado por 25% das famílias. "Se os pais se sentirem constrangidos com a situação, não precisam aceitar só porque os pais dos amigos do filho o permitem. Eles têm todo o direito de dizer um não bem redondo", diz Tania. Antes, os pais não falavam sobre sexo com os filhos. Às vezes lhes passavam manuais sobre o tema escritos por religiosos, alertando-os para os perigos da masturbação (uma evidente bobagem) e a necessidade de manter a virgindade das moças. Outros entregavam o garoto adolescente aos cuidados de uma profissional do sexo. Hoje, a conversa sobre o tema costuma ser aberta e sem ranço religioso – os adolescentes é que passaram a fugir dessas ocasiões, por considerá-las uma chatice. Tania sugere que eles sejam obrigados a ouvir o que os pais têm a dizer, ainda que façam birra. Todos esses enfrentamentos são difíceis, mas não há outro jeito. A título de se colocarem como "amigos" dos filhos, muitos pais acabam sendo cúmplices de erros que em nada contribuem para a formação deles. Nunca custa lembrar: a função do pai não é ser amigo e confidente – para isso, os adolescentes têm suas turmas. Papel de pai é ser pai.

Abril 24, 2008

O tsunami da fome



A cada 5 segundos há uma criança a morrer de fome.
25.000 pessoas morrem de fome a cada dia que passa.
850 milhões de pessoas vão regularmente para a cama com fome.
Aproximadamente metade da comida que existe na Europa ou EUA nunca chega a ser comida. Os EUA deitam fora por ano 50 biliões de dolares em alimentos.


A revistra britânica The Economist publicou uma reportagem de capa sobre a inflação global nos preços dos alimentos. As manifestações de famintos no Haiti aos Camarões são um "tsunami silencioso", diz a revista. A reportagem afirma que a era da corrida barata acabou. "Eventualmente, a produção vai crescer, mas a transição para um novo equilíbrio está se mostrando mais cara, mais demorada e mais dolorosa do que todos esperavam." A revista reforçou um ponto essencial, a necessidade de países como os Estados Unidos e os da Europa acabarem com os subsídios agrícolas. A ação dos governos, diz a Economist, deve focar em pesquisas científicas, já que a chave do crescimento na produção dos alimentos não está no aumento das terras cultiváveis, mas no aumento da produção.
Fonte: Época, 518, abril de 2008.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) lançou um alerta porque o aumento verificado nos cereais,segundo a FAO nos países mais pobres sofreram um aumento de 56% neste ano, em comparação ao ano anterior. Já entre 2006 e 2007, o total pago pelos países em desenvolvimento pelos cereais aumentou em 37%.

Isto é muito grave o planeta já não planta o suficiente para consumir. e deixa os pobres mais pobres. A fome vai-se generalizar a nível mundial, deixando 37 países em crise.

O aumento é consequência de uma alta nos preços dos cereais, amplificada pela inflação nos preços do petróleo. Só na África, o valor das importações subiu em 74% na compra de cereais.

Segundo a FAO, a procura de cerais tem aumentado e o estoque de cereais está em queda acentuada, mesmo nos países exportadores.

Até agora, a ONU já identificou crises e protestos em países como o Egito, Camarões, Costa do Marfim, Senegal, Burkina Faso, Etiópia, Indonésia, Madagascar, Filipinas, Haiti, Paquistão e Tailândia. Em alguns desses países, os governos tiveram de convocar o exército para lidar com os protestos contra o aumento nos preços dos alimentos.

Um povo com fome.

Estamos perante uma época de conflitos eminentes que já ultrapassam as questões de política externa.

É a sobrevivência. E o ser humano é capaz de tudo para ter de dar alimento aos seus filhos.

E aqui no Brasil a situação não está muito boa não. A tendência é fazer parte dessa lista, já que ainda somos uma país pobre de 3º mundo. Só na cabeça do Lula Lá, o Brasil está melhor. Melhor em quê sr. Presidente?
Na Educação? Um caos... Professores desmotivados sem condições de trabalho e sobrevivendo com a ajuda de custo que recebem.
Na Saúde? Hospitais mau aparelhados, médicos e enfermeiros trabalhando por 3. Falta de capacidade de lhe dar com uma EPIDEMIA, como estamos vendo agora no Rio e em outros estados...
Na polícia? Nem preciso comentar...
Poderia ficar aqui escrevendo e escrevendo o que falta nesse país para que ele seja de primeiro mundo, mas sei que você, caro leitor, já sabe disso, só o Lula Lá, acredita ser Rei de uma FÁBULA.
Seu nome ficará na história, como o presidende que com apenas 9 dedos contou até 10... Mas também isso não importa muito. Provavelmente ele deve ir morar na Europa, já que sua família tem nacionalidade Italiana.
Boa viagem Sr. Presidente!
A mim, o sr. não fará falta!
Mande pelomenos uma foto de V.Sa. Excelência, numa pizzaria, pros milhares de analfabetos e esfomiados - sua herança - que ficarão aqui sem emprego, sem comida, sem moradia, sem dignidade, sem saúde e sem educação.

Voltando ao assunto...

Cerca de 30% dos alimentos produzidos no Brasil vão parar no lixo, sem qualquer chance de aproveitamento. Essa é a conclusão de um estudo realizado pela Associação Prato Cheio, que visa combater ao mesmo tempo a fome e o desperdício de alimentos nos centros urbanos.

A pesquisa da entidade sem fins lucrativos apontou que problemas no manuseio de frutas, verduras e legumes durante a colheita e o transporte são as principais causas do desperdício. No centro da discussão está a falta de treinamento da mão-de-obra.

Segundo Miriam Ferrari, gerente-geral da ONG, o processo de perda de produtos tem início logo após a colheita, na zona rural. Muitos alimentos são encaixotados sem cuidado e em recipientes não apropriados. "Ninguém está preocupado em aperfeiçoar esse serviço e, quando [o alimento] chega às cidades, as caixas são jogadas. Os alimentos são tratados de qualquer forma e, por isso, ficam amassados e danificados", afirma Miriam.

A ONG Prato Cheio atende 29 instituições. Os alimentos doados são avaliados por um nutricionista, que supervisiona a qualidade dos produtos para o consumo. Segundo Miriam, isso assegura doações, principalmente, de comerciantes. "Eles ficam inseguros por conta de uma lei que aponta o comerciante como responsável por qualquer dano causado a pessoa que comer alguma comida e passar mal", ressalta a gerente da entidade.

Um projeto de lei conhecido por Estatuto do Bom Samaritano, que aguarda votação no Congresso Nacional, tem como proposta transferir a responsabilidade civil e criminal dos doadores para as entidades beneficiadas.

Não quero ser pessimista, mas com a situação do clima piorando a cada dia e os grandes produtores mundiais não conseguindo produzir o necessário, onde vamos parar? Um guerra talvez resolva, ou não, é melhor criar uma lista de voluntários "pobres" que queiram morrer em câmaras de gás. A despesa é menor...
A Argentina já não vai mais vender trigo ao Brasil para não aumentar seus preços por lá.
Provavelmente vem aí mais um aumento nos derivados do trigo!!
Ênio Cavalcanti - ennyo_homero@hotmail.com

Café, um Santo Remédio


Um estudo efectuado na Universidade de Dakota do Norte, nos Estados Unidos, mostra que a Cafeína reforça a barreira sanguínea do cérebro, prevenindo deste modo problemas neurológicos, causados por dietas ricas em Colesterol e ainda certas doenças do foro, como a Alzheimer. A equipe de investigadores Americana alimentou coelhos com uma dieta rica em Colesterol, dando a uma parte o equivalente a 1 café por dia.

Ao fim de 12 semanas, verificou-se que os coelhos que ingeriam cafeína tinham a barreira sanguínea cerebral menos danificada que os restantes.

Mostra-se assim que este ingrediente bloqueia o efeito prejudicial do colesterol, o que pode vir a ter um papel de grande importância no combate a doenças neurológicas.

No entanto ainda não foram feitas pesquisas suficientes para avaliar os benefícios da substância em seres humanos, mas caso os resultados se mantenham, o excesso de colesterol no sangue, que é uma doença bastante comum na nossa sociedade, passará a ser coisa do passado.

***

É, quanto ao colesterol pode até ser e eu torço para que seja, porém, em relação a doenças neurológicas não concordo!!
Tenho um grande amigo que cuida de três tias que sofrem de Alzheimer. As três passaram a vida tomando muito café e infelizmente hoje sofrem com essa terrível doença, mas pelomenos são magrinhas!! Parece que café faz emagrecer. Preciso tomar mais café... rsss

Abril 23, 2008

Governo Retém 1,6 Bilhão do Mistério da Educação


A educação é prioridade, mas... a realidade fala mais alto do que qualquer discurso.

O Ministério da Educação terá R$ 1,6 bilhão a menos para gastar em 2008. O valor foi anunciado hoje pelo Ministério do Planejamento. Em tese, se a economia for bem e sobrar dinheiro em dezembro, é até possível que a verba seja liberada.

Por ora, como ocorre todo ano, a área econômica divulgou o tamanho do corte orçamentário. No MEC, o impacto será de 12% - em vez de R$ 13,22 bilhões, o teto de gastos com custeio e investimento caiu para R$ 11,57 bilhões.

Na prática, significará o adiamento ou a redução de algum programa ou iniciativa de educação. Tudo o que o Brasil não precisa.

O contingenciamento em 2008 é obra do governo Lula. Mas vale lembrar que o mesmo foi feito em governos passados.

A área econômica esperava arrecadar este ano R$ 40 bilhões com a CPMF, cuja prorrogação foi rejeitada pelo Congresso em dezembro. Numa batalha liderada - e vencida - pela oposição.

Para lá das disputas partidárias, o ensino público pagará seu preço.

No fim, a conta é de todos nós.

por Demétrio Weber - 23/4/2008

A cadeia como você nunca viu

As 1 116 prisões do Brasil formam uma nação à parte. Um país com economia própria, movida a extorsão, suborno e comércio ilegal. Um lugar cheio de leis não escritas, impostas pelo crime organizado. É para lá que nós vamos agora. Aperte suas algemas.
Maio de 2006. Oito horas da manhã. O técnico de computação Bruno*, 28 anos, casado e com uma filhinha de 9 meses, acordou atrasado para o trabalho. Por causa do rodízio de carros em São Paulo, o carro dele não podia rodar naquele dia. “Então resolvi fazer uma traquinagem”, conta. “Peguei fita isolante e transformei o 3 da minha placa em 8.” Mas no meio do caminho tinha uma blitz policial. A espinha gelou quando o policial mandou encostar. Bruno preferiu fingir que não era com ele e zarpou. Só parou quando os PMs mais à frente apontaram suas armas. Os policiais vieram com tudo: “Mão na cabeça!!”


Foto: João Wainer

Pouco depois, Bruno estava num camburão, sendo levado para uma delegacia na zona oeste de São Paulo. Fichado por falsidade ideológica e resistência à prisão, foi para a um dos “corrós”, as celas de delegacia para os que acabam de ser presos. É o primeiro estágio da vida na cadeia. E o pior deles. Fernando, outro paulistano de classe média que esteve lá após ser pego com uma trouxinha de maconha, descreve as instalações: “Era uma espécie de solitária, onde deixam os presos de castigo. Só cabiam dois, mas a cadeia da delegacia estava tão lotada que fiquei com mais 4 presos. Não tinha banheiro nem privada nem torneira. O lugar para dormir era um pedaço de papelão”. Nos xadrezes maiores a situação é a mesma: há casos de celas para 20 homens abrigando 120, o que dá 60 cm2 para cada um.

Ali, às cotoveladas, têm de se revezar para dormir – ou tentar pegar no sono de joelhos. Mas, mesmo onde todos são iguais, alguns são “mais iguais”: os bandidos mais poderosos costumam ficar em redes bem no alto, pertinho das grades, onde é mais arejado.

Por lei, o sujeito deveria ficar no máximo 30 dias na delegacia. E depois ir para uma cadeia pública ou um centro de detenção provisória, onde esperaria pela decisão da sentença. Aí, depois de condenado pela Justiça, iria para um presídio. Mas não funciona assim. Superlotado, o sistema penitenciário virou um caos. Em 2002, havia 240 mil presos para 182 mil vagas, ou seja, 58 mil presos a mais do que o sistema carcerário comporta. Em 2007, esse déficit já estava em 157 mil presos – 437 mil para 262 mil vagas. Aí complica. Tanto que, hoje, 13% dos detentos que já foram julgados estão cumprindo pena em delegacias.

Não foi esse, porém, o caso de Bruno. Ele teve dinheiro para pagar um advogado e conseguiu logo uma transferência para um centro de detenção provisória, o meiotermo entre delegacia e presídio, em Franco da Rocha (SP). Chegando lá, foi logo recepcionado por 4 detentos. Um deles se apresentou como “piloto” do lugar. Os outros presos e os carcereiros o chamavam de “senhor”. Ele andava com 4 celulares e passava o dia dando ordens.

Primeira ordem ao novato Bruno: pagar para não dormir no banheiro. Se ele fosse um bandidão com várias passagens pela cadeia, conhecido no mundo do crime, não teria que gastar nada. “É só chegar na cordialidade”, diz Silas, ex-presidiário que cumpriu 6 anos por assalto à mão armada e foi libertado há 8 meses. “Mas, se o cara é mané, primário, piolho... Aí é diferente.”

Bruno era mané, primário e piolho. Tudo ao mesmo tempo, pelo menos do ponto de vista dos bandidos profissionais. E teve de pagar R$ 120 pelo privilégio de dormir numa parte menos fedorenta da cela, que dividiria com 23 homens por 21 dias.

Saiu caro. Nas penitenciárias os preços costumam ser mais camaradas. As celas para quem está cumprindo pena são pro jetadas para abrigar menos gente do que as da detenção provisória. São para 4 a 6 pessoas, em espaços que vão de 9 a 16 m2. Mas chegam a ficar 12 em cada xadrez – às vezes mais de 20. Some a isso o fato de que o Estado se limita a definir para qual presídio o sujeito vai, e que lá dentro os presos têm autonomia para decidir a cela que ele vai ocupar, e temos um mercado imobiliário de vagas.

Nele, um canto numa cela menos abarrotada custa de R$ 100 a R$ 200. Por R$ 50 você fica numa com mais gente. Se não tiver moral no meio da bandidagem nem nada para dar, fica sem saída: vai ter que dormir na cela mais lotada. De preferência no banheiro.

As autoridades sabem desse tipo de comércio, e afirmam que o único jeito de acabar com ele é pôr fim à superlotação. “Essa situação vai acabar quando houver um estabelecimento penal que acomode a todos, em que não haja a necessidade de disputar espaços. Aí você liquida o comércio”, diz Maurício Kuehne, diretor do Departamento Penitenciário Nacional, do Ministério da Justiça. Mas não é fácil. E, por ora, o piolho que não quiser dormir com a cara na privada que pague por isso. Como Bruno pagou.

Ah, claro: não basta desembolsar dinheiro pelo “imóvel”. Você também precisa comprar os móveis. Nesse caso, um único móvel: o colchão. Bruno pagou R$ 30 ao chefe dos presos pelo direito de ter um.
Além de freqüente, esse tipo de extorsão fica cada vez mais sofisticado. Agora estamos na era da “cadeia 2.0”. A tecnologia já é a melhor amiga do bandido moderno. Se fosse há alguns anos, Bruno teria pago por sua vaga e seu colchão com cigarros. Os maços ainda são moeda corrente nos presídios do mundo todo, mas deixaram de ser a única. Agora o dinheiro eletrônico também faz parte: “Um dos presos me deu o celular dele e passou o número de uma conta-poupança para que a minha mulher fizesse o depósito pela vaga e pelo colchão”. São contas abertas em nome de parentes de presos ou, para dificultar eventuais investigações, por laranjas – sujeitos que recebem uns trocados para ceder sua conta bancária para o crime.

Com tantas facilidades para receber dinheiro, seria de surpreender se as despesas de Bruno ficassem em meros R$ 150. E não ficaram.

“Logo que peguei o telefone, o cara me disse: ‘Manda sua mulher depositar R$ 2 mil. É pra você ter segurança aqui dentro e ninguém bulir com você’. Entendi o recado”, conta Bruno. O senso comum, afinal, diz que todo mundo que vai para a cadeia recebe um estupro coletivo. E isso deixa qualquer pessoa apavorada.

Valdinete, mãe de um preso de 24 anos que está há dois num presídio em Presidente Bernardes, interior de São Paulo, conhece bem essa tensão. “Não fazia nem uma semana que ele estava na cadeia e tocou o telefone. Meu filho disse que, se eu não depositasse R$ 10 mil numa conta, abusariam dele”, diz. “Depois de um tempo de conversa ficou acertado por R$ 3 mil, que eu tive de pedir emprestado. Não me arrependo: ele teria se matado se tivesse acontecido.”

Não aconteceu. E por um preço relativamente baixo. Isso porque a violência sexual deixou de ser regra na cadeia depois que começaram as visitas íntimas. A primeira penitenciária a liberar o sexo entre os presos e as visitantes foi a do Carandiru, em 1986, e dali para a frente a permissão se espalhou pelo Brasil.

Foto: Bruno Miranda

Foi uma mudança e tanto na vida dos presidiários. Além de servir como válvula de escape, o sexo na cadeia fez com que alguns virassem pais atrás das grades. E mais: tem os que conheceram a esposa atual dentro da cadeia mesmo. É que várias mulheres de detentos levam amigas nos dias de visita para conhecer companheiros deles. E às vezes as moças acabam se engraçando...

Patrícia foi uma delas. Em 1987 ela foi ao presídio com uma vizinha e conheceu Cláudio, um belo moreno condenado a mais de 100 anos por homicídio, formação de quadrilha e assalto à mão armada. Nunca mais largou dele. Casados há 20 anos, numa cerimônia que aconteceu dentro da cadeia, nunca se encontraram fora de lá. As transas são rápidas. Como não há camas para todos os casais, eles têm de se revezar. Sem falar que o corredor fica um murmurinho danado nesses dias, e só tem uma cortina ao lado do beliche para isolar os pombinhos da barulheira. Mas Patrícia, hoje, não está nem aí: “Ah, na hora você não escuta nada! É a semana inteira esperando aqueles minutinhos... A gente finge que está num quarto de motel”.

E que ninguém pense em estragar essas fantasias. Num lugar com centenas de homens privados de sexo, a etiqueta no trato da mulher alheia é pra lá de rigorosa. Olhar para qualquer uma que apareça para visitar um companheiro, seja esposa, amante, prostituta, mãe, filha, enteada ou o que for, é proibido. Nos corredores, todos devem andar com os olhos fixos no chão. Apresentar-se, então, esqueça. Só se o outro preso der permissão. Mesmo quando isso acontece, o correto é manter uma das mãos para trás e estender a outra para o cumprimento. Dar beijinho no rosto de visita alheia, jamais. E passar uma cantada é morte certa.

“Quando eu visitava meu marido, o companheiro de cela dele só levantava a cabeça quando ele dizia ‘Vai lá, pode cumprimentar a Nete’ ”, diz Ivonete, viúva de um detento. E olha que os dois eram unha e carne – tinham passado 15 anos na mesma cela.

Essas não são as únicas mulheres nas prisões masculinas. Tem as que passam 24 horas por dia lá dentro mesmo: os travestis, que estão em quase todas as prisões. Com seios de silicone e curvas esculpidas por hormônios, eles não abrem mão das roupas de mulher e da maquiagem pesada. Circulam rebolando pelos pátios e nos fins de semana redobram os cuidados. “Capricho no visual. Fico liiinda!”, diz Alessandro. Quer dizer, Priscila. “Olha: é P-r-i-s-c-y-l-l-a, com ‘y’ depois do ‘c’ e dois ‘eles’. Anota direitinho, viu?” Ok! E foi presa por quê, Pri? “Por assalto, sabe? Agora aqui dou sonho, felicidade e outras coisinhas mais para este povo sofrido.”

Dá mesmo. O sexo entre eles e os presos héteros não é exatamente raro. Tanto que há um eufemismo para travestis nos presídios: “mulheres de cadeia”. “Nos estudos que conduzimos, não bastava perguntar se o preso mantinha relações homossexuais. Era preciso acrescentar: e com mulher de cadeia?”, escreveu o médico Drauzio Varella no best seller Estação Carandiru.

Mas a convivência não é suave. “As bichas têm que ficar na ala delas. E quem quiser que vá procurar. Não tem essa de cantar orelha de malandro, que toma logo é porrada”, diz Sorocabano, há 7 anos no presídio de Avaré por latrocínio.

As regras não param por aí. Travestis (e gays em geral) não podem beber do mesmo copo nem usar pratos e talheres dos outros presos. Essa é mais uma das muitas leis não escritas que regem a vida dos presidiários, um código que hoje está mais rígido que nunca. Vejamos por quê.
Pela tradição das cadeias brasileiras, quem faz cumprir essas leis internas são os chefes da faxina – os presos responsáveis pela limpeza do presídio e pela distribuição de comida, que ganham R$ 285 por mês do Estado. Os “faxinas” são eleitos pelos próprios presos e ficam com a tarefa de passar as reclamações dos detentos para a administração da penitenciária. Precisam ser caras de confiança. Como têm o respeito de todo mundo, também fazem o papel de juízes nos presídios – são eles que decidem quem está com a razão quando acontece alguma desavença.

Mas com a chegada do crime organizado esse sistema começou a mudar. E que chegada: hoje um grande sindicato do crime controla nada menos que 80% dos presídios do estado de São Paulo, por exemplo. O nome dele você conhece: Primeiro Comando da Capital, ou PCC.

Hoje temida, a facção começou bem modesta. No início era só um time de futebol na penitenciária de Taubaté, interior de São Paulo. O escrete: Cesinha, Geleião, Esquisito, Dafé, Cara Gorda, Bicho Feio, Baianão e Zé Cachorro. Esses 8 eram conhecidos como “os da capital”, já que tinham vindo de São Paulo, e formavam uma equipe imbatível. Na bola e no crime. Eram a elite de Taubaté. Mandavam e desmandavam. Em 31 de agosto de 1993 um deles perguntou: “A gente só vai usar nossa popularidade para jogar bola?” Resolveram então montar uma espécie de sindicato mesmo, com a idéia de representar os detentos perante o Estado. Aí “os da capital” adicionaram as palavras “Primeiro Comando” ao nome do time de futebol. Nascia o PCC.

No estatuto do grupo, escrito naquele dia, constava que cada membro deveria ajudar o outro financeiramente, mesmo quando estivesse solto. Foi o que deu músculos à organização, que passou a adquirir armas, financiar fugas e subornar policiais e carcereiros para ter seus interesses atendidos. E continua até hoje: os afiliados que estão fora da cadeia devem contribuir mensalmente com R$ 500. Quem estiver no regime semi-aberto (quando o preso trabalha de dia e volta à cadeia só para dormir) dá R$ 250. E os detentos em tempo integral, R$ 25.

Conforme os fundadores eram transferidos de presídio, iam catequizando mais e mais presos para sua máfia. O fluxo de caixa aumentou. Logo, membros que estavam soltos se viram com fundos para ampliar seus negócios. O principal deles: comprar carregamentos de drogas, abrir bocas para vendê-las e, assim, refinanciar o “partido” com os lucros. Com o dinheiro se multiplicando, o PCC começou a agir também como um banco para seus afiliados, emprestando dinheiro a juros de 5% ao mês. E mais: começou a bancar advogados para reduzir penas dos membros.

Graças a essas engrenagens, aquilo que começou com 8 presos em Taubaté cresceu sem parar. Não se sabe exatamente quantos afiliados o PCC tem. Algumas autoridades estimam em dezenas de milhares, o que faria dela a maior facção do crime organizado no país. Uma facção que espalhou-se por outros estados, como Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e até o Rio de Janeiro, terra de outro comando bem conhecido, o Vermelho.

Todo presídio que o PCC domina funciona da mesma forma. Os faxinas deixam de ser os manda-chuvas. Cedem o lugar para os gerentes da facção, os pilotos. São de 8 a 10 em cada presídio, cada um com 100 a 200 presos sob suas ordens.

Os pilotos são eleitos por voto direto dos membros do “partido”. E o vencedor tem seu nome levado ao “torre”, o líder do presídio, que responde diretamente à cúpula do PCC. Lá em cima está Marcos Herbas Camacho, o Marcola, ajudado por um “conselho” de 20 homens de confiança. O líder da facção, aliás, passou um ano, entre 2006 e 2007, num presídio de segurança “supermáxima” (veja na página 63), que praticamente isola o preso. Mas agora está de volta a uma penitenciária menos rigorosa, em Presidente Prudente (SP).

Foto: Bruno Miranda

Mesmo com tanta gente acima na hierarquia, o poder dos pilotos é notável. Cabe a eles aplicar as punições a quem fere o código de conduta da cadeia. Uma tarefa que exige bom senso, já que existem penas diferentes para cada tipo de delito.

Se um preso usar o banheiro enquanto o outro está comendo, por exemplo, temos uma falta leve. Punição: dois dias sem comer. Mexer nos pertences de colega de cela é uma infração média. A vítima leva o caso para o piloto e ele decide se o ladrão deve tomar uma surra ou, pior que isso, ser banido para uma área isolada do presídio – o “seguro”, uma espécie de cadeia dentro da cadeia. São alas separadas, longe do convívio com os outros presos, onde o detento tem que passar 24 horas por dia na cela, sem tomar banho de sol. Quem costumava ficar nessas áreas eram os estupradores, sempre jurados de morte nos presídios. Agora, com a construção de penitenciárias específicas para eles, os seguros ficam cheios de perseguidos pelo crime organizado.

Agora, se alguém não pagar dívidas, cagüetar companheiros ou, crime dos crimes, desviar dinheiro do PCC, aí não tem jeito. Essas são faltas graves, passíveis de pena de morte. Certa vez, um preso conhecido como DVD foi acusado de roubar a organização. O piloto de sua ala formou um júri com 8 membros da facção. No pátio, formaram um círculo em volta de DVD e começou a votação. Oito a zero. O réu, como manda a política do PCC, podia escolher que morte teria: a estiletadas, por estrangulamento ou forca. Horas depois o corpo dele balançava pendurado em uma cela.

Além de resolver esse tipo de querela, os pilotos também controlam as bocas financiadas pelo PCC do lado de fora e, claro, o tráfico interno. Os preços são inflacionados, porque trazem embutidos os gastos com o suborno de agentes penitenciários. Mas não chegam a ser extorsivos: a maconha, usada o tempo todo, sai por R$ 15 o cigarro, contra uns R$ 3 nas ruas; cocaína, que custa de R$ 10 a R$ 20 o papelote do lado de fora, sai por R$ 40 lá dentro; por uma pedra de crack, ele cobram... Não, crack não pode. Primeiro, porque o PCC considera esse derivado fumável da cocaína uma droga tão perigosa que acaba matando o cliente, o que não é interessante. Também perceberam que os bandidos usuários de crack são os mais traiçoeiros, fazem tudo pelo vício e nada pelos companheiros: 2 a 0 contra o crack.

Não que isso tenha banido a droga. Nos presídios controlados por outras facções, como o Comando Vermelho, ela é tolerada. E mesmo em São Paulo os presos dão um jeitinho. “Quando tinha um membro do PCC na minha cela, na delegacia, todo mundo dizia que era contra o crack. Mas foi só ele ir embora para começar aquela fumaça. TODOS usavam”, diz Fernando.

Se é assim com as drogas, não é diferente com o álcool. A tradicional maria-louca, uma pinga feita a partir de restos de comida fermentados, é o drinque mais popular (veja a receita na página 60). Uma dose sai por R$ 10. Subornando, porém, dá para conseguir uma garrafa de pinga convencional por R$ 100. Já, se você for um chefão do crime, tudo fica mais fácil. Sombra, um figurão do PCC, resolveu comemorar seus 41 anos em 2001 com uma festa de arromba no Carandiru. Especula-se que entraram dezenas de quilos de carne, caixas de cerveja, maconha e garrafas de Martini (a bebida favorita do aniversariante). A festa varou a madrugada e ficou conhecida como “Carandiru Grill”. O arrasta-pé deu tanto o que falar entre os presos que foi parar nos jornais. Aí o então diretor do presídio foi chamado para prestar esclarecimentos à Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Depois de ouvi-lo, o então secretário, Nagashi Furukawa, declarou que não, os presidiários não tinham consumido drogas nem álcool na festa. “Mas os agentes penitenciários sabiam que muitos detentos precisaram ser carregados por colegas para suas celas enquanto o dia já amanhecia”, diz o repórter policial Josmar Jozino em seu livro Cobras e Lagartos, sobre o PCC.

Bom, terminada a festa, hora de voltar ao batente. Quer dizer: ao telefone.

Hoje não dá para conceber o crime organizado das cadeias sem o celular. As celas parecem escritórios de trabalho. Pendurados ao telefone o dia todo, o pilotos mandam matar, organizam seqüestros e acertam o financiamento de assaltos. Por exemplo: se você é um criminoso ligado ao crime organizado, pode ligar para o celular de um piloto e pedir que ele libere dinheiro para a compra de armas, ou do que mais for necessário, para sua operação. Depois tem que devolver a quantia emprestada mais 10% do valor do assalto, que vai para o caixa da organização. É como uma bolsa de valores: o crime paga pela cota de um assalto e espera pelos lucros. Vem dando certo, tanto que o maior assalto a banco da história – aquele mesmo, que tirou R$ 170 milhões do Banco Central em Fortaleza – tinha participação do PCC.

Para agilizar suas comunicações, eles montam centrais telefônicas clandestinas. É fácil. Primeiro, arranjam uma casa qualquer, compram uma linha telefônica com documentos falsos, um aparelho de PABX e colocam alguém para trabalhar como telefonista. Aí os presos ligam a cobrar da cadeia, com seus pré-pagos, para a tal linha telefônica, pedem que a telefonista transfira a ligação para outro celular e pronto: dá para falar à vontade – e sem colocar créditos, já que a conta vai para o telefone fixo da central. Essas linhas geralmente acabam cortadas por falta de pagamento. Sem falar que, vira e mexe, a polícia consegue rastreá-las e acabar com a festa. Mas aí eles compram outra linha e começam tudo de novo.

Por essas, a telefonia celular disseminou- se tanto nas prisões que, hoje, a polícia de São Paulo recolhe cerca de 900 aparelhos por mês em suas blitze nas cadeias (em 2006 eram “só” 200) – e nem assim conseguem resultado: logo que tiram os aparelhos chegam outros. Como entram? Às vezes com as mulheres que visitam os presos. Elas recebem de R$ 200 a R$ 300 para esconder o aparelho na vagina e entrar com ele. Mas, na maioria dos casos, é com a ajuda de funcionários corruptos, que cobram de R$ 500 a R$ 800 para levar um até o “cliente”. A SAP afirma que, para cada celular apreendido, há uma investigação para ver se algum servidor público facilitou a entrada. E que, quando comprova a culpa, ele é demitido. Mas, como vimos, não tem sido o suficiente.

O governo federal também promete ação. Quer instalar novos bloqueadores de celular nos presídios – os cerca de 50 em operação hoje estão ultrapassados: barram somente alguns tipos de aparelho. Os modelos mais recentes, capazes de lidar com qualquer celular, estão em teste.

Enquanto nada de concreto acontece, os telefones vão ficando tão banais nas cadeias que nem servem mais só para o crime. A viúva Ivonete, cujo marido era um daqueles 8 fundadores do PCC, sabe bem: os dois passavam horas por dia namorando ao telefone. Mas no meio do caminho tinha uma pedra: “Eu morria de ciúmes! Sabia que muitos presos fazem sexo por telefone? Achava que, se ele falasse com alguma vagabunda, já estava me traindo”. Bom, se os planos para acabar com os celulares nos presídios derem certo, as Ivonetes de hoje não terão mais esse problema.

DITADURA À VISTA


CHEIRO DE PERIGO NO AR

Depois das declarações do Lula sobre 'mulher deve ser dengosa com o seu homem, senão ele põe o cuecão e volta a dormir'...

Depois da ministra do turismo, a dona Marta Suplicy mandar a população que perde vôos, 'relaxar e gozar'...

Depois que o Renan Calheiros, usou seu dinheiro (do seu imposto, caro contribuinte) para pagar suas escapadinhas de um casamento monótono...

Depois do irmão do Lula virar apenas 'ingênuo', quando confabulava nos bastidores para se apropriar da grana alheia...

Depois de tanta gente ficar impune e até reeleita como o Valdemar da Costa Neto e outros...

TEM CHEIRO DE PERIGO NO AR!!!


Independente do partido político a que vocês simpatizem essa notícia é preciso divulgar e se indignar, pois voltar a ditadura será o fim da picada nesta altura de nossas vidas!!!
Realmente estamos sob novo AI-5, neste governo do Lula.


O Boris Casoy foi calado, despedido por ordem do Lula.
Agora, o Jabor foi processado, condenado, calado por ordem do Lula.


É um escândalo!!!

A imprensa divulgou a sentença que condenou o Jabor a pagar indenização por danos morais,
dois dias antes do Juiz assinar a sentença.


Agora o Jabor foi calado na CBN.


O Diogo Mainardi, além de processado, sofreu ameaças de morte no jornal do MR-8 (da base aliada do Lula).


Há Medida Provisória enviada pelo Lula ao Congresso, instituindo a censura prévia aos programas de rádio e TV. Estou gritando CENSURA PRÉVIA, inclusive aos programas jornalísticos.
Os censores já estão nomeados.
São muito jovens com a participação de estudantes da Universidade de Brasília (todos DEMENTES e Petistas é claro).
Agora só faltam as torturas e desaparecidos. Vamos denunciar isto pela Internet e por todos os meios que pudermos. Arnaldo Jabor expulso da CBN!!! Por favor, repassem para todos que puderem!!!
VAMOS REPASSAR!!!!
NÓS BRASILEIROS E PATRIOTAS, DEVERÍAMOS SER 160 MILHÕES DE JABORES PARA GRITAR CONTRA ESSA BADERNA POLÍTICA E TANTOS DESMANDOS QUE EXISTEM NOS PODERES DA REPÚBLICA!
Tem cheiro de ditadura no ar!!!
Leia o comentário de Dora Kramer, Estadão de Domingo:
'A decisão do TSE que determinou a retirada do comentário de Arnaldo Jabor do site da CBN, a pedido do presidente 'Lula' até pode ter amparo na legislação eleitoral, mas fere o preceito constitucional da liberdade de imprensa e de expressão, configurando-se, portanto, um ato de censura.'
Em outro trecho:
'Jabor faz parte de uma lista de profissionais tidos pelo Presidente Lula como desafetos e, por isso, passíveis de retaliação à medida que se apresentem as oportunidades!'
'Não deixem de ler e reler o texto abaixo e passem adiante'!!!!!!

A VERDADE ESTÁ NA CARA, MAS NÃO SE IMPÕE
(ARNALDO JABOR)
O que foi que nos aconteceu?
No Brasil, estamos diante de acontecimentos inexplicáveis, ou melhor,'explicáveis' demais.
Toda a verdade já foi descoberta, todos os crimes provados, todas as mentiras percebidas.
Tudo já aconteceu e nada acontece. Os culpados estão catalogados, fichados , e nada rola.
A verdade está na cara, mas a verdade não se impõe. Isto é uma situação inédita na História brasileira !!!!!!!
Claro que a mentira sempre foi a base do sistema político , infiltrada no labirinto das oligarquias ,
mas nunca a verdade foi tão límpida à nossa frente e, no entanto, tão inútil, impotente, desfigurada !!!!!!!!
Os fatos reais: com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos !!!!
Os culpados são todos conhecidos, tudo está decifrado, os cheques assinados, as contas no estrangeiro, os tapes, as provas irrefutáveis, mas o governo psicopata de Lula nega e ignora tudo !!!!!
Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza por suas ações. Sempre se acha inocente ou vítima do mundo, do qual tem de se vingar. O outro não existe para ele e não sente nem remorso nem vergonha do que faz !!!!!
Mente compulsivamente, acreditando na própria mentira, para conseguir poder. Este governo é psicopata!!! Seus membros riem da verdade, viram-lhe as costas, passam-lhe a mão nas nádegas. A verdade se encolhe, humilhada, num canto. E o pior é que o Lula, amparado em sua imagem de 'povo', consegue transformar a Razão em vilã, as provas contra ele em acusações 'falsas', sua condição de cúmplice e Comandante em 'vítima'!!!!!
E a população ignorante engole tudo. Como é possível isso?

Simples: o Judiciário paralítico entoca todos os crimes na Fortaleza da lentidão e da impunidade.
Só daqui a dois anos serão julgados os indiciados - nos comunica o STF.
Os delitos são esquecidos, empacotados, prescrevem. A Lei protege os crimes e regulamenta a própria desmoralização. Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis, pois a indignação ficou supérflua. O que dizemos não se escreve, o que escrevemos não se finca, tudo quebra diante do poder da mentira desse governo.
Sei que este é um artigo óbvio, repetitivo, inútil, mas tem de ser escrito....
Está havendo uma desmoralização do pensamento.
Deprimo-me:
' Denunciar para quê, se indignar com quê? Fazer o quê?'.
A existência dessa estirpe de mentirosos está dissolvendo a nossa língua. Este neocinismo está a desmoralizar as palavras, os raciocínios. A língua portuguesa, os textos nos jornais, nos blogs, na TV, rádio, tudo fica ridículo diante da ditadura do lulo-petismo.
A cada cassado perdoado, a cada negação do óbvio, a cada testemunha, muda, aumenta a sensação de que as idéias não correspondem mais Aos fatos! !!!!
Pior: que os fatos não são nada - só valem as versões, as manipulações.

No último ano, tivemos um único momento de verdade, louca, operística, grotesca, mas maravilhosa, quando o Roberto Jefferson abriu a cortina do país e deixou-nos ver os intestinos de nossa política.
Depois surgiram dois grandes documentos históricos: o relatório da CPI dos Correios e o parecer do procurador-geral da República. São verdades cristalinas, com sol a Pino.
E, no entanto, chegam a ter um sabor quase de 'gafe'.
Lulo-Petistas clamam: 'Como é que a Procuradoria Geral, nomeada pelo Lula, tem o desplante de ser tão clara! Como que o Osmar Serraglio pode ser tão explícito, e como o Delcídio Amaral não mentiu em nome do PT? Como ousaram ser honestos?'

Sempre que a verdade eclode, reagem.
Quando um juiz condena rápido, é chamado de 'exibicionista'. Quando apareceu aquela grana toda no Maranhão (lembram, filhinhos?), a família Sarney reagiu ofendida com a falta de 'finesse' do governo de FH, que não Teve a delicadeza de avisar que a polícia estava chegando...
Mas agora é diferente.
As palavras estão sendo esvaziadas de sentido. Assim como o stalinismo apagava fotos, reescrevia textos para contestar seus crimes, o governo do Lula está criando uma língua nova, uma neo-língua empobrecedora da ciência política, uma língua esquemática, dualista, maniqueísta, nos preparando para o futuro político simplista que está se consolidando no horizonte.
Toda a complexidade rica do país será transformada em uma massa de palavras de ordem, de preconceitos ideológicos movidos a dualismos e oposições, como tendem a fazer o Populismo e o simplismo.
Lula será eleito por uma oposição mecânica entre ricos e pobres, dividindo o país em 'a favor' do povo e 'contra', recauchutando significados que não dão mais conta da circularidade do mundo atual. Teremos o 'sim' e o 'não', teremos a depressão da razão de um lado e a psicopatia política de outro, teremos a volta da oposição Mundo x Brasil, nacional x internacional e um voluntarismo que legitima o governo de um Lula 2 e um Garotinho depois.
Alguns otimistas dizem: 'Não... este maremoto de mentiras nos dará uma fome de Verdades'!


ESSE TEXTO DEVE SE TRANSFORMAR NA MAIOR CORRENTE QUE A INTERNET JÁ VIU !!!

Abril 22, 2008

Orgulho, Resistência Contra a Opressão.



"TODOS SOMOS IGUAIS PERANTE A LEI, MAS NÃO PERANTE OS ENCARREGADOS DE FAZÊ-LAS CUMPRIR." (S. JERZY LEC)
Como todos sabem, o triângulo rosa é um símbolo que veio diretamente dos campos de concentração nazistas. Geralmente quando os campos de concentração e os nazistas são mencionados, as pessoas tendem a pensar nos judeus e no Holocausto (com toda razão), mas o fato que um grande número de prisioneiros homossexuais estavam naqueles mesmos acampamentos, fato frequentemente ignorado ou negligenciado pela história. a verdadeira história do triângulo rosa começa antes da segunda guerra mundial. O Parágrafo 175, era uma cláusula na lei alemã que proibia relações homossexuais (tais como tem, em muitos estados nos EUA). Em 1935, durante a ascensão de Hitler ao poder, estendeu-se esta incluindo beijos, abraços, ou fantasias homossexuais. 25.000 pessoas foram condenadas entre 1937 e 1939. Foram presas e levadas para os campos de concentração. A sentença incluia esterilização e geralmente castração. Em 1942, Hitler estendeu a pena de morte para os homossexuais.

Os prisioneiros dos campos de concentração nazistas eram etiquetados de acordo com seus crimes por triângulos coloridos invertidos. Os criminosos "regulares" eram denotados por um triângulo verde, prisioneiros políticos por triângulo vermelho e judeus por dois triângulos amarelos sobrepostos (para dar forma á estrela de David, o símbolo mais comum).
Os prisioneiros homossexuais eram etiquetados com triângulos rosa. Gays judeus a classe mais baixa de prisioneiro tiveram que sobrepor triângulos amarelos e rosa. Este sistema criou também uma hierarquia social entre os prisioneiros, e relatou-se que os prisioneiros com triângulo rosa recebiam, os trabalhos mais pesados, e eram frequentemente maltrados pelos soldados e até por outros prisioneiros, Embora os prisioneiros homossexuais não fossem enviados em massa para os campos de concentração de Aushwitz como muitos prisioneiros judeus, um grande número de homens gays foram executados junto com outros prisioneiros não judeus.
A tragédia real, entretanto ocorreu após a guerra. Quando os aliados derrotaram a Alemanha e o regime nazista, os prisioneiros judeus, políticos e restantes foram liberados dos acampamentos (os assassinos e criminosos, etc... não foram liberados por razões óbvias) Os prisioneiros homossexuais nunca foram liberados porque o Parágrafo 175 permaneceu na lei alemã ocidental até 1969. Estes homens inocentes virão seus companheiros de prisão sendo libertados, mas permaneceram presos por mais 24 anos.
O triângulo rosa começou ser usado pelo movimento gay nos anos 70. Mas sua popularidade iniciou-se verdadeiramente nos anos 80 quando a ACT-UP (AIDS Coalition To Unleash Power) adotou-o como seu símbolo. O símbolo triângulo rosa está conectado com essa história de opressão e a luta, e é agora usado para evitar que outro Holocausto aconteça novamente.Como a palavra "queer", símbolo do ódio que foi recuperado e agora representa orgulho.
DIRECIONADO AO MUNDO GLTTB ! PARA QUEM ENTENDE...

O Lado Obscuro da "Lei da Atração"



Muito Além do “Segredo”

É possível acreditar em Deus e na lei da atração ao mesmo tempo? E se a lei da atração de fato funciona, por que ela não é citada na Bíblia? Ou será que ela está lá em algum lugar?

Perguntas como estas têm sido feitas por pessoas de todas as partes do mundo após conhecerem o best-seller O Segredo. Segundo a lei da atração, apresentada no livro de Rhonda Byrne, você pode obter quase tudo o que deseja se treinar sua mente para enviar pensamentos positivos que permitirão a realização de seus sonhos.
A capa é parecida, há até uma letra capitular que lembra um selo de uma velha escritura, porém o visitante da Bienal do Livro do Rio de janeiro que folhear "Verdades e Mentiras da Lei da Atração, do professor norte-americano Philip Hill, perceberá que ele concorda apenas um pouco com a australiana Rhonda Byrne, autora do best seller The Secret (O Segredo), o livro mais vendido do momento nos Estados Unidos e no Brasil.
Este "segredo" que já seduziu cerca de seis milhões de pessoas com a promessa de que a força do pensamento pode realizar qualquer coisa – desde tornar alguém milionário até lhe trazer o par perfeito – estimulou o professor de História e Sociologia Philip Hill, de Los Angeles, a escrever o seu primeiro livro, "apenas para contestar alguns dados divulgados pelo livro de Rhonda Byrne".
Avesso a badalações, Hill se diz "apenas um professor" e conta que resolveu ler o livro da escritora australiana depois de ver um trailer do filme que citava grandes nomes da humanidade como "sabedores do segredo". Fanático por História, Philip leu "The Secret" e disse ter ficado preocupado com a maneira "inconseqüente" como os fatos são apresentados no livro:
"Entre muitas outras temeridades, Rhonda e seus mestres defendem que conseguimos as coisas sem dificuldade, que não é preciso saber o "como" e citam Thomas Alva Edison como um dos gênios sabedores deste "segredo". Ora, Edison era um workaholic, nem dormia direito, só tirava uns cochilos, por isso inventou 1.300 coisas, e só para chegar ao filamento certo da lâmpada elétrica testou 3.000 materiais".
O professor Hill diz, ainda, que sorte é algo que existe, está comprovado cientificamente, nem tudo depende do nosso poder mental. Há fatos que não podemos mudar. Diz ainda que não é verdade que as pessoas pobres pensam menos em dinheiro do que as ricas. Critica a afirmação de que as pessoas mais ricas são as que sabem o "segredo". "É perigoso associar qualquer tipo de superioridade à quantidade de dinheiro que cada um tem".
Hill afirma que, como professor, sentiu-se na obrigação de alertar para alguns exageros e inverdades do livro, mas nem imaginou que a obra seria lançada no Brasil. Porém, ele avisou que não virá para a Bienal do Livro, no Rio, e que também não pretende polemizar com Bob Proctor, que virá ao Brasil para três palestras, de 21 a 24 de novembro, em Curitiba, Porto Alegre e São Paulo.
"Bem, o que eu tinha de dizer está no livro, por favor, não me pergunte mais nada. Não quero polemizar com este sr. Proctor. Ele é um mestre em falar com grandes platéias, certamente tem recursos de oratória superiores aos meus. Eu só tenho a lógica e o bom senso ao meu lado", diz o professor Hill.
Com 55 anos, dois filhos e um neto, morador de um condomínio na região de Los Angeles, Philip Hill não quer ser confundido com mais um oportunista em busca de dinheiro fácil. "Sou apenas um professor, vivo como professor. Talvez escreva outros livros, mas apenas para alertar e ajudar as pessoas, nada mais do que isso, você entende?".
Adepto de "uma rotina saudável e discreta", como fez questão de afirmar, Mr. Hill interrompeu bruscamente a nossa troca de e-mails quando lhe pedimos fotos para a divulgação do livro no Brasil. "No photos, please!", respondeu, e logo em seguida deu por encerrada a breve entrevista. Seu livro, lançado no Brasil pela Editora Novo Século, é encontrado em todas as livrarias e em vários sites, entre eles Submarino e Americanas.

Felipe Castanheira

Abril 20, 2008

Sonhos de Ícaro



Ao som dos motores e dos pneus, carro avançou como foguete

Mirna Bom Sucesso
Fotos: Renato Takahashi

(18-04-08) – “Um acidente envolvendo um carro modelo Santana e uma carreta provocou a morte de três jovens na rodovia Anchieta (...). O carro disputava racha com outro veículo quando bateu atrás da carreta”.


Folha de São Paulo, 3/2/2007



Naquela manhã, Ícaro acordou atordoado. O sonho se repetia pela terceira vez: na companhia do pai, ele se perdia em um labirinto de muros altos, recobertos por vegetação úmida. Ali, pouca esperança havia de sair com vida. O pai, entretanto, um excelente engenheiro, teve a idéia de recolher as penas das aves que acarpetavam o humo do chão e montar dois pares de asas.

O sonho terminava com pai e filho voando para a liberdade. Deslumbrado com a beleza do céu sobre sua cabeça, Ícaro avançava para mais longe. E, ao longe, escutava os gritos do pai, “não voe tão alto, não...!” Ícaro acordava assustado com o pesadelo e nunca se lembrava do final.

Das interpretações equivocadas que se seguem aos sonhos, ele intuía que o problema era o pai, sempre disposto a considerá-lo criança e ditar-lhe os caminhos. Sentia-se privado de viver o mistério. Era o discurso da autoridade versus o discurso da novidade que liberta.

Porque é comum acreditar que as limitações estão fora de nós, que os inimigos são os outros, que não há nenhuma verdade além da que podemos ver; porque é comum levar décadas para, um belo dia, encontrar todos os demônios reunidos em nosso palco interior, personagens de nós mesmos; por tudo isso é que Ícaro exigiu as chaves do carro para uma volta com os amigos.

Como ele, outros Ícaros tomaram seus lugares para decolar, uma viagem de adrenalina e superação de limites. Os carros, eram dois, se posicionaram, os motoristas se olharam cúmplices. Na pista vazia como um céu sem estrelas, os motores roncaram graves, e os pneus, incensados pela fumaça do asfalto, deslizaram estrada adentro como foguetes.

Infinita highway, cento e dez, cento e vinte, cento e cinqüenta. O horizonte trêmulo e suspenso sob os pés de Ícaro, peso sobre o pedal. O peso da escolha, da incerteza, de não saber aonde essa vida doida ia dar. Ao longe, do fundo de si, a voz do pai ecoava “não voe tão alto, não...!”

As leis da vida não perdoam os equívocos de interpretação, assim como a gravidade não perdoa a criança inocente debruçada na janela. Ícaro queria lutar contra a voz que, no seu entendimento, obrigava-o a se interromper em plena juventude. O jovem lustrava com orgulho as grades de seu cárcere.

Pisou mais fundo, não viu, não ouviu a carreta. Como meteoro, ela apareceu de repente, cortante, parada com ponte, como portal.

Nas lembranças que nos sobrevêm no átimo de segundo entre a vida e morte, Ícaro vislumbrou o final do sonho: seduzido a tocar no teto do céu, no azul transbordado de imensidão, Ícaro não percebeu que os raios do sol derretiam a cera de suas asas. Debateu-se em um mar sem água para deslizar rasante na parede do oceano.

Façamos uma reverência às vidas que se perderam justo no momento em que mais desejavam se encontrar. Que elas possam inspirar outros Ícaros a buscarem sentido no que a vida pode revelar, não nos segredos que a morte oculta. Porque para estes não precisamos de pressa. Descobri-los nos será inevitável.
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E-mail: mirna@webmotors.com.br

E-mail a Esposa do Fantasma



Cara Senhora Demichel,

Através da Internet, tomei conhecimento de seu casamento com o Sr. Demichel, falecido há um ano e meio. Soube que a cerimônia ocorreu na prefeitura de Nice e que os amigos e familiares do casal se fizeram presentes. Soube, também, que o choque do acidente que vitimou seu então namorado levou-a a perder a criança que esperava, o que lamento. Teria sido uma bela e viva lembrança do Sr. Dmichel.

Gostaria de pedir-lhe que me esclarecesse algumas dúvidas, uma vez que não conheço a lei francesa e gostaria de saber o que se considera, em sua terra, como casamento:

Inquieta-me, em primeiro lugar, o fato de o casamento supor, necessariamente, a união de duas pessoas em corpo e alma. Jesus explicou aos saduceus que, no céu, não há casamento. Lá, as pessoas não se casam e não se dão em casamento, pelo mero fato de não terem mais corpo. O casamento supõe a união dos corpos pelo ato conjugal. Como a senhora e o falecido Sr. Demichel, a sete palmos do chão há dezoito meses, cumprirão este item indispensável à união matrimonial?

Um outro ponto em que careço de esclarecimento, é o fato de que, para que exista o casamento, faz-se necessário o consentimento explícito de ambas as partes – falo do casamento cristão, pois, para mim, é o único que existe, uma vez que é o único que faz de duas pessoas uma só. Como foi possível ao Sr. Demichel dizer o seu “sim”? Como a senhora resolveu esta lacuna? Utilizou uma procuração? Neste caso, quem a assinou? Nem sequer as impressões digitais do Sr. Demichel podem ser colhidas...

Se não a aborreço, há ainda uma coisinha: o casamento verdadeiro é sempre fecundo. Isso é, supõe que o casal se uma com a intenção clara de procriar, de ter filhos. Fico a imaginar como o Sr. Demichel, falecido, alma separada do corpo, poderá cumprir este item indispensável à validade do matrimônio.

Uma curiosidade: qual será o estado civil da senhora? Aqui no Brasil, a gente costuma dizer de um mau casamento que a esposa é “viúva de marido vivo”. Será que a senhora é a versão francesa, a “casada de marido morto”? Quando perguntarem seu estado civil, o que responderá? “Casada?” “Viúva?” Ou será que a lei daí supõe uma casada-viúva como estado civil?

Perdoe-me, Sra. Demichel. Não quero fazer brincadeiras com seu estado, mas é que a própria notícia me soa como brincadeira. A senhora, de fato, casou-se com o Sr. Demichel? E, se casou-se, estando a alma já separada do corpo (é isso a morte), a senhora casou-se com o corpo ou com a alma? Se foi com o corpo, depois de um ano e meio, provavelmente não restou muita coisa. Se com a alma, bem, teríamos de voltar ao início da carta.

Há ainda uma pergunta. É sobre a fidelidade. Como a senhora sabe, o casamento supõe o amor fiel e exclusivo. Isso significa que a senhora, tendo casado com uma pessoa morta, não poderá vir a casar-se novamente, a não ser que o morto morra. Aí, a senhora há de convir, temos um grande problema! A senhora não teria como amar um outro homem e casar-se com ele a não ser que o falecido Sr. Demichel falecesse!

Da sua parte, este item é uma vantagem. Não há o menor perigo de o Sr. Demichel ser-lhe infiel. Não há concorrência no céu. Outra vantagem a seu favor, é que não há perigo de a senhora desrespeitá-lo, nem na saúde, nem na doença, nem na alegria, nem na tristeza. Só haveria como desrespeitá-lo na morte e isso, mesmo sem desejar, a senhora já fez. O resto, fica tudo igual, o que – havemos de convir – não deixa de ser uma certa vantagem, uma certa estabilidade parada como a própria morte.

Os problemas não acabam por aqui. Veja, Sra. Demichel. Com todo o respeito: ao casar-se, os esposos se tornam uma só carne e, onde uma só é a carne, um só é o espírito. A carne vem primeiro, entende? Como isso será resolvido? A senhora morre ou ele ressuscita?

Há, além disso, a complementaridade entre homem e mulher. O enriquecimento mútuo pelo diálogo, pela renúncia de cada dia, pela personalidade de um que enriquece a do outro, pelo crescimento comum, pela santificação um do outro. Uma vez que isso se faz com o olhar, o sorriso, as palavras, a presença, com o perdão, a confiança, a esperança, como será no caso de vocês, em que sua cara metade não mais vê, nem sorri, nem fala, nem ouve, nem perdoa, confia ou espera?

A senhora afirma, muito nobremente, que a morte de Eric não mudou seus sentimentos. E era para mudar? Como a senhora deve saber, um casamento não pode basear-se em sentimentos. Sua base é Cristo que suscita o amor mútuo e o renova a cada dia. Casamento baseado em sentimentos, Sra. Demichel, com morto ou com vivo, um dia acaba. A base é o amor e o amor humano supõe gente inteira, de corpo e alma, entende? Não foi à toa que o Verbo se fez carne!

Outra frase nobre da senhora, foi que, ainda que Eric esteja morto, a senhora respeita os valores que compartilhava com ele. Muito bom. É isso mesmo. No entanto, o fato de eu respeitar os mesmos valores de bilhões de pessoas no mundo inteiro, não é suficiente para que me case com elas. O casamento é fruto de um tipo de amor entre duas pessoas vivas. A este amor, chama-se amor conjugal e, como todo amor legítimo, originado da Trindade, dura para sempre, renova-se sempre.

Imagino-a, Sra. Demichel, daqui a 40 anos. Continuará sozinha, aos 75, sem filhos, sem marido visível, cheia de rugas. Imagino-a respondendo a novos amigos. Meu marido? Bem... continua no mesmo local, do mesmo jeito e com a mesma idade de quando nos casamos... Nunca tivemos problemas de relacionamento...

Perdoe-me, Sra. Demichel, mas, em minha confusão, preciso de ajuda para compreender que tipo de motivação a levou a cometer este desatino. Preciso que me ajude a entender se a senhora se leva a sério. Necessito que alguém me sacuda, me belisque, para acreditar que este é apenas um fruto mórbido de uma sociedade que pensa ser o casamento um mero contrato, um “papel passado” tão sem valor que pode ser firmado até com um morto.

Olha, Sra Christel Demichel, a senhora tem um nome tão belo, derivado do nome de Cristo, não estrague esta semelhança, apenas sinal de sua identidade mais profunda. Enquanto é tempo, ouça o meu conselho: corra a divorciar-se! Separação de corpos, a senhora já tem. Separação de bens, também. Não vai haver litígio. Faça algo por si mesma. Seu marido não vai se ofender, nem vai se mexer. Não vai dizer nada, nadinha. Liberte-se dessa mentira macabra e tenha coragem de amar de verdade um homem vivo, completo. Será, certamente, muito mais exigente que o finado, mas dará sentido real à sua vida, entende?

Com todo o respeito e sincera vontade de leva-la à verdade,

Maria Emmir

PS. Ainda um conselho, se me permite: procure ler um documento fantástico sobre a família e o casamento. Chama-se “Familiaris Consortio” e foi escrita por um homem santo que ainda tem esperança de que o homem seja salvo pelo amor que tenha conhecido em sua família. Se lhe sobrar tempo – não há mesmo ninguém para desarrumar a casa ou sujar a louça – leia também a “Humanae Vitae”, com menos de vinte páginas, escrita por outro homem santo, que previu, entristecido e preocupado, casos como o seu e procurou alertar o mundo para evitá-los. Foi, infelizmente, uma voz a clamar, solitária, no deserto.



Emmir Nogueira

Loira, burra e, ainda por cima, mulher e velha. Só falta ser pobre!



Quem de nós não ouviu, muitas vezes estoicamente, uma coleção de piadinhas sobre loiras burras? Qual internauta nunca recebeu e-mails sobre loiras, sobre burras que, antes de serem uma coisa e outra são mulheres?

Sabe como um homem faz para tirar dinheiro no caixa rápido com um cartão? Sabe como faz uma mulher? Cá, cá, cá... e todos os presentes, tão inteligentes quanto a loira burra, caem na gargalhada ao ouvir a explicação de como ela pára o carro, procura o cartão na bolsa, etc., etc. Sabe aquela da loira que... e nova seção de risadaria de homens e – incrível! – de mulheres. Aqueles preconceituosos e estas, coniventes, sem respeito a si mesmas, sejam loiras ou morenas, tingidas ou naturais.

Sabe que mulher não fica velha, fica loira? Cá, cá, cá... E lá se vai outra seção de risos que bem mereceria ser denunciada a quem quer que seja encarregado de cumprir a lei contra o preconceito – se é que se tem a lucidez de considerar o preconceito contra mulheres, loiras, burras e velhas como preconceito. Talvez não esteja previsto na lei... Bem, a menos que, agora, que a esposa do presidente é loira, resolvamos rever nossos conceitos.

O que será que está escondido atrás de tudo isso? Insegurança dos homens? A idéia pouco arejada de que a mulher é sempre uma ameaça? Ignorância? Sede de popularidade? Vulgaridade? Mesquinhez? Falta de sensibilidade? Vingança? Inveja? Competição? Soberba? Falta de inteligência? Exceto por essa última, não sei, sinceramente! É tão espantoso que coisas como essas aconteçam, em especial no meio de pessoas consideradas educadas e razoavelmente esclarecidas, que uma explicação simplista não conseguiria abranger o fenômeno, a um tempo social, cultural, psicológico, mas, certamente, passível de uma responsabilização pessoal da parte de quem o propaga.

Jesus, em seu tempo, revolucionou o conceito que se tinha da mulher, sobre cujos ombros pesavam inúmeras restrições por impureza e sanções por adultério, ao ponto de não ser contada como gente nos levantamentos numéricos das multidões. O Senhor fez isso porque amou! Eis o segredo! O amor não discrimina, respeita e acolhe!

Embora a literatura traga honrosas exceções de mulheres-ícone das mais variadas virtudes, pinta, igualmente, a figura da mulher como uma bruxa ameaçadora e perigosa, traiçoeira e enganosa, que usa sua irresistível beleza e é capaz de qualquer coisa para enganar e seduzir sua vítima: o homem! Não faltam exemplos no imaginário popular no mundo inteiro. Você já viu algum bruxo, no masculino, em contos de fada? Quem aparece mais, o padrasto ou a madrasta malvada? Quem é o invejoso por excelência, aquele que é capaz de tudo para prejudicar o irmão ou irmã cheios de candura e bondade: o homem ou a mulher?

Ah, o peso do preconceito! Que relação misteriosa consegue unir a cor dos cabelos e o nível de inteligência? Que ligação maliciosa existe entre a sexualidade e a maldade? Que engenho conseguiria perverter a figura da mãe carinhosa e apagá-la a tal ponto que as figuras da mãe e da mulher dissociem-se completamente? Que tipo de raciocínio chega à conclusão de que a mulher velha é feia? Que escravizante bitola afirma que é feia a gorda? Que associação mesquinha conclui que rugas não são belas? Quem inventou que alguém tem que ser belo para ser amado, invertendo a verdade de que se torna belo quem é amado? Que sofisma cruel diria que se é loira e é burra, logo é mulher e, se é mulher, logo é perigosa? Ah! A cegueira egoísta, mesquinha, marginalizante do preconceito! Preconceito contra o outro e – pior! – contra si mesmo!

Falta-nos o amor! Falta-nos o amor! Porque além de tudo isso, a infelicidade de ser mulher, velha, loira e, portanto, burra, tudo isso desaparece como um sopro quando esta loira e velha tem a sorte de ser rica ou influente. Tudo se resolve como num passe de mágica. O raciocínio se reverte: se é loira, logo é burra. Porém, se é loira e rica, logo é a inteligência personificada. Se é velha e tem rugas, logo é feia. No entanto, se é velha, enrugada como ninguém, e rica, meu Deus, é a beleza mais acabada. Pode até ser mulher, não será ameaça, a não ser que o dinheiro dela ameace o meu!

Falta-nos o amor! Falta-nos o amor! O mesmo homem que, quando menino, sangrou com um murro o nariz do colega que xingou sua mãe é o adulto de hoje que, não tendo encontrado o caminho do amor, desrespeita a mulher, merecendo – embora não receba – o mesmo tratamento que deu ao colega na infância.

Loira, burra, velha, enrugada, gorda, feia, pobre e, ainda por cima, mulher. Triste sina a de quem nascer assim no Brasil! Tirando a inteligência, que não conhecemos, e as rugas – esticadas, talvez, pelo plástico que a matou – tivemos, há pouco, uma maria-do-carmo morta, esquartejada e jogada em sacos plásticos para lixo. Não sabemos se era como lixo que se sentia, caso tivesse preconceito contra si mesma. Podemos imaginar, porém, que pelo menos a lixo a mente doentia do plástico a reduziu bem antes de matá-la. Ele, enfermo, fez materialmente o que o preconceito é capaz de fazer intelectual e espiritualmente. Diante disso, as piadas e e-mails são só um sintoma, só a pontinha do iceberg.

Falta-nos o amor! O preconceito tem suas raízes no temor! E temor e amor se excluem, como diz São João, porque o amor é acolhida irrestrita, enquanto o temor é rejeição sem fundamento.

Maria Emmir

Pílula do dia Seguinte



Pontifícia Academia para a Vida
Declaração sobre a chamada
"pílula do dia seguinte"

Como é comumente conhecida, a chamada pílula do dia seguinte recentemente foi posta à venda nas farmácias da Itália. Ela é um bem-conhecido produto químico (de tipo hormonal) que freqüentemente — mesmo na semana passada — tinha sido apresentado por muitos da área e pelos meios de comunicação de massa como um simples contraceptivo ou, mais precisamente, como um "contraceptivo de emergência", que se usado dentro de um curto tempo depois de um ato sexual presumivelmente fértil, deveria unicamente impedir a continuação de uma gravidez indesejada. As reações críticas inevitáveis daqueles que levantaram sérias dúvidas sobre como esse produto funciona, em outras palavras, que sua ação não é meramente "contraceptiva", mas "abortiva", receberam rapidamente a resposta de que tais preocupações mostravam-se sem fundamento, uma vez que a pílula do dia seguinte tem um efeito "anti-implantação", deste modo implicitamente sugerindo uma clara distinção entre o aborto e a intercepção (impedimento da implantação de um ovo fertilizado, isto é, o embrião, na parede uterina). Considerando que o uso deste produto diz respeito a bens e valores humanos fundamentais, a ponto de envolver as origens da própria vida humana, a Pontifícia Academia para a Vida sente a responsabilidade premente e a necessidade definitiva de oferecer alguns esclarecimentos e considerações sobre o assunto, reafirmando, além disso, as já bem conhecidas posições éticas sustentadas por precisos dados científicos e reforçadas pela Doutrina Católica.

1. A pílula do dia seguinte é um preparado a base de hormônios (pode conter estrogênio, estrogênio/progestogênio ou somente progestogênio) que, dentro de e não mais do que 72 horas após um ato sexual presumivelmente fértil, tem uma função predominantemente "anti-implantação", isto é, impede que um possível ovo fertilizado (que é um embrião humano), agora no estágio de blástula de seu desenvolvimento (cinco a seis dias depois da fertilização) seja implantado na parede uterina por um processo de alteração da própria parede. O resultado final será assim a expulsão e a perda desse embrião. Somente se a pílula fosse tomada vários dias antes do momento da ovulação poderia às vezes agir impedindo a mesma (neste caso ela funcionaria como um típico "contraceptivo"). De qualquer forma, a mulher que usa esse tipo de pílula, usa pelo medo de poder estar em seu período fértil, e assim pretende causar a expulsão de um possível novo concepto; sobretudo não seria realista pensar que uma mulher, encontrando-se na situação de querer usar um contraceptivo de emergência, pudesse saber exatamente e oportunamente seu atual estado de fertilidade.

2. A decisão de usar o termo "ovo fertilizado" para indicar as fases mais primitivas do desenvolvimento embrionário não pode de maneira alguma conduzir a uma distinção artificial de valor entre diferentes momentos do desenvolvimento do mesmo indivíduo humano. Em outras palavras, se pode ser útil, por razões de descrição científica, distinguir com termos convencionais (ovo fertilizado, embrião, feto etc.) os diferentes momentos em um único processo de crescimento, nunca pode ser legítimo decidir arbitrariamente que o indivíduo humano tem maior ou menor valor (com a resultante variação da obrigação de protegê-lo) de acordo com seu estágio de desenvolvimento.

3. É claro, então, que a comprovada ação "anti-implantação" da pílula do dia seguinte é realmente nada mais do que um aborto quimicamente induzido. Não é intelectualmente consistente nem cientificamente justificável dizer que não estamos tratando da mesma coisa. Além disso, parece suficientemente claro que aqueles que pedem ou oferecem essa pílula estão buscando a interrupção direta de uma possível gravidez já em progresso, da mesma forma que no caso do aborto. A gravidez, de fato, começa com a fertilização e não com a implantação do blastocisto na parede uterina, que é o que tem sido implicitamente sugerido.

4. Consequentemente, do ponto de vista ético, a mesma absoluta ilegalidade dos procedimentos abortivos também se aplica à distribuição, prescrição e uso da pílula do dia seguinte. Todos os que, compartilhando ou não a intenção, cooperam diretamente com esse procedimento, são também moralmente responsáveis por ele.

5. Uma outra consideração deveria ser feita com respeito ao uso da pílula do dia seguinte em relação à aplicação da Lei 194/78, que na Itália regula as condições e procedimentos para a interrupção voluntária da gravidez. Dizer que a pílula é um produto "anti-implantação", em vez de usar o termo mais transparente "abortivo", torna possível evitar todos os procedimentos obrigatórios requeridos pela Lei 194 a fim de interromper a gravidez (entrevista prévia, verificação da gravidez, determinação do estágio de crescimento, tempo para reflexão etc.), praticando uma forma de aborto que é completamente oculta e não pode ser registrada por nenhuma instituição. Tudo isso parece, então, estar em direta contradição com a aplicação da Lei 194, ela mesma contestável.

6. Finalmente, como tais procedimentos estão-se tornando mais disseminados, nós encorajamos fortemente a todos os que trabalham nesse setor a fazer uma firme objeção de consciência moral, o que gerará um testemunho prático e corajoso do valor inalienável da vida humana, especialmente em vista das novas formas ocultas de agressão contra os mais fracos e mais indefesos indivíduos, como é o caso de um embrião humano.

Fonte: Vaticano.va

O Dilema das Células Tronco



Miguel Beccar Varela

É lícito eliminar uma vida para salvar outra? A moral opõe-se ao progresso científico?

No mundo pós-moderno, a realidade objetiva é manipulada e profundamente deformada pelos meios de comunicação. Estes ‘informam’ as pessoas sobre uma realidade que já não é mais a verdadeira, mas aquilo que os estudiosos chamam ‘hiper-realidade’, artificialmente criada pela tecnologia da comunicação. A propaganda da TV, por exemplo, simula imagens que intensificam a realidade, fabricam um ‘hiper-real’ espetacular, um ‘real’ mais real e mais interessante que a própria realidade.
As pessoas, num estado que se poderia chamar de hipnótico, sofrem indefesas essas influências que subvertem sua visão das coisas, e conseqüentemente, sua atitude perante elas. Tal “hiper-realidade” as submerge num mundo de sonhos de uma realidade que não existe. Sonhos de uma felicidade consistente no gozo da vida, longe de toda a esperança do Céu. A Lei natural, e a moral católica sobretudo, são deixadas de lado ou atacadas de frente por essa indústria do sonho.

Não encontrando no ambiente familiar — cada vez mais evanecido — o apoio à voz da própria consciência, suas certezas morais vão se apagando, e cada vez mais as pessoas se sentem sós. É essa a situação. Cada um é uma ilha no meio da multidão.

A Lei natural, e sobretudo a moral católica são deixadas de lado ou atacadas de frente por essa indústria do sonho.

As ciências relacionadas com a vida — como a Medicina, a Biologia, etc. — são objeto de especial interesse nessa manipulação avassaladoramente hedonista e narcisista da realidade, na linha de alimentar o sonho de uma vida sem dor, sem enfermidades, e talvez sem morte. O terrível é que, como sempre acontece, tal sonho é apresentado como sendo realizável ao preço do crime, ao preço do atentado contra a vida. É expressão da mentalidade pagã, que dizia: “Meu bem-estar ao preço de tua desgraça, de tua morte”.

Há tempos já, a ciência da propaganda se ocupa das “células-tronco”, terreno onde a verdadeira ciência tem realizado notáveis avanços, e que os técnicos da “hiper-realidade” têm deformado até transformá-lo numa peça a mais do sonho de um mundo sem dor; ainda que contra Deus.

A Moral e a Vida de Negócios



"Em si mesma, a prática dos negócios é perfeitamente compatível com as mais estritas exigências da lei moral. Mas é a sua orientação para a procura do lucro que à expõe a tentações". De fato, "Aqueles que ambibionam tornar-se ricos caem nas armadilhas do demônio e em muitos desejos insensatos e nocivos, que precipitam os homens no abismo da ruína e da perdição. Porque a raíz de todos os males é o amor ao dinheiro. Acossados pela cobiça, alguns se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições"(I Tim 6, 9-10).

O Papa Pio XI julgava assim a prática dos negócios: "A descristianização da vida social econômica e sua consequência, a apostasia das massas laboriosas, resultam dos afetos desordenados da alma, triste herança do pecado original, o qual, depois de ter destruido o harmoniosso equilíbrio das faculdades, predispõe os homens a se deixarem facilmente arrastar pelas paixões más, e os incita violentamente a pôr os bens perecíveis deste mundo acima dos bens duradouros da ordem sobrenatural.

Daí vem esta sede insaciável das riquezas e dos bens temporais, que, sem dúvida, em todos os tempos, impeliu o homem a violar a lei de deus, e a calcar aos pés os direitos do próximo, mas que, no regime econômico moderno, expõe a fragilidade humana a cair ainda mais frequentemente.

A instabilidade da situação econômica e de toda a organização econômica exigem de todos os que são integrados nela a mais absorvente atividade...Resulta daí, em alguns, um tal endurecimento da consciência, que todos os meios lhes são bons, contanto que lhe permitam aumentar seus lucros, e defender das bruscas vicissitudes da fortuna os bens tão penosamente adquiridos".

A desordem moral que caracteriza a vida econômica moderna se manifesta de dois modos: ou por atos que cosntituem violações flagrantes da lei moral, e dos quais se tornam culpados muitos homens de negócios, ou por meio de práticas e de usos que, sem contradizer abertamente as exig6encias da lei moral, criam todavia uma atmosfera malsã, pouco favorável ao desabrochar de uma honestidade irrepreensível, e pelo contrário, propícia ao relaxamento dos costumes.

São muitas vezes os católicos acusados de se mostrarem os menos escrupulosos em negócios. É que as suas fraquezas desmentem tão descaradamente os princípios aos quais pretendem aderir, que chegam a provocar escândalo naqueles que a isto não se comprometeram pela fé, mas muitas vezes têm agido com mais inteireza do que eles.

Justiça e Caridade

A atividade econômica está sujeita principalmente a dias grandes virtudes sociais: a justiça e a Caridade. A justiça é a virtude que leva a respeitar o direito dos outros, e a dar a cada um o que lhe é devido. É recebida no Batismo, mas se fortifica pelo exercício. A Caridade obriga a fazermos a outrem todo o bem que desejamos para nós, e proibe-nos a fazer a outrem o que não queremos que se faça contra nós.

A caridade abranda a justiça no que ela tem de rígido demais. Por este fato, tende a conciliar harmoniosamente as diverg6encias que nascem da oposição de interesses: Ala amortece a aspereza da concorrência: usa de benevolência em todas as relações da vida econômica, que é, na realidade, um contínuo interc6ambio de serviços. O homem de negócios cristão empenhar-se-á em conformar toda a sua conduta à lei superior da Caridade.

Como:

1. Sem renunciar à procura moderada de lucro, recusará a considerar a vida de negócios como uma profissão essencialmente lucrativa. O proveito será para ele a retribuição do servicó que prestou aos seus semelhantes, provendo-os de coisas necessárias ou úteis à sua vida. Este modo de encarar as coisas lhe imporá uma sábia moderação na busca de lucro. Saberá até, eventualmente, renunciar a qualquer lucro, para responder à extrema necessidade em que se encontra o próximo, dos bens que tem à sua disposição.

2. Ele se acostumará a considerar seus colegas, menos como concorrentes perigosos, do que como companheiros, empenhados como ele, num mesmo serviço de utilidade pública. Longe de os invejar, ele estará sempre disposto a assistí-lo e a alegrar-se do bom êxito de seus esforço. A concorr6encia, deixando de ser uma luta sem piedade se converterá , tanto quanto depender da sua vontade, em um estímulo para o bem de todos.

3. Dominado por esta Caridade, o homem de negócios cristão deixará de ver no pessoal assalariado, meros instrumentos de sua própria fortuna: saberá tratá-los como íntimos colaboradores. Para tanto, o patrão não precisa abdicar de sua autoridade: ele é o responsável por coordenar as atividades dos seus funcionários, para levá-las todas ao fim desejado. Mas a sua autoridade se despojará da arbitrariedade e dureza, e se exercerá mas com persuasão, com benevolência e até com indulgência diante das fraquezas humanas, quando isto for necessário.

4. Comprador e/ou vendedor, o homem de negócios, por mais cristão que seja, terá de salvaguardar os objetivos de sua empresa, mas evitará tomar atitudes egoístas e unilaterais, para o que não deverá considerar sua negociação como um conflito de interesses que no fim reduzirá uma das partes ao papel de perdedor. Muito pelo contrário, inspirar-se-á sinceramente, na afirmação de sto Tomás de aqino, a saber: o intercâmbio foi instituído para trazer vantagem a ambos os contraentes.

5. Cabe, por justiça e Caridade, aos empregadores, pregar com o exemplo de uma atitude irreprensível, ao seu pessoal, a obrigação de impedirem toda promiscuidade na organização do trabalho, e o cuidado de não imporem aos seus colaboradores nenhum trbalho que seja contra a sua consci6encia.

6. Por outro lado, os empregados devem servir lealmente à firma coma qual colaboram, não lhes sendo permitido sacrificar os interesses da mesma com o fim de obter vantagens pessoais.

Fonte: Arquivo Shalom

Abril 16, 2008

Golpes Disfarçados



por Cândido Norberto

Repito hoje, por oportuna, uma sugestão que já andei dando: se um dia você, leitor, se sentir em dificuldades tais que o levem a pensar em soluções desesperadas, não vacile: redija um estatuto e funde uma sociedade de fins civis e religiosos. A essa entidade batize com uma denominação que envolva o nome de Deus. Ou de seu filho, Jesus. Escreva que a nova instituição terá por objetivo divulgar a fé cristã e propalar o velho e o novo testamentos. Para sócios fundadores, convide não mais do que cinco pessoas de qualquer profissão. Ou mesmo sem profissão alguma. Distribua as funções de presidente, vice, 1º e 2º secretários e de tesoureiro.

Em artigos e incisos seguintes, estabeleça que todos os membros da instituição não participarão das suas rendas (contribuições que vier a receber). Abra, porém, uma exceção: o presidente. Que será você mesmo. E que se qualificará como sendo, por exemplo, espiritualista-vidente.

A seguir, esclareça que somente o presidente - você! - receberá verba de representação e ajuda de custo, cabendo-lhe, com exclusividade, abrir e movimentar contas bancárias. E também advertir, suspender e expulsar qualquer membro da corporação, inclusive da diretoria.

Isso posto, leve o original dos estatutos ao cartório de títulos e documentos, no qual, na forma da lei, que é risonha e franca para esses assuntos, serão devidamente registrados. Após, publique-os no diário oficial do Estado. Com procedimentos tais, você estará oficialmente reconhecido como chefe espiritual de uma nova igreja. Que nem precisará ser nacional ou universal; se for municipal ou mesmo distrital, servirá.

A partir daí você estará em condições de, em sua própria casa ou em outro local qualquer, começar a arregimentar fiéis. E a fazer, ou melhor, a prometer milagres de todo gênero. Como, por exemplo, curar todas as doenças, Aids e câncer nelas incluídas; resolver problemas como desemprego, desavenças conjugais, amores mal correspondidos, maus-olhados e quantos lhe forem solicitados pelos seus seguidores. Em troca, poderá pedir contribuições financeiras, porque, afinal, como se sabe, é dando que se recebe. De resto, como ficou registrado em cartório, você não é um sujeito qualquer, mas sim um espiritualista-vidente. Como tal, com habilidades, você progredirá e, em breve tempo, poderá estar propagando sua fé e anunciando seus milagres em espaços de rádio e tevê devidamente alugados.

Minha receita é essa. Não a inventei. Tomei-a de empréstimo de um estatuto pelo qual foi formalmente registrada em cartório uma das mais novas igrejas, ou religiões, que funcionam no município de Viamão. Tudo segundo os conformes da lei no duro.

A Aula



Relata a Sra. Thompson, que no seu primeiro dia de aula parou em frente aos seus alunos da 5a. série primária e, como todos os demais professores, lhes disse que gostava de todos por igual.

No entanto, ela sabia que isto era quase impossível, já que na primeira fila estava sentado um pequeno garoto chamado Teddy.

A professora havia observado que ele não se dava bem com os colegas de classe e muitas vezes suas roupas estavam sujas e cheiravam mal.

Houve até momentos em que ela sentia prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir
suas provas e trabalhos. Ao iniciar o ano letivo, era solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações feitas em cada ano. A Sra. Thompson deixou a ficha de Teddy por último.

Mas quando a leu foi grande a sua surpresa. A professora do 1o. ano escolar de Teddy havia anotado o seguinte:

Teddy é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos sempre estão em ordem
e muito nítidos. Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele.

A professora do 2o. ano escreveu: Teddy é um aluno excelente e muito querido por seus colegas, mas tem estado preocupado com sua mãe que está com uma doença grave e desenganada pelos médicos. A vida em seu lar deve estar sendo muito difícil.
Da professora do 3o. ano constava a anotação seguinte: A morte de sua mãe foi um golpe muito duro para Teddy.

Ele procura fazer o melhor, mas seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajudá-lo.

A professora do 4o. ano escreveu:

Teddy anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes, dorme na sala de aula.

A Sra. Thompson se deu conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada. Sentiu-se ainda pior quando lembrou dos presentes de Natal que os alunos lhe haviam dado, envoltos em papéis coloridos, exceto o de Teddy, que estava enrolado num papel marrom de supermercado.
Lembra-se de que abriu o pacote com tristeza, enquanto os outros garotos riam ao ver uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade.
Apesar das piadas ela disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco de perfume sobre a mão. Naquele dia Teddy ficou um pouco mais de tempo na escola do que o de costume. Lembrou-se ainda, que Teddy lhe disse que ela estava
cheirosa como sua mãe.
Naquele dia, depois que todos se foram, a professora Thompson chorou por longo tempo... Em seguida, decidiu-se a mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a Teddy.

Com o passar do tempo ela notou que o garoto só melhorava. E quanto mais ela lhe dava carinho e atenção, mais ele se animava.
Ao finalizar o ano letivo, Teddy saiu como o melhor da classe. Um ano mais tarde a Sra. Thompson recebeu uma notícia em que Teddy lhe dizia que ela era a melhor professora que teve na vida.
Seis anos depois, recebeu outra carta de Teddy contando que havia concluído o segundo grau e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera.
As notícias se repetiram até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. Theodore Stoddard, seu antigo aluno, mais conhecido como Teddy.

Um dia a Sra. Thompson recebeu outra carta, em que Teddy a convidava para seu casamento e noticiava a morte de seu pai. Ela aceitou o convite e o dia do casamento estava usando a pulseira que ganhou de Teddy anos antes, e também o perfume.

Quando os dois se encontraram, abraçaram-se por longo tempo e Teddy lhe disse ao ouvido: - Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer a diferença.
Mas ela, com os olhos banhados em pranto sussurrou baixinho: - Você está enganado! Foi você que me ensinou que eu podia fazer a diferença, afinal eu não sabia ensinar até que o conheci.

Aí está amigos o valor da atenção... o quanto é importante darmos um pouco mais de atenção as pessoas a quem amamos ou que se encontram do nosso lado, sem no entanto, esquecer do outro... A atenção, carinho e cuidado devem ser somados e nunca dividido.

É preciso ouvir os apelos silenciosos que ecoam na alma da pessoa!!


(desconheço autor)

A Arte de Contar Histórias



O momento mágico de contar histórias

A palavra mágica

Vou procurá-la a vida inteira no mundo todo.

Se tarda o encontro, se não a
encontro, não desanimo, procuro sempre.
Procuro sempre, e a minha procura
ficará sendo a minha palavra.

(Carlos Drummond de Andrade)

A linguagem oral é a mais remota figura de comunicação entre as pessoas, portanto, as histórias têm papel respeitável no desenvolvimento das crianças. Mais que uma linguagem prazerosa e educativa, a ação de contar e ouvir histórias possibilita o resgate da memória cultural e afetiva. Contar histórias é a mais antiga das artes. Nos velhos tempos, o povo se reunia ao redor do fogo para se esquentar, alegrar, dialogar, narrar acontecimentos. As pessoas assim reunidas contavam e repetiam histórias, para guardar suas tradições e sua língua. Assim transmitiam a história e o conhecimento acumulado pelas gerações, as crenças, os mitos, os costumes e os valores a serem resguardados pela comunidade. Devemos lembrar que Cristo, nas pregações, usava a parábola, uma forma narrativa alegórica, uma história, para passar sua mensagem aos homens. Suas palavras iam do concreto ao simbólico e todos as entendiam.

O ato de contar uma história, além de atividade lúdica, amplia a imaginação e ajuda a criança a organizar sua fala, através da coerência e da realidade. O ver, sentir e ouvir são as primeiras disposições na memória das pessoas. Contar histórias é uma experiência de interação. Constitui um relacionamento cordial entre a pessoa que conta e os que ouvem. A interação que se estabelece aproxima os sujeitos envolvidos. Os contos enriquecem nosso espírito, iluminam nosso interior, e, ao mesmo tempo, nos tornam mais protagonistas na resolução dos problemas e mais flexíveis para aceitar diferenças.

O exercício de contar histórias possibilita debater importantes aspectos do dia-a-dia das crianças. Contar histórias é também uma forma de ensinar temas éticos e cidadania e de propiciar um mundo imaginário que encanta a criança. A criança necessita ouvir histórias para desenvolver sua imaginação, a observação, e a linguagem oral e escrita, assim como, o prazer pela arte, a habilidade de dar lógica aos acontecimentos e estimular o interesse pela leitura.

Através da arte de contar histórias, podemos tornar possível a construção da aprendizagem relacionada à competência cognitiva da criança, propiciando elaboração de conceitos, compreendendo sua atitude no mundo, e se identificando com papéis sociais que exercerá ao longo de sua existência.As histórias devem acontecer dentro de um contexto simples e adequado ao entendimento da criança. São extraordinárias ferramentas para a comunicação de valores, porque dão contexto a fatos abstratos, difíceis de serem transmitidos isoladamente. O professor como contador de histórias, transforma-se em um mediador privilegiado dentro do contexto da educação quando leva o aluno a pesquisa e a novas produções. A história passa a ser reinventada pela criança através de um desenho, uma pintura, ou mesmo através de uma fala com enfoque pessoal.

Ref: Revista ACB
Amélia Hamze
Profª FEB/CETEC
FISO e ISEB – Barretos/SP

Pedagogia - Brasil Escola

Abril 09, 2008

ensinar Exige Estética e Ética





A necessária promoção da ingenuidade à criticidade não pode ou não deve ser feita à distância de uma rigorosa formação ética ao lado sempre da estética. Decência e boniteza de mãos dadas. Cada vez me convenço mais de que, desperta com relação à possibilidade de enveredar-se no descaminho do puritanismo, a prática educativa tem de ser, em si, um testemunho rigoroso de decência e de pureza. Uma crítica permanente aos desvios fáceis com que somos tentados, às vezes ou quase sempre, a deixar as dificuldades que os caminhos verdadeiros podem nos colocar.

Mulheres e homens, seres histórico-sociais, nos tornamos capazes de comparar, de valorar, de intervir, de escolher, de decidir, de romper, por tudo isso, nos fizemos seres éticos. Só somos porque estamos sendo. Estar sendo é a condição, entre nós, para ser. Não é possível pensar os seres humanos longe, sequer, da ética, quanto mais fora dela. Estar longe ou pior, fora da ética, entre nós, mulheres e homens, é uma transgressão. É por isso que transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando. Educar é substantivamente formar.

Divinizar ou diabolizar a tecnologia ou a ciência é uma forma altamente negativa e perigosa de pensar errado. De testemunhar aos alunos, às vezes com ares de quem possui a verdade, um rotundo desacerto. Pensar certo, pelo contrário, demanda profundidade e não superficialidade na compreensão e na interpretação dos fatos . Supõe a disponibilidade à revisão dos achados, reconhece não apenas a possibilidade de mudar de opção, de apreciação, mas o direito de fazê-lo. Mas como não há pensar certo à margem de princípios éticos, se mudar é uma possibilidade e um direito, cabe a quem muda - exige o pensar certo - que assuma a mudança operada. Do ponto de vista do pensar certo não é possível mudar e fazer de conta que não mudou. É que todo pensar certo é radicalmente coerente

Roubar É Um Prazer Quase Sexual



Arnaldo JaborPor que há tanto ladrão no Brasil? Ah... Miséria, falta de emprego... Mas...
não é só isso. Não falo dos ladrões de galinha, que pulam janelas mordidos de cachorro. Falo do ladravaz instituído, aquele que mora dentro dos cofres públicos, que passa dias e noites estudando como burlar as leis e burocracias. Nos grandes e pequenos há, claro, o doce prazer da adrenalina.

Roubar é uma aventura louca, um filme de ação, roubar é um vício secreto:
poder entrar numa loja e "estarrar" um livro ou uma jóia, com o coração disparado pelo pavor de ser pêgo, e a imensa alegria do êxito de sair na rua, sem ninguém ver. No caso do ladrão da coisa pública, há o estímulo da vingança contra secretas humilhações - você se vinga dos ladrões que sempre te "roubaram". "Ahhh... estou tirando o meu... Esses ladrões do governo roubam há séculos... antes eu que eles..."- se justificam.

Um velho executivo me contou que já comprou um presidente da República. E foi humilhado como se fosse ele o ladrão. O presidente dera ordem para que a eterna mala preta fosse entregue dentro do próprio Alvorada. Ele foi entrando por todas as portas e ninguém o barrava. Já era de noite. Até que chegou à sala do presidente. Luz acesa e, lá longe, o chefe da nação, fingindo desatenção, escrevia na mesa. Olhou o velhinho com desprezo e apontando-lhe o dedo ameaçador berrou, expulsando-o: "Deixe a mala aí no chão e... retire-se!" O pobre homem se esgueirou como um cão pelo palácio e foi vomitar nos tinhorões do jardim.

No caso dos ladrões públicos, o roubo tem uma conotação até meio patriótica, pois já vi muita gente se orgulhar de não pagar imposto. "Eu? Pagar para esses vagabundos pagarem o FMI? Nunca!" Esse é o ladrão de esquerda. Hoje, muitos pululam dentro da administração infiltrada de petistas, que vêem o governo como um palácio a ser saqueado.

Há muitos tipos de ladrões. Já conversei com alguns deles na maciota, para perceber o motivo que os anima. O mais recorrente é o desejo de "dar um tapa numa nota" e resolver a vida. A idéia de "sair" da sociedade e de seus contratempos, de ir para uma praia infinita e nunca mais parar de beber água-de-coco. Mas, esses ainda são amadores. O grande ladrão quer ficar, roubando sempre. É uma missão.
Esse ladrão vocacional é olhado com admiração nas churrascarias e shoppings.
"Olha lá o ladrão!..., diz o executivo traçando uma picanha. O outro responde: "É ladrão, mas é espada, dá nó em pingo d'água!..." E o vagabundo desfila, com perfil de medalha.

Eles dizem que depois do primeiro milhão de dólares, o negócio é mais sexual.
Um sujeito me contou que já pegou muita mala preta debaixo de banco de praça. A adrenalina que rola na hora de ver as verdinhas é melhor que morfina. Palpar os dólares arrumadinhos pela concessão pública de um canal de esgoto ou de um golpe no INSS são volúpias inesquecíveis.
Outro me contou que adora ver os olhos covardes do empresário pagando-lhe a propina para o empréstimo público ou para o perdão da dívida. O empresário tenta fingir naturalidade, mas o ódio acende-lhe os olhos. Disse-me: "Adoro ver-lhe a raiva travada, o sapo engolido, fingindo-se simpático, adoro ver-lhe as mãos trêmulas, adoro até o desprezo impotente que ele tem por mim, vendendo-me eu, eu, o desonesto sem-vergonha. Gosto de me sentir conspurcado pelo nojo do outro." Disse-me também esse mr. M... da roubalheira: "Hoje, estou aposentado, boiando aqui na minha piscina enorme em forma de vagina, mas me babava de prazer quando via a cara do juiz tentando uma severidade olímpica, enquanto exarava uma liminar comprada e que se exasperava, mudo, quando via a piscadela cúmplice que eu lhe dava na hora da sentença. Não sei por que me sinto superior aos otários que me compram; não me ofendo, ao contrário, olho-os do alto! Roubar é sexy, meu amigo - me disse o ladrão aposentado, deitado numa bóia roxa, flutuando na piscina, com um coquetel amarelo e rosa na mão - Roubar dá tesão!" Roubar tem algo de orgasmo. Quando o sujeito embolsa uma bolada, o fluxo de libido é inesquecível.

Eu mesmo, uma vez, estava com uma pasta com cerca de 50 mil dólares dentro.

Fui tomar um cafezinho e tive o capricho de deixar a pasta em cima do balcão, ao lado do açucareiro, onde se acotovelavam proletários com copinhos de cachaça, e eu pensava: "Nessa pasta aí está a salvação deles e eles nem imaginam..."

Vejam o prazer perverso do poder...
Nos ladrões bem-sucedidos do Brasil, há o orgulho imenso da cafajestice:

todos passam a entender de vinho quando enricam, todos compram lanchas e gado, todos arranjam amantes "cachorras", de cabelo pintado e correntinha no tornozelo, todos se deliciam em se saber vilipendiados pelas costas em salões de grã-finos sussurrando "Olha o ladrão...", mas sabendo-se também invejados pelas aventuras que eles lhe atribuem. As mulheres imaginam os colares que ganhariam se fossem suas piranhas louras, como nos filmes de gângsteres dos anos 40. Nelson Rodrigues dizia que o honesto tem úlcera e que a mulher lhe atira na cara: "Você não é honesto, não; você é burro!"

Senti mesmo, em alguns canalhas que conheci, o orgulho de suportar o sentimento de culpa que raras vezes lhes bate na consciência quando, digamos, roubaram verbas de remédios para criancinhas com câncer; sua gelada indiferença lhes parece prova de macheza, quase integridade. Um assassino do esquadrão da morte, que namorou uma atriz com quem trabalhei, contou-lhe que se masturbava diante do estrangulamento de crioulos num terreno baldio, indo depois para casa, onde os filhos felizes vêem desenho animado na TV.

Um ladrão intelectual me disse: "Este país foi feito assim: na vala, entre o público e o privado. Há uma grandeza na apropriação indébita, florescem ricas plantas na lama das roubalheiras. A bosta não produz flores magníficas? Pois é... o Brasil foi construído com esse fertilizante. O progresso do País deve-se a roubalheira secular. Sempre foi assim e sempre será. Roubo é cultura..."

Enquanto isso, o STF quer acabar com os poderes do Ministério Público...

Quase oito anos do texto: A internacionalização do Mundo



A Internacionalização do Mundo

O Globo-10/10/2000- Cristovam Buarque

Fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, durante um debate, nos Estados Unidos. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia.

Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da humanidade.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.

Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, possa ser manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada.

Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola.

Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.

Cristovam Buarque.
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Entrevista com Cristovam Buarque

Fonte: Jan Schoenfelder em 15/3/2005- Observatório da Imprensa

Passados quatro anos da publicação do artigo, o que mudou na opinião dos americanos a respeito da internacionalização da Amazônia?

Cristovam Buarque – Eu acho que não mudou nada. Se mudou foi para um sentimento ainda mais forte no exterior a respeito da internacionalização devido ao aumento das queimadas e até mesmo devido à violência, continua-se a matar trabalhadores, mata-se uma freira norte-americana na Amazônia e isso leva a cada vez mais defenderem a internacionalização.

Esse questionamento feito pelo jovem americano no debate é uma interpretação apenas dos americanos ou muitos brasileiros também pensam da mesma forma?

C. B. – Não sei se muitos brasileiros pensam da mesma forma, no sentido de internacionalização. Agora, alguns falaram comigo quando leram o artigo e discordaram daquela frase final, que afirma que a Amazônia, enquanto não internacionalizarmos tudo, continua nossa. Eles acham que a gente tem de ter uma responsabilidade maior com a Amazônia. Se não, não se justifica essa afirmação. Um amigo meu, muito conhecido, Sebastião Salgado, me disse que aquele artigo ficaria melhor se não tivesse aquela frase.

A brasilidade continua a ser um sentimento forte do nosso povo?

C. B. – A brasilidade é um sentimento em construção. Só é forte na Copa do Mundo. Tirando a Copa do Mundo não há esse sentimento de brasilidade tão forte. Primeiro que é um país dividido entre excluídos e incluídos. A brasilidade de um pobre nordestino na seca não é a mesma de um rico paulista. A gente não conseguiu ainda costurar aquilo que nos unifique. Interessante é que o Brasil tem tudo para ter isso fácil. Mas, às vezes a sensação é que a Índia tem um sentimento mais forte de Índia que o Brasil de Brasil. E a Índia são 13 línguas, são 23 mil dialetos, um bilhão de pessoas. Mas há um sentimento de Índia. O sentimento de brasilidade, na minha opinião, não estará completo enquanto tivermos incluídos e excluídos no Brasil.

A globalização da economia não corrigiu problemas estruturais dos países pobres. Que tipo de solução teríamos se globalizássemos a cultura, a saúde, a educação?

C. B. – A globalização agravou os problemas. Dividiu mais o Brasil. Até os anos 80, um brasileiro rico se sentia de qualquer maneira mais próximo de um brasileiro pobre do que hoje. Porque hoje ele se ligou lá fora. Hoje criou-se um primeiro mundo internacional dos ricos. Do qual os ricos brasileiros fazem parte. Quando eu falo "rico" estou me referindo a todos aqueles que têm dente na boca, sapato nos pés, concluiu o Ensino Médio. Essa parcela se unificou internacionalmente e se distanciou da parcela pobre. O que fazer para resolver isso? É democratizar a globalização. Como? Com um programa mundial de inclusão social. E isso eu acho que se faz com educação. Segundo, globalizar o conhecimento. Não é possível, num mundo que se diz global, africanos com Aids morrerem quando já existe um coquetel capaz de resolver isso. Mas o conhecimento não é global, é apropriado pelos ricos. A globalização do planeta. A gente tem que começar a proteger mais o meio ambiente, independente do que um povo inteiro quiser fazer com seu país.

A internacionalização do mundo seria o princípio de uma sociedade planetária sustentável?

C. B. – De certa maneira, sim. Mas, essa sociedade planetária exigiria muito mais do que isso. Exigiria um governo que pudesse ser exercido através das fronteiras nacionais. E isso ainda vai demorar muito. Por isso defendo que, enquanto não se pode ter governos planetários, a gente tenha valores éticos planetários que nem a democracia interna de um país possa deixar de cumprir. -

Os Evangélicos e a Educação no Brasil



Os evangélicos, através de suas denominações históricas, investiram muito em educação. Prova disso são os colégios, as faculdades, os seminários e as universidades que tiveram e continuam a ter uma grande influência no Brasil. Batistas, presbiterianos, metodistas e luteranos são as denominações de vanguarda na educação.

O fenomenal crescimento evangélicos dos últimos anos, especialmente entre as igrejas pentecostais e neopentecostais, com uma forte penetração nos meios de comunicação e na representação política, merece uma reflexão. Destaca-se, positivamente, a grande penetração destas igrejas nas camadas mais pobres. Sem dúvida elas mantêm um diálogo constante com o povo. É nas igrejas, que se espalham em todos os lugares, que o povo simples tem vez e voz, é ouvido e valorizado. Negativamente, parece que não há uma estratégia libertária. Desconhece-se a força transformadora do Evangelho de Cristo no pleno resgate da dignidade humana. Em sua grande maioria as igrejas reproduzem os valores da sociedade e assim negam a vocação cristã de agentes de transformação histórica.

O que fazer para usar o potencial das igrejas evangélicas, tanto das históricas e tradicionais quanto das pentecostais e neopentecostais? Sugiro alguns caminhos inspirado no que fez Jesus na milagre das multiplicação dos pães e peixes (Marcos 6:30-44 e referências paralelas nos evangelhos de Mateus. Lucas e João).

O primeiro seria uma conscientização do mal sistêmico e não apenas do mal individual. Jesus compadeceu-se da multidão porque eram como ovelhas que não têm pastor. A referência tem implicações políticas porque se refere às palavras do profeta Micaías ao rei Acabe, um dos piores reis de Israel (1 Reis 22:17). Vivemos num país rico, mas com uma das piores distribuição de renda do planeta provocando uma iniqüidade social que clamar aos céus. O pecado, que biblicamente significa errar o alvo, começa com o indivíduo e alcança tudo que ele toca e constrói. As estruturas sociais, econômicas, políticas e religiosas são contaminadas. Identificar o mal sistêmica é essencial à missão evangelizadora da igreja, tanto para recuperar sua voz profética sem a qual o povo se corrompe quanto para firmar seu compromisso de serviço aos excluídos assumindo as sua dores e a sua voz. Compaixão é isso: sentir o que Jesus sentiu diante da multidão sem pastores/governantes que acertem o alvo.

O segundo caminho está nas palavras: E passou a ensinar-lhe muitas coisas. Só através da educação que leve em conta as necessidades mais profundas do ser humano, há transformação. O mandato evangélica do ensino é essencial. Sonho com o dia em que nossos templos se transformem em casas de ensino abertas a semana inteira a serviço da sociedade e que nossas escolas bíblicas dominicais ensinem as pessoas a viver o evangelho da solidariedade. E sonho mais com uma sociedade contaminada pelo vírus da educação exigindo dos governos uma escola de qualidade para todos como prega o Movimento Educacionista recentemente lançado no Brasil pelo professor e Senador Cristovam Buarque.

Em terceiro lugar o daí-lhe vós mesmos de comer de Jesus é uma tarefa que exige de nós uma avaliação do temos e somos, uma união de esforços, a organização das massas humanas em povo alegre e solidário, e nossa disposição de servir a todos sem exceção. Tudo isso sugere o milagre da multiplicação: com apenas cinco pães e dois peixinhos consagrados, com a multidão organizada em grupos, todos, mais de cinco mil, comeram e saciaram e ainda sobraram doze cestos dizendo um não ao desperdício: para que nada se perca. Essa educação de solidariedade é fundamental ao Brasil. Que os ricos se convertam aos pobres para se converterem a Cristo. Só através de ações educativas assim poderíamos ter um pais mais justo, menos violento e mais solidário.

Resumindo: os evangélicos poderiam assumir a vanguarda desta revolução pela educação, não apenas em busca de um crescimento meramente proselitista, mas dentro do projeto do Reino de Deus de justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Romanos 14:17). Isso seria a redenção do Brasil dentro do nosso objetivo maior na construção de uma humanidade semelhante a Jesus Cristo que veio ao mundo para que todos tenham vida e vida em abundância (João 10:10b).

*Julio Borges Filho é pastor batista e assessor do Senador Crsitovam Buarque

Peça de Teatro ofende a Igreja e a Eucaristia



Mais uma vez a fé católica e a Igreja são ridicularizadas pelos artistas. Desta vez é uma peça que está em cartaz, no Teatro Goldoni (Casa D'Italia, na 208/209 Sul), em Brasília, até o dia 6 de abril; uma comédia que, a julgar pelo conteúdo do material de divulgação faz piada com a sagrada Eucaristia e ridiculariza a fé dos católicos. Tem a direção de Sergio Sartório.

O teatro é uma arte importante e bonita, mas não podemos concordar e permitir que manifestações como essa abusem da liberdade democrática para zombar da nossa fé.

O cartaz de propaganda da peça mostra um homem vestido de sacerdote, com um crucifixo pendurado ao pescoço, segurando numa das mãos um recipiente em forma de cálice cheio de preservativos; e, na outra, como se estivesse oferecendo uma hóstia, uma camisinha. No verso, ao lado de um homem fantasiado de freira, há uma embalagem de preservativo com a mesma imagem do anverso e a inscrição 'Mistérios Gozosos'.

Na referida peça, a Sagrada Escritura é motivo de escárnio, com simulação pelos atores de excitação e sexo de padres ao lerem a Bíblia, objetos considerados sagrados pela comunidade católica são apresentados com deboche, o cálice com preservativos, a hóstia referenciada pelos católicos é zombada, o vinho é citado como bebida vagabunda e rala, a figura do sacerdote é apresentada como pedófilo com o menino Jesus.

É doloroso ver que os valores mais sagrados de nossa fé, a Eucaristia, o sacerdócio, o Cristo, são desrespeitados e ofendidos de maneira tão ofensiva, tão baixa e grotesca.

Todo ato que agride os valores cultuados pelas várias religiões não goza de amparo constitucional, pois caracteriza nítida ofensa a direitos consagrados pela Lei Maior. A liberdade de expressão, assim como qualquer direito individual, não é ilimitada. A manifestação da expressão artística que afronta crença religiosa e os valores éticos sociais não pode ser considerada legítima nem juridicamente válida. A Constituição Federal garante a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença (liberdade religiosa) e o respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família, nos termos do art. 5º, VI e art. 221, IV.

Os católicos, respeitosamente, devem entrar em contato com essas empresas que patrocinam esta peça, para lhes dizer que nos sentimos ofendidos com esse tipo de coisa, e dizer que a persistir essa peça, não usaremos seus serviços.

A liberdade não pode ser confundida com libertinagem; posso dar socos no ar à vontade, mas até não atingir o nariz do meu irmão. Pregar a liberdade de expressão sem respeitar os direitos dos outros, equivale a perversão intelectual e volta à barbárie.

O jornalista Carlos Heitor Cony em um artigo “Liberdade de expressão”, na Folha de São Paulo, diz: “Vamos com calma. A liberdade de expressão tem mão e contramão. Ela não é uma exclusividade divinatória dos jornalistas e profissionais da mídia. Qualquer ser humano tem a liberdade de expressar-se. É evidente que há limites legais e morais para esse tipo de manifestação”.

Defender a liberdade absoluta de expressão é muitas vezes uma forma de “corporativismo doentio” de pessoas às vezes mal formadas, sem princípios éticos, que mascara a truculência e o arbítrio, e se esconde atrás de uma interpretação maldosa da lei.

Os que têm fé não podem ser magoados e ofendidos em seus sentimentos mais sagrados. A fé de um povo é algo muito importante, algo como a sua identidade. A prova de que o direito de expressão não é absoluto, é que o Artigo 208 do Código Penal, que trata dos crimes contra o sentimento religioso, diz bem claro: 'Art. 208 – “Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.”

O Professor Doutor Paulo Adib Casseb, doutor em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP) e Professor de pós-graduação em Direito Constitucional na FMU, garante que a liberdade de expressão não é absoluta, conforme jurisprudência firmada pelo STF no sentido de que no nosso sistema inexistem direitos e garantias revestidos de natureza absoluta (RTJ 173/805-810, 807-808 e decisão de 22/08/2005 cf. informativo 398 do STF).

Mais uma vez a nossa fé e a nossa Igreja são ofendidas, e me parece de propósito no grande Tempo Pascal, para provocar escândalo e chamar a atenção. Então, não devemos dar ocasião à violência e ao desrespeito, mas devemos protestar civilizadamente.

Sabemos que o Senhor Ressuscitado, Vitorioso, caminha conosco.

Prof. Felipe Aquino

Essa peça está sendo patrocinada pelas seguintes empresas: Belini Pães e Gastronomia Ltda; Bendito Suco, Pousada Bambu; Espaço Cultural Mosaico e Herzog Estúdio. O telefone da Casa D'Itália. Mais informações podem ser obtidas com o Sr. Paulo Fernandes, pelo email: providafamilia@hotmail.com

http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=OPINIAO&id=opi0359

Apagão Educacional



Cristovam Buarque

O Brasil tem algo a comemorar: recente o relatório "Situação Mundial da Infância 2008", do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) mostra que diminuiu a mortalidade infantil em nosso país. Brasilia tem algo a comemorar: é a unidade da federação que possui os melhores resultados.

Em Brasília, foi criada a Bolsa-Escola, que hoje, em vigor e com algumas alterações é conhecida como Bolsa-Família. Ela teve grande impacto nesses resultados. Em Brasília, o programa Saúde em Casa, que foi implantada no governo entre 1995 e 98, e tem sido aplicado, com interrupções ou não, de maneira impactante na realidade dos moradores do Distrito Federal.

Contudo, há que analisar com olhar mais atento...

O Brasil compara os resultados com ele próprio. Se comparar com os outros países, não melhora no ritmo necessário. lamentavel - periodo nao aumentou a qualidade da escolaridade.

Outro detalhe. Pare e pense nas famílias que conseguiram manter seus filhos vivos. Certamente, esses felizes sobreviventes contam com um futuro triste à frente, com algumas possibilidades quase certas: serão analfabetos, não terminarão o Ensino Médio ou se terminarem, não aprenderão com a qualidade necessária para ir adiante.

Comemoramos resultados, e fingimos fechar os olhos ao momento de apagão educacional em que vive o país. Todos os resultados apontados em avaliações nacionais e internacionais realizados e divulgados no ano passado, apontam que andamos para trás. Enorme evasão no Ensino Médio, enorme quantidade de problemas de saúde das crianças e jovens que frequentam as escolas em todas as séries, enorme falta de qualificação dos pais (que os tira do mercado de trabalho e dificulta a progressão escolar dos filhos), falta de qualidade na alfabetização das crianças que vão sendo levadas para séries adiante sem ter construido bases sólidas em conhecimentos fundamentais como leitura e operações básicas (somar, subtrair, dividir e multiplicar...). E o que é pior: em 2007, os recursos repassados à educação aumentaram. Ou seja, o problema não é só de recursos mas de gestão.

Não podemos ser pessimistas. Comemoremos os bons resultados mas sem esquecer das realidades ao redor...

VOCÊ, educacionista.



"Navio negreiro" foi escrito por Castro Alves em 1868, anos antes de Joaquim Nabuco escrever "O Abolicionista". Foi o poeta quem despertou o Brasil e divulgou a mensagem dos abolicionistas. Durante o regime militar, foram os poetas e cantores que nos acordaram para a democracia. Na semana passada, 120 anos depois da Abolição, os poetas voltaram às ruas com outra bandeira: o educacionismo.

A escola de samba "Vai Vai", de São Paulo, cantou a educação como saída para o futuro do Brasil. No desfile das campeãs, carregou uma imensa bandeira do Brasil com o lema "Educação é Progresso", no lugar de "Ordem e Progresso".

O Thobias Nascimento e os passistas da "Vai Vai" não são os únicos educacionistas no cenário brasileiro. O desfile foi inspirado no empresário Antonio Ermírio de Moraes, um educacionista que defende a educação como saída para o Brasil. Seu livro tem um título que lembra Castro Alves: "Educação, pelo amor de Deus".

Jorge Gerdau é outro empresário educacionista, que há anos investe parte de seus recursos em educação. É um dos promotores do "Compromisso de Todos pela Educação", que mobiliza a consciência nacional e de nossos dirigentes para a importância da educação.
Milu Vilela é uma educacionista que faz companhia ao Gerdau na direção do "Compromisso de Todos pela Educação". E a isso tem se dedicado há anos, usando sua energia e influência, procurando apoio, incentivando bons professores, bons secretários estaduais e municipais.

Viviane Senna é outra educacionista. Usa obstinadamente seu prestígio para lutar pela educação. Não só pressionando politicamente nossos dirigentes, e investindo, por meio da Fundação Ayrton Senna. Tive o privilégio de visitar sua experiência na Zona da Mata pernambucana e assistir a recuperação de crianças que tinham ficado para trás, abandonadas pelo governo, pelas famílias e por si próprias, como casos perdidos do ponto de vista educacional. Já começavam a constituir o contingente de analfabetos adultos, quando seu programa trouxe-as de volta à esperança.

Xuxa, uma das mais conhecidas artistas brasileiras, é quase desconhecida no que se refere ao seu trabalho como educacionista na Fundação Xuxa Menegel, onde atende 350 crianças, desde a primeira infância, e suas famílias, em um total de 2 mil pessoas. Rodrigo Baggio é um educacionista que se dedica desde a adolescência à tarefa de promover a inclusão digital que deveria ser feita dentro das escolas. Denise Valente dirige uma rede de 40 escolas da maior qualidade mantidas gratuitamente pela Fundação Bradesco, que atende mais de 109 mil alunos anualmente. Antônio Oliveira Santos, presidente da Confederação Nacional do Comércio, inaugura, no Rio de Janeiro, dia 19, a ESEM, a Escola Sesc de Ensino Médio, uma instituição com internato de alunos e professores.

Jorge Werthein, José Roberto Marinho, Severiano Alves, Cláudio de Moura e Castro, Nizan Guanaes – o Brasil está cheio de "educacionistas", adjetivo que ainda não existe nos nossos dicionários; militantes do "educacionismo", substantivo que os nossos dicionários ainda não adotaram, mas já tem significado: a doutrina que considera a educação como vetor fundamental do progresso, defende que a utopia não vem da desapropriação do capital dos patrões para os empregados, mas sim de colocar os filhos dos empregados na mesma escola dos filhos do patrão.

A enorme bandeira do Brasil que os integrantes da "Vai Vai" carregaram no sambódromo paulista, com o lema "Educação é Progresso", mostrou que o movimento educacionista começa a crescer, no século XXI, como no século XIX, um movimento inicialmente muito pequeno cresceu, com o nome de abolicionista. Eles queriam que todos brasileiros fossem livres da escravidão; nós queremos que todos os brasileiros tenham acesso a uma escola de qualidade, único caminho para serem livres.

Falta fazer com que os educacionistas de hoje se transformem em um exército. Por isso, seja um educacionista, você também.


Escrito por: Cristovam Buarque - cristovam@senador.gov.br

Humor Babaca!



Esses dias, conversando com meus alunos sobre a qualidade dos programas de TV, lembrei de um seguimento que também baixou o nível: O Humor!
Quanta falta faz Chico Cit, Balança Mas Não Cai, TV Pirata, Sai de Baixo, A Diarista e tantos outros bons programas humorísticos, que mostravam a realidade brasileira de uma forma irreverente, inteligente e sadia...
Hoje o que vemos são programas depravados, babacas e com piadas de duplo sentido.
O PÂNICO NA TV, é um programinha onde eles realizam suas fantasias sexuais, com lindas mulheres "BURRAS", quase nuas, no meio de uma platéia ridícula de pessoas vazias. Usam a "SABRINA SATO", como a legitima representante da classse feminina. Pobres Mulheres! Sabrina representa alí a personificação da burrice, até aí tudo bem, o problema é que o programinha passa uma imagem de que as MULHERES é que são burras, quando na verdade, de burra a Sabrina Sato não tem nada. Essa ofensa também me atinge, pois, na minha família as mulheres são muito inteligentes, não só na minha família, mas em todo o mundo vemos mulheres importantes em todas as áreas da política, religião e economia que contribuiram para o crescimento da humanidade.
Na minha infância o HOMEM ARANHA era um herói, hoje, o PÂNICO fez dele um gay anão, ou anão gay, tanto faz! Nada contra os gays, que por sinal são alvo constate das piadas DEPRAVADAS da maioria desses programas, como o BOFE DE ELITE, do Pastor Macedo. O quadro do programa do TOM, além de jogar na lama o nome da polícia, satiriza os homossexuais, generalizando-os, como se todo gay fosse afeminado e burro, como a maioria dos personagens daquele quadro lastimável.
Voltando para a questão do Homem Aranha... As crianças de hoje não sabem mais a diferença entre a mulher gavião e o lanterna verde. O desenho mostra uma coisa, o Pânico distorce tudo e mostra outra!! Esse programinha tem o nome que merece.
O que dizer da Praça é Nossa?
Disputando com Hebe Camargo, o apresentador Carlos Alberto da Nobrega, segura o programa no ar, que já mudou de dia infinitas vezes, quase que meio século. O programa mostra um personagem num banco de praça conversando com os transnuentes... Ali se desenvolve o programa... Muito sem graça! Por ali passam: POLÍTICOS, GAYS, CORNOS, GOSTOSAS, ATRAPALHADOS, JOGADORES, ENGRAÇADOS E SEM GRAÇA!!!
Até hoje me pergunto o que tem de construtivo e qual a graça daquele programa?? Mas tudo bem, tem coisa pior no SBT.
E a insistência do DIDI? Sem comentários!!
A censura faz falta!
Por sorte ainda está no ar A Grande Família, que diga-se de passagem, é o melhor programa humorístico da atualidade. Quem não conhece um Agostinho da vida? E a Bebel? E o Turco?? Quem nunca se identificou com nenhum deles...
E com os "Josef Climber" (Zé Ruela), do Pânico na TV ou do Caceta e Planeta?
Menos eu, caro leitor...

Ênio Cavalcanti - ennyo_homero@hotmail.com

A Loucura de Hoje se Fantasia de Liberdade


Se você acordou mal hoje, é melhor não ler este artigo. Está um bode preto. Sei que a tristeza não é “comercial”, como me disse um deprimido que ria o tempo todo para não ficar impopular. Mas, fazer o “quê”? — o artigo é sobre a loucura de hoje. (Não falo da loucura dos miseráveis; falo dos que vivem o “luxo” de ter projetos existenciais)

Já vivi vários tipos de loucura. Conheci o delírio esperançoso pré-64, quando achávamos que o Brasil ia virar magicamente uma grande Ipanema, o que culminou com a porrada de 64 e 68, quando a repressão da ditadura disparou a psicose como ideologia na pequena-burguesia jovem que pensava o país.

Ninguém sabe o que foi a porrada de 68. Você podia morrer, se risse alto de militares num cinema, você podia ser torturado se um síndico general cismasse com sua cara. O desespero da juventude nesses anos é irreproduzível. Só quem viveu. A mistura de angústia, drogas, misticismo, contracultura sem flores hippies, perigo de morte gerou ao menos uns sete anos de horror. Outro dia vi um filme underground da época que se passava todo dentro de um chiqueiro, com o ator comendo excrementos. Esse era o espírito do tempo... o zeitgeist de merda.

Aí, a ditadura acabou, voltou a democracia, venceu o mercado, somos todos livres e, no entanto, qual é a loucura de hoje?

A loucura de hoje é imperceptível. Este clima geral dispersivo, pagodeiro, gargalhante, desreprimido parece liberdade, mas não é.

Depois da ditadura, chegamos a uma liberdade para desejar o quê? Bagatelas, micharias. Uma liberdade vagabunda, para nada, para rebolar o rabo nas revistas, para a ilusão de um narcisismo sem peias, uma liberdade “fetichizada”, transformada em produto de mercado e até mesmo disfarçada de revoltas “de festim”, êxtases volúveis, visíveis em clubbers e punks de butique, em raves sem rumo.

Temos liberdade para escolher besteiras, somos livres dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, buscando ideais como a bunda perfeita, recordes sexuais, próteses de silicone, sucesso sem trabalho, substituição do mérito pela fama. Não precisa fazer nada; basta aparecer. Se antes havia excesso de ideologias, hoje somos todos um bando de ignorantes e frívolos, patetas, como crianças brincando dentro de um shopping.

O amor está deixando muito a desejar. As paixões passaram a durar o tempo entre duas reportagens de “Caras”. Está desidealizado, isolado, um pretexto para a orgia de troca-trocas narcisistas. O casamento virou um arcaísmo careta. O sexo, uma competição de eficiência. Onde está a sutileza calma dos erotismos delicados? Onde, o refinamento poético do êxtase? Nada. No sexo e no sucesso, o desejo é virar máquina e atingir o desempenho perfeito, na busca do orgasmo definitivo e de um paraíso automático e sem sofrimento.

Até criticar o erro do mundo ficou ridículo. A arte ficou ridícula, inócua, pregando num deserto de instalações melancólicas que ninguém vê. O cinema virou um “titanic”, um video game, com guetos de “independentes” queixosos. Os artistas não têm mais nem o consolo do pessimismo clarividente, do absurdismo iluminista de um Beckett ou Camus. Não há esperança nem na desesperança crítica.O absurdo ficou óbvio demais para ser condenado.

A democracia em país analfabeto trouxe a fabulosa ascensão livre da cretinice nacional; viramos um grande pagodão e não adianta racionalizar e dizer que é legal. Não é. É uma bosta. A literatura está dividida em best-sellers e tediosos bisnetos de Joyce, patéticos e ignorados. Tudo fica gratuito, diante da irrelevância de qualquer ação humana sobre a sociedade. A razão cínica do “pode tudo” é um disfarce para o consumo indiscriminado de produtos. As coisas já mandam em tudo. A invasão das salsichas gigantes tomou conta de nosso destino, como um mau filme B de terror.

Não temos mais futuro. O futuro virou uma promessa de aperfeiçoamento de produtos, com uma velocidade que fez do presente um arcaísmo em processo, uma espécie de passado “ao vivo” em decomposição.

O velho passado é um museu de inúteis curiosidades históricas. Tudo tem de ser “novo”, sem tempo de envelhecer. Tudo morre jovem.

A isso, soma-se a sensação de que a nação não controla mais seu destino, de que somos barquinhos à deriva no mar das corporações, de que a vida é um subproduto do balanço das companhias. E, ainda por cima, aqui no Brasil, temos a brutal resistência do atraso, do Mesmo. Há seis meses, o Senado discute o ACM e o Barbalhão, para que as grandes questões nacionais continuem intocadas, com a permanência da miséria. Estamos nos acostumando a isso. Pior que a violência é o acostumamento com a violência. O mal ficou banalizado e o bem, um luxo ridículo, quase uma vaidade, um hobby. Não é nem cinismo; é tédio.

Há um sentimento difuso de que não somos participantes de nada, o que gera o sucesso dos evangélicos e o perigo de populismos fascistóides. Itamar e Garotinho estão por aí, rondando. E todos acham tudo normal. Todos rindo, dançando, felizes. A racionalização da boçalidade, da “peruíce”, do cafajestismo, é sólida. Não nos sabemos loucos. Somos “livres”.

Em meu delírio, chego a desejar que alguma catástrofe aconteça, para nos despertar desta suja esperança, desta sórdida alegria. Por exemplo: se os países emergentes fizessem uma reunião e decidissem não pagar mais as dívidas externas, aí sim o mundo mudaria realmente e o capitalismo teria de repensar sua arrogância.

Mas não adianta; “venceu o sistema da Babilônia e o garçom de costeleta...” — como escreveu Oswald.

E se algum leitor zeloso chegou até aqui, eu pergunto: e aí, “meu semelhante e irmão”, preferes cianureto no champanhe ou formicida no guaraná?

Conversa com os Eleitores



As pesquisas divulgadas na última semana pela CNI/bope mostram recorde de aprovação do governo e do presidente Lula, mas quem lidera as intenções de voto para 2010 é o Tucano José Serra. Como se explica isso?
É simples de explicar. Praticamente ninguem nesse país entende de política. Lula seguiu o ditado: " Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". E acabou vencendo pelo cançaço!
O presidente tem 55% de aceitação do eleitorado. Não consigo entender como o POVO que elegeu Lula, gosta do Lula, apoia o governo do Lula não vota no candidato do Lula!!!
Isso pode ser chamado de ANALFABETISMO POLÍTICO...
Ficou claro com essa pesquisa que o povo brasileiro não entende de política. A candidata do presidente aparece nas pesquisas em último lugar, e numa das comparações, com apenas 1% das intenções de voto.
O mesmo eleitor que colocou Lula lá, agora quer o Serra, candidato da oposição. Dá pra entender??
Dá sim!!!
O povo só vai entender política e saber votar e escolher em quem vota, quando um dia o governo mudar a grade curricular do ensino brasileiro: Quando Sociologia, Economia, Política, Filosofia e História fizerem parte do ensino brasileiro desde cedo; Quando a educação ensinar o povo a pensar, a ser crítico, a tomar suas decisões sem se deixar iludir; Quando as redes de TV - formadoras de opinião - forem obrigadas a exibirem programas INTELIGENTES em seu horário nobre; Quando o próprio povo brasileiro abrir os olhos e ver que é preciso ser INTELIGENTE para não ser manipulado.
Para finalizar, gostaria só de lembrar que Serra, como governador de São Paulo, não obteve o mesmo sucesso como Ministro da Saúde e que sendo eleito presidente iremos rever algumas figuras do passado circulando nos ministérios e brincando de mandar, sem nenhuma preocupação real com a triste situação em que o Brasil se encontra.
Triste situação? Você não encherga? Vou abrir-lhe os olhos...
Os portos brasileiros estão um caos. As rodovias brasileiras matam mais que as guerras. O nível do ensino brasileiro é um dos piores do mundo. A distribuição de renda, a saúde, a polícia, a agricultura... Lembrou?
Perdoe-me os eleitores do Lula lá, mas achei uma falta de respeito com os brasileiros quando, na vitória do segundo mandato, ele afirmou que faria do Brasil um país de primeiro mundo. Que absurdo! Ele pensa que nos engana.

Sem Educação e Informação o país nunca mudará. Quem tem o poder canta aquela música: "Tô nem aí!", que deveria ser usada na próxima campanha - e os canais de TV, ao invés de formar uma consciência no povo oferece uma programação, na sua maioria, babaca e de baixo nível.

Salve o movimento Educacionista!

Ênio Cavalcanti - ennyo_homero@hotmail.com

Help!!!



Esta é uma história verídica do suporte de uma empresa famosa de São Paulo.

Não precisaria dizer que a pessoa que trabalhava no suporte foi demitida, mas ela está movendo um processo contra a organização, que a demitiu por justa causa. Segue o diálogo que gerou a demissão, entre o ex-funcionário e um cliente da empresa:

- Help desk assistência, posso ajudar?

- Sim, bem... estou tendo problemas com o Word

- Que tipo de problema?

- Bem, eu estava digitando e, de repente, todas as palavras sumiram.

- Sumiram?

- Elas desapareceram..

- Hum... o que aparece na sua tela?

- Nada.

- Nada?

- Está preta. Não aceita nada que eu digite.

- Você ainda está no Word ou já saiu?

- Como posso saber?

- Você vê o prompt C: na tela?

- O que é esse prompiti?

- Esquece. Você consegue mover o cursor pela tela?

- Não há cursor algum. Eu te disse, ele não aceita nada que eu digite.

- Seu monitor tem um indicador de força?

- O que é um monitor?

- É essa tela que se parece com uma TV. Ele tem uma luzinha que diz quando está ligado?

- Não sei

- Bom, olhe atrás do monitor, então. Veja onde está ligado o cabo de força.

- Você consegue fazer isso?

- Acho que sim.

- Ótimo. Siga para onde vai o cabo e me diga se ele está na tomada.

- Tá sim.

- Atrás do monitor, você reparou que existem dois cabos?

- Não.

- Bom, eles estão aí. Preciso que você olhe e ache o outro cabo.

- OK. Achei.

- Siga-o e veja se está bem conectado na parte traseira do computador.

- Não alcanço!

- Hum. Você consegue ver se está?

- Não.

- Mesmo se você se ajoelhar ou se debruçar sobre ele?

- Ah, não, tá muito escuro aqui!

- Escuro?

- Sim, a luz do escritório tá desligada, e a única luz que eu tenho vem da janela, lá do outro lado.

- Bom, ligue a luz então!

- Não posso.

- Por que não?

- Porque estamos sem luz.

- Estão... sem luz? Pausa longa.............................

- Ah! OK, descobrimos o problema agora.

Você ainda tem as caixas e os manuais que vieram com o seu micro?

- Sim, estão no armário.

- Bom! Então, você pega tudo, desliga o seu sistema, empacota e leva de volta para a loja.

- Sério?? O problema é tão grave assim?

- Sim, temo que seja.

- Bom, então tá. E o que eu digo na loja?

- Diga que você é burro demais pra ter um computador.

Fiquei fã desse cara, também detesto gente burra!!!rss

Pais & Filhos




A professora Ana Maria pediu aos alunos que fizessem uma redação e nessa redação o que eles gostariam que Deus fizesse por eles.

À noite, corrigindo as redações, ela se depara com uma que a deixa muito emocionada.

O marido, nesse momento, acaba de entrar, a vê chorando e diz: "O que aconteceu?"


Ela respondeu: "Leia".

Era a redação de um menino.

"Senhor, esta noite te peço algo especial: me transforme em um televisor.

Quero ocupar o seu lugar.

Viver como vive a TV de minha casa.

Ter um lugar especial para mim, e reunir minha família ao redor...

Ser levado a sério quando falo...
Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem questionamentos.

Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona.

E ter a companhia do meu pai quando ele chega em casa, mesmo que esteja cansado.

E que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de ignorar-me.

E ainda que meus irmãos "briguem" para estar comigo.

Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo.

E, por fim, que eu possa divertir a todos.

Senhor, não te peço muito...

Só quero viver o que vive qualquer televisor!"

Naquele momento, o marido de Ana Maria disse:

-"Meu Deus, coitado desse menino.

Nossa, que coisa esses pais".

E ela olha:

-"Essa redação é do nosso filho".

(Desconheço o autor)

Cordel do Fogo Encantado. Pra Quem Pensa Que O Sertão É Só Miséria...



A Banda

Cordel do Fogo Encantado é um grupo oriundo da cidade de Arcoverde, interior do estado de Pernambuco. Inicialmente um grupo teatral, o cordel veio a tornar-se uma banda após uma apresentação no festival pernambucano "Recbeat". O primeiro Cd: Cordel do Fogo Encantado foi um sucesso, e despontou sucessos como "Chover", "Os oim do meu amor" e "Ai se sesse".
A participação no filme "Deus é brasileiro" de Cacá Diegues, com direito a trilha sonora (com "Os Anjos Caídos") e o segundo Cd: O Palhaço do circo sem futuro, confirmaram o que os fãs já sabiam: O Cordel veio pra ficar. Atualmente, o grupo realiza shows por todo o país e conquistam cada vez mais o público que gosta de música de qualidade.

Formação

O grupo é composto por:
LIRA PAES (LIRINHA): Voz, Pandeiro
CLAYTON BARROS: Violão, Voz
EMERSON CALADO: Percussão, Voz
NÊGO HENRIQUE: Percussão, Voz
RAFA ALMEIDA: Percussão, Voz

Em um mundo globalizado, com toda sua mundialização de cultura, padronização dos sentidos e comunismo de idéias, eis que surge, entre as mais estreitas veredas, sob o sol áspero de Arcoverde, sertão de pernambucano, um brilho original, inovador e incendiante.
Por trás da poeira sertaneja, o ar quente. Uma música nasce do fogo. O símbolo da transformação traz poesia da terra e o encantamento cênico de bardos profetas virtuosos. O espetáculo Cordel do Fogo Encantado é uma celebração celestial entre a loucura e o mundano.
Com o rock in roll arteiro que emana do violão de Claytton Barros, os tambores entre outros percussores de Emerson Calado, Nêgo Henrique e Rafa Almeida dão o tom religioso ou sagrado às apresentações do Cordel, como uma dança dos trovões.
Lirinha, o poeta cantador, é a arma lírica e o grito de desespero de um povo castigado pelo sol e sufocado em seu próprio tempo. Em uma explosão de tristeza, desapego e veemência, com temperos de sertanejos euclidianos e profecias humanistas de Antônio Conselheiro, o líder do grupo é a figura cuspida de um louco em transe pelas poesias, cantigas e histórias populares.
Embora os dois trabalhos do grupo (Cordel do Fogo Encantado e O Palhaço do Circo Sem Futuro, ambos independentes) serem excelentes, é no palco que o Cordel mostra toda sua beleza, alegria e encantamento, deixando platéias extasiadas e purificadas, após sessões de versos e músicas.
No dia 21 de junho de 2003, os jovens pernambucanos estiveram em Santos, para uma apresentação no Teatro do Sesc. Nem a conturbada passagem de som, cheia de problemas técnicos, ou a interrupção do espetáculo pela direção da casa, porque algumas pessoas amontoaram-se a dançar na frente do palco, estragou a noite.
Na verdade, o Teatro do Sesc, que estava lotado, não era o local ideal para a apresentação. Mas Claytton Barros resolveu o problema: "Da próxima vez, a gente vai fazer o show na rua".
Horas antes do espetáculo, em um intervalo na passagem de som, a reportagem do JH News conversou com Lirinha, que explicou um pouco sobre o trabalho do Cordel, falou das dificuldades de sair do sertão e encantou a todos os presentes, explicando o sentido da existência do grupo e de suas canções e poesias.

Yoda - Cordel do Fogo Encantado era um espetáculo poético, em 1997. Como funciona essa mistura perfeita entre música, poesia e teatro, que tornam o Cordel tão especial e diferente de tudo o que já foi inventado artisticamente?
Lirinha: O Sentimento de nossa atuação é voltado para um espetáculo. Todos os símbolos e objetivos de nosso trabalho são voltados para contar determinada história. Então, é nesse ponto que acontece a união de tantas manifestações artísticas, tantas tendências, em um só momento, que é fruto da idéia de se contar um espetáculo. Daí usamos recursos do teatro, o que a música possibilita, de iluminação, a poesia, o ritmo e tudo o que a gente puder utilizar para explorar sentimentos.

Yoda - Vocês usam apenas instrumentos acústicos, sem guitarras, contra-baixos ou teclados. Mas essa não seria a verdadeira característica do Cordel. Mais que isso. Vocês buscam inventar coisas novas. A principal característica do Cordel seria a criatividade?
Lirinha: A gente queria dar a nossa existência artística, essa é uma meta, sendo mais uma característica de invenção do que de releitura ou de resgate. Até porque, no nosso meio, vários grupos trabalham com esse sentimento de pesquisa, até de forma competente. Mas o Cordel não queria dar sua existência a essa idéia de pesquisar um ritmo regional e trazer uma leitura disso para o palco. Nós queríamos dar uma continuidade a esses ritmos existentes através da invenção, da criação e da possibilidade de desfragmentar esse ritmo e transformá-lo em coisas que a gente sonha, que não necessariamente a gente escutou. Com o que gente já escutou tentar montar novos ritmos, novos sons, que não sejam necessariamente o Maracatu, a Ciranda, mas que fosse a continuidade de tudo isso.

Yoda: Mas isso misturando o que já existe?
Lirinha: Misturando o que a gente tem com experiência. Na verdade, o ser humano é resultado do que viu com o que sonha. Então, é impossível não aplicar em nosso discurso base pensadores que a gente tem. É impossível a gente não trazer para o palco símbolos do que a gente viveu na infância, como música religiosa africana. No caso dos meninos, que tocam em terreiro de Umbanda, é impossível não termos elementos da Umbanda. Mas, em nossas reuniões e em nossas vidas, a gente acredita que não temos que fazer o ritmo tradicional, da forma que ele é, e a partir dessa experiência, tentamos fazer a nossa música, a nossa marca.

Yoda: E vocês acreditam que estão conseguindo deixar essa marca?
Lirinha: Não sei se a gente consegue atingir isso. Mas a busca já faz a diferença, o sentimento de buscar. Pode ter uma pessoa assistindo ao show e dizer que não sabe de onde vêm todos esses ritmos. É bem capaz dela estar dizendo a verdade, porque acho que tudo já está neste mundo. Mas a nossa intenção, com muita vontade e força, é a criação de ritmos que saem de nossa cabeça e, não necessariamente de um gravador. Vou dar um exemplo: Por a gente vir do sertão de Pernambuco, as pessoas, antes de conhecerem a banda, pensam que é uma continuação do som do sertão, como Luiz Gonzaga, com toda a genialidade que ele interpretou o Baião, o Xote e o Xaxado. E a gente meio que absorveu esses ritmos, mas também pede licença para não fazer necessariamente o mesmo, de forma que essa música continue sendo do sertão. A possibilidade da música do sertão é infinita, assim como em qualquer outra região. Então a intenção não é fazer uma releitura de Jackson do Pandeiro ou de Luiz Gonzaga, e sim ser uma continuidade, dando a nossa contribuição.

Yoda: E sobre essa questão da mistura, de não ficar só na música regional. Você sofreu muito quando criança, entre os cantadores, devido a proibição de influências de músicas de fora. Isso ainda existe entre os cantadores?
Lirinha: Existe um conservadorismo e tradicionalismo muito grande, e até mesmo desnecessário, devido à força da cultura norte-americana. Mas acho que não se deve fechar os olhos para a criação dos seres humanos. No meio em que eu vivi, entre os cantadores, era uma grande prisão. Até pelas poesias sem rima havia rejeição, como de Carlos Drummond de Andrade, Manoel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. A gente vivia um pouco preso à questão regional, até pelo título do espetáculo. Essa comparação, esse rótulo regional sempre existiu. Mas a gente pede licença mais uma vez para fazer uma música para atingir sentimentos universais, não necessariamente levantando bandeiras de "viva o sertão pernambucano". Essa é uma característica que o Cordel não tem. Estamos na busca da universalização dos sentimentos.

Yoda - Estamos em época de São João, e as tradições vão se perdendo. Mas deixando um pouco de lado isso e virando os olhos para a música. Demora muito para surgir um Cordel do Fogo Encantado, um Luiz Gonzaga ou um Chico Science. Por que isso acontece no Brasil?
Lirinha: Existe uma relação das pessoas de ter um olhar de costas para o interior. Eu pensava que isso era um fenômeno pernambucano, mas era pura inocência, pois é um fenômeno mundial, um fenômeno humano. A gente sentiu isso também na Europa, tudo está voltado para as grandes metrópoles. Como a gente faz parte de um sistema capitalista, e não podemos fugir dessa análise em nenhuma interpretação de relação humana, e arte está incluída nisso aí. Então, estamos presos demais no eixo Rio - São Paulo, e de costas para o que acontece, vamos dizer, no subúrbio do País. Em São Paulo as pessoas têm o olhar voltado para Europa ou para Nova Iorque. Em Recife, todos estão voltados para São Paulo, e não sabem o que está acontecendo em Arcoverde. E por aí vai. Aqui pode estar a semente dessa complicação dessa comunicação mais real e verdadeira para as pessoas que habitam o planeta.

Yoda: Quer dizer: para o Cordel fazer sucesso teve que vir para São Paulo e também ser conhecido lá fora?
Lirinha: É, infelizmente essa condição de retirada se dá em quase todas as profissões. É o êxodo, somos retirantes. A gente tinha secado uma determinada água, e era a água que possibilitava o nosso sonho de viver de música. Tivemos que buscar essa água em São Paulo, que é a vitrine, onde existem os maiores meios de comunicação. Essa dependência, o caminho forçado, existe até hoje e é uma característica artística do Brasil.

Yoda - Vamos dividir o nome do grupo em três perguntas: CORDEL: Já ouvi você falando que aprendeu mais sobre literatura de cordel em um evento em São Paulo. O nome Cordel não vem diretamente da literatura?
Lirinha: Isso vem da literatura. É que existe uma pequena confusão em relação ao nome. A palavra Cordel surge como sinônimo de história. Então, são as Histórias do Fogo Encantado que estamos querendo contar. Mas a literatura de cordel não era a maior característica de nossa região, pois ela teve um auge na década de 30. A maior influência da banda é a poesia oral. A expressão é muito mais acadêmica. Ela vem mais de quem estuda do que de quem faz a poesia.

Yoda: FOGO: A seca, as fogueiras de São João, os candeeiros, a purificação, o símbolo de transformação? O que representa o Fogo para o Cordel?
Lirinha: O Fogo é a representação simbólica do elemento mais forte e que mais caracteriza a existência de nosso lugar. Bem como você disse, com o sol, a seca, as fogueiras, o candeeiro. Toda essa coisa imutável e ao mesmo tempo misteriosa, que as pessoas não conseguem pegar. Todo o espetáculo tenta conduzir para essa energia do fogo, em toda sua movimentação, a estrutura, a luz.

Yoda: ENCANTADO: Em palco você parece estar rezando o tempo inteiro. Cada música é uma oração, um tempo de transcendência. Esse fenômeno reflete também no público. O "Encantado" tem haver com isso mesmo?
Lirinha: O Encantado é uma característica apocalíptica que existe nas letras. O espetáculo é uma celebração. Há uma condução que preza por uma celebração, com uma chamada, uma despedida, entre outras coisas que leva a isso. A própria música que os meninos utilizam no palco tem essa característica de tirar de um lugar e colocar em outro. As músicas mexem com sensações e sentimentos. Eu, que estou ali no palco, sinto muito isso, principalmente com a batucada.

Yoda - O "Palhaço do Circo Sem Futuro". Por que o "Palhaço", e não o malabarista, a mulher barbada ou o homem bala?
Lirinha: A utilização dessa imagem é devido à máscara para a execução de seu trabalho, como as pinturas de guerra. Existe essa coisa de transformação para poder enfrentar tudo. É tão semelhante com a nossa existência, toda máscara que utilizamos no nosso dia-a-dia, nesse grande espetáculo que é nossa vida, e nesse circo que é o planeta. Independente do que aconteça, o palhaço tem que entrar em cena, o espetáculo não pode parar. Independente de todas as tragédias que estão acontecendo, sempre temos que passar uma mensagem de alegria. Essa imagem do palhaço é muito forte. Ela também nasceu de uma poesia: o filho tinha vergonha do pai, por que o pai era palhaço. O filho se formou em Direito e seguiu outro caminho. Um dia o filho visitou o pai, que já estava no leito de morte. Ele era uma pessoa muito amargurada. Então ele se acocorou, pegou a mão do pai e disse: ¿Pai, me ensina a ser palhaço?¿. E o pai respondeu: ¿Isso não se ensina seu bosta!¿. Essa imagem ficou muito forte no grupo, e acabou sendo a cara do espetáculo. Isso também tem tudo haver com a nossa geração, a nossa herança, com essas guerras, com tudo isso que a gente está vivendo, a urgência, a glorificação do presente, que a geração da gente vive. O futuro é muito incerto. Então é o Palhaço do Circo Sem Futuro, embora isso não seja pessimista. Utilizamos o símbolo Palhaço como uma forma de alegria artística.
(KARLA LIMA)

Brasil



Brasil independente
Quero um mundo mais irmão
Sem fome e dominação
Sem sangue, dor e gemidos
Sem tantos rostos sofridos
Quero meu povo contente
E quero o Brasil Independente.
Quero que cesse a maldade
Que acabe a desigualdade
Que não se fale em dívida
Que o pobre possa ter vida
E com toda minha gente
Viver num país independente.
Quero a terra partilhada
E minha pátria libertada
Que o povo dos casebres deixe de padecer
O maior dos generais de seu palácio descer
Quero ter vida descente
Num Brasil independente.
Quero o mundo desarmado
E o amor vivenciado
Quero os pobres se dando as mãos
E vivendo como irmãos
Sem governo incompetente
No Brasil independente.

Rosa Ilma Lobato