Junho 17, 2008

Transposição do São Francisco


(...)A idéia antiga de transposição do Rio São Francisco, remonta a D.Pedro II, e representa pegar artificialmente parte de suas águas e levar para outra bacia que é muito assolada pelas secas. Isto já foi feito em outros países como Espanha, Peru e Estados Unidos, só pra citar os exemplos mais conhecidos.
O plano da transposição do chamado “Velho Chico” prevê dois eixos principais: o Norte e o Leste (veja abaixo). O eixo Leste será abastecido com águas captadas no reservatório de Itaparica, que irão abastecer principalmente o Rio Paraíba (PB), podendo depois ajudar a abastecer Recife (PE). Para o eixo Norte, a água será captada em Cabrobó (PE) e segue para os rios Jaguaribe (CE), Apodi e Piranhas-Açu (RN e PB). Neste último eixo as águas saem do São Francisco, subindo por bombeamento pelas elevatórias e descendo até o Rio Jaguaribe.

Estes eixos são canais condutores revestidos de concreto que, acoplados com aquedutos, túneis e pequenos reservatórios, poderão conduzir as águas a seus destinos (imagine uma estrada onde só passa água). A pergunta principal que todo mundo quer fazer é: afinal, vale a pena todo o esforço e o dinheiro alocados?

O Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do projeto, que pode ser acessado no site do Ministério da Integração Nacional (veja aqui), é notadamente tendencioso a favor do empreendimento, sempre ressaltando o fato que o volume de água retirado do São Francisco será de 63,5 m³/s, isto é, cerca de apenas 3,5 por cento da vazão disponível no rio (em torno de 1850 m³/s), ficando o eixo Norte com 67 por cento e o Leste com 33 por cento do volume transposto.

A utilização da água está prevista para ser dividida em 71 por cento para irrigação, 25 por cento para consumo urbano e 4 por cento para perdas no sistema (valor subestimado, segundo alguns pesquisadores). Então, cerca de 45,1 m³/s serão usados para a irrigação. Quanto de área é possível irrigar com isso? Alguns técnicos apontam a necessidade de 0,5 a 1 litro/segundo por hectare irrigado. Vamos subestimar o consumo para 0,5 litro/segundo. Sabendo que 1 m³ é igual a 1 mil litros (uma caixa d´água), com 45.100 litros/segundo seria possível irrigar 90.200 hectares. Bacana, não? Mas o Polígono das Secas compreende uma área de 936.999.300 hectares (11,5 por cento do território nacional), então, a transposição seria capaz de irrigar 0,1 por cento do polígono.

Ah, Ronaldo, mas a transposição não é para toda essa área! Então, tá! As áreas que correspondem exclusivamente às bacias receptoras somam 21.245.300 hectares (informações do próprio Rima). Assim daria para irrigar dessas bacias, 0,4 por cento. Mas vamos supor que o dado de 0,5 litro/segundo esteja ainda superestimado e que o programa como um todo possa racionalizar o uso para algo como 0,25 litro/segundo por hectare. Isso irrigaria 1,05 por cento da área das bacias receptoras (180 mil hectares). Ainda assim muito pouco, não é mesmo?

A previsão de custo para a construção do projeto segundo o Rima é de 1,5 bilhão de dólares (divididos em 70 por cento para o Eixo Norte e 30 por cento para o Leste). Outros relatórios dizem que este custo varia de 2,7 a 3,3 bilhões e citam o governo federal como fonte deste número. O Rima diz que 1,5 bilhão é um custo baixo, se comparado aos gastos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que entre 1998 e 2000 aplicou quase 1 bilhão de dólares em recursos para atendimentos emergenciais em decorrência da seca. Bem, se isto for verdade, quanto deste dinheiro realmente chegou à população necessitada?

A Sudene (ela não tinha sido extinta?) é só um dos exemplos de que a segunda lei da termodinâmica se aplica às burocracias. Esta lei da física diz que quando uma dada quantia de energia (no caso dinheiro) é transformada de um tipo em outra (no caso de impostos em comida), uma parte é dissipada em forma de calor. Imagine o “calor” da Sudene nestes anos.

Ainda por cima, estamos no Brasil, e todo empreiteiro que trabalha para o governo sabe que se uma obra recebe o preço X, ela não sairá por menos de 3 a 6X (isto não é crítica. É fato). Foi assim , por exemplo, com a siderúrgica Açominas, que deveria ter custado 1,8 bilhão de dólares (aproximadamente o mesmo valor apontado pelo Rima para a transposição) e custou 7 bilhões.

Mesmo assim, o leitor pode argumentar que com o passar do tempo a área irrigada, ainda que relativamente pequena, pode dar lucros e “pagar” a obra. Certo, concordo que isto pode, em teoria, acontecer, mas o Vale do São Francisco ainda tem uma área potencialmente irrigável de mais de 2 milhões de hectares. Então, por que não irrigar estes mesmos 90 a 180 mil hectares na própria bacia? O custo da irrigação sairia pelo menos 10 vezes menor e, conseqüentemente, o preço do alimento também.

Bem, e o que vai acontecer com o rio? Infelizmente sou obrigado a dizer que o “Velho Chico” não é mais aquele, pois além de não possuir mais as matas galerias que o protegiam contra o assoreamento, hoje ele não é propriamente um rio, mas sim (como tantos outros no Brasil) um conjunto de reservatórios intercalados e conectados que, no seu caso, podem gerar 10 mil MW, ou 95 por cento da energia consumida no Nordeste.


Segundo as estimativas da Chesf, cada 1 m³/s de água retirada do rio equivale à perda de geração de 2,52 MW/ano, ou seja, os 63,5 m³/s reduzirão a capacidade de geração de energia do São Francisco em aproximadamente 2 por cento. Pouco, realmente muito pouco, se os reservatórios estiverem cheios, mas no quadriênio 1997-2000, o nível de armazenamento destes reservatórios foi respectivamente de 70 por cento, 40 por cento, 20 por cento e 36,8 por cento da capacidade total. Se o quadro de 2000 se repetir, a perda de geração sobe a 8 por cento, e isto não é pouco, principalmente pra quem ainda paga na conta de energia o tal do “seguro apagão”.

Ainda um dado interessante, mas pouco usado, é que 1 MW/ano é equivalente ao uso de 18.250 barris de petróleo/ano. Ao preço de 100 dólares o barril, os 2,52 MW custarão ao país 4 milhões 600 mil dólares/ano, que deixarão de ser gerados para transpor as águas para a região do polígono.

Quero ressaltar que estas estimativas de perda de energia são as mais otimistas, pois o Comitê Executivo de Estudos Integrados da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco - Ceeivasf, reunido em Salvador em maio de 1994, apontava para uma perda de 266,7 MW para os mesmos 63,5m³/s. Cem vezes mais do que a estimativa apresentada pelo Rima.

Ufa! O leitor deve estar cansado de ler todos estes números. Pois é, eu também estou. Então vamos analisar uma “meditação” feita no Rima sobre a dúvida: geração de energia elétrica ou combate à seca? O Rima pergunta (à página 16): “Qual seria o uso mais adequado da água: gerar energia elétrica ou ampliar o acesso da população à água?”. Mas que perguntinha mais capciosa. É como se a energia elétrica fosse luxo e não necessidade, como se a energia não ajudasse essa mesma população a gerar sua renda, inclusive comprar a sua água e tudo mais.

Este tipo de argumento é similar a outro que vi contra a transposição: aquele que diz que a irrigação só vai beneficiar os grandes agricultores do semi-árido que, com lavoura mecanizada, não empregarão “o povo”. Ai, ai, tudo tem limite. A desculpa do “tudo pelo social” (lema do governo Sarney) não cola. Nem para este caso, nem para nenhum. A revolução russa foi pelo “social” e acabou matando milhões de camponeses e criando outras ditaduras comunistas que ruíram de velhas. Fidel é pelo social e fez mais mortos políticos que as ditaduras direitistas somadas da América Latina (que também eram pelo e para o povo). Hitler criou o “carro do povo” (Volkswagen), etc.

Desta forma, o Rima, ao invés de discutir tecnicamente os prós e contras, quer sensibilizar seu leitor, substituindo a técnica (e ética) profissional pela culpa, isto é, tenta embotar no leitor aquele argumento sutil de que, afinal, é também ele, em parte, culpado das mazelas do Nordeste. Por isso, desligue seu computador, sua máquina de costura e deixe que a água siga para lá. Não compre frutas do Vale do São Francisco, não deixe os pobres de lá sem água, sem renda. Afinal, pobre de Minas não dá Ibope, só os do Nordeste agrário, com sua aura “literária”, graças a gênios como Graciliano Ramos.

Eu teria que falar mais um monte de coisas (inclusive sobre ambiente), mas gostaria de terminar, por enquanto, com outro número fornecido pelo Rima (à página 63): “A renda per capita da Região Nordeste passou de 860 reais por ano em 1960 para 2 mil 900 reais em 1997, e a agropecuária perdeu importância, pois representava, em 1970, 31 por cento das riquezas, passando para 11 por cento em 1997, perdendo para a indústria e o setor de serviços”. Mas que informação interessante! Ela mostra que talvez a agricultura não seja mesmo a vocação da região nordestina. E se o 1,5 bilhão de dólares for aplicado para valer (repito: para valer) em educação, ciência e industrialização?

E tentando responder ao título da matéria de Sici Adriana Rosa sobre a transposição, o sertão não vai virar rio e o rio continuará a ser o que é: um conjunto de reservatórios para gerar energia e irrigar o Vale do São Francisco. Ah, sim! Lá também tem uma pesca que vem diminuindo principalmente devido aos barramentos e à destruição dos habitats. Tirar apenas um pouquinho dos recursos não auxiliará essa situação, e pode ser a gota d´água.

Junho 11, 2008

A orientação sexual não é uma escolha


Uma campanha institucional contra a discriminação sexual que mostra a imagem de um recém-nascido com uma pulseira de identificação onde, em lugar do nome, se lê “homossexual”, recebeu o apoio de associações de homossexuais e parte da esquerda, assim como críticas dos conservadores.

O responsável pela escolha da imagem, explicou que a campanha não pretende entrar na origem da homossexualidade, mas ressaltar que ele “não é um vício e, por isso, não deve ser condenado, marginalizado ou pior ainda, perseguido“.

O presidente da associação homossexual italiana disse que a campanha está “totalmente na vanguarda” na defesa dos direitos dos gays e afirmou que a Itália deveria “se adequar” à visão da Toscana (região italiana onde a campanha foi idealizada) sobre o assunto.

Mas do outro lado há também os opositores, como o líder da conservadora União de Democratas Cristãos na Câmara Baixa, Luca Volonté, que classificou a campanha de “horrorosa” e disse ainda que “utilizar recém-nascidos para dar a idéia de que os impulsos homossexuais são uma característica inata das crianças é uma desculpa vergonhosa do ponto de vista científico, político e social”.

Na minha opinião essa campanha não funciona. Mesmo não pretendendo entrar na origem da homossexualidade, o público-alvo da campanha são os heterossexuais que, com certeza, não verão com bons olhos o uso de um recém-nascido nesse contexto. O impacto será negativo… e convenhamos… é de muito mal-gosto. Parece que foi criada só para gerar polêmica mesmo.

Fonte:http://tagar-ella.blogspot.com/

Os Skinhead



Na Inglaterra, na década de 60 existia um movimento chamado “Mods”. Eram jovens vestidos de forma peculiar, gostavam de musica negra norte americana (soul, R&B) e jamaicanas (ska), usavam cabelos curtos para que não os atrapalhassem nas brigas, já que constantemente se envolviam nestas e na maioria das vezes pertenciam a famílias de trabalhadores proletários. Com o tempo os “Mods” se dividiram entre os mais intelectuais e refinados (os “cool”) e os de rua, os briguentos. Então, esse último grupo, o mais violento dos “Mods” adotou a denominação Skinhead. Estes se tornaram mais que um subgrupo. Eles adotaram sua própria forma de se vestir, mas não era só isso, agiam de forma violenta, causavam muita confusão, tinham ideais parecidos e curtiam as mesmas músicas, o ska que aos poucos foi se transformando no reggae. O skinhead original não se envolvia com política e não eram racistas também, muitos skinheads eram negros. Na década de 70 esse movimento quase acabou, mais no final dessa mesma, os skinheads voltaram as ruas de Londres, nos shows de Punk e muitos se fizeram seguidores do 2 Tone, nome dado à nova geração skinhead anti-racista, porém, enquanto isso, a banda “National Front” aproxima- se mais aos skinheads mais ignorantes, e então surgem os “Sinkheads Nazistas”. E hoje em dia, há pelo menos 3 tipos de skinheads pelo mundo, e no Brasil isso é um pouco diferente.

Os skinheads são pessoas que raspam as cabeças, que usam coturno, suspensórios, calças camufladas e possuem tatuagens. Mais não é só a forma como se vestem que caracteriza os skinheads, o mais importante é a forma com que pensam e agem, grandes partes dos skinheads são racistas, não gostam dos judeus, nem dos homossexuais, negros e aqui no Brasil eles não gostam também dos nordestinos, pois eles consideram estes responsáveis pela crise de desemprego que atinge o país. Esses grupos neonazistas defendem o nacionalismo e desprezam os valores morais adotados pela sociedade, e assumem a disciplina neonazista como filosofia de vida. Os skinheads têm várias maneiras de agir e de se expressar mais todas elas são de forma violenta, uma dessas formas é sair à noite à procura de vítimas, pois eles são movidos pela intolerância racial e ideológica e também é comum haver lutas violentas entre as próprias gangues.

Atualmente, espalhados no mundo, existem 3 tipos de Skinheads: os tradicionais, os de esquerda e os “Skins nazis”. Os tradicionais são os que acreditam nos valores originais do skinhead, ouvindo somente reggae e ska e são totalmente contra o racismo. Os de esquerda, que podem ser “Sharp” (anti-racistas que confrontam os nazis) ou “rasen” (skins anarquistas ou comunistas), eles convivem mais ou menos bem com os tradicionais, mas vivem em conflitos, uma vez que os “trads” os chamam de fanáticos e eles os chamam de alienados, são radicalmente anti- racismo e sempre conflitam com os “skin nazis”. E os “skin nazis”, usam visual diferente, optam de um estilo musical diferente (puxado para o hard rock) e freqüentam baladas diferentes. Os nazis são universalmente detestados. Estes se expressam na música, no visual... No Brasil existem praticamente 3 facções de skinheads: os “carecas do subúrbio”, “carecas do ABC” e os “white powers”. Enquanto o grupo dos Carecas do Subúrbio é uma dissidência do movimento punk, combate o preconceito racial, o uso de drogas, os punks e prefere não se envolver com partidos políticos, os Carecas do ABC assimilaram o integralismo e apóiam partidos políticos vinculados ao pensamento de direita. A facção mais radical, os White Powers, por sua vez, é assumidamente defensora do nazismo, apesar das diferenças, todos são nacionalistas, contrários ao uso de drogas e abominam o homossexualismo e é desses princípios que parte a violência praticada por eles.

Assim, pode- se concluir que apesar de nem todos os skinheads serem racistas e etnocêntricos, a sociedade mantém um ponto de vista estereotipado imposto pela mídia, e reluto em aceitar os valores originais do momento. Entretanto, é inegável que grupos extremistas como os “White powers” ainda acreditem na violência pela violência, sem promover qualquer tipo de progresso, apesar a xenofobia e ações de intolerância. Percebe-se também que os skinheads não expõem somente eles mesmos à violência, pois já que convivem em uma sociedade, forçam pessoas inocentes e até mesmos os jovens a conviverem com ela, levando assim alguns adolescentes sem a noção de certo ou errado ao mal caminho, gerando assim um ciclo de violência.

Bibliografia
http://www.angelfire.com/pe2/sxe/skinhead.html http://www.geocities.com/Athens/Crete/7892/skin/skinhead.htm
Pesquisa da Unesp
http://www.escolavesper.com.br/neonazismo/perguntasrespostas.htm
http://veja.abril.com.br/vejasp/171203/policia.htm

quando houve uma marcha de cabeças rapadas em Lisboa, que noto que a crescente organização e profissionalização dessa cambada não só deixou de preocupar as pessoas, como as deixa satisfeitas. Afinal de contas, tanto o betinho classe média como o dread mais hardcore dizem que não são racistas para ficar bem e tal, mas quase que se cagam nas calças quando tem de passar por um preto na rua. E depois daqueles assaltos em Carcavelos, convenientemente exagerados pela tvi, o medo tornou-se histeria.

E com isso tudo, as pessoas passaram a ver essa escória de extrema-direita como se fossem uma espécie de guarda costas, uma contra força que meta a pretalhada da Damaia em sentido. A triste verdade é que os skinheads só existem e sobrevivem por dois motivos.


Em primeiro lugar, são burros que fode, o que torna impossível de os dissuadir pela lógica e pela argumentação. Se tivessem um mínimo de inteligência, eles próprios iam perceber como a cassete que eles estão sempre a repetir que no fundo não passa de restos de propaganda do século passado não faz sentido nenhum. E as tentativas de actualização que eles fazem são absurdas. Substituir racismo por racialismo não muda absolutamente nada. Só mostra como são hipócritas; tão rebeldes e politicamente incorrectos que se dizem, e mudam assim fundamentos deles só para não soar tão mal.



E em segundo, como qualquer besta que se preze, o skinhead é teimoso. Teima em organizar-se e em ser militante e em fortalecer a sub cultura obnóxia dele com tatuagens e bandeiras e nomes pomposo tipo frente nacional e merdas. Exercita-se e anda sempre aos grupos de vinte. Usa botas militares e armas brancas. Isso intimida tanto uma pessoa que tenha intenções de injectar algum bom senso naquelas cabeças rapadas, como um preto que queira abrir essas mesmas cabeças rapadas. E assim vão eles vivendo.

Mas eu, como pessoa que tem solução para tudo, descortinei a solução perfeita para acalmar a tensão racial na grande Lisboa. Bastava evacuar e cercar a cidade, dar treino militar e armamento tanto aos skinheads como aos pretos do bairros, e esperar o fim da subsequente guerra racial. Depois, depende. Se ganhassem os pretos, bombardeava-se a cidade com eles lá dentro. Se ganhassem os skinheads, nao era preciso tanto. Bastava espalhar o rumor de que os russos estavam na margem sul do Tejo para eles começarem com suicídios em massa.


E já agora, algum skinhead me explica porque raio uma organização supostamente nacionalista consegue ser obcecada por um austríaco obcecado por ser alemão? Isso é simplesmente estúpido. E não é só isso. É estúpido também todo esse simbolismo imbecil. A cruz de ferro não passa duma condecoração barata. E a mania de citar mitologia nórdica só mostra como são imbecis que não merecem sequer o rotulo de nacionalistas. Se merecessem, iam saber que existe mitologia lusitana. Temos uma deusa do amor e da guerra, a Trebaruna. Não faz sentido invocar Valquírias na nossa cultura.

Enfim, a culpa também não é só deles. Se a pretalhada de Lisboa se preocupasse mais em ser civilizada e menos em imitar os filmes americanos, ia ser mais fácil desacreditar a extrema direita. Mas enquanto a macacada continuar a saltar fora do secundário para passar a viver de pequenos furtos enquanto ouve hip-hop o dia todo e se acha muito guetificada e marginalizada sem nada fazer para alterar a situação, a tensão racial vai aumentar. E os neonazis vão cada vez mais achar que tem razão. E eu vou continuar a cagar pra toda a gente.
Fonte: http://paginadojoao.no.sapo.pt/skinheads.htm

Jogos violentos e os jovens



ANN ARBOR - Os videogames violentos alteram as funções cerebrais e fazem com que os jovens "viciados" nesses jogos se tornem insensíveis à violência real, segundo estudo divulgado nesta terça-feira.

O autor do estudo, Brad Bushman, professor de psicologia do Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Michigan, disse que a "pesquisa é a primeira a relacionar o hábito de jogar videogames violentos com uma menor reação frente a cenas de violência". Até agora, "se sabia que estes jogos estimulavam um comportamento agressivo e diminuíam a noção de solidariedade", comentou Bushman.

Professor de psicologia da Universodade de Missouri-Columbia, Bruce Bartholow também participou do estudo e comentou que "a maioria" das pessoas "tem uma aversão natural a imagens de sangue e ferimentos", mas os "médicos e soldados acabam superando essa reação para poder realizar suas funções profissionais".

Na pesquisa, da qual também participaram pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, 39 universitários foram entrevistados sobre a freqüência com que jogam esses videogames e o nível de violência contida nos produtos. Foram avaliados, também, aspectos como irritabilidade e agressividade, através de questionários específicos.

Depois, os pesquisadores, através de um procedimento chamado eletroencefalograma, mediram a amplitude de uma onda específica no cérebro, a P300, que indica as reações a estímulos, como ver fotografias. Aos universitários foram mostradas imagens neutras (uma letra, um nome, por exemplo), e logo depois imagens com cenas de violência (com um homem apontando um revólver para a cabeça de outro), ou uma imagem negativa, mas não violenta (um pássaro morto, por exemplo).

Os pesquisadores verificaram que a resposta às imagens agressivas entre os jovens que frequentemente jogavam videogames violentos foi menor do que a verificada entre os demais participantes.

Os resultados desta experiência sugerem que os "viciados" em games violentos sofrem danos a longo prazo em suas funções cerebrais e em seu comportamento, segundo disseram os pesquisadores.

O estudo será publicado na próxima edição da revista científica "Journal of Experimental Social Psychology".

Fonte: O Globo.

Delinqüência juvenil


O que leva jovens e adolescentes a serem tão violentos e cometerem tantas barbáries a ponto de agredir ou até mesmo matar uma pessoa com requintes de crueldade? Temos visto diversos acontecimentos que têm chocado a população, são fatos que se proliferam em todos os âmbitos da sociedade com resultados que vitimam inocentes.

A mídia tem noticiado inúmeros casos de violência envolvendo jovens, em estádios de futebol, com brigas entre torcidas rivais, nos bailes funks, com rixas de gangues, sem contar o ressurgimento do neonazismo que impulsiona muitos deles a pertencerem a neofacções que pregam, através da agressão física, o "extermínio" de homossexuais e outros grupos que julgam ser inferiores.

Outro aspecto relevante é a participação de menores na criminalidade. Muitos praticam atos desumanos em assaltos, seqüestros e estão diretamente ligados ao submundo da violência. Meninos que cometem delitos graves, dispostos a tudo sem medir as conseqüências, almejando alcançar bens materiais e também a credibilidade do grupo a que pertencem.

Daiomar Portes Pacheco, de Porto Alegre (RS), viveu uma juventude conturbada dos 16 aos 20 anos. Era integrante de torcida organizada e comparecia a todos os clássicos de futebol. Na companhia de outros jovens, sempre dava um jeito de arrumar confusões com torcedores rivais. Ele relata que um dia antes dos jogos, se preparavam com munição pesada como bombas caseiras, armas de fogo, paus e pedras, pois os confrontos eram inevitáveis. Os vícios agravavam ainda mais as atitudes do rapaz. Pacheco era usuário de cocaína, crack e haxixe, que o tornava extremamente agressivo, a ponto de cometer atos que posteriormente traziam arrependimento. "Diversas vezes espancávamos as pessoas sem um motivo aparente, só pelo simples prazer de agredir. Gostávamos de chamar a atenção, e essa postura fazia com que nos tornássemos respeitados entre as torcidas", relata. Ele comenta também que em certos momentos sentia-se desamparado por todos, não tinha uma estrutura familiar que o sustentasse, era depressivo e a ociosidade permitia que procurasse nos vícios, nos roubos e nas agressões algo que lhe proporcionasse satisfação. Perdeu muitos amigos nesses confrontos e chegou a ser internado em um hospital psiquiátrico, devido o seu comportamento.

Foi através de um trabalho feito para recuperação de jovens chamado Movimento Jovem Cidadão, realizado aqui em Porto Alegre, que ele encontrou meios para sair dos vícios e alcançar a solução de todos os problemas. Lá, recebeu orientações que o ajudaram a superar a depressão e hoje, com 24 anos, participa de diversos cursos oferecidos pela Associação. "Conheci pessoas que me deram atenção e, a partir daí, recebi apoio e incentivo para ter uma vida de qualidade e ajudar aqueles que ainda vivem uma realidade sem perspectivas de mudanças", finaliza.

Conforme estudos, constata-se que os altos índices da violência estão diretamente relacionados à falta de ocupação dos jovens e ao abandono escolar. A socióloga, Letícia Rodrigues de Oliveira, ressalta: "O que contribui para que esses adolescentes se tornem tão violentos, abrange alguns fatores, porém o principal deles é a exclusão social". Ela diz que muitos são de origem humilde e vivem em situações precárias. Falta acompanhamento familiar e condições financeiras para suprir as principais necessidades. Acredita que a sociedade tem uma grande parcela de culpa, pelo aumento dos índices de violência, pois rotula esses meninos como marginais, quando deveria cobrar dos governantes projetos sociais que contribuam para o desenvolvimento educacional e um ostensivo programa de prevenção às drogas.

Os meios de comunicação apresentam um exagerado consumismo que dita as regras afirmando que para ser uma pessoa bacana tem de usar tênis de marca e roupas da moda, que custam muitas vezes valores que não condizem com a realidade desses jovens. "Muitos acabam se envolvendo com o tráfico de drogas, que lhes dá um retorno rápido e os fazem usufruir daquilo que almejam de uma forma negativa", completa Oliveira.

A respeito da participação de adolescentes em crimes hediondos, a socióloga defende que a solução não é reduzir a maioridade penal, e sim uma reestruturação das instituições que abrigam menores infratores para que possam, de fato, reabilitá-los e devolvê-los à sociedade como verdadeiros cidadãos

Priscila Bittencourte

Junho 05, 2008

Lixo Eletônico



De celulares usados que cabem na palma da mão passando por computadores a navios de carga, os países pobres correm um risco crescente com produtos eletrônicos e outros itens doados, alertaram fontes oficiais.

"Um dos grandes desafios do nosso tempo é concordar coletivamente com o que é lixo e com o que são produtos de segunda mão", explicou Achim Steiner, presidente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que organiza o encontro.

"Esta questão atinge tanto navios no fim de sua vida útil quanto produtos eletrônicos", afirmou no discurso inaugural, destacando que as embarcações da Marinha são freqüentemente equipados com sofisticados componentes eletrônicos.

"A menos que consigamos controlar isto, estaremos sempre como o cão que caça o próprio rabo", comparou Steiner.

Com tantos laptops, telefones celulares e outros equipamentos eletrônicos tornando-se obsoletos meses após seu lançamento no mercado, o lixo eletrônico é a parte do lixo municipal que mais cresce no mundo desenvolvido, denunciam os especialistas,

Uma vez descartados ou doados, grande parte deles chegam a países em desenvolvimento, sobretudo da África, com o rótulo de "mercadorias recondicionadas", mas acabam apodrecendo em lixões, liberando chumbo, cádmio, mercúrio e outros componentes mortais.

De 20 a 50 milhões de toneladas deste tipo de dejetos são geradas nos países em desenvolvimento a cada ano e, enquanto a quantidade exata que chega à África não é clara - especialistas estimam que até 75% do que chega ao continente é inaproveitável e perigoso.

"Vivemos em um mundo onde é necessário gerar uma nova consciência", acrescentou Steiner, que defendeu o descarte seguro do e-waste como "um real desafio" para o planeta que irá se tornar cada vez mais difícil à medida que a tecnologia continuar a avançar.

Seus comentários foram feitos ante delegados dos 120 países signatários da Convenção da Basiléia sobre transporte e descarte de dejetos perigosos, que entrou em vigor em 1992.

Durante a conferência de uma semana, poderá ser adotado um padrão para ajudar a proteger os países em desenvolvimento de importações descontroladas de lixo eletrônico, lixo químico e outros subprodutos do desenvolvimento.

O encontro se volta para o desenvolvimento de estratégias em que o produtos eletrônicos usados possam ser devolvidos, reciclados ou acompanhados de certificados provando que foram realmente recondicionados e estão funcionando.

Alguns delegados instam a países como os Estados Unidos, que não participam da convenção, a se unirem à União Européia, que por vários anos baniu a exportação de lixo eletrônico perigoso.

A UE também determinou a eliminação gradual de componentes tóxicos em computadores e pediu a fabricantes que vendem equipamento eletrônico nos países do bloco que peguem de volta os obsoletos para garantir sua reciclagem segura.

Fonte:http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2006/11/27/ult1806u4943.jhtm

S.O.S Água



Poluição da Água
Poluição ambiental, poluição industrial, poluição das águas, poluição dos rios, contaminação da água, Aqüífero Guarani


Foto de Rio Poluído : ameaça ao meio ambiente

A água é um bem precioso e cada vez mais tema de debates no mundo todo. O uso irracional e a poluição de fontes importantes (rios e lagos), podem ocasionar a falta de água doce muito em breve, caso nenhuma providência seja tomada.



Este milênio que está começando, apresenta o grande desafio de evitar a falta de água. Um estudo recente da revista Science (julho de 2000) mostrou que aproximadamente 2 bilhões de habitantes enfrentam a falta de água no mundo. Em breve poderá faltar água para irrigação em diversos países, principalmente nos mais pobres. Os continentes mais atingidos pela falta de água são: África, Ásia Central e o Oriente Médio. Entre os anos de 1990 e 1995, a necessidade por água doce aumentou cerca de duas vezes mais que a população mundial. Isso ocorreu provocado pelo alto consumo de água em atividades industriais e zonas agrícolas. Infelizmente, apenas 2,5% da água do planeta Terra são de água doce, sendo que apenas 0,08% está em regiões acessíveis ao ser humano.

As principais causas de deteriorização dos rios, lagos e dos oceanos são: poluição e contaminação por poluentes e esgotos. O ser humano tem causado todo este prejuízo à natureza, através dos lixos, esgotos, dejetos químicos industriais e mineração sem controle.

Em função destes problemas, os governos preocupados, tem incentivado a exploração de aqüíferos (grandes reservas de água doce subterrâneas). Na América do Sul, temos o Aqüífero Guarani, um dos maiores do mundo e ainda pouco utilizado.Grande parte das águas deste aqüífero situa-se em subsolo brasileiro.

Estudos da Comissão Mundial de Água e de outros organismos internacionais demonstram que cerca de 3 bilhões de habitantes em nosso planeta estão vivendo sem o mínimo necessário de condições sanitárias.Um milhão não tem acesso à água potável. Em virtude desses graves problemas, espalham-se diversas doenças como diarréia, esquistossomose, hepatite e febre tifóide, que matam mais de 5 milhões de seres humanos por ano, sendo que um número maior de doentes sobrecarregam os precários sistemas de saúde destes países.

Com o objetivo de buscar soluções para os problemas dos recursos hídricos da Terra, foi realizado no Japão, em março de 2003, o III Fórum Mundial de Água. Políticos, estudiosos e autoridades do mundo todo aprovaram medidas e mecanismos de preservação dos recursos hídricos. Estes documentos reafirmam que a água doce é extremamente importante para a vida e saúde das pessoas e defende que, para que ela não falte no século XXI, alguns desafios devem ser urgentemente superados: o atendimento das necessidades básicas da população, a garantia do abastecimento de alimentos, a proteção dos ecossistemas e mananciais, a administração de riscos, a valorização da água, a divisão dos recursos hídricos e a eficiente administração dos recursos hídricos.

Embora muitas soluções sejam buscadas em esferas governamentais e em congressos mundiais, no cotidiano todos podem colaborar para que a água doce não falte. A economia e o uso racional da água deve estar presente nas atitudes diárias de cada cidadão. A pessoa consciente deve economizar, pois o desperdício de água doce pode trazer drásticas conseqüências num futuro pouco distante.

Dicas de economia de água: Feche bem as torneiras, regule a descarga do banheiro, tome banhos curtos, não gaste água lavando carro ou calçadas, reutilize a água para diversas atividades, não jogue lixo em rios e lagos, respeite as regiões de mananciais.
Fonte:Autor desconhecido

Junho 03, 2008

A farsa do fim da dívida externa


Dívida pública e remessas de lucros aumentam no governo Lula.

“O Brasil zerou sua dívida externa e já é agora credor”. Foi o anúncio realizado com estardalhaço pelo governo Lula no dia 21 de fevereiro. No entanto, apenas um olhar mais atento basta para ver que o Brasil não se tornou credor dos outros países, nem pagou a dívida externa. Ao contrário do que é dito, a dívida segue existindo e consumindo grande parte dos recursos que iriam para a área social.
Segundo os dados divulgados pelo governo, o total de ativos do país em dólares já supera a dívida externa do setor público e privado. Isso significaria que toda a dívida externa poderia ser paga utilizando apenas as aplicações dos setores público e privado no exterior. Só as chamadas reservas internacionais acumulavam US$ 180,3 bilhões no final de janeiro. O total de ativos do país teria superado, assim, o valor da dívida externa em U$ 4 bilhões.
Dívida externa versus dívida interna
A informação que os jornais relegavam em segundo plano, no entanto, é a chave pra entender a manobra realizada pelo governo. A política do governo Lula foi de trocar a dívida pública externa pela interna. Desta forma, enquanto alardeia o fim da dívida externa, a dívida interna do país está a inacreditáveis R$ 1,2 trilhão, ou 65% do PIB, o valor de tudo o que o país produz em um ano.
Os títulos da dívida interna emitidos pelo governo são mais caros e de prazos mais curtos. O governo paga aos títulos da dívida interna juros de 12,8% ao ano, maiores que a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 11,25%. Desta forma, a dívida só aumenta. Em dezembro de 2006 era de R$ 1,092 trilhão. Doze meses depois somava R$ 1,224 trilhão. A dívida pública total, interna e externa, estava em R$1,311 trilhão em janeiro deste ano. Só em 2008 vencem R$ 400 bilhões em títulos da dívida.
Isso significa que, ao contrário do discurso do governo, os gastos com a dívida aumentam cada vez mais. Só em janeiro, o Brasil pagou nada menos que R$ 13,4 bilhões de juros da dívida. Para se ter uma idéia, o Projeto de Lei Orçamentário para 2008 prevê R$ 12,7 bilhões para a educação durante todo o ano. O valor pago com juros só em janeiro também é maior que todo o orçamento do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, responsável pelo Bolsa Família, de R$ 13,2 bilhões.
Não por acaso, o anúncio de que o país se tornara “credor” foi realizado em meio à crescente crise financeira e econômica que se espalha no mundo a partir dos EUA. O esforço é apresentar o Brasil como uma ilha de tranqüilidade imune aos efeitos da crise, alcançando o chamado grau de investimento (investiment grade), espécie de selo de qualidade concedido pelas agências internacionais de classificação de risco aos países bons pagadores de suas dívidas.
Reservas internacionais
Um dos principais feitos do governo, segundo a propaganda maciça desencadeada nos últimos dias, refere-se às chamadas reservas internacionais. Ela serviria para conferir tranqüilidade aos investidores estrangeiros, garantindo o pagamento em dia da dívida.
A chamada dívida externa é o conjunto da dívida contraída no exterior pelo setor público e as empresas aqui instaladas. Nessa conta entra tanto a dívida contraída por governos como por empresas. Desta forma, uma dívida contraída por uma filial de uma multinacional com sua própria matriz, seria contabilizada como dívida externa.
Já as reservas internacionais são os depósitos do Banco Central em moeda estrangeira, principalmente o dólar. Quando há um investimento estrangeiro no país, o BC toma esses recursos e repassa o equivalente em moeda nacional. Já quando as empresas remetem lucros às suas matrizes no exterior, por exemplo, elas trocam o real pelo dólar guardado no Banco Central. Ou seja, as chamadas reservas internacionais são a garantia de que o governo e as empresas aqui instaladas honrarão seus compromissos no exterior.
E como o governo consegue acumular esses recursos em moeda estrangeira? Além da balança comercial favorável, ou seja, os dólares que entram no país através das exportações, o governo concedeu total isenção de imposto aos investimentos estrangeiros.
Os especuladores podem injetar dólares no país sem o menor custo, o que aumentou o investimento externo. Com a valorização do real, os especuladores trocam títulos da dívida externa, em dólar, por títulos da dívida interna, em real valorizado e com juros maiores. Os dólares em desvalorização ficam com o Banco Central.
Grande parte das reservas, porém, vem do chamado superávit primário, a economia que o governo faz cortando investimentos e aplicando uma política de arrocho nas contas públicas, tirando recursos de setores como saúde e educação.
Economia dependente
O ufanismo comprado por boa parte da imprensa dá conta que agora “os gringos é que devem ao Brasil”, conforme estampou na capa o jornal Correio Braziliense. No entanto, nunca a economia do país foi tão dependente quanto no governo Lula. O real valorizado em relação ao dólar, assim como a economia desnacionalizada, impulsionam a remessas de lucros ao exterior. Em 2007, as filiais das multinacionais remeteram R$ 21,2 bilhões às suas matrizes, um recorde. Com a crise econômica nos EUA, essa tendência vai se aprofundar.
A crise financeira deve ainda diminuir o montante de investimentos estrangeiros. A demanda por exportações, oriunda principalmente da China, também sentirá os efeitos da recessão norte-americana.
Seguindo sua política econômica pró-imperialista, o governo, através do Banco Central e sua equipe econômica, já anunciou que manterá a meta de superávit e, diante das turbulências internacionais, ameaça aumentar a taxa de juros.
Se existe alguma mudança, principalmente no que se refere às bandeiras da esquerda, é que precisaremos falar de “dívida pública” ao invés de tão somente “dívida externa”. De resto, continua tudo como está, só que pior. A exigência de ruptura com o imperialismo e do não pagamento das dívidas segue atual. O que é economizado para pagar juros deve ser investido no povo brasileiro, o maior credor de todos os governos deste país, incluindo o de Lula.
Governo troca dívida externa por interna
Em 1999, quando a dívida externa atingiu seu pico, totalizando US$ 225 bilhões, o governo pagou US$ 60,7 bilhões só de juros.
Já em 2007, com a explosão da dívida interna, o país desembolsou R$ 237 bilhões com juros e amortizações da dívida, ou US$ 140 bilhões. Só de juros foram pagos R$ 160 bilhões, ou US$ 94 bilhões.
Em janeiro de 2008, o total da dívida pública estava em R$ 1,3 trilhão. Foram pagos no mês R$ 13 bilhões só de juros. Para comparar, o Orçamento de 2008 prevê R$ 12,7 bilhões para a educação.
O que é dívida externa?
A dívida externa são os compromissos assumidos pelo governo e empresas aqui instaladas com bancos e investidores estrangeiros, em dólar principalmente. No caso da dívida externa pública, é uma espécie de empréstimo que o governo faz, emitindo títulos em que incidem os juros da taxa básica de juros.
Já a dívida interna é aquela contraída pelo setor público através da emissão de títulos em real. Investidores estrangeiros compram títulos da dívida interna, em real e, com a desvalorização do dólar, lucram duplamente. Tanto pela valorização do real quanto pelos juros extorsivos. Quanto mais dólares entram no país, mais ele se desvaloriza frente ao real e mais os especuladores ganham.

Fonte: PSTU, Diego Cruz,2008.

A máquina do fim do mundo


Aparelho feito para estudar a origem do universo pode criar buracos negros na Terra.

A entrada em funcionamento do maior acelerador de partículas do mundo, prevista para o segundo semestre deste ano, é vista pelos cientistas como uma oportunidade única para estudar a origem do universo. O acelerador, batizado de Large Hadron Collider (LHC), cuja construção terminou recentemente na fronteira entre a França e a Suíça, tem como missão promover choques entre partículas subatômicas, reproduzindo as condições existentes no cosmo um trilionésimo de segundo depois da eclosão do Big Bang. Há quem ache que essa máquina formidável pode representar um risco para o planeta. Há duas semanas, dois pesquisadores, o americano Walter Wagner e o espanhol Luis Sancho, entraram com uma ação na Justiça americana contra os cientistas do Cern, laboratório de física nuclear europeu responsável pela construção do LHC. A alegação é que, ao funcionar, o aparelho pode criar buracos negros, versões em miniatura dos colossais redemoinhos que se formam no espaço após o colapso de estrelas e que sugam toda a matéria a sua volta. Segundo Wagner e Sancho, os milhares de pequenos buracos negros que se formariam dentro do LHC poderiam se juntar em um só. O buraco negro resultante dessa fusão começaria a sugar a matéria a sua volta e a crescer, iniciando um processo em cadeia que acabaria por engolir a Terra. Os cientistas do Cern não descartam a possibilidade de buracos negros se formarem após as colisões de prótons dentro do LHC, mas afirmam que eles não teriam energia suficiente para se manter. Em frações de segundo se desintegrariam em partículas inofensivas.
O Large Hadron Collider é um túnel monumental de 27 quilômetros de extensão que está a 100 metros de profundidade. Sua construção durou catorze anos e consumiu 8 bilhões de dólares. Dentro do túnel, trilhões de prótons serão acelerados a uma velocidade próxima à da luz. Ao colidirem, seis detectores vão analisar os detritos resultantes. Espera-se que o LHC responda a perguntas cruciais da cosmologia. Sabe-se que tudo o que se observa no universo corresponde a apenas 4% do que ele abriga. Do que serão feitos os outros 96%? Haverá outras dimensões ou outros tipos de partícula que não conseguimos enxergar? Um buraco negro que engoliria a Terra não é a única previsão apocalíptica feita por Wagner e Sancho no processo judicial movido contra o Cern. De acordo com a dupla, as colisões de prótons poderiam dar origem a partículas exóticas conhecidas como strangelets. Em tese, essas partículas são capazes de alterar a composição atômica da matéria a sua volta, replicando-se indefinidamente. O resultado, novamente, seria a destruição do planeta. Em sua defesa, os físicos do laboratório europeu dizem que raios cósmicos, com energia muito maior que a dos feixes de prótons usados no acelerador, colidem o tempo todo com a Lua há 4,5 bilhões de anos e o astro permanece intacto. "Mesmo que buracos negros microscópicos se formem no LHC, eles vão decair muito rapidamente", diz Oscar Eboli, professor de física da Universidade de São Paulo.
O medo de que a ciência pode destruir o mundo é recorrente na civilização moderna. Antes dos primeiros testes com bombas de hidrogênio, nos anos 50, temia-se que a explosão desses artefatos iria incendiar os gases da atmosfera – o que, evidentemente, não aconteceu. Não faz muito tempo, um enorme coro de vozes se levantava contra as usinas nucleares, afirmando que elas envenenariam a Terra. Hoje, a energia nuclear é apontada como alternativa para mitigar os efeitos do aquecimento global. Disse a VEJA Robert Crease, professor de filosofia e história da ciência na Universidade Estadual de Nova York: "É muito difícil, até mesmo para cientistas treinados, entender os mecanismos envolvidos na colisão de partículas. Como o homem teme aquilo que não entende, não é raro encontrar gente que enxergue efeitos nocivos nas pesquisas com o LHC, mesmo nos dias de hoje."

Fonte: Rev. Veja, Rafael Corrêa, ed. 2055, 9/4/2008.
Com reportagem de Paula Neiva.

Renascer, a "igreja" que educa mal



Fundação Renascer não comprova ter alfabetizado alunos e pode ser obrigada a devolver quase R$ 1 milhão aos cofres públicos.

Os cofres da Fundação Renascer, o braço social da Igreja Renascer em Cristo, podem sofrer um abalo. ÉPOCA teve acesso a um relatório do Ministério da Educação que determina que a entidade devolva R$ 958.623,15 ao governo federal. O valor corresponde à metade do que foi repassado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em dois convênios firmados com a Fundação. Os acordos, de 2003 e 2004, previam a alfabetização de 23 mil jovens e adultos e a formação de 620 professores.
Como até o ano passado a entidade não havia comprovado a execução total dos programas, a Controladoria Geral da União (CGU) pediu que o FNDE reexaminasse todos os documentos de prestação de contas. O relatório do Fundo, assinado pela auditora Eliane Gonçalves do Nascimento em 23 de novembro, conclui que em um dos convênios havia despesas não previstas, como a contratação de 24 coordenadores e um auxiliar de escritório, e pagamentos de transporte em duplicidade. No outro, todos os pagamentos a professores, que somam cerca de R$ 785 mil, foram feitos pela Fundação em dinheiro e não havia recibos.
Em dezembro, o FNDE mandou uma carta para a sede da Fundação Renascer, em São Paulo, pedindo a restituição dos valores. Até agora, não recebeu nada. A decisão do Ministério da Educação está para ser publicada no Diário Oficial da União. Se a entidade não ressarcir os cofres públicos amigavelmente, será cobrada na Justiça. “Além de devolver o dinheiro, os responsáveis pela Fundação podem ter de responder por improbidade administrativa”, diz o procurador da República Sérgio Gardenghi Suiama, que trabalha no caso.
Em nota enviada a ÉPOCA, a Igreja Renascer afirma desconhecer “qualquer decisão administrativa envolvendo o trabalho educacional da Fundação Renascer”.

Fonte: Rev. Época, Solange Azevedo, ed. 509, 21/02/2008.

Escassez de ética



Entrevista: Marcílio Marques Moreira

O ex-presidente da Comissão de Ética diz que falta sensibilidade ao governo e que, hoje, quem respeita a lei é considerado imbecil.
"Preocupa-me ouvir declarações de autoridades no sentido de que transgressões são rotineiras na vida pública brasileira. Isso é inaceitável"

O embaixador Marcílio Marques Moreira está na vida pública há cinqüenta anos e onze presidentes. Foi assessor especial do Ministério da Fazenda no governo João Goulart, ministro da Fazenda do governo Collor e, até o mês passado, presidente da Comissão de Ética Pública no governo Lula – órgão responsável pela análise da conduta dos altos funcionários da República. Uma de suas últimas ações foi apontar o conflito de interesses que havia no fato de Carlos Lupi acumular o cargo de ministro do Trabalho e a presidência do PDT. O embaixador recomendou que ele abandonasse um dos postos. De início, o ministro não só não lhe deu ouvidos como ainda recebeu o apoio incondicional do presidente Lula. Depois acedeu. Mas, desapontado, Marcílio deixou a comissão antes. O embaixador diz que o episódio, além de revelador da fragilidade dos princípios éticos dos governantes, teve um efeito pedagógico. Em entrevista a VEJA, ele não critica diretamente a postura do presidente Lula no episódio, mas diz que a sensibilidade ética não é uma característica marcante dos ocupantes de postos importantes em Brasília, principalmente no Palácio do Planalto.
Veja – O senhor deixou a presidência da Comissão de Ética Pública há três semanas, embora seu mandato terminasse apenas em maio. Por que o senhor saiu do cargo abruptamente?
Marcílio – Achei que minha contribuição estava esgotada. Fiz tudo o que devia ter feito, e não tinha mais como ajudar porque a atuação da comissão ficou muito "fulanizada". Virou uma disputa minha contra o ministro Lupi, o que era prejudicial à própria comissão. Achei melhor prosseguir na luta pela ética em outros fóruns.
Veja – Desde novembro o senhor alertava para o fato de Carlos Lupi ocupar os dois cargos. Na semana em que o senhor deixou o cargo, pipocaram denúncias de favorecimento pelo ministério a entidades ligadas ao partido, o que acabou obrigando o ministro a deixar a presidência do PDT. Foi a prova de que o senhor tinha razão?
Marcílio – Sim, foi a demonstração clara do conflito de interesses, uma definição que não é bem compreendida pela classe política. Nós alertamos sobre esse risco não só para evitar desvios, mas também para resguardar a própria autoridade. Esse conceito de ética pública é recente. Nos Estados Unidos, que são um dos pioneiros, o primeiro conselho de ética surgiu com John Kennedy. Depois, Lyndon Johnson lançou uma norma chamada de ato da percepção, que definia que a autoridade pública não precisa apenas ser correta, tem de parecer correta. Isso inspira confiança e respeito. Quando uma autoridade serve a dois chapéus, o público fica em dúvida sobre a qual chapéu ela está servindo ao tomar determinada decisão. Era o caso do ministro Lupi.
Veja – O presidente Lula classificou Carlos Lupi como "o mais republicano dos ministros"...
Marcílio – Preocupa-me ouvir declarações de autoridades no sentido de que transgressões são rotineiras na vida pública brasileira. Isso é inaceitável e demonstra que a sensibilidade ética é escassa no Palácio do Planalto.
Veja – É uma referência ao presidente Lula?
Marcílio – O presidente não é sujeito à competência da comissão, não dá para fazer considerações sobre ele. Mas posso dizer que a falta de sensibilidade ética é algo que permeia todo o altiplano do governo.
Veja – O senhor coordenou, ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o livro Cultura das Transgressões no Brasil, lançado há três semanas. As transgressões éticas são um problema cultural?
Marcílio – Em alguns aspectos, essa leniência com a corrupção se acentuou. A rapidez da transformação do Brasil, a transição de um país quase feudal para um país rumo à modernidade em 100 anos, destruiu os códigos da sociedade e não criou outro. Você sai do Rio de Janeiro, anda menos de 100 quilômetros e é como se viajasse 100 anos. Essa contradição, essa desigualdade, contribuiu para a leniência com os maus costumes. Há um autor, Otávio de Faria, que em 1931 escreveu que muitos de nós aprendemos a transgredir já no colégio, com a cola. Ainda crianças, aprendemos como enganar e burlar a lei. Mas também aprendemos como nos desculpar quando pegos. E há uma frase que eu acho simbólica: "Se todos fazem, não só pode como tem de fazer. É tolo quem, podendo se aproveitar, não o faz". É atual até hoje. Portanto, esse é um problema da própria sociedade. Se você estiver em uma estrada viajando na velocidade máxima e houver um sujeito atrás mais rápido, querendo ultrapassá-lo, você se sente um imbecil. Quem anda dentro da lei hoje é considerado um imbecil. Essa leniência com desvios, com transgressões, começando com as pequenas, como jogar papel na rua, furar o sinal vermelho, dar uma "cervejinha" ao guarda que quer multar, é algo que permeia a sociedade.
Veja – O senhor foi ministro da Fazenda no governo Collor, que caiu por corrupção em uma situação econômica adversa. Trabalhou no governo Lula, que também sofreu com denúncias graves de corrupção, mas é campeão de popularidade muito em razão do sucesso da economia. A população é mais leniente com a corrupção quando está com o bolso cheio?
Marcílio – É uma tese plausível, tendo a concordar. As autoridades em uma situação de popularidade, porém, não podem se iludir com esses dados. Todos têm de agir com firmeza em bons e maus momentos. No caso do governo Collor, além da evidente corrupção e da crise econômica, houve o problema da governabilidade, que não pode ser minimizado. Eu testemunhei o suicídio de Vargas, a renúncia de Jânio, trabalhei no governo João Goulart. Vi que um presidente que perde a maioria no Congresso fica muito instável.
Veja – O senhor passou três anos na presidência da Comissão de Ética. Nesse tempo, estouraram escândalos como o do mensalão, o caso Renan e a crise dos cartões corporativos. A corrupção aumentou no governo Lula?
Marcílio – Há três razões para termos hoje a sensação de que há mais corrupção no país. Primeiro, as expectativas éticas sobre esse governo eram muito grandes. O PT sempre foi muito identificado com o combate à corrupção e no poder deixou a desejar nesse aspecto. A segunda razão é que, por inexperiência ou por preocupação com o problema da governabilidade, houve um relaxamento com as nomeações. Essa discricionariedade de nomear mais de 20.000 cargos apenas por bases de interesses políticos está na raiz da corrupção. A Comissão de Ética considera as nomeações políticas legítimas, mas o indicado tem de ter formação, experiência, capacidade e honestidade. A comissão pediu que o currículo dos dirigentes fosse colocado nos sites dos órgãos, mas isso nunca foi obedecido. Por último, há também uma maior transparência, uma maior divulgação dos casos de corrupção.
Veja – A CPI dos Cartões Corporativos começou a funcionar na semana passada. A principal discussão entre governo e oposição é sobre se os gastos do presidente e de seus antecessores podem ser abertos ou devem ser sigilosos. Qual a sua opinião sobre esse assunto?
Marcílio – Ninguém no serviço público pode gastar sem prestar satisfação. Apenas o que for realmente relativo à segurança tem de ser preservado. Mas os gastos comuns que envolvem presidentes e seus familiares precisam de transparência. A Constituição diz que toda a administração pública tem de se guiar por cinco princípios: legalidade, moralidade, publicidade, impessoalidade e eficácia. Ninguém pode escapar disso, nem o presidente nem seus familiares.
Veja – Virou praxe os partidos de oposição defenderem a instalação de CPIs, mas quando estão no poder eles fazem todo o esforço para evitá-las. Isso não reforça a impressão de que todos os políticos são iguais?
Marcílio – Esse é um dos principais problemas da política. Os desvios seguidos, cometidos por todas as correntes, acabam causando uma falta de confiança nas autoridades. Isso desemboca no cinismo deletério da troca de acusações, que acaba igualando toda a classe política. É um perigo para a democracia.
Veja – Como presidente da comissão, o senhor recebeu várias consultas de autoridades. Pelo teor dessas consultas, o senhor acha que o tema ganhou mais importância nos últimos anos?
Marcílio – Houve avanços. Há um reconhecimento de boa parte das autoridades da importância da ética como um marco a ser seguido. A maioria das consultas era sobre interpretações. Um ministro sabe que pode andar em avião oficial quando vai para sua cidade, mas não sabe se pode levar a mulher, por exemplo.
Veja – Em quais casos a comissão conseguiu impedir ações que se configuravam como conflito de interesses?
Marcílio – O ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, da Justiça, colocou todo o seu patrimônio para ser administrado por um fundo sobre o qual ele não tinha controle, o que foi apoiado pela comissão. O ministro Gilberto Gil, da Cultura, me consultava assim que recebia um convite para fazer um show ou ceder uma música dele para ser utilizada em publicidade. Quando não havia conflito de interesses, a comissão não via empecilhos. Mas quando o show era bancado por alguma entidade que recebe dinheiro público, como uma vez aconteceu com o Sesc de São Paulo, ou quando o evento era financiado pela Lei Rouanet, eu sugeria que ele não participasse. E ele aceitava os conselhos. Houve ainda o caso do ministro Mangabeira Unger, que por orientação da comissão só tomou posse depois de cortar todos os vínculos que mantinha nos Estados Unidos com empresas que têm interesse em atos do governo brasileiro.
Veja – Houve algum outro caso em que as recomendações da comissão não foram levadas a sério?
Marcílio – Alguns casos menores. Principalmente em eventos como Fórmula 1, Carnaval e torneios de tênis, quando as autoridades são convidadas por empresas privadas. A comissão recomendou que os convites fossem recusados, mas algumas pessoas os aceitaram. Já foi pior, porém ainda acontece.
Veja – Há uma idéia de que os escândalos de corrupção no Legislativo, como o do mensalão e o dos sanguessugas, serviriam para depurar a política. É isso que acontece ou os escândalos acabam servindo na verdade para atrair mais desonestos em busca de dinheiro fácil?
Marcílio – Os escândalos não tiveram a função depurativa que se esperava deles, principalmente devido à impunidade, que atrai para a política pessoas pouco preocupadas com a ética. Boa parte é culpa da Justiça, que só impede a candidatura de quem tenha condenação definitiva. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro tenta mudar isso, impedindo a candidatura de quem tenha qualquer condenação por corrupção. Essa mudança é essencial. No direito privado, você pode fazer tudo o que a lei não proíbe. Mas, no direito público, não, você só pode fazer aquilo que a lei determina. A lentidão e a leniência do Judiciário acabam favorecendo a corrupção.
Veja – Como diplomata e ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, qual é a sua avaliação da política externa do governo Lula?
Marcílio – O Brasil não avaliou bem o que estava acontecendo com o mundo e se propôs a ir além do que as nossas sandálias permitem. Mudar daqui a radiografia econômica do mundo é demais ambicioso. Era importante se dar conta de que a radiografia do mundo estava mudando por causa da entrada de dois dragões, a China e a Índia. Nossa diplomacia não olhou isso, ficou em um discurso vazio de priorizar o Sul e desprezou o mercado dos Estados Unidos, que sempre foram nosso principal parceiro. Abrimos leques demais, mas acabamos não ganhando nenhuma parada. O Brasil não conseguiu vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, não conseguiu a direção da OMC, não conseguiu a presidência do BID, não conseguiu melhorar o ambiente dos acordos comerciais, colocou o Mercosul em uma crise enorme. Conseguiu destruir a Rodada Doha sem fazer outros acordos bilaterais. O discurso parecia bonito, mas os resultados foram parcos.
Veja – Como tem atuado a diplomacia brasileira, em sua opinião, na política sul-americana, especificamente nesse episódio entre Colômbia, Equador e Venezuela?
Marcílio – Essa crise mostrou que nossa política foi um pouco condescendente com Chávez, com Evo Morales, com esses líderes sem muito apreço pela democracia. Isso acabou minando um pouco a nossa liderança regional, que deve ser natural pelo nosso tamanho e pela nossa história. O Brasil apaziguou muito certas transgressões à liberdade de imprensa, a nossos próprios interesses. É uma situação com a qual devemos ter muita preocupação. O que aconteceu entre a Colômbia e o Equador pode se espalhar pelo continente.
Veja – O senhor foi ministro da Fazenda no governo Collor, quando a dívida externa e o FMI eram tabus. Hoje o Brasil tem recursos para pagar a dívida e não depende mais do FMI. O atual governo foi melhor que os antecessores na economia?
Marcílio – O sucesso da economia é a confirmação de que, quando uma meta é perseguida como política de estado, sem picuinhas partidárias, ela produz excelentes resultados. Quando fui embaixador em Washington, a situação era dramática. A moratória foi feita no governo Sarney porque a capacidade do país tinha se exaurido totalmente. Não foi um ato político, foi a constatação de uma realidade. Ainda na minha gestão na Fazenda, em setembro de 1992, teve início a renegociação do acordo com o FMI. Pedro Malan era o responsável pela renegociação. O Brasil seguiu todos os termos do acordo, sem mudanças demagógicas, e agora culminou em virar a página da dívida externa para começar a escrever a história do crédito externo. O governo Lula deu continuidade a essa estrutura composta de austeridade fiscal, combate à inflação por metas e câmbio flutuante. Foi um de seus principais acertos.

Fonte: Rev. Veja, Otávio Cabral, ed. 2052, 19/3/2008.

Educação e capitalismo: aliados ou inimigos?



"Esperando pela revolução social, abandonamos a possibilidade da revolução mais
maravilhosa que existe: a que se dá pelo conhecimento. Silenciosa e pacífica,
é a verdadeira redentora: perto de dominar a eternidade representada
pelo saber, desapropriar uma fábrica ou fazenda
parece brincadeira de criança"
Gustavo Ioschpe*

Virou consenso no Brasil associar o nosso fracasso educacional com as maquinações do sistema capitalista/neoliberal. Segundo essa leitura, calcada em Marx, interessaria aos "poderosos", à "elite", que o proletariado não fosse instruído ou, no máximo, recebesse uma educação totalmente "alienante", para que não questionasse suas mazelas nem incomodasse o status quo e apenas continuasse fornecendo sua mão-de-obra barata para a manutenção do sistema. Essa leitura da situação se tornou absolutamente hegemônica: vai da imprensa à academia, dos mais louvados pensadores do tema à correspondência enviada a este articulista por professores dos grotões do Brasil. Vejamos alguns exemplos. De Emir Sader: "A educação, que poderia ser uma alavanca essencial para a mudança, tornou-se instrumento daqueles estigmas da sociedade capitalista: ‘fornecer os conhecimentos e o pessoal necessário à maquinaria produtiva em expansão do sistema capitalista, mas também gerar e transmitir um quadro de valores que legitima os interesses dominantes’. Em outras palavras, tornou-se uma peça do processo de acumulação de capital e de estabelecimento de um consenso que torna possível a reprodução do injusto sistema de classes. (...) No reino do capital, a educação é, ela mesma, uma mercadoria. Daí a crise do sistema público de ensino, pressionado pelas demandas do capital (...)". Lucyelle Pasqualotto: "Podemos analisar que a educação como vem sendo, historicamente, organizada está para atender ao capital, numa sociedade inerentemente excludente e contraditória. (...) Oferece diferentes níveis, modalidades, métodos educacionais, a fim de dar continuidade ao seu elemento diferenciador e, ao mesmo tempo, apregoando o discurso da unificação e universalização da educação. Discurso este que, em uma sociedade capitalista, onde os meios de produção, inclusive o conhecimento[,] são propriedade privada, quanto muito pode proporcionar uma educação mercantilizada, excludente e diferencial". Amelia Hamze: "Proporcionar a qualidade de ensino e a gestão democrática da escola levaria a invalidação da sustentação do poder amparada pelo estado capitalista".
Essas teses, como de costume, são apenas frutos da verborragia dos "pesquisadores" que as produzem. Não vêm embasadas por nenhuma tentativa de comprovação quantitativa – até porque a maioria de seus autores se confunde com qualquer operação matemática ou estatística que requeira sofisticação maior do que calcular o troco do táxi e costuma, convenientemente, mascarar essas deficiências sob um discurso ideológico segundo o qual a própria quantificação, do que quer que seja, seria uma vitória da superestrutura neoliberal, mercantilista. É pena, porque essa teoria – de que o capitalismo requer a falta de educação, ou a educação de baixa qualidade – é facilmente conversível em uma hipótese testável. Se esses pensadores estiverem certos, espera-se que os países mais capitalistas sejam aqueles com os piores e mais excludentes sistemas educacionais, enquanto aqueles em que o capitalismo não conseguiu estender seus tentáculos malévolos deveriam ter populações formadas por cidadãos altamente instruídos e intelectualizados.
Em realidade, o que ocorre é exatamente o oposto: quanto mais capitalista o país, melhor e mais abrangente é o seu sistema educacional. Cruzei os dados referentes a educação e capitalismo de 167 países. Usando o instrumento da estatística de regressão, descobre-se que o desempenho educacional explica, por si só, 47% da posição de um país na escala do capitalismo. A relação é estatisticamente fortíssima: a probabilidade que a percebida ligação entre as duas variáveis seja fruto de erro é inferior a 0,00000001%. Essa robustez não é casual: indica que o sistema capitalista exige sociedades com alto nível educacional, e, quanto mais instruída é a população, mais capitalista o país tende a ser, e vice-versa.
Por que no Brasil ainda se acredita no oposto? É a junção do mofo intelectual com a vigarice. Marx já cometia erros de interpretação da realidade quando escrevia seu Manifesto Comunista e O Capital, há 150 anos. O que se aplicava àquela realidade histórica, porém, não se aplica à nossa – o capitalismo mudou, e muito, neste século e meio. O período do início da Revolução Industrial era, sim, uma época em que a competência necessária ao trabalhador era mínima e sua jornada de trabalho era desumana. Para apertar parafusos em uma linha de montagem esfumaçada por dezesseis ou vinte horas por dia, em repetição incessante, era apenas necessário alguém que soubesse ler, se tanto. O capitalismo do século XXI, porém, é outro. O conjunto de habilidades e conhecimentos necessários é muito maior – até para trabalhar em uma linha de montagem de uma fábrica é preciso capacidade analítica para lidar com um maquinário cada vez mais sofisticado. E, quanto mais capitalista e desenvolvido um país se torna, mais diminui a importância das áreas fabril e de produção de commodities e aumenta o peso de setores de serviço e de alta tecnologia, em que o principal insumo é o cérebro das pessoas. Não é por acaso que alguns campeões do capitalismo, como Coréia do Sul e Estados Unidos, hoje se aproximam da massificação da matrícula de ensino universitário, com taxas beirando os 90%. O profissional de sucesso do mercado internacional de hoje é a antítese do proletário da Inglaterra de Marx: precisa ser altamente capacitado em sua área e, ao mesmo tempo, ter uma formação multidisciplinar e abrangente. Enquanto isso, nossos pensadores continuam recebendo soldo dos nossos impostos para suas análises em que até hoje, quase vinte anos depois da falência do socialismo, tentam mostrar como Marx tinha razão. A essa incapacidade de alguns, soma-se o oportunismo de muitos. Esse tipo de análise reverbera no professorado porque o seu corolário é simples: o insucesso educacional é resultado de uma sociedade corrompida pelo capitalismo. Eu quero ensinar, mas a superestrutura não me permite. A única maneira de produzir uma mudança efetiva na educação é através da revolução social, e acreditar que o esforço individual de um professor ou diretor pode fazer qualquer diferença diante de forças sociais e históricas tão poderosas já seria uma rendição ao espírito atomista, ilusório, que é a marca do capitalismo. A falência intelectual pavimenta o caminho do conformismo e cinismo de cada um.
Essa prisão mental em que nos encontramos acaba por prender em amarras o próprio país. Esperando pela revolução social, abandonamos a possibilidade da revolução mais maravilhosa que existe: a que se dá pelo conhecimento. Silenciosa e pacífica, é a verdadeira redentora: perto de dominar a eternidade representada pelo saber, desapropriar uma fábrica ou fazenda parece brincadeira de criança.
E essa é uma revolução em que não há perdedores. Todos os setores se beneficiam de uma população mais instruída. Em um mundo globalizado, a idéia de que a elite gostaria de confinar a população à ignorância para não ver sua posição ameaçada é fajuta. Se o empresário não tiver trabalhadores competentes, será destruído pela competição das empresas de outros países, com gente qualificada. Só há, estranhamente, um único tipo de organização, que eu saiba, que se beneficie de uma população iletrada: são os partidos de esquerda. Nas últimas eleições presidenciais, segundo o Datafolha, Lula só perdeu em um grupo: o dos eleitores com ensino superior. Entre eles, em pesquisa de 17 de outubro – doze dias antes da eleição, portanto – Lula tinha 40% das preferências, contra 50% de Alckmin. Felizmente, para ele, a maioria de nossa população só tem ensino fundamental, grupo em que o petista liderava por 57% a 28%.
* Gustavo Ioschpe é economista.
Fonte: Rev. Veja, ed. 2060, 14/5/2008.

LEI DO PROFESSOR


Universidade paga não segue lei de professor exclusivo

Menos da metade das escolas privadas tem um terço dos docentes em regime integral. Norma existe para incentivar a pesquisa e melhorar o ensino; até hoje,
MEC não puniu nenhuma escola fora da regra.


Só 37 das 86 universidades privadas (43%) cumprem a exigência legal de ter um terço dos docentes trabalhando em regime integral, aponta o Censo da Educação Superior 2006 (mais recente). O prazo para adequação acabou há quatro anos, mas o MEC ainda não descredenciou nenhuma instituição.
A exigência é da Lei de Diretrizes e Bases, de 1996. De acordo com o MEC, as universidades ainda serão reavaliadas. As que não cumprirem a norma podem perder o título de universidade - o que tira delas o direito de ampliar e abrir cursos sem prévia autorização.
O objetivo de ter professores em tempo integral é incentivar a pesquisa e oferecer melhores condições de ensino (com horário remunerado para preparação de aulas e correção de provas, por exemplo). Nesse regime, a carga horária é de 40 horas semanais, mas somente metade em sala de aula. O professor com dedicação exclusiva custa à instituição mais caro do que um pago por hora, já que este último pode ficar 100% do tempo em sala.
Nas 90 universidades públicas no censo, apenas seis não cumprem a lei -quatro delas cobram mensalidades. O Enade (exame de alunos do governo federal) sugere que a proporção de docentes com dedicação integral influencia na qualidade. Nas dez instituições com menor proporção, as médias de cada universidade (feitas a partir de todos cursos avaliados) variaram entre 2,5 e 3,3 (escala de 0 a 5).
Nas com mais docentes em regime integral, a variação foi de 3,5 a 4,4. "A presença do professor o tempo todo na universidade e o envolvimento dos estudantes em outras atividades fora da sala de aula fazem diferença na formação", afirma Oscar Hipólito, professor do Instituto de Física da USP (São Carlos) e pesquisador do Instituto Lobo.
Professor da pós-graduação em Educação da PUC-SP, Marcos Masetto afirma que os docentes sem dedicação integral têm dificuldades para se atualizarem e planejar seus cursos.
Legislação
O decreto de 1997 que regulamentou a lei fixou prazos intermediários com metas a serem atingidas e acompanhadas. Previa ainda que o descumprimento resultaria na reclassificação da universidade em centro universitário, instituição com menos autonomia para abrir cursos. Isto, no entanto, nunca foi colocado em prática.
O diretor de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Dirceu Nascimento, afirma que, no momento, o ministério levanta os dados para o recredenciamento das escolas: "Todas serão reavaliadas. Existe a exigência de que a avaliação seja feita ao longo de dez anos. Será exigida a adequação à lei".
O presidente da Associação Brasileira de Universidades Comunitárias e do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, Gilberto Garcia, afirma que a lei deixa claro que é preciso ter ao menos um terço dos docentes em regime integral. Segundo ele, no entanto, as comissões do MEC que visitam as universidades, em geral, colocam o item apenas como mais um entre outros aspectos a compor a avaliação final.
O presidente do CNE (Conselho Nacional de Educação), Edson Nunes, diz que o artigo da lei é frágil por dar margem a várias interpretações. Para ele, houve descuido do governo, "que criou suas próprias universidades sem produção intelectual e credenciou instituições com base em precária verificação de pesquisa".
"Mas não adianta culpar o MEC. Uma lei ruim, que define universidade por operação aritmética, só produz regulação ruim", afirma Nunes. No ano passado, a pedido do MEC, o CNE enviou parecer, ainda não homologado, sobre a aplicação da lei e com outras sugestões para o setor. A mais rígida era a exigência de mais de cinco programas de pós-graduação stricto sensu, sendo ao menos um de doutorado.
Em 2006, 62% das universidades não cumpririam esse critério. O percentual era de 79% entre privadas, 64% nas estaduais e 28% em federais.

Percentual de professores com dedicação integral nas universidades

Apenas 37 das 86 universidades privadas do país cumprem a exigência legal de ter um terço dos docentes trabalhando em regime integral, aponta o Censo da Educação Superior 2006 (mais recente).
Nas 90 universidades públicas no censo, apenas seis não cumprem a lei.
Fonte: Folha de S.Paulo, Antônio Gois e Fábio Takahashi, 12/5/2008.

Vá à escola, ganhe este celular


Programa em Nova York chama atenção para uma discussão polêmica: até onde premiar os bons alunos
Quais são as chances de uma criança receber algum dinheiro no fim do mês, vales para gastar no que bem entenda ou ainda um celular com direito a crédito ilimitado – sem que essas regalias sejam custeadas pelos pais? Em geral, zero. Na cidade de Nova York, as chances são bastante altas. O fato surpreende – a explicação, mais ainda. As crianças estão ganhando tais prêmios em escolas públicas. Só as mais brilhantes e esforçadas têm direito a eles. O programa faz parte de uma nova política do governo para incentivar os alunos a estudar mais. O princípio de recompensar bons estudantes não é um conceito novo, mas até então ele se restringia, basicamente, à distribuição de medalhas. A novidade está justamente nos benefícios financeiros, sistema sobre o qual os educadores do mundo todo vêm discutindo – e, em alguns casos, começam a implantar em suas escolas. O exemplo brasileiro mais próximo disso vem de Minas Gerais, onde o governo do estado passou a conceder 3 000 reais aos estudantes de escolas públicas, sob a condição de completarem o ensino médio. O objetivo é fornecer um estímulo para que não abandonem a sala de aula para arranjar emprego. Esse programa, tal qual o de Nova York e outros nos Estados Unidos, tem um caráter experimental. Isso porque seus efeitos ainda não foram mensurados. Há, no entanto, indícios de que eles funcionam, com base na experiência. Diz a diretora Virginia Connelly, à frente de uma escola de Nova York: "Os estudantes reagem na hora a estímulos tão concretos e imediatos".
Celulares e "zon dollars" (moeda que, em Nova York, vale como dinheiro em lojas instaladas junto das salas de aula) causam certa polêmica entre os especialistas. Eles concordam, porém, num ponto central: é preciso resgatar a imagem positiva dos bons alunos – e premiá-los de modo tão concreto pode ser um caminho para lhes conferir algum status. No geral, os melhores estudantes são vistos como seres bitolados e desinteressantes, e não como exemplos a ser seguidos. Essa distorção foi flagrada numa recente pesquisa conduzida pela prefeitura de Nova York. A metade dos alunos de lá afirma que os mais estudiosos da turma são alvo freqüente de desrespeito justamente quando se destacam em relação aos demais. Os novos prêmios, de algum modo, já começaram a mudar esse cenário – e a vida de estudantes como a americana Ashley Pimentel, de 13 anos. A menina abarrotou a carteira com os tais "zon dollars", pela postura exemplar na escola, também recompensada, e ainda levou mais 200 dólares (estes de verdade) por sair-se bem numa maratona de provas. Resume Ashley, uma ótima aluna: "Depois que passei a receber dinheiro quando tiro uma nota alta, ninguém mais ri de mim. Eles agora querem é ser como eu".
No geral, a experiência revela, de fato, algum progresso nas escolas de Nova York onde tais medidas foram implantadas – mas, ainda assim, suscitam críticas por razões mais teóricas. Quem as desaprova diz, basicamente, que tornar-se alguém mais instruído e culto precisa ser uma motivação por si só e que, quando se dá dinheiro por isso, a mensagem transmitida pelas escolas é justamente a inversa. Equivaleria a pagar a um neto para cuidar de um avô doente, dizem os críticos. Tanto a educação quanto o afeto incondicional, ambos valores nobres, deveriam prescindir de qualquer estímulo de natureza financeira. Em teoria, parece razoável a muita gente. Predomina, no entanto, uma visão mais pragmática do assunto, segundo a qual os estudantes demonstram claro desinteresse pela escola – e benefícios tão palpáveis quanto um celular podem ajudar a melhorar o cenário. A psicóloga Ceres Araujo, que aprova o modelo de premiação financeira nas escolas, faz uma ressalva: "O essencial é mostrar à criança por que exatamente ela está recebendo essa recompensa".
Outro argumento favorável à distribuição de tais prêmios em escolas públicas diz respeito a uma questão bem mais básica: para certos alunos, o dinheiro é determinante para que eles não deixem os estudos para arranjar trabalho antes do tempo. Isso vale para muitas das escolas de Nova York e, não há dúvida, para a realidade brasileira. Em Minas Gerais, a estudante Yasmin Aleixo, de 16 anos, traduz o clima entre seus colegas, todos matriculados no 2º ano do ensino médio. Eles estão às vésperas de resgatar a primeira parcela do benefício prometido pelo governo: "Sem o dinheiro no bolso, poucos conseguiriam se formar". O programa mineiro é um avanço em relação a outros semelhantes no Brasil porque exige um bom desempenho dos estudantes em troca do dinheiro – e não apenas sua presença em sala de aula, como ocorre, por exemplo, com o Bolsa Família, do governo federal. Pela primeira vez, o foco é na qualidade do ensino. Diz o especialista Claudio de Moura Castro: "Não há dúvida de que as crianças estão precisando de um incentivo a mais para encarar os estudos. E não adianta enfrentar o problema com puritanismo". O fato é que os programas de Minas, Nova York e outros do gênero surgem num contexto em que, na educação, já se tentou de tudo – e quase nada funcionou. Diante disso, a visível animação entre os estudantes de escolas como a da americana Ashley Pimentel e a da mineira Yasmin Aleixo é um sinal de que esse pode, afinal, ser um bom caminho.

Fonte: Rev. Veja, Camila Pereira, ed. 2053, 26/3/2008.

Cabeça nas nuvens


Montagem de Tatiane S. de Oliveira/Menino: ©Alberto Ruggieri/Illustration Works/Corbie – Latinstock/Nuvens:©Markov/Shutterstock

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade não termina na infância. Ao contrário do que se supunha há alguns anos, pode prosseguir pela adolescência e chegar à idade adulta.

Inúmeras pesquisas têm indicado nos últimos anos que, diferentemente do que se pensava, os sintomas do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDA/H) não desaparecem na adolescência. A característica essencial desse problema de saúde mental é um padrão persistente e acentuado de desatenção e/ou hiperatividade. Estudos longitudinais mostram que o TDA/H persiste na vida adulta em torno de 60% a 70% dos casos.
O transtorno pode ser diagnosticado tanto em crianças como em adolescentes e adultos. Estudos nacionais e internacionais apontam prevalência de 3% a 6% nas crianças em idade escolar e de até 5% em adolescentes e adultos.
De forma geral, pessoas com TDA/H tendem a apresentar dificuldades de concentração, problemas de aprendizado, distúrbios motores e de comportamento, instabilidade, hiperatividade e retardos da fala.
Embora a maioria dos indivíduos apresente sintomas tanto de desatenção como de impulsividade, em alguns há predominância de um ou outro padrão. Fatores preditivos da persistência nos adultos incluem história familiar de TDA/H, comorbidade psiquiátrica e adversidades psicossociais.
SINAIS COMUNS
Crianças com o transtorno não conseguem ficar sentadas em sala de aula e prestar atenção por muito tempo. Com freqüência, são rejeitadas por colegas em razão da inquietude, agravada pelos comportamentos impulsivos. Se não há intervenção, os problemas acadêmicos e sociais tendem a piorar, levando a conseqüências adversas no futuro.
Além de desatenção, hiperatividade e impulsividade – consideradas os principais sintomas –, outra manifestação comum é a pouca coordenação motora, a ponto de, muitas vezes, os pais rotularem os filhos de desajeitados ou desastrados.
Em geral, as crianças com o distúrbio apresentam tendência de movimentação constante: agitam as mãos ou os pés, remexem-se na cadeira, abandonam seu lugar para correr ou escalar (muros, móveis etc.), sobretudo em situações em que isso é inapropriado. Falam demais ou têm dificuldade de brincar e permanecer em silêncio durante determinadas atividades de lazer que requerem esse comportamento.
Entre os sinais de desatenção estão os problemas para se fixar em detalhes ou a propensão a erros por descuido em atividades intelectuais. Esses meninos e meninas não conseguem acompanhar instruções longas e/ou terminar os deveres escolares ou domésticos nem organizar as tarefas; relutam em envolver-se em atividades que exijam esforço mental por longo período (como ler textos extensos ou livros sem gravuras) ou as evitam; distraem-se facilmente com estímulos alheios às tarefas ou atividades diárias que estão executando, muitas vezes chegando a esquecer-se delas.
A desatenção leva à distração, ao “sonhar acordado” e à dificuldade de persistir em uma única tarefa por um período mais prolongado. Como a atenção é desviada de um estímulo a outro, com freqüência os pais e os professores dizem que esses jovens agem como se não ouvissem ou como se vivessem com a cabeça nas nuvens.
A partir da puberdade, os sintomas de TDA/H mudam. A maioria dos adolescentes não apresenta hiperatividade, por exemplo. Entretanto, grande número manifesta persistência sintomática especificamente de déficits de função executiva, incluindo dificuldades organizacionais na administração do tempo, no planejamento, no processo de tomada de decisões, que podem causar prejuízos significativos em diversas áreas. O desaparecimento total dos sintomas é raro – mas podem ser controlados.
Adultos ou adolescentes com TDA/H nem sempre conseguem manter a atenção em reuniões, leituras e trabalhos tediosos, tendem a ser lentos e ineficientes, a adiar suas tarefas (muitas vezes deixando-as para a última hora) e a manejar o tempo de forma deficiente, o que os leva a ser desorganizados e a sentir-se sobrecarregados. Dependendo da intensidade dos sintomas, têm pouca habilidade para gerenciar emoções. Costumam, por exemplo, romper relacionamentos de maneira impulsiva, perder ou abandonar empregos de modo súbito e envolver-se em acidentes com maior freqüência que a maioria das pessoas.
Portanto, é comum apresentarem um histórico de fracassos ao longo da vida (com evidente comprometimento da auto-estima) em decorrência das dificuldades que encontram na comunicação efetiva com seus interlocutores, na organização de rotinas pessoais e domésticas, na finalização de estudos ou especialização, na obtenção e manutenção de um bom emprego e no desenvolvimento da intimidade nas relações amorosas. Também exibem problemas na administração das finanças pessoais e no manejo do uso de substâncias.
Além disso, estão mais predispostos a comportamento delinqüente, abuso de drogas ou alcoolismo do que aqueles que não têm TDA/H. A prevalência de risco de abuso/dependência de drogas é de 54% entre adultos portadores do transtorno e de 27% entre não-portadores. Habitualmente, o uso de substâncias é iniciado com álcool ou tabaco, seguido por maconha ou outra droga de abuso.
O tratamento, porém, do TDA/H reduz as possibilidades de abuso/dependência de drogas à metade, ou seja, para o mesmo nível da população geral. O diagnóstico de TDA/H em adolescentes e adultos requer cuidadosa análise da história clínica, obtida por intermédio do relato do paciente acerca de seus sintomas e do impacto deles em sua vida. Em geral, do ponto de vista psiquiátrico, buscam-se informações sobre o início do transtorno na infância, sobre a persistência ao longo da vida e a ocorrência atual dos sintomas, considerando a adaptação dos critérios da quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), da Associação Psiquiátrica Americana (APA), para a vida adulta.
FATORES DE RISCO
Escalas de avaliação para adultos têm sido adaptadas no Brasil por pesquisadores sob recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), caso de Paulo Mattos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que tem se dedicado ao estudo e tratamento do TDA/H em adolescentes e adultos. Fatores de risco e de proteção devem ser examinados com cuidado, como os psicossociais, cognitivos, educacionais e familiares. É preciso levar em conta também a possibilidade de outros diagnósticos psiquiátricos concomitantes, visto que é freqüente a presença de diversas patologias psiquiátricas comórbidas ao TDA/H, como transtornos de conduta, do humor e de ansiedade.
No que se refere ao tratamento, nos últimos dez a 20 anos houve aumento no uso de fármacos, sobretudo de estimulantes, com orientação da Academia Americana de Psiquiatria Infantil e do Adolescente para um monitoramento sistemático dos efeitos da medicação no comportamento. Mais recentemente, os estudos têm enfocado a eficácia de terapias medicamentosas e não-medicamentosas.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem sido a principal modalidade não-medicamentosa citada na literatura internacional, pois atua nos principais déficits comportamentais do portador de TDA/H, como os de comportamento inibitório, de auto-regulação da motivação, de organização e planejamento, além de direcionar o paciente a um objetivo.
Mas isso deve ocorrer concomitantemente a mudanças ambientais. A orientação à família e seu engajamento no tratamento de TDA/H, em especial no caso de crianças e adolescentes, auxiliam no entendimento de que não se trata de rebeldia ou preguiça. É fundamental explicar para os pais as multifacetadas razões pelas quais o filho tem determinados comportamentos e sintomas, e encorajá-los a participar da intervenção possibilita o aumento da aderência ao tratamento.
SISTEMA DE ATENÇÃO
FUNCIONAMENTO CEREBRAL
A atividade incomum em algumas regiões do cérebro está associada à inatenção e/ou impulsividade. Essas áreas fazem parte do sistema atencional anterior (em verde), que depende do neurotransmissor dopamina, ou do posterior (em amarelo), dependente da noradrenalina. Com o passar dos anos os sintomas do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade mudam de apresentação. A agitação motora típica das crianças hiperativas (como retratada no alto, à direita) em geral desaparece na adolescência; por outro lado, nesta fase, persistem os déficits de função executiva.
CAUSAS INCERTAS
O TDA/H tem sido alvo de estudos de diversos grupos de pesquisadores principalmente a partir da década de 90. As causas do transtorno, porém, ainda não são totalmente conhecidas.
A base neurobiológica do transtorno é um dos aspectos mais estudados, e sugerem-se influências múltiplas, relativas à modulação e expressão de neurotransmissores dopaminérgicos e noradrenérgicos, de base genética e neuromaturacional. Acredita-se que vários genes sejam responsáveis pela vulnerabilidade genética ao distúrbio, à qual se somam anormalidades estruturais e disfunção neuroquímica relacionadas aos circuitos subcorticais, parietais e frontais.
Questões ambientais atuantes no funcionamento adaptativo e na saúde emocional da criança e do adolescente parecem ter participação importante no surgimento e manutenção dos sintomas. Esses fatores são encontrados principalmente em famílias com ocorrência de grande desentendimento e de transtornos mentais.
Algumas questões psicossociais como discórdia conjugal severa, variáveis sociodemográficas, faixa etária dos pais, nível cultural familiar, psicopatologia materna e institucionalização da criança ou do jovem em lar adotivo podem desencadear o desenvolvimento da condição.
Pesquisas mostram que os pais de indivíduos com esse transtorno muitas vezes se tornam demasiadamente diretivos e negativos em sua forma de educar, alterando o funcionamento psicossocial da família. Nesse contexto, as figuras parentais passam a se ver como incapazes ou menos habilidosas em desempenhar seu papel, o que também causa stress e discórdia conjugal.
A proporção entre meninos e meninas portadores de TDA/H varia, segundo os estudos. Parece haver maior prevalência no sexo masculino do que no feminino, mas muitos autores relatam que as meninas tendem a apresentar o tipo predominantemente desatento em vez de hiperativo, causando menos incômodo à família e à escola, sendo menos encaminhadas para atendimento.

Mônica Carolina Miranda*
* Mônica Carolina Miranda - Neuropsicóloga, pesquisadora e coordenadora do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil (Nani), da Unifesp, e professora do curso de psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Fonte: Rev. Mente e Cérebro, ed. 182, mar/2008.

Junho 02, 2008

Ética e Corrupção



Na hora de fazer a faxina, cabe a nós, educadores, mostrar aos jovens que as nações que prosperaram foram as que acreditaram em valores elevados.
"Herança maldita", "Lei de Gérson", "jeitinho brasileiro", "o país que não é sério". Não faltam expressões populares para designar aqueles fenômenos espúrios que todos conhecemos muito bem. O fato é que, depois de 500 anos de acomodação, já está mais do que na hora de a sociedade brasileira acordar. Temos diante de nós a realidade sombria da permissividade e da tolerância no tratamento da coisa pública e no conceito de civilidade e igualdade social dos cidadãos brasileiros. Desde o tempo do Brasil Colônia, adotaram-se práticas pouco recomendáveis para escapar dos altos impostos da Corte. Ora aproveitava-se da ineficácia da fiscalização no imenso território nacional; ora da falta de comprometimento dos que "cuidavam" da ordem e da arrecadação. Assim, a propina, o conchavo, o lobby (no mau sentido da palavra), a negociata e o "acerto" vieram sendo consolidados como práticas corriqueiras de comerciantes e empresários que aqui se propunham a fazer fortuna. Antes mesmo de Cabral chegar ao Brasil, já havia por aqui gente que fazia suas próprias leis. Esses homens negociavam diretamente com os índios e, em benefício próprio, desprezavam qualquer preceito ético. Juntaram-se a esses os sobrenomes famosos dos donatários das capitanias hereditárias, que compunham as elites da época. Criou-se deste modo o cenário ideal para as preciosidades culturais do tipo "Quem te indicou"?, "Dá para dar um jeitinho?", "Quanto eu levo nisso?" etc. A crise no PT, cuja história sempre se norteou pelo combate ao fisiologismo, pela defesa e respeito à coisa pública e à ética na política, desnudou alguns mitos que tínhamos com relação a corrupção. Por exemplo: 1) a esquerda não se corrompia pois era imune às tentações da sociedade capitalista; 2) somente as elites roubavam; 3) um governo popular será sempre confiável. Com os recentes escândalos e a inabilidade do líderes petistas, tentando colocar a sujeira embaixo do tapete, percebemos que o poder eleva o pensamento dos homens a níveis tão assustadores que começam a se confundir com o próprio Criador, colocando-se à parte e acima da lei. Alguns homens acreditam piamente que os fins serão justificados em benefício da "causa". Ficou demonstrado que a desonestidade era coisa de um determinado grupo que sempre se beneficiou dela. A grande questão, hoje, não é solucionar o imbróglio político em que o país se viu envolvido, mas reinventar a forma de disseminar os conceitos de moral e cívica nas escolas. Que tipo de médicos, advogados, engenheiros ou, por acaso, publicitários estamos formando? Os que vão construir o Brasil do futuro ou os que vão ser experts, ricos e bem-sucedidos em suas profissões, mas com pomposas contas em paraísos fiscais? Necessitamos de um esforço ímpar para redimensionar a responsabilidade do segmento educacional nessa questão tão sensível para a sociedade brasileira.

Herdamos, sim, uma cultura de mercadores, traficantes de escravos e clandestinos que aportavam pelos trópicos, mas herdamos também Os Lusíadas de Camões, os poemas de Fernando Pessoa, a visão de mundo, a coragem e a capacidade de superação dos desafios dos que fundaram este país. Nós, brasileiros, não fizemos a lição de casa. Acomodamo-nos às idéias mesquinhas daqueles que imaginam que, quando se lesa o Estado, não se está tirando de ninguém. Nós somos o Estado. Não há Estado sem nação e toda nação tem de cuidar do que lhe pertence. Sejam as estatais, os programas sociais ou o orelhão da esquina. Precisamos mais e mais analisar quais são os valores que realmente valem a pena. Há que ser retirada da mente dos jovens a ilusão de que o dinheiro, a ostentação, os bens materiais e o status são os verdadeiros valores da sociedade. Para conquistá-los o homem não mede conseqüências.

Os verdadeiros valores morais e éticos parecem ter sido esquecidos. Nenhum cidadão consciente que imagina viver numa sociedade desenvolvida, igualitária e justa será feliz focado apenas nas coisas materiais. É hora de valorizar os atributos morais mais elevados. A honestidade, a ética, o respeito ao outro, a polidez, a humildade, a lealdade, a paciência, a harmonia e etc. A corrupção, o nepotismo e o desvio de dinheiro público fazem parte de nossa história há mais de 500 anos. A diferença é que hoje a imprensa, os políticos e os juristas de boa fé crescem nos debates públicos e na preferência do eleitor. Nunca houve tanta participação da sociedade organizada como na história recente do país.

Dentro do propósito de se fazer realmente uma faxina no país, a educação constitui uma ferramenta valiosa, na medida em que é capaz de promover a visão social e a inclusão. Quantos cursos, workshops, simpósios, congressos e seminários temos a realizar! Há muito a ser feito. Nós, educadores, devemos aprender com nossas falhas, reorganizar nossos valores como nação e mostrar aos jovens que as sociedades que se desenvolveram, as nações que prosperaram, as organizações que realmente se perpetuaram e transformaram seus líderes em ícones de pensamento e realizações foram aquelas que acreditaram nesses valores elevados. E são líderes como Churchill, Lincoln, Carter, De Gaulle, Juscelino e tantos outros que nos inspiram nesse momento difícil. Chegou a hora de realizarmos um grande movimento em prol da moral e da ética no coração de nossos jovens.


Fonte: Revista Ensino Superior, Edição 85 – outubro/2005.

FUMO matará 1 BILHÃO de PESSOAS



Advertência é da OMS, que pede aos governos proibição total da propaganda das empresas de tabaco. Agência quer fim de cigarro em novelas brasileiras.


A ONU ainda pede que o cigarro também seja abolido nas novelas produzidas no Brasil.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) lança uma campanha para alertar os jovens sobre as “armadilhas” das empresas do setor. O material publicitário foi produzido no Brasil e será veiculado em 200 paises. A idéia é a de convencer os diversos governos a adotarem medidas duras. Segundo os estudos feitos pela entidade, países que adotam uma restrição total à publicidade de cigarros conseguiram reduzir em 16% o consumo. O grau do vício estaria ligado à exposição à publicidade do produto.
Outra constatação é de que a indústria sabe do potencial do marketing. Entre 1995 e 1999, as empresas americanas promoveram ou patrocinaram 2.700 eventos, com gastos de US$ 350 milhões.
Uma das principais preocupações é quanto aos comerciais e promoções dirigidos aos jovens. Segundo a brasileira Vera da Costa e Silva, consultora da OMS para o tema do controle do cigarro, 56% das crianças em escolas afirmaram ter visto publicidades de cigarros em seu dia-a-dia. Vinte por cento delas ainda têm algum produto com o logotipo de marcas de cigarro.
O problema é que apenas 20 países possuem leis banindo a publicidade. “Noventa e cinco por cento da humanidade está exposta às promoções das empresas de cigarro”, afirmou a consultora.
No Brasil, ela alerta que o principal problema é a publicidade nos pontos de venda de cigarro. “Outro problema sério é a aparição de pessoas fumando nas novelas. Isso precisa acabar e a Agência Nacional de Vigilância sanitária (Anvisa) precisa atuar nesse aspecto”, alertou.
O objetivo da OMS é o de tentar impedir que os 1,8 bilhão de jovens no mundo estejam expostos às publicidades. Para a OMS, as “empresas usam todos os seus tentáculos e estratégias para viciar os jovens”.
Para isso, tentam relacionar o fumo ao “glamour, energia e apelo sexual”. “ Para sobreviver, a indústria do tabaco precisa substituir aqueles que deixam de fumar ou morrem por novos e novo e jovens consumidores”, afirmou a diretora da OMS, Margareth Chan.
Segundo a OMS, o alvo principal das empresas está sendo a juventude dos países emergentes.
O Ministério da Saúde brasileiro lançou uma nova safra de fotos para embalagens de cigarro, mais chocantes, para tentar desestimular a iniciação de jovens no tabagismo. Entre elas estão um feto num cinzeiro e um pé gangrenado.

Fonte: Jornal do Comercio, maio de 2008.

Junho 01, 2008

Verdade sobre Células-Tronco



Do ponto de vista jurídico, dúvida não existe. Declara a Constituição que o direito à vida é inviolável. O tratado internacional sobre direitos fundamentais de São José determina que a vida começa na concepção e que a pena de morte é condenável tanto para o nascituro como para o nascido. E o Código Civil impõe que todos os direitos do nascituro sejam garantidos desde a concepção.

Seria, pois, ridículo se todos os direitos estivessem garantidos, menos o direito à vida. A vida começa, portanto, na concepção, não se justificando que seres humanos sejam, como nos campos de concentração de Hitler, também no Brasil objeto de manipulação embrionária.

A lei é manifestamente inconstitucional do ponto de vista jurídico.
Do ponto de vista científico, a lei não merece melhor sorte.

1) No caso da utilização das células de embriões congelados há mais de três anos, trata-se de um transplante heterólogo, com grande possibilidade de rejeição, visto que, à medida que essas células se diferenciam para substituir as lesadas num tecido degenerado, elas começam a expressar as proteínas responsáveis pela rejeição (Jonathan Knight).

2) Allegrucci e colegas dizem que células-tronco de embriões congelados estão longe de ser a "perfeita fonte de células para terapias", pois originam teratomas (tumores de caráter embrionário).

3) Além disso, ocorrem metilações no DNA dos embriões congelados, que não são passíveis de identificação, aumentando o risco de silenciarem genes. Portanto, não servem para a pesquisa.

4) Há total descontrole das células embrionárias, surgindo diferenciações em tecidos distintos nas placas de cultura, com o que se poderia estar renovando experiências atribuídas a Frankstein.

5) Cada blastocisto fornece entre 100 e 154 células-tronco embrionárias. É preciso saber quantos embriões humanos frescos seriam sacrificados. Por exemplo, na terapia com autotransplante de células-tronco adultas provenientes da medula óssea, é necessário um total de 40 milhões de células-tronco, vale dizer, haveria a necessidade de 300 mil a 400 mil embriões, pois não se pode expandir o número dessas células em placas, por motivo de contaminação.

6) Andrews e Thomson, em 2003, referem que as células-tronco humanas em cultura apresentam anormalidades cromossômicas à medida que se diferenciam, com risco de se malignizarem.

7) Quanto à clonagem terapêutica, não se conseguiu até agora clonar um primata. Ao tentar, obtém-se meia dúzia de células aneuplóides (células cujos núcleos contêm um número diferente de cromossomos).

8) Feeder layers são camadas de tecidos retiradas de fetos vivos em qualquer estágio, vendidas em dólares nos Estados Unidos, as quais estão sendo utilizadas para garantir a qualidade do cultivo das células-tronco embrionárias.

9) Joel R. Chamberlain e colegas mostraram em estudo que há doenças genéticas que podem ser tratadas, mas com células tronco adultas, modificadas geneticamente, como na Osteogenesis Imperfecta, a qual origina desordens ósseas no esqueleto. Os resultados demonstrados foram um sucesso.

10) "Célula adulta age como embrionária", de acordo com o cientista Rudolf Jaenisch. O segredo está guardado em uma "chave" molecular: o gene Oct-4. A molécula trabalha no estágio inicial do embrião, "segurando" as células para não se diferenciarem antes da hora. No tempo adequado, o gene se desliga e as células formam, então, os tecidos certos. Com o controle do gene, é possível fazer com que certas células-tronco adultas sejam mantidas nesse estágio sem diferenciação, o que pode expandir seu campo de atuação na pesquisa de novos tratamentos (www.cell.com).

Vemos alternativas para estudar a cura das doenças. Cresce o número de trabalhos nos quais se verifica, com sucesso, a recuperação de tecidos ou órgãos lesados, utilizando células-tronco adultas. Um exemplo é o trabalho de Nadia Rosenthal, publicado no "Proceedings of the National Academy of Sciences", sobre o sucesso em usá-las para recuperar tecidos musculares.

Devemos lembrar, também, do sucesso do pioneirismo brasileiro nas aplicações de células-tronco adultas em seres humanos, no tratamento das cardiopatias, doenças auto-imunes, lesão de medula espinhal, lesão de nervos periféricos, entre outras.

Como se percebe, em vez de o governo aplicar recursos na manipulação e eliminação de seres humanos, transformados em cobaias, como no nacional-socialismo alemão, poderia investir maciçamente na investigação das células-tronco do próprio paciente ou na dos cordões umbilicais.
Cremos que, se o STF declarar a inconstitucionalidade da manipulação dos embriões humanos, voltará o governo seus olhos para aquelas experiências com células-tronco adultas, cujos resultados, no mundo inteiro, são cada vez mais auspiciosos.

Por Ives Gandra da Silva Martins, 70, advogado tributarista, professor emérito da Universidade Mackenzie, da UniFMU e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, é presidente da Academia Paulista de Letras, e Lilian Piñero Eça, 50, biomédica, doutora em biologia molecular pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), é autora do livro "Biologia Molecular - Guia Prático e Didático".

Maldades da Mídia

Troque de carro!
Troque de tevê!
Troque de celular!
Mude para nossa operadora, temos os melhores planos!
Beba mais cerveja!
Etc., etc., etc...

(24 horas por dia,07 dias por semana)

Não estranhe se amanhã, na abertura do Jornal Nacional, anuncia em “o velório da coerência”, pois vivemos na Era da Insensatez.
“Consumo, logo existo.”
Na sociedade consumista, quem não consome não existe.

William Bonner equiparou o telespectador do Jornal Nacional a Homer Simpson,


um sujeito preguiçoso, burro, que adora ficar no sofá, assistindo tevê, comendo rosquinhas e bebendo cerveja, e que só dá mancadas na vida.
O mais preocupante, porém, não é o fato de termos como editor-chefe e apresentador do maior telejornal do país alguém que nivela milhões de telespectadores com “Homer Simpson”...
A pergunta que devemos nos fazer é:
- E se William Bonner tiver razão?
Como foi que alcançamos tal condição, e a quem interessa que continuemos assim...?

A televisão amolece o corpo, a televisão amolece o espírito.


No Brasil, segundo o Ibope, as pessoas vêem, em média, cinco horas de tevê por dia.
O sonho dos atuais diretores televisivos é ter como audiência uma imensa massa a crítica, sem uma real capacidade de análise.
Um público que não pensa que não questiona que é facilmente manipulado, que compra quando e o que lhe mandam comprar...

Propagandas! Propagandas! Propagandas!
Compre, Beba, Consuma, Exista...

E chega mais um domingo, e o que já era ruim consegue a proeza de piorar ainda mais...

O que dizer do Domingão do Faustão?
E o que dizer das vídeo-cassetadas do Faustão?
Pancadas que ferem, tombos que machucam...
“O ser humano ainda não tinha aprendido a amar o próximo e já tinha inventado a televisão, que ensina a desprezar o distante.”
Millôr Fernandes

Esta apresentação será interrompida por alguns minutos.
Voltaremos logo após os “Reclames do Plim-Plim”...


Beba com moderação...
“Uma série de estudos demonstra que, no Brasil, os jovens bebem cada vez mais e, ainda por cima, começam mais cedo. É simplesmente risível imaginar que eles teriam mais cautela apenas ouvindo aquela rápida frase de alerta depois do sensualíssimo anúncio com mulheres estupendas.”
Gilberto Dimenstein


Embriague-se com moderação...

E o que dizer de Pedro Bial, quando se dirige aos participantes do Big Brother chamando-os de “nossos heróis” e “nossos mártires”?
(Quão deturpados os conceitos de heroísmo e martírio transmitidos. A que ponto chegamos...)


Escola pública localizada no sertão pernambucano.
Não há acabamento nas paredes.
Há um ano sem merenda escolar.
O banheiro está interditado.


Não seria mais sensato qualificar de heróis e mártires os nossos professores...?
Eles que, quase sem nenhum reconhecimento, e em condições tão adversas, tentam manter acesa a chama do saber e do conhecimento.

QUERO AQUI FAZER UM PARENTESE
FONTE: JC, maio de 2008. (Alguns comentários são pessoais.)

Enquanto isso, na “Casa da Dinda” (Brasília), os três poderes federais (Legislativo, Executivo e Judiciário) gastaram quase R$ 5 milhões em festas e homenagens nos primeiros cinco meses do ano. O mais festeiro é o Ministério da Defesa, líder nos gastos, quase R$ 2 milhões. O Itamaraty é o segundo, quase R$ 1 milhão.


Heróis e heroínas são também os pequeninos alunos com seus chinelos gastos, muitas vezes obrigados a percorrer longas distâncias a pé para chegar à sala de aula...


Bial, junte a produção do BBB, e vão assistir ao documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, do diretor João Jardim, que aborda a situação da educação no Brasil.

(É O MÍNIMO QUE FORMADORES DE OPINIÃO DEVERIAM FAZER...)
Quem sabe o próximo “reality show” possa mostrar a dura realidade de muitos professores e alunos da rede pública, seja no sertão nordestino, seja nas periferias de qualquer capital...

Aí sim teríamos um show de realidade...
E o que dizer das festas promovidas pela produção do Big Brother?
Que belo exemplo são para os nossos jovens:
“Bebam para serem felizes, para promoverem farras sexuais”.
Obrigado, Rede Globo.
Enquanto professores e escolas se esforçam para formar cidadãos, a televisão fabrica consumidores.
Em outubro, mês das crianças, o valor gasto no Brasil em publicidade dirigida ao público infantil foi de aproximadamente R$ 210 milhões.
Neste mesmo período, foram investidos no Programa Federal de Desenvolvimento da Educação Infantil (FNDE) cerca de R$ 28 milhões.
A televisão transforma crianças da mais tenra idade em consumidores

Especialistas em comportamento infantil têm constatado mudanças significativas provocadas pela exposição massiva e precoce à publicidade.
Segundo constatado, dentre as primeiras palavras pronunciadas, as primeiras intenções de transmitir uma mensagem verbal, já aparece a palavra “compra”...
Diante da tevê, o telespectador está fisicamente inativo. Dos seus sentidos, trabalham somente a visão e a audição, mas de maneira extremamente parcial.

Os olhos, por exemplo, praticamente não se mexem. Os pensamentos estão praticamente inativos:
não há tempo para raciocínio consciente e para fazer associações mentais, já que a atividade cognitiva está muito lenta. Isso ficou evidenciado em pesquisas sobre os efeitos neurofisiológicos da TV. O eletro encefalograma e a falta de movimento dos olhos de uma pessoa vendo televisão indicam um estado de desatenção, de sonolência, de semi-hipnose. O piscar da imagem, os estímulos visuais exagerados e contínuos, e a passividade física do telespectador, especialmente seu olhar fixo, fazem com que o cenário seja semelhante a uma sessão de hipnose.
Na leitura, é preciso produzir uma intensa atividade interior:
Num romance, imaginar o ambiente e os personagens;
num texto filosófico ou científico, associar constantemente os conceitos descritos.

A tevê, pelo contrário, não exige nenhuma atividade mental:
- as imagens chegam prontas, não há nada para associar. Não há possibilidade de pensar sobre o que está sendo transmitido...
...porque as velocidades das mudanças de imagem, de som e de assunto impedem que o telespectador se concentre e acompanhe a transmissão conscientemente.
Infelizmente, a televisão vem ocupando um crescente papel na transmissão dos caminhos da infância.
As emissoras e os anunciantes assumiram tal incumbência pensando no seu próprio lucro imediato, e não nas crianças ou no futuro da nação.

E no horário nobre:
Deborah Secco de calcinha e sutiã dá recorde de audiência à novela "Paraíso Tropical"

E no nobre horário:
Com a “Dança do Poste” de Flávia Alessandra, “Duas Caras” alcança 40 pontos no ibope pela primeira vez.

“Zorra Total”
O segundo programa mais assistido pelo público infantil...

E agora, vamos dar aquela espiadinha...

É dia de paredão:
“Se você quer eliminar fulaninho, ligue...
Se você quer eliminar fulaninha, ligue...”
(maldade tirar assim o dinheiro dos pobres e dos pouco instruídos...)

“Passarinho quer dançar,
O rabicho balançar
Porque acaba de nascer
Tchu tchu tchu...”

Quão vazia uma vida pode se tornar...

Que infância estamos construindo? Que juventude estamos formando?

(O Título original deste post é: O Reverso da Mídia, porém como vocês leram o conteúdo, o título que usei é mais adequado... eu acho...)

ADAPTAÇÃO PARA FINS DIDÁTICOS
Formatação: um_peregrino@hotmail.com
ennyo_homero@hotmail.com

10 DICAS PARA VOCÊ LER MAIS LIVROS POR ANO



1. Mantenha um Controle Sobre Seus Livros LidosQuem não controla não sabe para onde está indo. Quantos livros você leu no último ano? E no ano anterior? Como você vai querer aumentar a quantidade de livros lidos se nem ao menos sabe quantos livros está lendo por ano?
Pois é, eu fiz esta mesma pergunta a alguns anos atrás e não sabia a resposta. Por isso implementei um controle simples no meu próprio PC. Assim sei a quantidade de livros que li por ano e também que livro li em qual época. Neste controle também incluo uma pequena resenha do livro e uma nota, de 1 a 5 estrelas, para ter uma idéia de qual foi o melhor livro que li em cada ano. Por estar disponível na Internet, o meu controle também ajuda outras pessoas que querem sugestões de livros para ler.
2. Intercale Leituras
Troque o gênero do livro a cada nova leitura. Se você acabou de ler um livro de ficção procure ler em seguida um de não-ficção. Se leu um livro de auto-ajuda, leia agora um relato de aventura. Leu um livro grosso e levou mais de um mês? Agora leia um livro fininho num final de semana.
O importante aqui é manter o seu interesse sempre em alta. Quando você se dedica somente a um assunto chega uma hora em que o seu nível de interesse cai drasticamente. Intercalando o tipo de leitura, o tamanho do livro e o seu gênero o fôlego continua sempre forte e o interesse não decai.
3. Troque Dicas de LeituraNada melhor do que uma boa dica para você descobrir um livro maravilhoso. E que tal 30 ótimas dicas de leitura? Aproveite seus amigos e conhecidos e garimpe dicas sobre livros que podem te interessar. Só cuidado com os gostos pessoais de cada um. É comum alguém amar um livro enquanto que o outro odeia o mesmo título. Veja se o seu gosto bate com o gosto da pessoa que indicou comparando livros que vocês dois já leram. Garimpe também na Internet e em grupos de discussão ou até mesmo nos sites das livrarias. O que importa aqui é ter várias recomendações. Depois é só usar o seu bom senso e ir atrás do livro que mais lhe interessar.
4. Leia de Forma Paralela
Eu leio diversos livros ao mesmo tempo. As razões são várias: desde a troca de um livro que está em uma parte chata por outro mais emocionante até a compra de um novo. A idéia é ler sempre, constantemente, mesmo que você vá deixando livros pela metade. Opa, mas nada de deixá-lo pela metade indefinidamente. Você tem que ter um prazo para acabar de ler o livro iniciado.
No meu caso eu começo a ler vários livros ao mesmo tempo e só começo a me preocupar em terminá-los quando inicia o mês de novembro. Desta maneira sei que tenho ainda dois meses pela frente até o final do ano. Desta maneira não inicio livros novos e termino os antigos. Em resumo, abra muitas frentes, mas não se esqueça de fechá-las antes de apagarem a luz.
5. Leia em Mídias Diferentes
Quem disse que livro é só aquela coisa de papel que pega poeira na sua estante? Hoje em dia existem várias opções de leitura que podem otimizar o seu tempo, gerando um número maior de livros lidos no ano. Um hábito que criei a alguns anos é escutar livros no carro ou no meu mp3player. Este tipo de livro de audio (audiobook) não é muito difundido no Brasil, mas é largamente utilizado em outros países, como os Estados Unidos e a Europa. Se você lê/ouve inglês tem uma avalanche de títulos disponíveis. A grande vantagem é otimizar o seu tempo, além de melhorar a sua fluência na língua estrangeira. Que coisa melhor você pode fazer quando se desloca para o trabalho ou está preso em um engarrafamento?
Outra opção são os PDA, tipo Palm. Com as novas telas de alto contraste é possível ler livros inteiros nas pequeninas telinhas dos computadores de mão, sem falar na novidade da Sony, o Sony Reader.
E não se esqueça dos gibis. Existem ótimas graphic novels que são verdadeiros livros.
6. Leia Sempre e de Forma Constante
Aqui vale a máxima da história da lebre e da tartaruga: mais vale ler devagar e sempre do que rápido parando várias vezes pelo caminho. Estipule uma meta e tente cumpri-la. Leia uma página por dia e terá lido um livro de 300 páginas num ano; leia 10 páginas por dia e em um ano terá lido 18 livros de 200 páginas. Lembre-se: devagar e sempre.
7. Leia Livros do Seu InteresseParece idiotice falar isso, mas quanto mais você ler livro que te interessam, maior será o seu prazer na leitura e mais livros lerá por causa disso. Sim, é verdade. Tem muita gente que tenta ler livros que não gosta e por isso demora tanto tempo para acabá-los. Siga meu conselho. Se você chegou a um terço do livro e não está gostando do conteúdo, largue-o e comece outro. É melhor ficar vermelho uma vez do que amarelo para sempre.
Gosta de aviação? Então leia livros de aviões ou de guerra. É fanático por sexo? Existem ótimos livros de ação recheados de sexo. Gosta de bandas de rock? Leia as biografias dos monstros sagrados como o Led Zeppelin.
8. Abuse do Livro
Os puritanos que me perdoem, mas livro é para ser usado, dobrado e rabiscado. Eu já tratei os livros como entidades supremas, intocadas, mas aprendi que se ganha muito mais quando ele é usado realmente. Faça anotações, risque e rabisque. Se você não anotar vai esquecer rapidamente aquela passagem super interessante ou a dica especial dada pelo autor. Quer ter um livro intacto? Então compre outro para deixar na estante. Os R$20 ou R$30 a mais que você vai gastar vão valer centenas de vezes a mais com informações que você pode acessar de forma rápida, ao invés de folhear centenas de páginas atrás do que procura.
9. Leia em Vários Lugares
Recomendo que tenha sempre um livro à mão. Nunca se sabe quando você poderá ficar parado no trânsito, numa fila ou em qualquer outro lugar que não te permita fazer outra coisa. E isso inclui o banheiro ou os 5 minutos do intervalo de um programa de TV que você está assistindo. Falando nisso, veja menos televisão. Você vai ver que sua vida vai melhorar muito!
Leia andando na rua e na espera do estacionamento. Leia enquanto dirige o seu carro! Esta dica é efetiva mas meio perigosa, por isso vou fazer um post exclusivo para ela.
Mesmo que possa ler somente um parágrafo nestes intervalos, já vale a pena. A soma destas pequenas leituras em um ano podem ser um livro a mais no seu total. Use um marcador que facilite a sua rápida localização no texto. Eu normalmente coloco o marcador na linha onde parei, o que ajuda a achar rapidamente o ponto de continuação.
10. Vire Rato de Livraria
Eu tenho um imã interno que me puxa com uma força descomunal quando estou passando perto de uma livraria ou banca de revistas. Mesmo com pouco tempo disponível dou uma olhada geral para ver o que está disponível. Na maioria das vezes não compro nada, mas isso me mantém atualizado com o que há de novo no mercado, além de trazer gratas surpresas. Vários livros que considero excelentes encontrei com a peregrinação nas livrarias.
Conclusão
Então, está preparado? Comece hoje mesmo! Pegue aquele livro que está parado na sua estante e leia pelo menos 10 páginas. Deixe outro livro no carro e um pequeno na sua bolsa. Depois volte aqui e compartilhe as suas experiências.
Boa leitura!