Julho 21, 2008

Maldito jeitinho brsileiro



Tenho plena convicção de que um dos fatores que atrasam o desenvolvimento do Brasil é o tal do jeitinho, que tanta gente aclama como uma grande qualidade deste pobre povo que luta para se manter vivo abaixo da linha do Equador. O brasileiro passa tanto tempo tentando levar alguma vantagem em tudo, que nem percebe os transtornos que o maldito jeitinho causa. É um inferno.
Um exemplo clássico de como a Lei de Gerson funciona está no atendimento das agências bancárias. É nos bancos que um malandrão quer mostrar que é mais esperto que o outro, enquanto os cidadãos de verdade aguardam pacientemente sua vez de serem atendidos. Tudo começa no desrespeito à lei. Várias cidades já instituíram um tempo máximo de espera nas agências bancárias.
Mas na prática a gente espera muito mais do que deveria, quase sempre. E nada acontece a ninguém. Até porque ninguém sabe direito quem deve controlar esse tempo e como isso deve ser feito. Aí os bancos, no mais tradicional estilo jeitinho brasileiro, fingem que respeitam as leis e as autoridades fingem que cumprem, sejam lá quais forem essas autoridades. Até porque o político que propôs a lei, sejá lá quem for ele também, só fez isso pensando na próxima eleição.
Dane-se se a lei está sendo cumprida ou não, o que importa é dizer na próxima campanha que foi ele quem criou. Escaldados por tanta “esperteza”, os clientes do banco também não querem sair perdendo. E aí o fulano vê um conhecido bem colocado na fila e não tem o menor pudor em lhe pedir um “favorzinho”. Então lhe entrega uma pilha de carnês para pagar. E que o resto da fila vá às favas. “Que sorte achar o conhecido ali na boca do caixa”, pensa o espertalhão, pronto para zombar de algum “certinho” que ousar reclamar.
Mas o jeitinho gosta de aparecer mesmo no caixa destinado a idosos, gestantes, deficientes e pessoas com criança no colo. Tem gente que pega cada marmanjo no colo só para economizar um tempinho que é uma piada. De péssimo gosto. Tem também, entre os “idosos”, alguns que parecem prontos para encarar uma maratona, de tanta saúde que exalam. Vá chamar alguém de velho, ou até pelo eufemismo idoso, para ver o tamanho da confusão que arruma.
Mas bastam dois fios de cabelo branco nas têmporas para o gaiato se achar no direito de pegar a fila de atendimento preferencial. Aí a gente olha na fila normal e vê pessoas bem mais acabadinhas esperando com resignação. Mas orgulhosas de ainda terem pernas fortes. Só que o malandrão não está nem aí, quer mesmo é sair logo do banco e contar para os amigos do bar como é esperto.
E quem controla o atendimento preferencial? Ninguém, claro. E vamos nós, brasileiros espertões, com jeitinho, fazendo o país do futuro.
Fonte:
Marcos Paulino é editor do PLUG
presscom@vivax.com.br

Julho 19, 2008

Os seis medos



Já ouviram falar nos Seis Medos?Pois bem, esses Seis Medos são os que temos que lutar DIARIAMENTE para que possamos viver em paz. Nem sempre é fácil lutar contra eles, uma vez que eles aparecem em nossas vidas sem que nós tenhamos os convidado e, no mais da vezes, nos pegam de surpresa.

Portanto, jamais entregue os pontos quando algo na tua vida não der certo ou não ocorreu como o esperado. Não entregue os pontos e, tenha em mente seus objetivos.

Esses são os seis medos:

POBREZA -> Medo de ficar pobre, de piorar de condição, de privar-se de certas coisas;

DOENÇA -> Medo de ficar doente, de não recuperar-se, de depender de outrem;

VELHICE -> Medo de ficar velho, dar trabalho pros outros, ficar dependente da boa vontade de filhos, parentes e amigos;

MORTE -> Esse é o pior medo, pois temos certeza que ela virá. A Morte é o preço da Vida. Nos mostra que não somos nada diante do Universo e da Lei Divina;

CRÍTICA -> Críticas acontecem a todos instantes, só depende de você saber escutá-las quando importantes ou descartá-las quando desnecessárias. Ninguém é perfeito;

PERDER O AMOR DE ALGUÉM -> Este, na minha opinião, é o mais cruel de todos. Cruel por envolver sentimentos como saudade, baixa auto-estima, sentimento de impotência, tristeza, AMOR e, por fim, fracasso. De todos os medos, este é o que mais inquieta os corações de quem AMA alguém de VERDADE. Mais do que ligado à mente, este medo está ligado diretamente ao coração. Apesar de muitos dizerem que sentimentos estão ligados ao nosso cérebro, tenho pra mim que, na verdade, quem controla os sentimentos é o nosso coração, principalmente o sentimento amor. Perder alguém dá dor de cabeça ou dor no coração? O Coração bate forte, descompassado, imprimindo o ritmo do medo a cada batida. Você tenta doutrinar a tua mente para que não fique assim, mas o coração não obedece, parece que tem vida própria. E na minha opinião, tem vida própria sim! O coração é realmente uma máquina incrível. Enquanto o cérebro acumula as lembranças, o coração guarda as emoções, sentimentos, carinho, afeto e o AMOR. Creio que este seja o único dos seis medos aqui citados que aloja-se no coração, e não na nossa mente. Portanto, caso você esteja enfrentando este medo, creio que de nada lhe adiantará tentar doutrinar a sua cabeça, o seu cérebro para superá-lo, pois, tenho pra mim que o problema está bem no meio do teu peito, no teu CORAÇÃO.

Você tem medo? Seu medo enquadra-se em algum desses? Deixe um comentário com sua experiência, por favor.

Fonte: http://leituradiaria.com.br/?p=361

Julho 17, 2008

Café, depressão e suicídio



Pesquisas modernas mostram que o consumo de café pode diminuir o risco de depressão e suicídio.
A depressão mental é uma resposta completamente normal do cérebro humano a situação e adaptação social do indivíduo. Apenas a resposta depressiva tende a integrar o indivíduo numa sociedade, a valorizá-la e nela adaptar-se. O sintoma depressivo é uma forma de reação altamente evoluída do cérebro humano na escala animal e serve para proteger o excesso de individualismo do homem, que pode prejudicar sua integração na sociedade. Também serve para evitar que o indivíduo quebre normas estabelecidas. Todo ser humano apresenta periodicamente depressão mental, dentro de uma resposta normal do cérebro. Apenas quando ela aparece sem uma causa desencadeante ou permanece por tempo e intensidade demasiados, o indivíduo pode necessitar de ajuda. Tristeza, angústia, medo, saudade e sofrimento são formas atenuadas de depressão e demonstram a reação do indivíduo na sua adaptação familiar e social, representando reações sadias do convívio humano. Cerca de 20 % da população adulta apresentam durante sua vida episódios depressivos com manifestações clinicas significativas que precisam ser controlados com um tratamento especializado com medicamentos. A depressão, como a ansiedade, pode ser a manifestação final de fatores genéticos, problemas de desenvolvimento (distúrbios da personalidade), traumas de infância ou de problemas psicossociais (divórcio, desemprego ). A depressão pode ser um fenômeno reacional, normal, podendo também ser parte de uma doença depressiva que requer tratamento médico especifico e eficaz. Em situações de grande tristeza as mulheres ativam uma área do cérebro oito vezes maior que o homem. Esta hiperatividade é seguida por um período de depressão, razão pela qual as mulheres são mais suscetíveis a sofrerem de depressão. Há uma relação entre a depressão e a auto-estima (amor próprio), sendo que a depressão normal esta relacionada positivamente com a auto-estima, isto é, uma depressão discreta aumenta com a auto-estima - , mas caso a depressão se torne exagerada e anormal, a auto-estima começa a diminuir até atingir um nível zero, onde o risco de suicídio é grande, pela perda total do amor-próprio, levando o indivíduo ao suicídio. Diversas pesquisas epidemiológicas no Brasil e Estados entre jovens, adultos e mulheres comprovaram que o consumo diário e moderado de café diminui o risco de depressão e suicídio.
Fonte: http://www.cafeesaude.com.br/cafeesaude/depressao.htm

PROFESSORES DOENTES



Sob pressãoQuase 50% dos professores brasileiros apresentam sintomas de estresse ou depressão. Os mais jovens são os que têm mais dificuldade para lidar com os problemas da profissão; muitos optam por abandonar o ofício.
Fabiano Curi

O professor está doente. Excesso de trabalho, indisciplina em sala de aula, salário baixo, pressão da direção, violência, demandas de pais de alunos, bombardeio de informações, desgaste físico e, principalmente, a falta de reconhecimento de sua atividade são algumas das causas de estresse, ansiedade e depressão que vêm acometendo os docentes brasileiros.

Profissionais de saúde e de educação dão cada vez mais atenção a fatores que afetam a saúde psicológica do professor. Ainda que pouco seja feito em termos de políticas públicas e educacionais para prevenção, acompanhamento e tratamento de casos genericamente classificados como de estresse, pesquisas começam a identificar a origem do mal e a apontar caminhos para mudanças.

Em artigo publicado em 2005 na revista Educação e Pesquisa, da Faculdade de Educação da USP, as pesquisadoras Sandra Gasparini, Sandhi Barreto e Ada Assunção, do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG, citam estudos realizados em várias localidades - Belo Horizonte e Montes Claros (MG), Vitória da Conquista e Salvador (BA), Santa Maria (RS) e Campinas (SP), entre outras - para aferir as condições de saúde do professor, a incidência dos pedidos de licença médica e suas motivações.

Partindo da hipótese de que as condições de trabalho - excesso de tarefas e ruídos, pressão por requalificação profissional, falta de apoio institucional e de docentes em número necessário, entre outras - geram um sobreesforço na realização de suas tarefas, o estudo conclui que os resultados aferidos nas diversas cidades são convergentes e que os professores estão mais sujeitos que outros grupos a terem transtornos psíquicos de intensidade variada.

Muitos desses elementos de pressão são fruto de uma reconfiguração do mundo do trabalho, que não foi realizada a contento no que diz respeito a suprir as necessidades do professor na mesma escala em que é cobrado. "O sistema escolar transfere ao profissional a responsabilidade por cobrir as lacunas existentes na instituição, a qual estabelece mecanismos rígidos e redundantes de avaliação profissional", diz Sandra Gasparini.

Um dos problemas mais comuns na atividade de educador é a síndrome de burnout (veja texto). Suas causas estão na ocupação profissional, principalmente entre trabalhadores que lidam diretamente com pessoas e demandas variadas. É comum entre médicos, enfermeiros, policiais e, é claro, professores.

Vista como epidemia no meio educacional, essa síndrome não é exclusividade brasileira. Estudos na década de 1980 já apontavam altíssima incidência do problema entre os docentes norte-americanos. Entretanto, por estar sendo estudada há relativamente pouco tempo, ainda é difícil avaliar o desenvolvimento do burnout nas diferentes atuações profissionais.

De qualquer maneira, as mudanças sociais das últimas décadas - que, para ficarmos no caso brasileiro, alteraram a cultura e os interesses do alunado, aumentaram a violência nos centros urbanos e diversificaram e intensificaram o acesso à informação - entraram na escola e tornaram-se fatores motivadores de estresse entre os professores.

A Universidade de Brasília (UnB) realizou, a partir de um acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), uma grande pesquisa nacional no final da década passada sobre o burnout com 52 mil trabalhadores em 1.440 escolas. Esse trabalho foi publicado no livro Educação: Carinho e Trabalho (Editora Vozes, 434 páginas).

Os resultados mostraram que 48% dos entrevistados apresentavam algum sintoma da síndrome.

Para a pesquisadora Iône Vasques-Menezes, da UnB, desvalorização da carreira docente concorre para o aumento dos problemas psíquicos dos professores

coordenadora do Laboratório de Psicologia do Trabalho da UnB e uma das pesquisadoras envolvidas no estudo, Iône Vasques-Menezes, destaca no meio desses números preocupantes que, de certa forma, o profissional está mais sujeito ao burnout, pois a situação da sociedade é outra. Ela lembra que até o início da década de 1960 o professor era valorizado.

Uma pesquisa mais recente, de 2003, feita pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) apresentou resultados semelhantes: 46% dos professores já tiveram diagnosticado algum tipo de estresse - entre as mulheres esse número chega a 51%.
No Mato Grosso do Sul, segundo dados da CNTE e da Federação dos Trabalhadores em Educação do Mato Grosso do Sul, mais de 60% das licenças médicas concedidas aos trabalhadores em educação no Estado são para professores. Do total de licenças, 38% estão relacionadas a transtornos mentais e comportamentais, o principal motivo dos afastamentos.

A deterioração

Celso dos Santos Filho é médico residente do setor de psiquiatria do Hospital do Servidor, em São Paulo. Ele diz que atende a um número considerável de professores que buscam ajuda psiquiátrica com os mais diversos transtornos. "Há uma desvalorização gradual do papel do professor. Ele se sente cada vez menos valorizado, o que afeta a prática profissional e a auto-estima", conta. Tais perturbações deságuam em "dificuldade para ir ao trabalho, insônia, choro fácil".

O médico nota que as reclamações mais comuns desse sentimento de depreciação da atividade apontam para a falta de autoridade sobre os alunos e para a ausência de apoio institucional e das famílias dos alunos.

Existem dados que balizam a fala do psiquiatra: a Unesco fez, em 2002, uma grande pesquisa sobre o perfil do professor brasileiro. Em uma das questões sobre a percepção que tinham do próprio trabalho, 54,8% afirmaram ser um problema manter a disciplina em sala de aula; 51,9% mencionaram as características sociais dos alunos; e 44,8%, a relação com os pais.

Outros pontos críticos estão relacionados com o volume de trabalho e a falta de tempo para preparar aulas e corrigir avaliações. De todo modo, as questões que envolvem relações humanas, que são a essência da educação, demonstram ser obstáculos difíceis para os professores.A síndrome do esgotamento profissional,conhecida como síndrome de burnout,foi batizada nos anos 70. O nome vem da expressão em inglês to burn out, ou seja, queimar completamente, consumir-se.

"A gente deixa de fazer o trabalho para ficar chamando a atenção de aluno para tirar o pé da cadeira e para fazer silêncio. Isso os pais deveriam ensinar", revolta-se uma professora da rede pública paulista. "Nas reuniões, os pais dos alunos que não têm problemas aparecem; os que têm, raramente vão." A psicóloga e professora da PUC-Campinas, Marilda Lipp, concorda com a professora: "As crianças estão mal-educadas. Mas ao mesmo tempo em que os pais desvalorizam os professores, passam a eles a responsabilidade de educar os filhos".

Marilda, que também é diretora do Centro Psicológico de Controle do Estresse e autora e organizadora de diversos estudos sobre o assunto - como o livro O Estresse do Professor (Papirus, 146 páginas), acredita que problemas semelhantes ocorram em várias ocupações.

"Mas o dano que um professor pode causar é muito maior, pois o estresse é emocionalmente contagiante."

De acordo com uma pesquisa orientada pelo psicólogo e professor da UERJ, Francisco Nunes Sobrinho, um fator determinante do burnout é a idade do professor. Pelos resultados, educadores mais jovens fazem uso exagerado de "controle aversivo". "Eles, por exemplo, gritam mais com o aluno para tentar controlar a disciplina. Se o professor ameaça demais, ele também pode criar um clima de estresse", explica.

Problema abrangente

A deterioração da atividade docente não acontece apenas no ensino público, o privado também sofre de mal semelhante. "A relação entre professor e aluno se transformou em relação professor-cliente", condena Rita Fraga, diretora do Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP).

Apesar de trabalhar com profissionais da rede particular do Estado, ou seja, que supostamente figuram entre os mais bem remunerados do país e com uma boa infra-estrutura de ensino disponível, o sindicato nota um aumento do estresse no seu público. Rita avalia que muitos professores são pressionados pelos interesses mercadológicos da escola e, assim, muitas vezes não têm suporte da instituição em situações de enfrentamento com os alunos. "Com medo de perder o emprego, ele se sujeita a esse tipo de situação."

A psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Alexandrina Meleiro, demonstra
Medo de perder o emprego gera submissão de docentes, alerta Rita Fraga, do Sinpro-SP que esse problema de instituições privadas existe nos casos que atende, principalmente de professores do ensino superior:

"Em algumas (instituições), os alunos fazem um motim contra o professor e a escola prefere demitir o profissional a ficar do lado dele", relata.
Entretanto, ela identifica que a maior quantidade de casos está no ensino fundamental.

"São professores com problemas somáticos - depressão, ansiedade, às vezes síndrome do pânico - e, em alguns casos, se houve um assalto na escola, por exemplo, depressão pós-trauma", diagnostica. De acordo com Alexandrina, "entre 30% e 40% acabam desistindo da profissão, o que caracteriza que o problema é decorrente da ocupação".

O tratamento, segundo a psiquiatra, varia muito. "Dependendo do grau de desgaste, a pessoa pode passar somente por psicoterapia, ser medicada temporariamente com ansiolítico ou antidepressivo e, às vezes, tem de ser deslocada para uma função burocrática ou passar a trabalhar com outros tipos de alunos."48% das pessoas que trabalham em escolas apresentam algum sintoma de estresse, segundo pesquisa realizada em âmbito nacional pela Universidade de Brasília

Uma preocupação de Alexandrina é com a violência. Chaga dos grandes centros urbanos do país, a violência é apontada por muitos pesquisadores como um fator estressor importante que atinge comumente os professores que lecionam em escolas situadas em regiões de risco, com altos índices de criminalidade e, em alguns casos, presença do tráfico de drogas.

Ainda que a violência possa atingir direta ou indiretamente qualquer um, "a gente tem de dar um enfoque maior para a escola, pois ela lida com a criança e com o adolescente que serão cidadãos, e é nesse meio que a violência é cultuada", alerta a psiquiatra.

Origens múltiplas

"O burnout é uma síndrome multideterminada, ou seja, uma combinação de fatores facilita o surgimento dela", explana Iône Vasques-Menezes, da UnB. Dessa maneira, ainda que as dificuldades com disciplina, desvalorização da atividade e exposição à violência despontem como seus principais causadores, não se pode desprezar outros motivadores das doenças psicossomáticas dos professores.

Para a psicóloga Marilda Lipp, ao mesmo tempo em que desvalorizam os professores, pais confiam a eles a educação dos filhos
Marilda Lipp, da PUC-Campinas, cita o tecnoestresse, que seria o contato cada vez mais freqüente com tecnologias em sua atividade escolar, o que demanda conhecimento de processos e, em muitos casos, um aumento da carga de trabalho para fazer relatórios via rede, por exemplo.

Francisco Nunes Sobrinho, da UERJ, tem como referencial a ergonomia. "Você pode ficar estressado, dentro da ergonomia cognitiva (disciplina que estuda os processos cognitivos em situações de trabalho), pelo excesso de informação que recebe. Isso pode provocar uma descompensação, pois o problema maior é não saber o que fazer, não ter uma resposta para a situação", explica. Ele adverte também que o ambiente físico é um estressor.

O incômodo gerado pelo ruído excessivo ou pela temperatura elevada podem contribuir bastante para o desenvolvimento de um estresse crônico entre os professores.

Por onde começar?

Como as causas dos problemas psicológicos dos professores têm origens distintas, os caminhos para sua solução também são variados. A presidente da CNTE, Juçara Vieira, lembra do que é óbvio para começar a valorizar a profissão, mas que costuma ser esquecido com assustadora regularidade: o salário. "O importante é se ter um piso salarial que permita, por exemplo, trabalhar para apenas uma escola", comenta.

Ela cita também a necessidade de ter uma escola democrática que fortaleça as relações interpessoais e de aplicar políticas públicas de formação permanente. Nunes Sobrinho corrobora a tese de que é preciso preparar os professores. "A mudança do cenário passa pela formação das pessoas, por começar a incorporar no currículo algumas questões de comportamento."

O psicólogo dá um exemplo que presenciou: "Trabalhei em uma escola de periferia em que a criança levava um bilhete chamando o pai para uma reunião, e ela era espancada antes mesmo de o pai saber do que se tratava. Isso demonstra que a professora só trabalha com o lado negativo. O pai só é chamado para ouvir crítica. O professor ainda não aprendeu que tem de chamar o pai também para fazer elogios.

Quando começaram a chamar alguns pais para elogios, as crianças queriam que os seus pais fossem chamados também".

Para Iône, há na atividade a sensação de que se dá muito, mas não se recebe nada em troca, o que provoca insegurança e desânimo. Ela acredita que o professor precisa de afeto para transmitir conhecimento. "Se ele não gostar dos alunos, não conseguirá transmitir nada."

A psicóloga da UnB acha difícil estabelecer uma única linha de atuação para diminuir o burnout. "Se é uma síndrome de trabalho, teria de mudar a organização do trabalho dependendo das condições em que ocorre naquela comunidade".

Ela esclarece que em uma cidade pequena, ainda que a infra-estrutura da escola seja inferior quando comparada à de um grande centro desenvolvido, a proximidade com a sociedade local acaba compensando e o professor fica menos exposto. "É mais fácil identificar fatores que protejam contra o burnout do que os causadores - controle sobre o trabalho, suporte social, ligação da escola com a comunidade, reconhecimento social."55% dos professores brasileiros ouvidos em pesquisa da Unesco afirmaram ter problemas para manter a disciplina em sala de aula

Com uma abordagem menos voltada para a idéia de síndrome trabalhista, a professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB), Sandra de Almeida, avisa que o professor se apresenta com uma expressão de grande sofrimento psíquico e um mal-estar visível.

Ela baseia suas afirmações em pesquisas realizadas com docentes na complementação pedagógica para professores do magistério no Distrito Federal, dos quais "cerca de 20% têm licenças médicas motivadas por estresse".
Isso tem como conseqüência o absenteísmo, ou seja, os professores faltam muito. "Eles fazem pedidos de transferência para secretaria, fazem de tudo para não estarem presentes em sala de aula", relata. "Quando nada mais funciona, utilizam o recurso da licença médica."

Sobre as críticas de diversas secretarias de educação de que muitos professores querem licenças simplesmente para matar trabalho, a psicóloga retruca: "é claro que muito disso pode ser 'mais ou menos fingido', mas tem um valor psíquico para o sujeito. Por que ele se apresentaria como um sofredor? Podemos chegar à conclusão de que isso não se configura como depressão, mas pode ser um estresse".

Sandra destaca que o professor não é escutado no ambiente escolar. Na opinião dela, esse profissional convive muito tempo com os alunos e lida com demandas diversas e contraditórias e não tem com quem conversar. "Assim, o médico é a figura que pode ajudar e que, em último caso, pode afastá-lo da sala de aula, e isso pode aumentar ainda mais a sua angústia."
Sandra de Almeida, da UCB: "Por que se apresentar como um sofredor? O fingimento também tem valor psíquico"

"A leitura que faço é de como podemos intervir no âmbito da formação de pessoal", explica. Sua proposta é resgatar a memória educativa desse professor para entender como alguns expostos às mesmas condições conseguem fazer algo criativo e outros caem na depressão. Identificar sua história como estudante, ideais educativos. Fazer com que ele perceba que não é o único a ter problemas psicológicos e que pode encontrar soluções por meio de relações interpessoais. "Ele precisa se interrogar, caso contrário, não há o que fazer."

Vale a pena tentar entender o que aflige e adoece o professor brasileiro, esse indivíduo difícil de ser explicado. Afinal, segundo a pesquisa realizada pela UnB, esse trabalhador, com todos os problemas que enfrenta, ainda pertence a uma categoria que apresenta índices de satisfação profissional próximos de 90%.

Julho 16, 2008

Personalidade é tudo...



A presença novelas brasileiras contribuiu para as mudanças no perfil das famílias nos últimos quarenta anos. É o que mostra o estudo Novelas e Fertilidade: Evidências do Brasil (Soap Operas and Fertility: Evidence from Brazil).

A pesquisa analisou tramas exibidas entre 1965 e 1999 e explica que temas polêmicos e de apelo social transformaram-se em assunto nas rodas de conversa. Os personagens inspiraram nomes de crianças. Os enredos com famílias pequenas, urbanas e de classe média ajudaram a diminuir a taxa de natalidade no Brasil.

Segundo o artigo, "Famílias de televisão são pequenas, ricas e felizes" e "Os pobres, quando retratados, têm mais filhos e suas faces revelam infelicidade". Esse padrão teria feito as pessoas optarem por menos filhos.

Um dos autores do estudo, o ecnomista Alberto Chong, diz que as principais pessoas influenciadas pelas novelas são mulheres pobres e que têm filhos:

- Percebemos que o efeito é maior em mulheres de classe econômica mais baixa e que se encontravam no meio ou no fim do período fértil, pois, para essas pessoas, a TV é a principal fonte de informação - explica Chong ao Estadão.

A pesquisa foi feita por Chong e pela também economista Suzanne Duryea, além de Eliana La Ferrara, da Universidade Bocconi (Itália). A investigação começou há dois anos para o Centro de Pesquisa e Análise Econômica para o Desenvolvimento.

- Conhecíamos estudos de sociólogos brasileiros que apontavam um elo entre novelas e comportamento feminino e achamos que esse poderia ser um bom começo - conta o peruano Chong.

É importante ressaltar que o estudo trata apenas de novelas brasileiras. Segundo a pesquisa, as novelas mexicanas exibidas pelo SBT não têm impacto significativo no comportamento do brasileiro porque, de acordo com os autores, o telespectador não se sente representado nesse tipo de programa.

Os pesquisadores analisaram 115 novelas transmitidas pela Rede Globo no período e comparados dados da chegada do sinal da emissora em várias partes do País com informações dos Censos Demográficos de 1970 a 1991.

O estudo analisou 115 novelas transmitidas pela Rede Globo no período e comparados dados da chegada do sinal da emissora em várias partes do País com informações dos Censos Demográficos de 1970 a 1991.

Dados do IBGE mostram que a taxa brasileira era de 6,3 filhos por mulher em 1960 e passou para 5,8 em 1970 e 2,3 em 2000. É certo que não só as novelas, mas também contextos sociais (urbanização, uso de contraceptivos e mulheres trabalhando) impactaram nestes dados, porém, os especialistas dizem que as novelas ajudaram a acelerar o processo:

- A novela tem uma presença diária na vida do brasileiro. Quando um comportamento é repetidamente exposto, as pessoas tendem a imitá-lo - afirma a coordenadora do Núcleo de Pesquisa de Telenovela da USP, Maria Immacolata Vassallo de Lopes.

Fonte:http://audiencia.zip.net/

Gostar de novela e sonhar com os principes e princesas tudo bem, mas se deixar influenciar e querer que tudo na vida seja como na novela é muita falta de massa cefálica...
Lembro-me de uma novela global em que uma personágem usava meias até a altura dos joelhos e uma saia de prega até a metade das coxas, sem falar que tinha o cablo dividido por duas XUCAS, sei lá como chama aquilo....
Fico imaginando no dia que as pessoas quiserem sair vestidas como o Kico ou a Chiquinha, vai ser lindo, quero assistir a cena...
Ênio Cavalcanti.

Julho 14, 2008

Eu não gostava do Papa Jopão Paulo II



Escrevo enquanto vejo a morte do papa na TV. E me espanto com a imensa emoção mundial. Espanto-me também comigo mesmo: "Como eu estou sozinho!" - pensei.
Percebi que tinha de saber mais sobre mim, eu, sozinho, sem fé nenhuma, no meio deste oceano de pessoas rezando no Ocidente e Oriente. Meu pai, engenheiro e militar, me passou dois ensinamentos: ele era ateu e torcia pelo América Futebol Clube. Claro que segui seus passos. Fui América até os 12 anos, quando "virei casaca" para o Flamengo (mas até hoje tenho saudade da camisa vermelha, garibaldina, do time de João Cabral e Lamartine Babo), e parei de acreditar em Deus.
Sei que "de mortuis nihil nisi bonum" ("não se fala mal de morto"), mas devo confessar que nunca gostei desse papa. Por quê? Não sei. É que sempre achei, nos meus traumas juvenis, que papa era uma coisa meio inútil, pois só dava opiniões genéricas sobre a insânia do mundo, condenando a "maldade" e pedindo uma "paz" impossível, no meio da sujeira política.
Quando João Paulo entrou, eu era jovem e implicava com tudo. Eu achava vigarice aquele negócio de fingir que ele falava todas as línguas. Que papo era esse do papa? Lendo frases escritas em partituras fonéticas... Quando ele começou a beijar o chão dos países visitados, impliquei mais ainda. Que demagogia! - reinando na corte do Vaticano e bancando o humilde...
Um dia, o papa foi alvejado no meio da Praça de São Pedro, por aquele maluco islâmico, prenúncio dos tempos atuais. Eu tenho a teoria de que aquele tiro, aquela bala terrorista despertou-o para a realidade do mundo. E o papa sentiu no corpo a desgraça política do tempo. Acho que a bala mudou o papa. Mas, fiquei irritadíssimo quando ele, depois de curado, foi à prisão "perdoar" o cara que quis matá-lo. Não gostei de sua "infinita bondade" com um canalha boçal. Achei falso seu perdão que, na verdade, humilhava o terrorista babaca, como uma vingança doce.
E fui por aí, observando esse papa sem muita atenção. É tão fácil desprezar alguém, ideologicamente... Quando vi que ele era "reacionário" em questões como camisinha, pílula e contra os arroubos da Igreja da Libertação, aí não pensei mais nele... Tive apenas uma admiração passageira por sua adesão ao Solidariedade do Walesa, mas, como bom "materialista", desvalorizei o movimento polonês como "idealista", com um Walesa meio "pelego". E o tempo passou.
Depois da euforia inicial dos anos 90, vi que aquela esperança de entendimento político no mundo, capitaneado pelo Gorbachev, fracassaria. Entendi isso quando vi o papai Bush falando no Kremlin, humilhando o Gorba, considerando-se "vitorioso", prenunciando as nuvens negras de hoje com seu filhinho no poder. Senti que o sonho de entendimento socialismo-capitalismo ia ser apenas o triunfo triste dos neoconservadores. O mundo foi piorando e o papa viajando, beijando pés, cantando com Roberto Carlos no Rio. Uma vez, ele declarou: "A Igreja Católica não é uma democracia." Fiquei horrorizado naquela época liberalizante e não liguei mais para o papa "de direita".
Depois, o papa ficou doente, há dez anos. E eu olhava cruelmente seus tremores, sua corcova crescente e, sem compaixão nenhuma, pensava que o pontífice não queria "largar o osso" e ria, como um anti-Cristo.
Até que, nos últimos dias, João Paulo II chegou à janela do Vaticano, tentou falar... e num esgar dolorido, trágico, foi fotografado em close, com a boca aberta, desesperado.
Essa foto é um marco, um símbolo forte, quase como as torres caindo em NY. Parece um prenúncio do Juízo Final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa época. É aterrorizante ver o desespero do homem de Deus, do Infalível, do embaixador de Cristo. Naquele momento, Deus virou homem. E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criança, um rosto infantil em prantos! O papa tinha voltado ao seu nascimento e sua vida se fechava. Ali estava o menino pobre, ex-ator, ex-operário, ali estavam as vítimas da guerra, os atacados pelo terror, ali estava sua imensa solidão igual à nossa. Então, ele morreu. E ontem, vendo os milhões chorando pelo mundo, vendo a praça cheia, entendi de repente sua obra, sua imensa importância. Vendo a cobertura da Globo, montando sua vida inteira, seus milhões de quilômetros viajados, da África às favelas do Nordeste, entendi o papa. Emocionado, senti minha intensíssima solidão de ateu. Eu estava fora daquelas multidões imensas, eu não tinha nem a velha ideologia esfacelada, nem uma religião para crer, eu era um filho abandonado do racionalismo francês, eu era um órfão de pai e mãe. Aí, quem tremeu fui eu, com olhos cheios d'água. E vi que Karol Wojtyla, tachado superficialmente de "conservador", tinha sido muito mais que isso. Ele tinha batido em dois cravos: satisfez a reacionaríssima Cúria Romana implacável e cortesã e, além disso, botou o pé no mundo, fazendo o que italiano nenhum faria: rezar missa para negões na África e no Nordeste, levando seu corpo vivo como símbolo de uma espiritualidade perdida. O conjunto de sua obra foi muito além de ser contra ou a favor da camisinha. Papa não é para ficar discutindo questões episódicas. É muito mais que isso. Visitou o Chile de Pinochet e o Iraque de Saddam e, ao contrário de ser uma "adesão alienada", foi uma crítica muito mais alta, mostrando-se acima de sórdidas políticas seculares, levando consigo o Espírito, a idéia de Transcendência acima do mercantilismo e de ditaduras. E foi tão "moderno" que usou a "mídia" sim, muito bem, como Madonna ou Pelé.
E nisso, criticou a Cúria por tabela, pois nenhum cardeal sairia do conforto dos palácios para beijar pé de mendigo na América Latina. João Paulo cumpriu seu destino de filósofo acima do mundo, que tanto precisa de grandeza e solidariedade.
Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova ética, de um pensamento transcendental, de uma espiritualidade perdida. João Paulo na verdade deu um show de bola.
Arnaldo jabor

Julho 13, 2008

Solidão faz mal à saúde



WASHINGTON - As pessoas que vivem sozinhas têm duas vezes mais chances de ter problemas cardíacos que aquelas que vivem acompanhadas, segundo um estudo realizado na Dinamarca e divulgado hoje pela revista Journal of Epidemiology and Community Health.

A revista indica que essa foi a principal conclusão de um estudo baseado no histórico médico de 138 mil adultos de 30 a 69 anos que viviam na região dinamarquesa de Aarhus. Entre 2000 e 2002, 646 dessas pessoas sofreram uma série de problemas cardíacos, incluindo os classificados como síndrome coronária aguda.

Em uma análise detalhada, chegou-se à conclusão de que alguns fatores responsáveis pelo aumento do número de problemas cardíacos estavam relacionados, embora em pequeno grau, com o índice de escolaridade, o desemprego e baixos níveis de subsistência.

No entanto, os pesquisadores declararam que os fatores mais importantes foram a idade e o fato de que os pacientes viviam sós.

As mulheres sozinhas e maiores de 60 anos, assim como os homens maiores de 50, e que também viviam sozinhos, tinham o dobro de chances de ter problemas cardíacos. Ao contrário, aqueles que tinham um companheiro pareciam se defender melhor da síndrome aguda.

Fonte: JB 13/07/06; Agência EFE

Julho 11, 2008

Posso ser sincero?



Quem hoje em dia é capaz de perceber algo estranho na pergunta “quando posso ser sincero?”. Ela traz uma dúvida importante quanto ao sentido da permissão exposto no uso do verbo “posso”. A pergunta oculta outra pergunta bem simples de ponderar: por que eu “não poderia” ser sincero? As questões definem que há muito tempo nossa intenção de sinceridade se tornou um problema.

Quando os seres humanos inventaram a sinceridade? O que ela significa entre nós hoje? A sinceridade é uma intenção, uma ação ou mais que isso?

Dizer é fazer

Quando falamos em sinceridade sempre pensamos na ação de dizer algo desagradável a alguém. Iniciamos uma crítica muitas vezes com a expressão “sinceramente”. Inaugura-se com isto a exposição de uma opinião que não está disposta a ser falsa e se declara de antemão com a autoridade da verdade. Junto com ela encena-se certo ar de coragem, como se a sinceridade fosse alguma sorte de franqueza grosseira. O sincero lembra o “grosseiro”, porta-voz de uma verdade bruta – tanto assustadora quanto obrigatória -, como se o delicado fosse falso na exata medida de sua polidez. Com isto demarca-se a sinceridade como um esforço que, além de desagradável a todos, tanto para quem o pratica quanto para quem o recebe, pode ser tanto inútil quanto comprometedor.

Pensa-se, para escapar disso, a sinceridade como algo que não se deveria “praticar”. Algo que é, em si mesmo, ruim. Que só com muito cuidado deveria ser usada. A pergunta que precisamos fazer diante desta evitação da sinceridade é bem óbvia: por que a prática da exposição das opiniões não pode ser vista como uma coisa boa, algo que deveria ser exercido livremente? Que nos faria crescer ética e mesmo psicologicamente? Que ajudaria a descobrir boas experiências, de alegria, de satisfação na convivência com o outro, aquele a quem se dirige nossa sinceridade?

Falsa sinceridade?

A acepção atual da sinceridade que sustenta a idéia de um caráter que deveria ser escondido, por não fazer bem a ninguém, ou por não trazer vantagens numa sociedade organizada em relações de troca tanto objetivas quanto afetivas, é precária ao não revelar a riqueza do conceito.

Muitos pensam que, se sou sincero com alguém hoje, posso receber de volta a sinceridade amanhã e isso não define vantagem alguma. Ou posso ser punido por sua ressonância: perder uma oportunidade, um negócio, um emprego, porque sou sincero. A sinceridade parece ser algo que apenas se pode temer, que só estraga a vida, espécie de talismã ao contrário, moeda falsa. Seria a sinceridade aquilo que os gregos chamaram “Phármakon”, uma substância venenosa que apenas parcimoniosamente usada se tornaria curativa?

A história da questão mostra, porém, o significado valioso do conceito. Um dos momentos mais importantes na história da sinceridade são as Confissões de Jean Jacques Rousseau, obra que inicia pela explicação do autor de que mostrará aos seus semelhantes um homem em toda a verdade de sua natureza. Conforme suas palavras “este homem serei eu”. Rousseau opta pelo “desnudamento de si” em sentido filosófico: falar do homem universal, mas na diferença que ele, o próprio Rousseau, torna real em sua própria vida.

Uma confissão

Sinceridade é, portanto, sinônimo de confissão. Quem se confessa dá testemunho, ou seja, conta algo porque o viveu, porque presenciou um fato e pode narrá-lo. O olhar do sujeito sincero é essencial na elaboração do que ele pode dizer. A confissão religiosa é originariamente um ritual de autoconsciência que envolve um exame de si, uma análise da própria pessoa por conta própria. Aquele que se confessa, porém, deve ter a disposição para libertar-se de si mesmo. Ao mesmo tempo, este gesto implica entregar-se ao outro, seja aos seus olhos, aos seus ouvidos, ao seu cuidado ou, negativamente, ao seu poder.

Infelizmente o poder como dominação não abandona a vida comum. A confissão do outro, seja na religião, seja na política, pode ser usada como arma contra aquele que se confessa. A confissão tem um poder equivalente ao do segredo que lhe é contrário. Alguém apenas entrega o que lhe é íntimo como uma generosa dádiva, ou, ao contrário, sob pressão emocional ou ameaça. Se nas relações mais íntimas os segredos confessados são usados por um contra outro é o valor da sinceridade como o mais íntimo que se pode compartilhar que cai por terra. A sinceridade não pode ser confundida com a mera desculpa diante do que acaba por ser dito sem pensar. A violência verbal e a maledicência muitas vezes são aceitas sob a máscara de sinceridade.

É porque a sinceridade diz respeito ao universo próprio do que pode ser expresso por cada um em seus limites que ela jamais é absoluta, pois ninguém pode saber tudo de si, nem revelar tudo a outrem. O sujeito humano vive do conhecimento de si em tensão com o que, de si, não pode ser conhecido, com o que nele é mistério e silêncio. Aquele que pudesse ser totalmente sincero – falar absolutamente de si ou do sue ponto de vista - ou estaria mentindo ou teria banalizado o poder da sinceridade.

Marcia Tiburi
Publicado em Vida Simples

Porque somos corruptos?



A máxima “o poder corrompe” é a bandeira que cobre o caixão no qual velamos a política. Ela é primeiro desfraldada por aqueles que pretendem evitar a partilha do poder que constitui a democracia. Ela é aceita por todos aqueles que se deixam levar pela noção de que o poder não presta e, deste modo, doam o poder a outros como se dele não fizessem parte. Esquecem-se que a falta de poder também corrompe, mas esquecem sobretudo de refletir sobre o que é o poder, ou seja, ação conjunta.

Democracia é partilha do poder. É o campo da vida comum, a vida onde todos estamos juntos como numa mesma embarcação em mar aberto. Partilhamos o poder querendo ou não, mas podemos fazê-lo de modo submisso ou democrático, omisso ou presente. Estamos dentro da democracia e precisamos seguir suas conseqüências.

Democracia é também responsabilização pelo contexto em que vivemos: pelo resultado das eleições, pela miséria, pelo cenário inteiro que produzimos por ação ou omissão. Mas não nos detivemos em escala social para entender o que a democracia é e, por isso, falta-nos a reflexão que é capaz de orientar o seu sentido, bem como o sentido do poder e da política.

Acreditamos que o poder é mau. Que a política é ação para espíritos corruptíveis. Construímos a noção de que política não combina com ética, com moral, com princípios. Quem acredita nisso já contribui para a manutenção do estado geral da política, pois afirmamos uma essência em lugar errado. Onde deveria estar a ação que constitui a política, está a crença que determina o preconceito e a inação. Neste sentido, a compreensão disseminada no senso comum, já é corrupta. Ela compactua com a corrupção ao reafirmá-la no discurso que sempre orienta a prática.

É nosso dever hoje reavaliar a experiência brasileira diante da política. A compreensão da política como campo da profissão, por definição, corrupta, é ela mesma corrompida e corrupta. Ela destrói a política, cujo significado, precisamos hoje, refazer.

Esta é a ação política mais urgente.

Acostumamo-nos ao pré-conceito de que política é apenas governabilidade e deixamos de lado a idéia fundamental de que a política é projeto de sociedade da qual participam todos os cidadãos. Reclusos em nossas casas, acreditamos que a esfera da vida privada está imune ao político. Esquecemos que o pessoal é também político, não como espetáculo, mas como lugar de relação e modelo da esfera macroscópica da sociedade. Políticos somos porque falamos e estamos com os outros. Política é relação “entre-nós” produzida pela linguagem, pela nossa fala, por nossos discursos. O que dizemos é sempre político. Pois falar é o primeiro passo do fazer ou, mesmo, a primeira de nossas ações.

Política é a relação estabelecida no enlace inevitável entre indivíduos e sociedade. Na omissão praticamos a anti-política. Toda anti-política que seja omissão e não crítica é corrupção da política por ser corrupção da ação. A mais urgente das ações políticas na atualidade, além da punição dos que transformaram nossa governabilidade em prostituição da ação, é refazermo-nos como políticos no verdadeiro sentido.

Marcia Tiburi

* Artigo publicado em Zero Hora de 30 de abril de 2006. Coluna Tema para Debate.

A volta da Inflação



O resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) no acumulado do quadrimestre mostra que a inflação voltou ao rol de preocupações do consumidor. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados ontem, o IPCA nos quatro primeiros meses do ano na RMF ficou em 2,26%, superando a média do País para igual período, de 2,08%.

A maior contribuição é dos itens do grupo de educação (cursos, leitura e papelaria), que apresentou IPCA de 5,40%, no quadrimestre. Seguem, na ordem de maiores pesos sobre a inflação, alimentos e bebidas (4,81%), saúde e cuidados pessoais (2,12%), despesas pessoais (1,66%), vestuário (1,18%), habitação (1,14%), transportes (0,45%) e comunicação (0,29%). No período, tiveram influência negativa os artigos de residência (-0,18%).

Desaceleração no Mês
Na análise mensal, o índice recuou em abril frente ao de março, passando de 0,44% para 0,36%, na RMF. No último mês, as maiores elevações de preços vieram da educação (1,83%), saúde (0,85%), vestuário (0,75%), alimentos e bebidas (0,72%), habitação (0,46%), comunicação (0,15%) e despesas pessoais (0,12%). Em abril, as contribuições negativas foram dos artigos de residência (-0,07%) e transportes (-1,01%).

Alta sistemática no País
O IPCA registrou alta de 0,55% em abril, o que representa aceleração frente aos 0,48% verificados em março, no País. Nos últimos 12 meses, acumula alta de 5,04%, acima dos 4,73% identificados nos 12 meses imediatamente anteriores e da meta de inflação do governo para 2008, de 4,5%, com margem de tolerância dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Em abril de 2007, a inflação pelo IPCA subira 0,25%.

O resultado de abril bate com as expectativas divulgadas nos últimos dias por bancos e corretoras. ´Foi nesta época, em 2006, que a taxa dos 12 meses começou a decrescer. Atualmente, verifica-se que a taxa tem crescido de forma sistemática e insistente´´, afirmou a coordenadora da pesquisa, Eulina dos Santos. Os alimentos pressionaram mais o índice e tiveram alta de 1,29%, ante 0,89% constatados no mês anterior.

A contribuição deste grupo representou 0,28 p.p. (ponto percentual) do IPCA, quase metade do total. No ano, os alimentos têm inflação acumulada de 4,37%. De janeiro a abril de 2007, a alta acumulada dos alimentos era de 2,65%. Entre os alimentos, o destaque de alta foi do pão francês, que subiu 7,33%, depois de aumento de 4,24% no mês anterior. A farinha apurou elevação de 6,8%, o pão doce de 3,02%, macarrão,2,34%, e pão de forma, 1,12%.

Fonte: http://www.meionorte.com/noticias

Quem tiver acesso ao Sr. Presidente, peça que leia esse artigo... Ele diz que a Inflação ainda não voutou...
Será?

Eterno só Deus. Todo imério tem seu fim...



(Kirkpatrick Sale é norte-americano, autor de 12 livros, onde se incluem "Escala Humana", "A Conquista do Paraíso", "Rebeldes Contra o Futuro" e "O Fogo do Seu Génio: Robert Fulton e o Sonho Americano", alguns traduzidos para português no Brasil)

É um tanto irónico: após mais ou menos uma década passada sobre a ideia dos Estados Unidos como potência imperial ter sido aceite à direita e à esquerda, e de ter sido possível falar abertamente sobre um império americano, este mostra agora múltiplos sinais da sua incapacidade de prosseguir. De facto, é agora possível contemplar o seu colapso, e especular abertamente sobre ele.
Os "neocons" que presentemente ocupam o poder em Washington, que adoram falar sobre a America como o único império do mundo que sucedeu à desagregação soviética, recusarão obviamente acreditar neste colapso, tal como ignoram a realidade da guerra imperial no Iraque. Mas creio que nos cabe a tarefa de examinar seriamente as causas que fazem perigar tão drasticamente o sistema norte-americano, cuja queda provocará não só o colapso do império global mas alterará drasticamente a própria nação na sua frente interna.
Todos os impérios acabaram por desabar: Acádia, Suméria, Babilónia, Nínive, Assíria, Pérsia, Macedónia, Grécia, Cartago, Roma, Mali, Songai, Mongol, Tokugawa, Gupta, Khmer, Habsburgo, Inca, Asteca, Espanhol, Holandês, Otomano, Austríaco, Francês, Britânico, Soviético, qualquer que seja, todos caíram, e a maior parte durou poucas centenas de anos. As razões não são sequer muito complexas. Um império é um tipo de sistema estatal que, inevitavelmente, comete os mesmos erros simplesmente pela natureza da sua estrutura imperial, e falha inevitavelmente devido ao seu tamanho, complexidade, extensão territorial, estratificação, heterogeneidade, domínio, hierarquia e desigualdades.
Nas minhas leituras sobre a história dos impérios, deparei com quatro motivos que quase sempre explicam o seu colapso. (O novo livro de Jared Diamond, «Colapse», também tem uma lista de razões para o colapso das sociedades e é parcialmente coincidente, mas ele fala sobre sistemas e não sobre impérios.) Deixem-me então enumerá-los, referindo o seu contexto no actual império americano.
Primeiro, a degradação ambiental. Os impérios acabam sempre por destruír as terras e as águas de que dependem para sobreviver, sobretudo porque a agricultura e a construção crescem sem limites, e o nosso caso não é excepção, apesar de ainda não termos chegado ao nível máximo de agressão à natureza. A ciência é unânime na afirmação de que todos os mais importantes indicadores ecológicos estão em declínio desde há várias décadas: a erosão dos solos e das linhas costeiras, pesca acima do limite, deflorestação, esgotamento dos recursos hídricos e da água potável, poluição da água, do solo, do ar e dos alimentos, salinização dos solos, sobrepopulação, sobreconsumo, esgotamento do petróleo e minerais, aparecimento de novas doenças e recrudescimento das existentes, o extremar das condições meteorológicas, a fusão das neves e gelos e consequente elevação do nível médio dos mares, extinção de espécies, e a sobreutilização da capacidade fotossintética da Terra. Tal como disse E.O. Wilson, biólogo de Harvard, após uma pormenorizada observação do impacto humano sobre a Terra, "a nossa pegada ecológica é já demasiado grande para o que o planeta consegue suportar, e torna-se cada vez maior". Um estudo do Departamento da Defesa, datado do ano passado, previa "mudanças climáticas abruptas", com possibilidade de ocorrência dentro de uma década, que levarão a uma escassez "catastrófica" de água e energia, "roturas e conflitos" endémicos, um estado permanente de guerra que "definiria a vida humana", e uma "queda significativa" na capacidade do planeta para sustentar a sua população actual. Será certamente o fim do império, e poderá ser o fim da civilização.

Em segundo lugar, a dissolução económica. Os impérios dependem sempre de uma excessiva exploração dos recursos, devido frequentemente a colónias cada vez mais longe do centro, e eventualmente acabam por cair quando os recursos se esgotaram, ou se tornaram demasiado caros para toda a gente à excepção de uma elite. Esse é precisamente o percurso em que nos encontramos; o peak oil (pico de extracção do petróleo), por exemplo, foi largamente previsto ocorrer no próximo ano, ou daqui a dois anos, e a nossa economia está inteiramente construída num sistema frágil em que o mundo produz, e nós consumimos (os produtos fabricados nos EUA são apenas 13 por cento do nosso PIB). Neste momento temos um déficit na balança de pagamentos com o resto do mundo na ordem dos 630.000 milhões de dólares; cresceu uns incríveis 500.000 milhões desde 1993, e cresceu 180.000 milhões desde que Bush chegou a presidente em 2001. Para conseguir pagar isto, devíamos ter uma entrada de dinheiro vinda do resto do mundo na ordem dos 1.000 milhões de dólares por dia, e durante os últimos meses esse valor tem andado em cerca de metade. Este tipo de excesso é simplesmente insustentável, sobretudo se pensarmos que o outro império do mundo, a China, que é crucial para o suportar, contraíu empréstimos ao tesouro dos EUA no valor de 83.000 milhões de dólares.
Acrescente-se a isto uma economia assente num déficit do orçamento Federal de quase 500.000 milhões de dólares, que faz parte de um débito nacional total que, no final do último ano, tinha o valor de 7,4 biliões, e a contínua sangria da economia pelos militares de, pelo menos, 530.000 milhões por ano (sem contar com a espionagem militar, cujos números nunca saberemos). Ninguém acredita que isto seja igualmente sustentável, por isso é que o dólar perdeu o seu valor por todo o lado - 30 por cento contra o euro desde 2000 - e o mundo perdeu a confiança no investimento feito aqui. Eu prevejo que, dentro de poucos anos, o dólar se deprecie tanto que os países produtores de petróleo deixarão de querer transaccionar nesta moeda e se voltarão para o euro, e a China deixará o yuan flutuar contra o dólar, o que tornará esta nação falida e sem poder, incapaz de controlar a vida económica dentro das suas fronteiras, e muito menos fora delas.
Em terceiro lugar, o sobre-esforço militar. Os impérios, porque são por definição colonizadores, são sempre forçados a estender o seu alcance militar cada vez mais longe, e a aumentá-lo contra um número crescente de colonos descontentes, até os cofres ficarem vazios e as linhas de comunicação demasiado extensas; as tropas tornam-se ineficazes, a periferia resiste e acaba por se revoltar. O império americano, que se tornou global bem antes de Bush II, tem hoje 446.000 soldados activos em mais de 725 bases conhecidas (mais um número desconhecido de bases secretas), em pelo menos 38 países à volta do mundo, a que se acrescenta uma "presença militar" formal em nada menos do que 153 países em todos os continentes à excepção da Antártida, e a quase uma dúzia de frotas completamente artilhadas em todos os oceanos. E por falar em demasiada extensão: os norte-americanos são menos de 5 por cento da população mundial. E agora que Bush declarou uma "guerra ao terror", em vez de uma mais exequível guerra à Al-Qaeda, os nossos exércitos e agentes estarão num campo de batalha universal e permanente que não se consegue controlar ou conter.
Até agora essa rede militar não tombou mas, como se vê no Iraque, está posta à prova e mostra-se incapaz de levar a parcerias que façam o que lhes é pedido, ou que protejam os recursos de que necessitamos. E à medida que um sentimento anti-americano continua a espalhar-se e a escurecer nos países muçulmanos e numa grande parte da Europa e da Asia, à medida que cada vez mais países recusam os "ajustamentos estruturais" que a nossa globalização via-FMI necessita, torna-se provável que a periferia do nosso império comece a resistir ao nosso domínio, militarmente se necessário. E, longe de termos capacidade para combater duas guerras simultaneamente, como o Pentágono esperava em tempos, tem-se provado que não conseguimos vencer sequer uma.
Em último lugar, as divergências e convulsões internas. Os impérios tradicionais acabaram por ruír por dentro ao mesmo tempo que eram atacados pelo exterior; mas até agora o nível de discordância dentro dos EUA não atingiu o ponto de rebelião ou secessão, graças não só a uma crescente repressão das divergências, a uma escalada do medo em nome da "segurança da pátria", como ao sucesso da nossa moderna versão do "pão e circo", uma combinação única de entretenimento, desporto, televisão, jogos e sexo por internet, consumismo, drogas, álcool e religião, que amortece eficazmente o público num estado de estupor. Mas a táctica da administração Bush II mostra que receia tanto a expressão de divergência popular, que está disposta a desafiar e ignorar direitos ambientais e civis, grupos progressistas, a subornar comentadores para espalhar a sua propaganda, a incrementar a vigilância e invasões de privacidade, a usar guerrilha partidária e golpes de bastidores para espezinhar a oposição do Congresso, a usar mentiras e ilusões como uma forma normal de governação, a quebrar leis e tratados internacionais para a obtenção de resultados de curto-prazo, e a usar a religião como uma capa para todas as políticas.
É difícil crer que a grande massa do público americano alguma vez se agite para desafiar o império internamente, antes das coisas ficarem muito, muito piores. Este é afinal o público em que, conforme uma sondagem Gallup revelou em 2004, 61 por cento acredita que "a religião pode responder a todos ou quase todos os problemas de hoje", e segundo uma sondagem Time/CNN de 2002, 59 por cento acredita no apocalipse iminente anunciado no Livro da Revelação e toma cada ameaça ou desastre como uma evidência da vontade de Deus. E no entanto, é também difícil de acreditar que uma nação tão profundamente corrompida como esta (em todas as suas instituições fundamentais, nos seus partidos comprados, academias, corporações, corretagens, contabilidades, governos) e assente numa base social e económica de intoleráveis desigualdades de rendimento e propriedade, tornando-se progressivamente mais desigual, consiga sustentar-se por muito mais tempo. As ondas do debate sobre secessão, depois das últimas eleições, alguns dos quais eram efectivamente sérios e levaram à organização de grupos na maioria dos estados "azuis" (democratas), indicam que pelo menos uma minoria está disposta a pensar em medidas drásticas para "alterar ou abolir" um regime com o qual não concordam.
Estes quatro processos pelos quais os impérios acabam sempre por cair, parecem-me em curso, em fases variáveis, neste último império. E penso que a combinação de vários, ou todos eles, provocarão o seu colapso em cerca de 15 anos.
O recente livro de Jared Diamond, que se debruça sobre as formas de colapso das sociedades, sugere que a sociedade americana, ou a civilização industrial como um todo, uma vez consciente dos perigos do sua direcção actual, pode aprender com os erros do passado e evitar o seu destino. Mas isso nunca acontecerá, e por uma razão que o próprio Diamond entende.
Como ele diz, na sua análise da sociedade nórdica da Gronelândia que se extinguiu no início do séc. XV: "Os valores a que as pessoas se apegam mais obstinadamente nas condições mais desadequadas, são aqueles valores que eram anteriormente a fonte dos seus maiores triunfos sobre a adversidade". Sendo assim, e os seus exemplos parecem prová-lo, então podemos isolar os valores da sociedade americana que foram responsáveis pelos seus maiores triunfos e sabemos que nos agarraremos a eles aconteça o que acontecer. Eles são uma mistura de capitalismo, individualismo, nacionalismo, tecnofilia e humanismo (significando o domínio do humano sobre a natureza). Não há nenhuma hipótese em que, por mais grave e óbvia que seja a ameaça, como sociedade, abandonemos esses valores.
Por isso não há qualquer hipótese de fugir à queda do império

CAI MAIS UM IMPÉRIO AMERICANO



A maior rede norte-americana de fast-food, McDonald´s, entrou em concordata. Segundo o presidente do grupo, a decisão foi tomada com base em levantamentos e estudos de estatísticas, que apontaram uma queda significativa das vendas em todo o mundo, inviabilizando assim a continuidade das atividades da rede.
As dívidas do grupo já ultrapassaram a casa dos 2 milhões de dólares. Credores entram na justiça, pedindo abertura de falência, o que forçou a presidência a pedir concordata.
Sergio Alonso, Presidente McDonald´s no Brasil, disse em entrevista no Terraque já começou a providenciar a paralização das lojas no Brasil.
Fonte: Redação Terra

OBS>>>>

Essa matéria foi do dia 19/04/2007. Estamos em Julho de 2008 e a McDonald´s continua ajudando o mundo a ter mais obesos...
Tem até uma propaganda nova que é: Experimente o sabor da China no McDonald´s

Temos que ler a mesma matéria em várias fontes... Nem a mídia no Brasil é totalmente de confiança.... heheheheh

Burro é a mãe!



Já percebeu que o ser humano tem mania de criticar tudo que vê pela frente?

Criticamos deputados, Congresso, CBF, obra na estrada, comida servida com uma pitada de sal a mais, roupa amarrotada do colega de trabalho.

Vivemos num estado de crítica ambulante. Um coma profundo. Nosso olhar não falha, nossa língua denuncia. Alguns liberais de esquerda, ou mesmo escritores de vanguarda, vêem isso como apogeu do homem moderno.

“Penso, critico, logo existo”, exclamariam. E a crítica, a torto e a direito, sacramentada como sabedoria e exercício da plena democracia.

Pura bobagem, conversa fiada.

Já pensou, também, que a maioria das coisas que criticamos não faz parte da nossa experiência comum? Criticamos tudo que está distante, fora do nosso raio de ação.

Criticamos os deputados, mas não fazemos a mínima idéia do que se trata a Constituição Brasileira (tudo bem, muitos deles também não fazem). Criticamos a CBF sem ter lido sequer um artigo da Lei Pelé.

Somos leigos. Somos cegos. Mas vemos tudo, de forma clara e simplista, como se o mundo fosse manipulável ao estalar dos dedos.

Bem-aventurados aqueles que criticam e, logo em seguida, propõem soluções concretas e milagrosas. De forma simples, aqueles que criticam e dão o seu jeitinho de fazer melhor.

E, convenhamos, essas figuras humanas andam em falta, em extinção. Ou você acha, por exemplo, que todas as 50 mil pessoas de um estádio seriam capazes de dirigir uma Seleção Brasileira sem falhar, sem empatar, sem perder?

Não, eu não acredito. A voz do povo nunca foi nem nunca será a voz de Deus.

Mas se você acredita, quem sou eu pra lhe criticar. Vá ao estádio, siga em frente, proteste, chame de “burro” o treinador da Seleção. Afinal, “você paga ingresso”, não? Tem todo o direito de fazer o que quiser.

Porém, me aguarde. O dia em que mandarem o burro pastar e chamarem você para substituí-lo, serei o primeiro a puxar o cabresto.

Pois não duvido que, no seu primeiro coletivo, o goleiro seria improvisado na lateral, enquanto o quarto zagueiro faria a armação. Seu animal!

(Fique calmo! Essa crítica não foi pra você...)

Os EUA e o Golpe de 1964



A ditadura militar no Brasil deixou um saldo de mais de três mil pessoas desaparecidas e milhares de sequelados pelas torturas operadas nos subterrâneos do DOI-CODE. O golpe durou duas longas décadas, com direito a mais cinco anos de extensão sob o comando civil de José Sarney, que teve a vida política durante o regime ditatorial pautada pela simpatia aos militares.

Os generais que chegaram ao poder na calada da noite do dia 31 de março para 1º de abril de 1964, interromperam um projeto de governo comandado por João Goulart que prometia mudanças mais que almejadas pela sociedade brasileira de então. O basta ao entreguismo estava decretado e a tão esperada (até os dias de hoje) reforma agrária caminhava em rumos e direções bem definidos. A despeito do populismo, Jango fazia de fato um governo pró-povo, o que metia medo e ameaçava a elite ultra-convervadora da época. Apoiados pelo contarolar das carolas, incentivadas pela ala podre da Igreja, financiados e organizados pela CIA, os carrascos da história triste do Brasil chegaram ao poder armados até os dentes, mas sem necessidade de muitos disparos. Os chumbos foram economizados para os anos seguintes. E haja chumbo...

O pretexto foi o mesmo que ajudou os EUA a implantar governos a seu serviço em quase todos os paises da América Latina: o comunismo que avançava da ásia em direção à terras que só eles queriam dominar. E onde quer que pretenderam meter o dedo, encontraram vassalhos dispostos a colaborar.

Os vinte anos de ditadura no Brasil caracterizaram-se por total supressão de liberdade da populção, perseguições políticas e censura aos meios de comunicação. O país foi governado por decretos e o congresso servia apenas de detalhe decorativo. Com Costa e Silva, a partir de 1967, configurou-se o "golpe dentro do golpe", sobretudo com a promulgação do AI 5 em 13 de dezembro de 1968, medida mais dura do regime que visava silenciar de todo as vozes que denunciavam as arbitrariedades dos bandoleiros fardados, então comandantes supremos da nação.

A virulência do AI-5 determinava entre outras infâmias, que:

¬ O Congresso seria fechado por tempo indeterminado;
¬ O governo poderia legislar por decretos;
¬ Ficaria proibido qualquer reunião pública;
¬ Seriam suspensos habeas corpus para "crimes políticos".

Além de que, trazia em seu bojo também a cassação dos direitos políticos de centenas de pessoas.

Lyndon Johnson, presidente norte-americano na época, trama com seu sub-secretário de Estado o Golpe Militar no Brasil em 1964.
Um dos momentos mais bizarros dela se dá quando Johnson, que não parece aceitar um resultado que não seja a derrubada do governo brasileiro, pergunta ao assessor quantos são os estados no Brasil. O assessor consulta o assessor do assessor e responde 19, depois muda para 21, depois diz que não importa, os estados mais importantes estavam com eles (Guanabara de Carlos Lacerda, São Paulo de Adhemar de Barros e Minas Gerais de Magalhães Pinto, o homem do guarda-chuva do Banco Nacional, um dos primeiros patrocinadores do Jornal Nacional).

Ele continua..

Os assessores de Johnson acreditavam que o Brasil estava a caminho de se tornar um país comunista em pleno quintal americano. (…) O que ninguém te conta é que Johnson concorreria à reeleição naquele ano, tinha herdado o poder depois do assassinato de John Kennedy e a Guerra Fria corria solta. Johnson queria se eleger presidente, como qualquer outro político faria. Qual era o maior risco para ele - e continua sendo para qualquer presidente americano? Ser taxado de fracote, de molenga com o “inimigo”, seja ele Fidel Castro, bin Laden, Hugo Chávez ou o Zebedeu.

E termina…

Johnson deu gás à guerra do Vietnã, o que em 1968 custaria a ele a carreira política. Mas, quando recebeu a chamada, estava de olho em seus financiadores de campanha e queria evitar a qualquer custo a acusação de “perder” o Brasil para o bloco soviético. Johnson, é óbvio, conhecia o Brasil de “ouvir dizer”. O negócio dele era a reeleição.

A ditadura no Brasil teve vida longa, perdurou por tanto tempo quanto necessário para deixar a nação debilitada e impotente para transformações. As sequelas estão vivas, ainda que em menor intensidade, mas vivas, até os dias de hoje. E não poderão jamais serem esquecidas. Relembrar o passado e conhecer a história, é o motor de combustão para mudanças!

Ditadura nunca mais! Tortura nunca mais! Saúde e paz para todos!

Fontes:
http://www.tipografiavirtual.blog.br/post.asp?cm=301
http://www.nocaso.org/?cat=10

O país de 1º mundo do Lula, lá...



Uma pesquisa encomendada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) em Brasília, revela o perfil dos moradores de rua brasileiros. Os pesquisadores escolheram cidades com mais de 300 mil habitantes e saíram a campo entrevistando moradores de rua com mais de 18 anos de idade. A principal conclusão do estudo é que as pessoas em situação de mendicância são em sua maioria homens alfabetizados e jovens, que abandonaram suas casas por problemas com álcool ou drogas ou por terem perdido o emprego.Uma equipe formada por 1.479 pesquisadores e assistentes sociais saiu a campo para entrevistar pessoas que habitam calçadas, praças, rodovias, parques, viadutos, postos de gasolina, praias, barcos, túneis, depósitos e prédios abandonados, becos, lixões, ferro-velho ou que pernoitam em instituições como albergues e abrigos. No total, foram ouvidos 31.922 pessoas, espalhados por cidades médias e por quase todas as capitais brasileiras, com exceção de São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre. Cada entrevistado respondeu a um questionário com cerca de 20 perguntas. A análise dos dados recolhidos revela que 82% da população de rua é formada por homens. Mais da metade (52%), têm entre 25 e 44 anos de idade. Quanto à raça, 39,1% se declararam pardos, 29,5% se disseram brancos e 27,9% se identificaram como negros. Do total de indivíduos pesquisados, 48,4% estão fora de casa há mais de dois anos. Dois em cada três (69,6%) dormem na rua, enquanto 22% costumam dormir em albergues ou outras instituições. Outros 8,3% costumam alternar, ora dormindo na rua, ora dormindo em albergues.Surpreendentemente, as pessoas em situação de mendicância se revelaram escolarizadas. Do total, 74% sabiam ler e escrever e quase a metade (48,4%) disseram ter completado o ensino fundamental. Os principais motivos pelos quais essas pessoas passaram a viver e morar na rua se referem aos problemas de alcoolismo e/ou drogas (35,5%); desemprego (29,8%) e desavenças com familiares (29,1%).


A pesquisa põe em xeque a noção de que moradores de rua são pessoas que abandonaram suas cidades de origem e não mantêm nenhum vínculo familiar. Uma parte considerável (58%) se disse originária da mesma cidade em que se encontra (58%) ou de locais próximos. E mais: 51,9% dos entrevistados afiramaram possuir algum parente que residindo na mesma cidade onde se encontram.Entre os que já moraram em outras cidades, 45,3% se deslocaram em busca de novas oportunidades de trabalho. O segundo principal motivo foram as desavenças familiares (18,4%).Questionados sobre o que fazem para sobreviver, 70,9% dos entrevistados disseram exercer alguma atividade remunerada. Apenas 15,7% revelaram que a sua principal fonte de renda são as esmolas. Quanto ao tipo de atividade exercida, os moradores de rua pesquisados se dividem em catadores de materiais recicláveis (27,5%), flanelinhas (14,1%), trabalhadores da construção civil (6,3%), limpeza (4,2%) e carregador/estivador (3,1%).Como se pode imaginar, os níveis de renda dessa parcela da população são baixos. Mais da metade dos moradores de rua entrevistados (52,6%) disseram ganhar entre R$ 20 e R$ 80 por semana. A grande maioria (88,5%) disse não receber qualquer benefício de órgãos governamentais, tal como o Bolsa Família. Um em cada cinco entrevistados disse que não consegue se alimentar todos os dias, por falta de recursos financeiros. Mas quatro em cada cinco afirmaram conseguir fazer pelo menos uma refeição por dia.Boa parte das pessoas em situação de mendicância utiliza os serviços de saúde pública, como hospitais e postos de saúde. Nessas ocasiões, 75% deles possuem pelo menos algum documento que comprove a sua identidade. A maioria tem carteira de identidade (58,9%), certidão de nascimento ou casamento (49,5%) e CPF (42,2%). A pesquisa reevelou que os moradores de rua em geral são pessoas saudáveis. Apenas um terço deles afirmou ter algum problema de saúde. A doença mais freqüente é hipertensão (10,1%), seguida por problemas psiquiátricos (6,1%) e HIV/aids (5,1%). Questionados sobre que tipo de discriminação sofrem por viver em situação de rua, os entrevistados disseram que freqüentemente são impedidos de entrar em certos locais, tais como lojas, shopping centers e meios de transporte coletivo.Com base nos dados levantados nessa pesquisa, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome diz que pretende elaborar políticas públicas para lidar com o problema da mendicância. A idéia é estabelecer um plano nacional para ajudar as cidades médias e grandes a combaterem o problema, e quem sabe reintegrar essas pessoas à sociedade. Em cada uma das 71 cidades pesquisadas, o total de pessoas em situação de rua gira em torno de 0,061% da população local.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/04/29/ult23u2075.jhtm

O Hábito da Boa Leitura



Sim, a leitura é um hábito saudável, gratificante, mas acima de tudo é através do conhecimento que o homem passa a ter uma melhor compreensão do mundo e da vida.

"na rua onde morava havia uma farmácia e uma livraria ... as pessoas iam na farmácia comprar frascos de saúde ... e depois iam ao lado pra comprar a liberdade!" (pedro bandeira)
Mass, e os leitores sabem disso, está muito difícil ($$$) adquirir livros. Uma boa alternativa são os livros através da internet, seja baixando em pdf ou utilizando os polêmicos e-books.

Eu recomendo os sites reconhecidamente de obras de domínio público, onde temos a segurança de não estar desrespeitando nenhum direito autoral, como por exemplo o domínio público , do governo federal (o acervo é bem grande, já baixei várias obras completas de Eça de Queirós)

Outro site bem legal é a casa do bruxo . Além de vários textos em html de escritores e poetas famosos (uma preciosidade é O Corvo, de Edgar Alan Poe, com traduções por Machado de Assis e por Fernando Pessoa), disponibiliza também obras completas para download.

Julho 09, 2008

Armados e Perigosos


Nos últimos meses, a ONU vem enviando pedidos de explicação ao governo brasileiro sobre assassinatos e suspeitas de envolvimento de agentes de segurança público. Mas nem todas as solicitações são respondidas. Na entidade, os especialistas não escondem a preocupação com o volume de homicídios no País e principalmente com o fato de muitos crimes permanecerem impunes.
O relator da ONU, de origem australiana, quer agora avaliar até que ponto o sistema judicial no País é capaz de evitar essas mortes, muitas delas cometidas por agentes de segurança ou por milícias que não são punidas. Alston é conhecido por ser um dos principais especialistas em direitos humanos no sistema da ONU e é professor de direito na Universidade de Nova Iorque.
Segundo as Nações Unidas, Alston irá se reunir com "todos os atores da sociedade" no Brasil, incluindo as Forças Armadas, funcionários de prisões, representantes da Polícia Militar e da Polícia Civil. Alston visitará ainda o Supremo Tribunal Federal, governadores e membros do Congresso. O relator também estará com vítimas da violência no País.
O governo garante que irá permitir que o relator entreviste todas pessoas que desejar. Mas Brasília está preocupado com a segurança das testemunhas que conversarão com Alston. Isso porque, há três anos, uma das testemunhas que conversou com a então relatora da ONU, Jina Jilani, acabou assassinado depois de revelar à missão internacional informações sobre autores de crimes.
O resultado da investigação será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU nos próximos meses. "Como resultado da visita, Alston irá relatar ao Conselho de Direitos Humanos sobre o cumprimento das obrigações do Brasil em termos de direitos humanos e fará recomendações com o objetivo a de tornar as medidas de prevenção mais efetivas", afirmou um comunicado da ONU.

Fonte: http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid74601,0.htm

E Lula lá, ainda tem a ousadia de dizer que ao final do seu mandato, o Brasil será um país de primeiro mundo... primeiro na violência né Sr. Presidente?
Esse cara vive no mundo da lua....
Nos últimos dias o Brasil assistiu indignado ao insano ataque da polícia que matou uma criança de 3 anos; O desaparecimento de uma engenheira de apenas 24 anos e a morte de 3 jovens por traficantes que foram entregues por quem deveria dar-lhes segurança.
Que praís de primeiro mundo é esse Sr. Presidente, onde a polícia se confunde com o bandido???
Antes fosse só a polícia, mas em todos os meios encontramos a corrupção e a bandidágem...
Que país é esse?

Julho 02, 2008

Como detectar sintomas de depressão ou stress nos filhos?


Para os pais, muitas vezes é difícil admitir que o filho tem problemas, mas os distúrbios podem surgir independentemente da competência na criação. Se um problema está instalado, cabe aos pais ajudar o filho a buscar respostas para os sintomas de sofrimento. "Fazer isso significa também planejar o futuro e, conseqüentemente, diminuir ou neutralizar a carga de stress frente às incertezas do futuro", diz Vera Zimmermann, professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, onde coordena o ambulatório do Centro de Referência da Infância e Adolescência.
Os pais podem ajudar o filho a buscar sentido no próprio comportamento e nas expressões afetivas. Se, por exemplo, a criança agride alguém, é importante questionar e buscar o motivo da raiva, para descobrir relações de causa e efeito. Em situações mais dramáticas, a conversa também é o melhor caminho. Em caso de morte, por exemplo, é preciso não ignorar o fato e ser claro, mas com suavidade. "Não adianta dizer que o familiar que morreu foi para o céu. É preciso explicar que acabou e se solidarizar com a criança", explica Maria Cecília Corrêa de Faria, psicanalista, professora da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Questões cotidianas, como a troca de escola ou de uma babá que já acompanha a criança há bastante tempo, também requerem sensibilidade, por se tratar de um tipo de perda. Até os quatro anos, a troca deve ser feita com cuidado especial, recomendam os especialistas. Uma sugestão é que, em vez de depreciar os serviços ou o caráter da babá (mesmo que esse seja o verdadeiro motivo), os pais expliquem que ela deixou a casa porque tinha outros planos familiares.
Especialistas apontam que é cada vez mais freqüente o surgimento de crianças estressadas por causa de agendas carregadas de compromissos que nem sempre espelham os desejos dos filhos, e sim dos pais. A cobrança de desempenho acaba se refletindo na intenção de preparar os filhos o quanto antes para os desafios práticos da vida adulta. A infância passa a ser encarada pelos pais apenas como uma fase de preparação para as metas de um adulto, em vez de ser um período que deve ser aproveitado plenamente. Uma agenda lotada de cursos extracurriculares, que não estejam alinhados com o perfil e desejo da criança, pode acabar tendo um efeito estressante. Ainda que a grade escolar seja em tempo integral, é preciso que a criança tenha tempo para brincar e afinar os laços familiares para desenvolver confiança, senso de limites e autoridade, mas sem autoritarismo.
Identificar quando uma criança está enfrentando problemas não é fácil. Nem todas conseguem verbalizar o motivo de seu estado de espírito. O sofrimento psíquico tende a ser revelado na conduta, com isolamento ou hiperatividade, ou sob a forma de sintomas psicossomáticos, como infecções sistemáticas. Por outro lado, uma criança que está se desenvolvendo bem brinca, tem interesse em relacionar-se com as pessoas da família e, posteriormente, com outras, demonstra curiosidade e costuma ser produtiva, sobretudo para conseguir valorização e desenvolver a auto-estima. Choro freqüente sem motivação clara, falta de concentração nas atividades, irritação, tristeza e problemas persistentes de sono e alimentação são sinais de alerta para crianças entre zero e três anos. Nessa idade, a criança que não responde à comunicação, nem busca a atenção dos adultos, pode estar sinalizando manifestações depressivas ou de stress.
A partir dos três anos, os sintomas preocupantes estão relacionados com o interesse na socialização. A criança pode resistir a criar novos vínculos, não ter vontade de brincar ou explorar os ambientes que freqüenta. Nessa fase, os medos que já tinham sido superados, como de animais, costumam retornar e o desenvolvimento físico e psicomotor também pode ser afetado. Após os seis e até os nove anos, o aprendizado é o canal mais claro de manifestação de problemas, sendo o desinteresse em aprender e a dificuldade na alfabetização os principais avisos. Nesse período pode ocorrer também resistência em aceitar limites colocados por adultos e regras em brincadeiras, além de dificuldade para interagir com colegas. Dos nove aos 12 anos, quando já há mais independência sobre as tarefas diárias, a criança pode demonstrar pouca autonomia na rotina, seja em casa ou nas atividades escolares. Além disso, pode haver mais dificuldade para relacionar-se com os amigos e desinteresse em conhecer novos colegas. Timidez em excesso ou arrogância também permeiam as relações em geral. Nessa época, distúrbios alimentares, em especial a obesidade, podem ser notados.
Na adolescência, quando a busca pela própria identidade e independência é mais forte, a atenção dos pais deve ser redobrada, pois é mais difícil identificar até onde as reações são típicas do período e a partir de que ponto são sintomas patológicos. Nessa fase é importante ficar atento a tendência de isolamento constante e a fuga de situações em que é preciso assumir posições sobre assuntos ou fatos do cotidiano. O jovem não defende opiniões e evita conflitos necessários. Por outro lado, pode reagir com agressões físicas e verbais constantes, sem justificativas válidas, e demonstrar intolerância excessiva com frustrações. O abandono das tarefas e o fracasso escolar, sem que tenha havido uma substituição de interesses, também é um sinalizador. Se, por exemplo, o jovem vai mal na escola, mas, em contrapartida, mostra dedicação em outra área de competência como esportes, o fato é menos preocupante do ponto de vista médico. Pode ocorrer ainda uma preocupação excessiva, ou uma absoluta indiferença, a respeito da profissão que pretende seguir, além de dificuldade permanente em conseguir administrar o estudo com atividades cotidianas como namoro e encontros com amigos e familiares. É bom lembrar que em cada uma das fases é necessário considerar a intensidade e a persistência dos sintomas para saber se há de fato um problema a ser resolvido. Na dúvida, é indicado conversar com um especialista.

O sistema educacional na Alemanha



A estrutura do sistema de ensino da Alemanha difere muito da brasileira. Cada Estado tem autonomia sobre o seu sistema educacional que, dentro dos 16 Estados alemães, pode variar muito. A obrigatoriedade escolar, todavia, começa aos seis anos para toda a Alemanha.

Toda criança a partir dos 3 anos de idade tem, por lei, seu lugar garantido no jardim da infância (Kindergarten). Normalmente, o jardim da infância é mantido pelos pais, que pagam uma mensalidade de acordo com o rendimento familiar, independente se o estabelecimento é público ou privado. Muitos deles são mantidos por igrejas e/ou iniciativas particulares que, nas cidades pequenas, exercem grande influencia sobre a comunidade.

Para garantir um lugar no jardim da infância perto de sua residência, o governo aconselha aos pais a iniciarem a procura meses antes da época da criança começar a frequentar as aulas.

Alguns Estados oferecem às crianças um ano de preparação para o ensino fundamental, isto é, através de brincadeiras educativas, a criança aumenta seu conhecimento da língua alemã para a sua iniciação na escola (Grundschule).

Uma curiosidade no primeiro dia de aula do ensino fundamental, é a Schultüte, um cone colorido cheio de presentes e doces para.as criancas. O gesto incentiva a ida para a escola e ajuda a tornar o primeiro dia de aula mais prazeroso.
As escolas alemãs no Brasil também seguem esse costume. A tradiçao é fortemente passada para os alunos que em muitos casos são filhos de expatriados alemães que moram principalmente em São Paulo. As escolas oferecem salas separadas para o aprendizado em alemão e em português.

Ensino fundamental (Grundschule) – O ensino fundamental na Alemanha é público, gratuito e tem duração de quatro ou seis anos, dependendo do Estado. Em sua maioria a criança frequenta o “curso primário” da primeira à quarta série, sempre meio período. Recentemente, voltou a ter destaque na mídia alemã a discussão sobre modificar das 7:00 para 9:00 horas o horário de início das aulas para que as crianças apresentem um melhor rendimento.
O ano letivo na Alemanha, diferentemente do que ocorre no Brasil, tem início em agosto.

Escolas secundárias e ensino médio - Ao encerrar o ensino fundamental, as crianças começam a ser orientadas para sua vida profissional e são encaminhadas para as chamadas escolas secundárias. A decisão da melhor opção de escola secundária é tomada pelos professores juntamente com os pais, de acordo com o desempenho da criança no ensino fundamental. A opção da escola pode ser, se necessário, modificada.

As escolas secundárias são de três tipos: Hauptschule, Realschule e Gymnasium.

Na Hauptschule, os alunos recebem uma formação geral básica que normalmente tem duração de cinco a seis anos. Após sua conclusão, o aluno está habilitado a frequentar um curso nas escolas profissionalizantes (Berufschulen), para exercer um ofício na indústria ou na agricultura.

A Realschule, assim como a Hauptschule, também oferece uma formação geral básica, com a diferença de habilitar aos cursos mais adiantados nas escolas profissionalizantes. Normalmente tem duração de seis anos.

O Gymnasium, que tem duração de nove anos, propicia uma formação mais aprofundada. Concluindo o Gymnasium, o aluno podera obter o certificado chamado Abitur, que habilita o jovem a frequentar um curso em uma universidade de sua escolha, de acordo com suas notas. Isto é, os alunos com as melhores notas têm preferência nas faculdades e nas escolhas de profissões mais especializadas, como por exemplo, medicina. O sistema de notas nas escolas alemãs é bem diferente em relacão ao Brasil: As notas variam de 1 a 6, sendo 1 a melhor nota.
O diploma Abitur pode ser comparado ao Vestibular brasileiro.

Nas escolas profissionalizantes (Berufschulen) o jovem é preparado para o exercício de uma profissão oficialmente reconhecida. A formação teórica se dá na escola através das aulas, um a dois dias por semana; a formação prática é feita no posto de trabalho (empresa ou oficina), três dias por semana. Os cursos têm duração de dois a três anos e o estágio é remunerado, sobretudo para os jovens vindos da Hauptschule e da Realschule. Há muitos casos de alunos que cursaram o Gymnasiun e possuem o diploma Abitur, que optam por uma formação deste tipo.

O sistema educacional na Alemanha, em relação ao Brasil, apresenta uma grande vantagem: o ensino gratuito. Muitos estudantes estrangeiros são atraídos pelas universidades que abrem suas portas e oferecem cursos em inglês para aqueles que não dominam o alemão. Apesar de uma decisão judicial recente permitir que os Estados cobrem taxas de estudantes nas universidades, ainda acredita-se na importância de misturar nas salas de aula, várias nacionalidades com diferentes expectativas políticas, sociais, culturais e econômicas.

A internacionalizacão do sistema de ensino alemão ainda é uma questão de grandes discussões entre acadêmicos e especialistas em educação.

Por Fernanda Burmeister

Um plano da creche ao diploma


Quais as decisões corretas para levar os filhos ao sucesso na escola? - Por Iracy Paulina

Helena Ribeiro tem 6 meses. Sua irmã, Sofia, 2 anos e meio. Quando chegarem aos 18 anos, terão pelo menos 280 000 reais cada uma para custear os estudos superiores. É que os pais das duas abriram um fundo para cada uma, onde fazem depósitos mensais de 500 reais. "No futuro, elas poderão usar esse fundo para fazer uma pós-graduação no exterior ou abrir um negócio próprio", diz o pai, o empresário Marcello Rudge Ribeiro. Ele exemplifica uma preocupação crescente nas famílias brasileiras. O número de pais que abrem fundos de previdência para os filhos tem aumentado em média 20% ao ano desde 2000, segundo Marco Antonio Rossi, diretor-presidente do Bradesco Vida e Previdência. A seguir, as respostas para essa e outras perguntas comuns sobre o planejamento da educação:
QUAIS AS OPÇÕES DE POUPANÇA PARA A EDUCAÇÃO DOS FILHOS?
A rigor, qualquer aplicação em renda fixa funciona como um pecúlio para custear os estudos – desde que os pais tenham disciplina de fazer depósitos regulares e não tocar no dinheiro diante da primeira necessidade da família. Mas existem no mercado produtos especificamente voltados para a educação dos filhos. Um deles é a previdência privada associada ao seguro-educação. Funciona como um fundo, mas com uma vantagem: em caso de morte ou invalidez do responsável, garante uma renda mensal para custear os estudos do beneficiário. O resgate se faz depois de um prazo predeterminado pelo próprio cliente, normalmente quando o beneficiário atinge os 18 anos, tanto numa única parcela quanto na forma de pensão mensal. Mas, se a família desistir da aplicação, pode fazer o resgate antes da data estipulada. Entre as instituições que trabalham com esse tipo de previdência estão Unibanco AIG, Bradesco Vida e Previdência, Itaú Vida e Previdência e Porto Seguro. Alguns colégios oferecem seguros coletivos aos pais.

O QUE OBSERVAR NA ESCOLA DOS FILHOS?
Equacionadas questões básicas, como o custo da mensalidade e a distância da casa para a escola, restam os critérios relacionados à qualidade do ensino. Um check-list básico deve incluir:
• Corpo docente ¬ Recomenda-se pedir à escola informações sobre os diplomas e títulos de seus professores, os cursos de atualização que tenham feito e também sobre a equipe pedagógica de apoio, que deve ser formada por supervisores e orientadores experientes.
• Metodologia ¬ Peça uma descrição detalhada das rotinas da escola, sobre como são preparadas as aulas e como os alunos são avaliados. Isso permite saber se sua linha pedagógica é colocada em prática ou fica só no discurso.
• Espaço físico e recursos ¬ Uma boa inspeção das instalações deve considerar: a conservação dos móveis e das salas, a existência de biblioteca variada e atualizada e de laboratórios bem equipados e em uso, bem como a atenção com a segurança, não só em relação à entrada de estranhos, mas no que diz respeito a acidentes com escadas, pisos e tomadas.

QUAIS OS CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DA FACULDADE?
• Corpo docente: uma boa faculdade exibe um equilíbrio entre professores de perfil acadêmico (que se dedicam apenas a ensino e pesquisa) e outros que atuam paralelamente no ramo em que lecionam. Consultar publicações acadêmicas e visitar empresas ajuda a pesquisar quais as universidades de maior prestígio.
• Grade curricular: conversar com alunos que já freqüentam o curso e assistir a algumas aulas pode evitar muitas decepções. "Além das disciplinas obrigatórias, um bom curso deve oferecer matérias optativas, que facilitem uma formação global do aluno", afirma Eponina Campos de Carvalho, diretora do Núcleo de Orientação Vocacional de São Paulo.
• Oportunidades de estágio: esse é um termômetro do conceito da instituição no mercado. Visite a faculdade e apure onde estão estagiando os alunos do último ano.

A CARTILHA PARA OS PAIS
1 Escola cara nem sempre é melhor
Raramente a qualidade de ensino compensa o sacrifício no orçamento
2 Deixe espaço para seu filho ser jovem
Nerd, CDF, puxa-saco... Você gostaria de ter um apelido desses?
3 Proteja-se contra imprevistos
Poupança e seguro-educação custeiam os estudos caso você não possa
4 Incentive viagens
Mas ajude os filhos a planejá-las com segurança
5 Informe-se sobre bolsas
Há centenas de oportunidades de bancar os estudos parcial ou integralmente

Profissão



Na hora de escolher a carreira, é bom se informar, planejar a longo prazo e não temer uma guinada no futuro.

Assustados, confusos, indecisos. É assim que muitos jovens se sentem na hora de escolher sua profissão, às vésperas das inscrições para os vestibulares. Aquela certeza desde pequeno do que se vai ser quando crescer não rolou. Surge o medo de não dar certo. E a angústia aperta mais diante do variado leque de alternativas de curso superior. São mais de 150 e, a cada dia, surgem novas opções de carreiras e de oportunidades de trabalho. O que fazer? Esse turbilhão de dúvidas não deve ser encarado como um problema grave. Especialistas garantem que a insegurança diante da escolha profissional é um sintoma saudável e produtivo. Com vários caminhos abertos à sua frente, o indeciso tem maiores chances de escolher melhor do que quem apóia sua certeza em fantasias. Por isso, recomenda-se que essa fase da vida seja enfrentada com tranqüilidade pelos jovens e sua família. Afinal, toda decisão pressupõe incertezas e uma dose de risco. E esse é o primeiro grande desafio do jovem diante do novo e do desconhecido.
Uma forma de diminuir a pressão é saber que essa escolha profissional não é necessariamente definitiva. Novos caminhos vão surgir durante a faculdade, o mercado de trabalho pode exigir adaptações ou uma grande guinada na carreira. "A faculdade deve ser encarada como a escolha de uma plataforma, um alicerce para a construção da vida profissional", afirma Rubens Gimael, especialista em desenvolvimento de carreira da NeoConsulting. É comum encontrar engenheiros trabalhando na área de finanças, arquitetos se dedicando à área comercial, economistas cuidando de marketing. A mudança não significa fracasso nem frustração, mas sim a aceitação de desafios que a vida vai trazendo. Escolher uma profissão representa esboçar um projeto de vida, questionar valores, as habilidades, o que se gosta de fazer, a qualidade de vida que se pretende ter. E esse momento de reflexão pode render bem mais quando é compartilhado com a família. Mas, por excesso de liberalismo, muitos pais se omitem com a desculpa de não querer interferir na vida dos filhos.
Um passo importante para o jovem indeciso é investigar, reunindo informações sobre as profissões e cursos oferecidos pelas faculdades. Há ainda a opção de buscar apoio em empresas de orientação vocacional. As transformações econômicas que atingiram o mundo de forma global impulsionaram novas e promissoras carreiras. São as profissões que envolvem inovações tecnológicas e áreas de inteligência e conhecimento. As carreiras tradicionais, como medicina, direito, engenharia, letras e administração, ainda são as mais procuradas nos vestibulares. Elas se renovaram e ganharam áreas de atuação que prometem sucesso e bons rendimentos, como o campo de biotecnologia para os advogados e o de meio ambiente para engenheiros. É bom também ficar antenado com o crescimento dos setores de serviços, lazer e entretenimento, meio ambiente e projetos sociais. Eles abriram oportunidades atraentes de trabalho para os profissionais com formação em biologia e educação física, que andavam em baixa, e valorizaram cursos que antes eram considerados de segunda linha, como relações internacionais, turismo e hotelaria.
Em meio a tantas opções, o estudante deve ficar atento a algumas armadilhas. A primeira delas é acreditar que cursar uma boa faculdade vai livrá-lo do desemprego e assegurar o sucesso profissional. Uma boa escola pode até abrir portas no início da carreira, mas vale lembrar que existem muitos profissionais em altos cargos nas empresas que não vieram de cursos de primeira linha. Para os especialistas em recursos humanos, o sucesso numa profissão depende de 30% de conhecimento e 70% de atitude. Da mesma forma, decidir-se por uma carreira apenas porque ela está em alta no mercado normalmente é o caminho mais rápido para o abandono de uma profissão. "Quem não leva em conta sua afinidade com uma carreira ao fazer uma escolha fatalmente desistirá dela quando a oferta de trabalho cair", afirma a psicóloga Renata Mello, da equipe de orientação profissional do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), de São Paulo. O cuidado deve ser redobrado em carreiras com um campo de atuação restrito e que não possibilitam ao estudante mudar facilmente de área de trabalho, como oceanografia, odontologia e telecomunicações. No fim da década de 90, a expectativa de um mercado de trabalho promissor na área de telecomunicações levou à ampliação de vários cursos, como engenharia de telecomunicações, que agora não conseguem preencher todas as vagas. Há trabalho para profissionais de nível técnico e de manutenção, mas poucas vagas para cargos de direção e gerência. Ao mesmo tempo, o jovem que já se decidiu por uma carreira não deve desistir dela por causa do temor do desemprego – fantasma que ronda todas as profissões. "Quem faz a escolha certa tem mais autoconfiança, sobressai e chega ao sucesso", diz Renata Mello, do CIEE.