Setembro 30, 2008

O Analfabeto Político



O pior analfabeto
é o alafabeto político.
Ele não ouve, não fala;
em participa dos
acontecimentos políticos.
Ele não sabe
que o custo de vida,
o preço do feijão,
do peixe,
da farinha, do aluguel,
do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e estufa o peito,
dizendo que odeia política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política,
nasce a prostituta,
o menor abandonado,
o assaltante
e o pior de todos:
que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto
e lacaio das empresas
nacionais e multinacionais.

BERTOLDO BRECHT,
poeta e dramaturgo alemão
(1898 - 1956)

Setembro 15, 2008

Eleições 2008, eu voto, mas sei votar e você?



A campanha para prefeito e vereador começou, e nos próximos meses iremos assistir a uma verdadeira maratona de atividades políticas, com a meta a ser cortada em outrubro de 2008. Será um tempo crucial, com os candidatos a tudo fazer para evitar erros, marcar a agenda dos assuntos, seduzir a imprensa, seduzir o eleitorado.
Pretendentes ao posto já os há. As eleições que se avizinham serão determinantes para o dia-a-dia em todos os municípios brasileiros. A sociedade onde vivemos é a imensa casa de todos nós. Podemos sempre mudar alguma coisa, ou pelo menos tentar. Até porque em democracia, por um voto se perde, por um voto se ganha.
Alguem me falou sobre uma pesquisa que mostrava que 70% dos candidatos são analfabetos...
Como uma criatura que não sabe ler nem escrever vai governar uma cidade ou legislar numa câmara?
Pior ainda é um cadidato assim ser reeleito e pior, não entender nada de política, não saber nem quantos anos seu município tem. É uma vergonha.
Não sem quem é pior, se o candidato ou o eleitor. Quem será mais burro e ignorante?
Eu não voto por amizade. Voto por convicção política, voto em alguem que pelomenos sja inteligente, capaz. Conheça e entenda de política.
Voto mesmo sabendo que depois de está no poder a maioria muda o discurso - como o Lula lá - e traem o povo. Mas pelomenos eu tenho a consciência tranquila de que votei em alguem que pelomenos saberá criar um projeto de Lei, que tem convicção política, que mostra um plano de governo, que temidéias pra melhorar a cidade...

Ei, psiu...
Sr. Candidato(a), o que é um projeto de Lei?
Ênio Cavalcanti

Setembro 11, 2008

Educação vem de casa


Maísa chama Silvio Santos de idoso no ar e reaviva a polêmica sobre a língua solta das crianças.

Em rede nacional, Maísa, 6 anos, não teve dúvidas: chamou Silvio Santos de idoso e arrancou gargalhadas da platéia e de quem acompanhava o programa em casa. A situação é cômica (na pele dos outros): sem pensar duas vezes, os pequenos botam a língua para funcionar e falam qualquer coisa. Resultado: pais e mães corados de vergonha.

Passado algum tempo, o vexame vira motivo de graça entre a família. Mas na hora em que acontece, a situação só acende um alerta: é preciso impor limite às crianças, evitando situações que possam colocar em risco o convívio social não só delas, mas seu também.

A publicitária Tays Mello Ricord, 23 anos, já passou por um problema desses junto ao filho Luiz Felipe, de 4 anos. Fomos almoçar na casa da minha sogra e a sobremesa era bolo de chocolate, que o Felipe adora. Mas, depois da primeira garfada, ele berra que o bolo estava horrível. Eu, simplesmente, não sabia o que fazer. A primeira coisa que veio a minha cabeça foi falar que ele não gostava de bolo, uma grande besteira já que todos sabiam que ele adora. Foi uma situação totalmente constrangedora .

A saia justa da recepcionista Maria Luiza de Mello, 39 anos, com o filho Guilherme, 9 anos, não foi muito diferente. No dia do aniversário de oito anos do Gui, meu cunhado apareceu sem nenhum presente. Meu não teve dúvidas: perguntou onde estava o presente, deixando o tio sem graça na frente de todo mundo. Sem saída, ele tirou dinheiro da carteira e disse ao Gui para comprar o que quisesse. Fiquei muito envergonhada, sempre ensinei que não se faz esse tipo de comentário .

Controlar as palavras da molecada é impossível, eles são imprevisíveis. Mas alguns detalhes fazem toda a diferença, um deles é conversar abertamente com as crianças como explica a psicóloga Fernanda Grimberg da clinica Luisa Catoira. Conversar bastante com a criança e explicar todas as situações e que certos comentários precisam ser evitados é necessário .

Quando o estrago já estiver feito, não é aconselhável mudar de assunto bruscamente já que isso pode traumatizar a criança e dificultar a relação dela com as outras pessoas. Chame seu filho para uma conversa em particular logo depois do comentário e explique o que houve, mostrando por que o comentário dele foi inadequado.

O cuidado ajuda a preservar a sua própria rede social, prevenindo desgostos como o enfrentado pela relações públicas Wendy de Oliveira. Confessei a uma amiga que uma das minhas vizinhas vivia falando da minha vida. Um dia, estava levando o Cauã, de 5 anos, para a escolinha e encontramos com essa vizinha. Foi a deixa: meu filho pediu a ela que parasse de falar da minha vida, que eu não gostava disso e estava muito brava com o comportamento da vizinha. Não satisfeito, ele ainda emendou com um: não é verdade, mãe?

A reação de Wendy foi negar tudo imediatamente, dizendo ao filho que as fofocas eram feitas por outra vizinha. Mas a vizinha não acreditou e, até hoje, a amizade das duas não foi retomada.

Não dá para sair falando tudo na frente das crianças, elas prestam atenção e, quando menos se espera, soltam um comentário indevido na intenção de ajudar , afirma a psicóloga. quando o incidente acontecer, no entanto, não dê muito peso. Corrija de maneira leve, sem dar muita importância. Na maioria das vezes, apenas pedir que elas não comentem é insuficiente. É preciso explicar o que é um segredo e dizer que a criança não deve partilhar aquela informação com mais ninguém, que ela é só de vocês. Para isso, não precisa apelar a um vocabulário infantilizado. Faça comparações com a rotina delas , diz a especialista.

O importante é não achar graça da situação, isso vai fazer com que a criança acredite que isso é uma coisa legal. Valores como moral e respeito são construídos na infância. Se há um comentário maldoso, por exemplo, e os pais se divertem com isso, a criança vai entender que isso está certo e os comentários tornam-se cada vez mais freqüentes , diz Fernanda.

A criança precisa entender o problema que certos comentários podem trazer. E isso só é possível quando os pais se aproximam da realidade dela , afirma a especialista. Exemplificar através de histórias é sempre uma boa possibilidade.

Setembro 10, 2008

COMPORTAMENTO VIOLENTO NOS JOVENS PODE SER GERADO POR TV, WEB E JOGOS ELETRÔNICOS



Diante da TV, aos 20 anos de idade, um jovem já teve a oportunidade de presenciar cerca de 200 mil atos de violência.No período de férias, 80% das crianças que têm acesso à televisão ou à internet utilizam mais tempo se dedicando aos programas de TV ou aos jogos interativos do que fazendo qualquer outra atividade como prática de esportes, brincadeiras ao ar livre e leitura. Com esse hábito, um jovem que chega aos 20 anos já teve a oportunidade de presenciar cerca de 200 mil atos de violência, segundo especialistas.

As crianças representam expressiva fatia do consumo familiar, daí a saturação de imagens e publicidade dirigida especificamente a esse público. Novos heróis do mundo da fantasia promovem a necessidade de consumir roupas, brinquedos e grifes. Basta observar o modo como as crianças de hoje dançam e se vestem para ter uma idéia da influência dos programas de TV.

A participação da mídia na vida das crianças e dos adolescentes é enorme. Ela forma opiniões, cria paradigmas e influencia o comportamento. Essa influência atinge a criança justamente quando ela busca um modelo a seguir por toda a vida, numa fase em que mais de 40% delas ainda não conseguem diferenciar a realidade da ficção exibida na tela.

Os jogos eletrônicos também apresentam efeitos nocivos sobre o jovem usuário. A técnica empregada em alguns deles é a mesma usada para treinamento de soldados: induz o jogador a tornar automática sua resposta violenta, privilegiando a reação dos reflexos em detrimento da atividade cerebral.

A internet é outro fator de influência no comportamento dos jovens, principalmente dos adolescentes, que constituem um grupo de risco particularmente importante, uma vez que, além de terem uma supervisão muito mais difícil, estão expostos a discussões on-line nas quais buscam relacionamentos e atividade sexual.

Para os especialistas, a Internet pode ser considerada de alto risco para a segurança da criança e do adolescente, mas a melhor forma de lidar com ela não é sua proibição. “Importante dizer que o fato de centenas de crimes serem cometidos on-line não constitui razão para impedir o acesso dos jovens à rede. Afinal, as habilidades no computador lhes serão úteis em muitas atividades no futuro. A pior coisa é a proibição”, alerta o doutor Ulysses Doria Filho, pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FMUSP e um dos colaboradores do livro Criança e Adolescente Seguros (Publifolha).

Para ele, a melhor solução é a participação dos adultos nessas atividades e, sempre que possível, coordená-las junto aos jovens. Os pais podem tomar algumas medidas de controle para que as crianças e os adolescentes não sofram com a violência eletrônica.

 Reduzir o tempo destinado a ver televisão a uma ou duas horas por dia.
 Ajudar os filhos a descobrir outras atividades, como esportes, hobbies e programas familiares.
 Conhecer os programas que os filhos vêem. Diante de cenas de sexo, abuso de drogas ou violência, ajude-os a compreender o que estão vendo, mostrando toda a extensão do problema.
 Não instalar aparelhos de TV nos quartos das crianças, e sim nas áreas de uso comum.
 Ensinar aos filhos os riscos que se corre ao usar a internet, ao marcar encontro com desconhecidos, fornecer informações pessoais, freqüentar salas de conversação etc.
 De vez em quando, verificar por onde o filho tem navegado quando está sozinho, mediante consulta ao histórico de acessos.
 Instalar softwares de controle de acesso a sites.
 Avaliar se é o caso de compartilhar o próprio e-mail com o filho.

Crianças e Adolescentes Seguros

Para amenizar os riscos de acidentes que envolvem esse público, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) reuniu 45 especialistas e criou uma espécie de bíblia da pediatria brasileira nessa área.

Lançado pela Publifolha, o livro reúne textos claros e precisos que, com o apoio de ilustrações, tabelas e testes, mostram como identificar riscos nos ambientes domésticos e externos, garantir a segurança de equipamentos e brinquedos, adotar medidas preventivas, prestar os primeiros socorros, entre outras orientações.

O título traz recomendações dos maiores especialistas da área, reunidos pela Sociedade Brasileira de Pediatria - entidade que, desde 1910 congrega mais de 20 mil pediatras de todo o Brasil. O objetivo dos autores foi preencher uma lacuna na área de educação em saúde, oferecendo aos pais e aos educadores informações e dicas valiosas sobre a prevenção de acidentes e violências contra crianças e adolescentes.

FONTE: http://www.segs.com.br/index.cfm?fuseaction=ver&cod=56155

A pobreza moral de 1º Mundo



Os países de primeiro mundo são aqueles, segundo a teoria dos mundos, que possuem forte economia e altos índices de indicadores sociais como qualidade de vida. Os de segundo mudo eram designados originariamente para os países comunistas em geral.

A mesma teoria dos mundos enquadrou nos países de terceiro mundo as nações subdesenvolvidas situadas na América latina, Ásia e África. O termo aferido oficialmente em 1955, na Conferência de Bandung, na Indonésia vem aos poucos perdendo força e adquirindo a referência de países em desenvolvimento.

Torna-se importante destacar que os países de primeiro mundo exercem um forte domínio sobre os de terceiro e estes querem em tudo imitar aqueles, sendo que nem sempre são o melhor o que surge, nos ditos, países desenvolvidos.

A Suíça, pequeno estado confederal, situado no centro da Europa, possui uma população com pouco mais de sete milhões de habitantes e uma renda per capita de US$ 49.367,00, a segunda maior do planeta, perdendo apenas para Noruega. Neste país, desenvolvido economicamente, não podemos dizer o mesmo enquanto promotor da dignidade do homem.

Subsidiado pelo governo existe na Suíça um centro de atendimento a pessoas usuárias de drogas. O local funciona como os correios. A pessoa traz o entorpecente que usa e aguarda ser chamado no painel eletrônico. Depois entra numa sala na qual se encontra todo material necessário: colher, seringa, agulha, água, ácido ascórbico (que junto com água ajuda a diluir a heroína), panos com álcool e um creme cicatrizante para as veias.

Tudo financiado com dinheiro público - isso mesmo- trata-se de um investimento do governo.

Ações como essas, infelizmente, se espalham e muitos países de terceiro mundo denominam de um conjunto de políticas públicas de sucesso. Suspiram pensando, isso sim é liberdade, sinal de um estado liberal. Mas, Será Mesmo?

É inadmissível o poder público bancar a morte de seus cidadãos. Acostumá-los ao vício e ao estado néscio.

Pedofilia

A pedofilia é antes de tudo um crime hediondo e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é considerada uma doença. No entanto, em um mundo marcado pelo pecado, assolado pela ditadura do relativismo prático, perde-se cada vez mais a noção de limite, do ético e do racional.

A Holanda, país na lista dos, segundo a teoria dos mundos, nação de primeiro mundo, cada dia mais laicizado mergulha num inverno ético tenebroso. As consciências parecem adormecidas. A noção de mal é totalmente esquecida e subjugada ao ermo.

Neste país foi consentida a criação de um partido que tem à frente três pedófilos - acusados no tribunal por vários crimes de pedofilia. Eles reivindicam baixar a idade legal para se ter relação sexual de 16 para 12 anos. A legenda NVD (numa tradução livre significa, contraditoriamente, amor ao próximo) também sustenta que:

A televisão possa exibir pornografia a qualquer hora;

Os jovens de 16 anos já possam exercer a prostituição

A nudez seja livre;

A instituição do casamento seja abolida e;

A pornografia infantil seja aceita;

A situação é tão caótica que mesmo os conservadores da Holanda consideram legal a instituição de tal partido, embora tenha como bandeira ideologias tão perniciosas.

Diante desse cenário não há como não se lembrar do versículo do livro da Sabedoria 8,14, repetido pelo fundador da Comunidade Católica Shalom, Moysés Azevedo, no Escrito, Shalom, “Como se não bastasse terem errado acerca do conhecimento de Deus, embora passando a vida numa longa luta de ignorância, eles dão o nome de paz a um estado tão infeliz.”

A humanidade está como uma árvore pesada, cheia de frutos podres. A esperança garante que esses frutos cairão e novos surgirão. A nós cabe a grave missão de semear e cuidar da parte da vinha do Senhor, o seu Reino, que nos confiada.

Não entre nesse combate os de coração tímido e entrem nas fileira os que se sabem fracos, porém apoiados e sustentados pela graça do Senhor que nos enche de ousadia, a parresia dos que empenham suas vidas na construção da civilização do Amor. Tome sua decisão, entregue sua vida, e todos, tenham coragem de nadar contra a maré.

Vanderlúcio Souza
Membro da Comunidade Católica Shalom

Setembro 07, 2008

O mundo pelos superficiais



O mundo de hoje recebeu o decalque da superficialidade. Só importa o agora, as manchetes, o que é quantitativo e não o que venha ser qualitativo. Nessa perspectiva podem-se enumerar algumas visões pouco profundas sobre pessoas e situações que nos rodeiam.

Na ótica do superficial Jesus Cristo não passa de um mero pacifista, como tantos outros, ou um psicólogo (dizem que o maior de todos os tempos), ou um administrador, um líder, diga-se, servidor. Estas análises possuem alguns resquícios de verdade, porém são incompletas.

Madre Teresa de Calcutá foi uma mulher de filantropia e, só. A diferença entre ela e a princesa Daina,nenhuma, dizem os comentários míopes.

São João da Cruz, santa Teresa de Jesus e outros místicos da Igreja são avaliados como loucos, esquizofrênicos, na linha, de algumas correntes da psicologia moderna quando, na verdade eram pessoas de profunda vida de oração e comunhão com as pessoas.

Os cristãos que hoje vivem a radicalidade do evangelho e dizem não aos contra valores são taxados de alienados. João Paulo II mesmo sendo considerado o homem do século nunca recebeu o Nobel da Paz, isso porque, não coadunava com os métodos contraceptivos artificiais.

Virtudes como a humildade, honestidade, pudor, justiça parecem soar muito mal na boca e o pior, nas ações de nossos coetâneos.

Dizem ainda os superficiais que qualquer religião serve o que importa é falar de Deus. Mas sabemos que não é bem assim. Rejeita-se acreditar em uma verdade absoluta, em Deus criador enquanto multiplica-se a crença em duendes, elementos da natureza e outras crendices primitivas, próprias do estado primitivo da humanidade.

O mais valoroso não é encontrado facilmente. É preciso descer às profundezas, enfrentar a força do empuxo. Ademais, como cristãos temos um papel fundamental na leitura profunda e madura de nossa civilização, de sua história e das personalidades que, de fato, contribuíram para sua edificação.

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por Vanderlúcio Souza, Bacharel em Filosofia, Missionário da Comunidade Católica Shalom.

Pelas limitações e deficiências, obrigado Senhor!



Dom Redovino Rizzardo, cs
Bispo de Dourados/MS

O que lhe falta para se sentir realizado e feliz em sua vida, em seu casamento, em sua profissão?» A pergunta tem sentido, pois só vale a pena viver se nos sentimos gratificados com o que somos e realizamos.
Pelo que tudo indica, para a maioria das pessoas, a resposta não é sempre alvissareira, pela sensação de carência afetiva que as leva a tentar preencher, de todos os modos, o vazio existencial que as acompanha ao longo da vida, deixando-as angustiadas e ansiosas. Um vazio existencial, fruto da própria natureza humana, limitada e precária, que afeta o inconsciente e a afetividade, gerando sentimentos ou complexos de inferioridade.


Não há como fugir: nascemos pequenos e dependentes, o que nos leva a buscar nossa realização e felicidade em algo que nos torne grandes e importantes aos nossos próprios olhos. Quando não há maturidade e discernimento, o que se costuma fazer é alimentar uma confiança, às vezes doentia e obsessiva, na carreira que se abraça, no corpo que se cultiva, no estudo que se faz, no carro que se compra, na casa que se constrói. E quando pouco ou nada se consegue - ou quando nada mais nos satisfaz -, procura-se refúgio em compensações e cai-se na depressão.
A tentação, então, é fugir de tudo o que importa sacrifício, renúncia e sofrimento. Cria-se um círculo vicioso de conseqüências desastrosas, já que a quase totalidade dos males que afligem a sociedade deriva exatamente do domínio do instinto sobre o espírito, da emoção sobre a razão. Neste processo de involução, à medida que cresce a insatisfação interior, passa-se a procurar culpados, que são sempre os outros: a sociedade, o governo, os pais, a escola, ou, então, a natureza, uma madrasta que nos cobriu de limitações e deficiências.
Mas, «para os que amam a Deus, tudo concorre para o seu bem» (Rm 8,28). Tudo, não apenas os bens espirituais, culturais e materiais - os quais, não poucas vezes, pelo egoísmo e covardia de quem os recebe, nem sempre colaboram para o seu crescimento, mas até mesmo a própria fraqueza humana. Foi a grande descoberta feita por São Paulo, que revolucionou a sua vida. Esmagado pela humilhação causada por um «enviado de Satanás que me esbofeteava, por três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Ele me respondeu: “Basta-te a minha graça: a força se realiza na fraqueza”. Portanto, com muito gosto me orgulharei de minhas fraquezas, para que se manifeste em mim o poder de Cristo. Por isso, alegro-me com as fraquezas, os desprezos, as necessidades, as perseguições e as angústias por Cristo. Pois, quando sou fraco, então é que sou forte» (2Cor 12,710).
Se alguém se lança nos braços de Deus, passa pelo mesmo processo que se verifica em seu corpo: quando os olhos perdem a visão, os ouvidos reforçam a audição; se um pulmão é extirpado, o outro redobra a atividade. É o que acontece com inúmeros santos que, graças às limitações e deficiências que carregam em seus ombros, põem toda a sua confiança no poder e no amor de Deus. E vencem de uma forma extraordinária, infinitamente mais do que seus colegas superdotados. É o caso de São João Maria Vianney. Ele tinha todas as condições para acabar derrotado: pouca cultura, inteligência medíocre, falta de cultivo social, início retardado dos estudos, últimas colocações no seminário, dificuldade de assimilar conhecimentos teóricos, aprovado todos os anos por favor, ordenado por favor e, por favor nomeado para uma paróquia que nenhum outro sacerdote aceitaria. Mas, o que lhe era fraqueza, acabou sendo a sua grandeza, a sua força, a sua vitória.
A alegria de Deus, que conhece nossas fraquezas, sobretudo aquelas de que nos envergonhamos e procuramos ocultar, é realizar sua obra-prima exatamente onde nenhum outro investiria. Ao invés de se afastar, é atraído por nossa pequenez mesclada de confiança e de humildade. É a maravilhosa experiência feita pelo salmista: «Teu amor me faz pular de alegria, pois conheces minhas aflições e as angústias de minha alma» (Sl 31,8). O abismo de nossa miséria atrai o abismo da misericórdia de Deus (Cf. Sl 42,7).
Não há nenhum motivo para nos assustar ou queixar diante das limitações, fraquezas e deficiências… se nos colocarmos confiantes nas mãos de Deus, dispostos a fazer, momento por momento, a sua vontade, mesmo quando ele permite a dor. Se assim agirmos, elas passam a fazer parte do maravilhoso plano que Deus tem a nosso respeito. Quem faz sua a morte e a ressurreição de Jesus, em todo sofrimento encontra a vida e, em todo fracasso, a vitória.
Foi esse o segredo que revolucionou a vida de Santo Agostinho, e que o levou a bradar: «Ó feliz culpa de Adão e Eva, que nos mereceu tão grande Redentor!»

Setembro 06, 2008

DOS FILHOS DESTE SOLO, ÉS MÃE GENTIL!



EM TEU SEIO, Ó LIBERDADE!
O que pensa uma criança quando está no ventre da mãe? Que planos estará traçando essa criaturinha no solitário convívio com ela mesma?

Esse é um tema bastante controverso. Mas, arrisco a dizer que, o ventre materno deve ser um mundo repleto de sons, sentidos e de sobressaltos, entremeados de puro êxtase.

Idéias e bebês traçam um paralelo interessante em nosso sentido de propriedade. Ambos são germinados, aconchegados e protegidos até seu nascimento. São misteriosos e reveladores, discretos e escandalosos, cautelosos e urgentes. São únicos, ainda que múltiplos. Mas são, sem dúvida, antes, sinônimos em seu sentido.

Gerar uma idéia, assim como á um bebê, é refazer um mesmo plano inúmeras vezes, até que pareça perfeito. E depois refazê-lo outras tantas, de maneira que a perfeição alcançada não determine seu fim.

Ambos, no espaço exíguo onde são gerados, por vezes, sentem-se incomodados, asfixiados deles mesmos. Tudo ao redor pode parecer pequeno demais e o alívio virá apenas, ao serem liberados da proteção gestacional. É hora de nascer.

Nesse processo, o fim é um começo, e por sê-lo, é confuso, assustador e mesclado de uma excitação dolorida. O que será que encontrarão? O que farão? Para onde irão?

Ao nascer, essas perguntas parecem ser respondidas imediata e inequivocamente, mas, segundos depois, tudo volta a ser confuso outra vez.

O que passa na cabeça de uma criança ao nascer? Que planos traçou essa criaturinha, agora, livre para executá-los?

Uma vez concebidos, a missão é conhecer, desvendar, desbravar mundos, pessoas, sensações, experimentar todas as caras, cheiros e recheios. Concordar com alguns, ou com nenhum.

A preocupação é acertar. Ser aceito, ser refeito, sem defeito. É a hora dos registros, das recordações. A dor, o riso, a queda, o primeiro passo, o rosto familiar e o desconhecido. É tempo de descobertas.

Num piscar de olhos, já se pode caminhar sozinho, dizer o que quer e o que não quer. Pode-se exigir e ser atendido, ou não. Mas se aprende rápido á como conseguir o que se quer.

Crescemos. Agora, somos engraçadinhos e o centro das atenções. Os rostos são cada vez mais familiares e já compreendemos cada vez mais o significado das palavras. Dos “sims” e dos “nãos”. E adivinhe? Podemos nos alimentar sozinhos. Fazemos certa lambança, é verdade, mas quem pode nos recriminar?

Algumas centenas de aventuras depois, sem aviso, pode ser que já estejamos sendo substituídos. Paira certa conspiração no ar! Quase naturalmente outros surgem roubando de nós a exclusividade, o carinho em uníssono, e muitas vezes no lugar de duas, agora serão muitas mãos desconhecidas a nos guiar quando caminhamos.

Mas afinal, tenho certa experiência, sei me defender, aprendi muitas coisas, direi confiante! Já é hora de pô-las em prática. É tempo de recomeçar, rever conceitos. Talvez me caiba até a função de orientar essa nova concorrência. Então tenho que ser forte e confiante, diria mamãe!

Várias estações se passaram. Até outro dia eu apenas gatinhava, hoje, corro livre por todos os lados, distribuo sonhos, divido conquistas, e me sinto preparado. Chegou o momento de olhar para trás e medir as perdas e ganhos. Já não sou mais o único. Fui uma idéia tão boa, que fui copiado e reinventado várias vezes.

Mas quer saber? Ainda reconheço muito dos rostos que vi ao nascer. Estão todos ali, como a me dizer: “Não desista!”. Então sigo. E descubro que sou muito jovem, mas me encarrego dos meus objetivos com a sabedoria dos anciãos.

Esse sou eu. Um sonhador! Que de tão forte e grande, precisou nascer e enfrentar o mundo. Que de tão modesto e promissor, hoje, é memória. Memória de uma meninice que nunca foi tranqüila, porque seu alimento é a euforia e a intranqüilidade de crescer num mundo hostil. Uma idéia que cresceu e, hoje, ensina que aprender é o plano.

O que passa na cabeça dessa criança levada, bisbilhoteira, valente, resistente, criativa. Sou apenas um bloco de anotações? Um banco de dados? Um receptador de lembranças que divide o “domínio.com” num grande “condomínio” de lembranças?

Um jovem ancião guardador de memórias. Isso é o que eu sou! Um louco armazenador de horas, dias, do ontem, do amanhã de todas as vidas e de todas as histórias.

Hoje tenho muitos irmãos, de fé ou não, mas irmãos. Disputamos com veemência o amor dessa mãe generosa, mas, nem sempre protetora. Desfrutamos de seus braços enormes, sem nunca aceitarmos completamente a idéia de que são grandes o bastante para acolher á todos. Ah! Essa devoção ciumenta.

Como posso, sendo tão jovem, dizer aos meus irmãos o que fazer? Sei que muitos deles nem me reconhecem como da mesma família. Mas se pudesse me fazer ouvir eu diria: Um dia, ainda em gestação, eu sonhei. Sonhei com um mundo de espaço infinito, de harmonia e emoções.

Um lugar tão amplo e seguro quanto os braços de uma mãe. Onde pudéssemos nos encolher apesar de nossa suposta grandeza, para abrirmos espaço aos outros que chegarão á todo momento, formando uma numerosa família.

Assim apertados, mas acolhidos, nos aproximaríamos do calor que nos foi prometido e sentiríamos o pulsar de cada um, num compassado enredo de possibilidades. Quando ousássemos sair e desbravar o mundo, faríamos sabendo que nunca estaríamos sozinhos. E serviríamos de exemplo aos que ainda nem nasceram. Mas que nascerão certamente.

Afinal, somos todos blogs filhos da mesma mãe. Da mesma mãe fértil: a Internet.

Fonte: http://www.quandonadaenoticia.blogger.com.br/2007_09_01_archive.html

Setembro 04, 2008

“PAI NOSSO DE CADA DIA”



Uma das coisas mais equivocadas que o ser humano já produziu, em minha opinião, foram os chamados "dias especiais": dia das mães, dos pais, dos amigos. O dia dos pais, por exemplo, é uma dessas datas que ratificam esse controverso debate.
Não conheci meu pai. Melhor falando, não me lembro dele. Ele se foi quando eu ainda era um bebê de colo. Esse “se foi” pode ser interpretado de várias maneiras já que a idéia de viver e morrer é relevante quando pensamos em ausências permanentes.

Cresci invejando minhas amigas que se gabavam da figura masculina que as levava á escola, dava o dinheiro do lanche e espantava os candidatos mais assanhadinhos. Alguns anos mais tarde, essa inveja já se atenuava quando as via reclamando que odiavam que o pai as fosse buscar na escola porque isso fazia com que parecessem menininhas mimadas. E queixavam-se de que nem sempre o pai espantava o assanhadinho certo. (hehe)

Na verdade era uma inveja infundada já que minha mãe ao menos no quesito “controle”, exercia muito bem o papel que a figura de pai havia deixado vazio em minha vida e de minhas irmãs. Mas esse era o único momento em que a víamos como “pai”. A conivência feminina sempre foi nossa forte aliada e era de onde extraíamos a vantagem de compartilharmos daquele olhar feminino amoroso que ajuda a diferenciar a “necessidade” da “vontade” de se adquirir mais um sapato.

Uma voltinha na NET e vi que a maioria dos blogs falava sobre o dia de hoje e aquela velha invejazinha veio à tona. Lembrei dos esforços de minha mãe em se tornar pai para suprir essa lacuna. Conclui que foi uma sorte ela não ter conseguido fazê-lo bem. Sempre a vi como mulher, no mais completo sentido palavra.
Por vê-la antes como mulher a palavra mãe tornou-se um objetivo em minha vida.

Um dos inúmeros exemplos que ela me deu foi que ser uma boa mãe, deveria ser apenas uma das qualidades de uma mulher. Como resultado disso, hoje, meu filho admira e se orgulha da “mulher” que sou. Consegui. Obrigada, mãe!
Assim, como diria Richard Bach, mãe e pai são apenas companheiros de jornada. E, assim como na vida, poderemos escolher em torná-los ou não, também nossos amigos.

Tive diversos “pais” na medida em que ia crescendo. Meu primeiro treinador no time de vôlei, por exemplo, foi um deles. O diretor da primeira peça de teatro profissional, um dos meus professores na faculdade de psicologia e que mais tarde transformou-se em meu terapeuta, um obstetra com quem trabalhei.... Todos eles ainda são muito presentes em minha vida.

Essas pessoinhas especiais são assim configuradas, justamente por nunca dependerem de nada para ser o que são. Minha idéia de pai, portanto, é essa. Aqueles que nos esquecemos de cumprimentar, de convidar, de despedir... Justamente porque nunca imaginamos que seria necessário fazê-lo.
São e estão porque assim deve ser. Nem nos lembramos de cumprimentar porque temos a sensação de nunca terem saído dali.. Nunca é um reencontro, é sempre um contínuo de presença. Esquecemos de convidar porque não há hipótese de que não estejam presentes. E, finalmente, às vezes não nos despedimos porque, claro, não temos intenção de partir ou de não vê-los mais.

Afortunada por nunca ter tido oficialmente um pai e, portanto, sem ter que me deixar seduzir pelo lado comercial dessa data e ao mesmo tempo, por ter tido tantos pais ao longo da vida, sinto-me avalizada para definir que:
Pai é aquele que aceita nossos erros e nos coloca a vontade para falhar onde os outros jamais aceitariam um erro porque sabem que o perdão é parte do sentimento que nutrimos...

HOJE É DIA DOS PAIS! Deixo, sem nenhuma gota de inveja ou despeito, para os que ainda buscam definir seus pais com poemas e citações extraídas de clichês, a tarefa de homenageá-los. Já que pra mim feliz mesmo é quem consegue ter, como eu, vários pais e com eles ter vivido muito mais que um almoço obrigatório de domingo, e muito mais do que um único dia especial no ano.

Fonte: http://www.quandonadaenoticia.blogger.com.br/2007_09_01_archive.html

O poder da mente!



Se você é um otimista de carteirinha , ao ler esse texto irá pensar: O que pode haver de errado no pensamento positivo?

A sabedoria popular infla o peito quando trata desse assunto. Basta uma pequena queixa e surgirão ao seu redor verdadeiros criadouros de conselhos de otimismo. Sua insatisfação é o ambiente perfeito para que esses conselhos se reproduzam numa velocidade tão surpreendente quanto inútil.

A oferta é tão diversificada e surgem de tantas direções que até já sabemos o que dizer para combatê-las: “Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia!”. Não gosto da agressividade da frase, mas sou obrigada a admitir que refletir sobre ela já é um bom começo.

Quer dizer que só tem algum valor aquilo que tem um preço? Para as ciências exatas essa é uma verdade absoluta. O preço é a valoração que damos ás coisas que estamos dispostos a adquirir ou vender. Pode ser justo, ou não, dependendo do lado que você está.

Mas, ainda que “conselho” fosse um produto, e como tal, passível de comercialização, o que determinaria seu valor de mercado? Quem estaria disposto a pagar por eles?
Esse, em geral, é o motivo de alguns processos terapêuticos falharem. Ainda há que enxergue o psicólogo como um arquivista de conselhos. Há terapeuta que se submete á esse papel. Mas, nesse caso, conselho tem preço, e nem sempre é razoável.

Pensar positivo é, antes, politicamente correto. Seria contraproducente e nada bonito, alguém aconselhar que sejamos pessimistas em alguma coisa. Mas, será possível vivermos, todo o tempo, encorajados pela possibilidade do acerto quando todas as evidências apontam para o caos?

Claro que não! Há momentos em que não enxergamos mesmo a tal luz no fim do túnel. Que não achamos nenhuma benevolência numa seqüência de insucessos. Então como um simples pensamento, pode alterar o que é, naquele momento, um fracasso incontestável?

Todos os conceitos que alicerçam as falácias humanas estão pautados na ambivalência. Não é prudente ignorar esse fato. Os pólos positivos existem a partir da existência de seu opositor. Assim, torna-se necessário que não supervalorizemos um em detrimento do outro.

Obviamente, pensar negativamente pode causar uma inércia indesejável diante de alguma atitude que mereceria um empreendimento de energia. Pode fazer, com que nem comecemos já que estaremos convictos de que não teremos êxito. Há quem diga também, que esses pensamentos além de paralisantes são como imãs energéticos.

Crenças á parte, avaliemos o outro pólo: o positivo. Ao desprezarmos as possibilidades contrárias, estaremos igualmente promovendo inércia. A diferença é que a redução de energia, nesse caso, é em função da certeza de êxito. Se for perfeitamente possível, então não precisamos desprender tanta energia. Como otimistas, seremos motivados a iniciar, mas não haverá esforço para manter, o que empreendermos.

Mas, e quanto a atração magnética, ou a popularmente conhecida “força do pensamento”? Faz parte da expectativa humana, desvendar os segredos da mente por mera especulação e sem comprovação definitiva. Ninguém, até hoje, pôde provar que é possível conseguir o que quer que seja simplesmente com a força do pensamento.

O que aumenta a possibilidade de êxito é a perseverança. Atitudes baseadas em erros e acertos, com a consciência dos pontos positivos e negativos. Assim, ao mantermos apenas os pensamentos positivos estaremos negligenciando a potencialidade da força negativa capaz de anulá-lo.

Quando uma situação parece irremediavelmente perdida, não será o bastante pensar que no fim tudo vai dar certo. É preciso avaliar a situação como uma conseqüência e sair á busca das causas para poder combatê-las com determinação. Isso exige uma movimentação bem mais ativa do que simplesmente mostrar-se otimista.

Nem muito pra lá, nem muito pra cá! Se pensarmos na vida como uma corrente de energia, é emergencial que pensemos também na bipolaridade que a compõe. Ter pensamentos negativos não vai atrair sobre você a ira de Deus, menos ainda forças maléficas. Vai, na pior das hipóteses, condená-lo à desmotivação.

Portanto, não se iluda. Pensar positivamente como único recurso terá o mesmo efeito. A diferença é que você parecerá menos chato, e mais atraente pra quem convive com você. Mas isso, de nada adiantará na resolução de seu problema.

Além disso, o esforço para manter-se afastado do “lado negro da força”, pode ser inútil ou até impossível. Pensamentos negativos são incontroláveis e cruéis porque fazem parte da nossa fantasia de vida eterna. Caminha paralelamente á todos os esforços para conter os males da existência.

A medicina, a indústria farmacêutica e alimentícia, as fábricas de cosméticos, se especializaram em combater os efeitos previsíveis do desenvolvimento físico. Igualmente, o “psicologismo” embutido nesses Manuais de Auto-Ajuda se sustenta através da difusão da crença de que podemos controlar tudo através de nossa mente.

Falta apenas, que nos ensine a não nos culparmos por isso. Quem nunca pensou, depois de ler que tristeza causa câncer, que a alegria é obrigatória? Se você já teve câncer sabe o peso que esse pensamento produziu. O que pode ser pior do que padecer de uma doença terrível, que poderia ter sido evitada, se você tivesse rido quando seu casamento acabou?

Mas, tudo bem. Já que o “pensar” é tão poderoso, você será capaz de reverter a doença sem o auxílio externo. Basta que se concentre na cura. Certo? Errado! Concentrar-se na cura irá apenas afastá-lo das medidas necessárias que podem inibir o processo. Como deixar de sentir-se culpado, por exemplo!
Em nossos pensamentos estão contidos todos nossos anseios e receios. É a fonte de onde extraímos a motivação para seguir vivendo. Não devem ser fragmentados, classificados ou coibidos. Devem seguir livres para que possamos nos atentar sobre eles.

Prestando atenção nesses pensamentos como um todo, que compreende os “bons” e os “maus”, nos damos a chance de avaliar nossa conduta e escolher, sem culpa, que direção tomar. Tudo aquilo que evitamos ou desconhecemos torna-se potencialmente nocivo.

Assim, se dê uma chance. Pense. Negativo ou positivo, mas PENSE!

Fonte: http://www.quandonadaenoticia.blogger.com.br/2007_09_01_archive.html

Setembro 03, 2008



O ser humano tem diversas facetas, e posso afirmar que é impossivel viver sem máscaras.Sei perfeitamente que isso parece loucura, mas somente parece!

Moral hoje em dia todo mundo diz que tem, mas na pratica o que a gente vê é somente individuos hipocritas por excelência.

Os mais poderosos possuem a mascara da virtude.! Passam pelo mundo afora falando sobre etica, etica que eles esqueceram em casa!. Eu achei uma forma de denomina-los; eu os chamo de " abutres da ética", porque, vivem impregnados na podridão.Podridão da busca de poder.!

Não sei onde vamos parar com essa amoralidade em que vivemos, a unica coisa que sei é que as pessoas perderam o senso de virtude e não mais mostram o que realmente são.Preferem se ocultar ao invés de revelar-se.

Todos somos atores...atuamos como queremos...temos muitas mascaras...

Mas a questão e a seguinte, porque nos ocultamos tanto?

Temos medo de que?

a resposta talvez seja a seguinte, cada individuo tem medo de descobrir aquilo que realmente é.

Fonte: http://www.textolivre.com.br/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=7135

SOMOS O QUE PODEMOS SER



Século XXI - Fomos aliciados por um país que se acostumou a ver seres humanos queimados vivos em praça pública, rodovias inteiras “pedagiadas” por quadrilhas, seqüestros e as mais diferentes formas de violência. Essa realidade torna quase obsceno falar de violências que não provocam comoções e não deixam hematomas visíveis. Violências que nunca serão tema nos noticiários.

Meus colegas psicólogos e os doutores psiquiatras midiáticos, lidam com o tema como se esses fossem apenas sintomas que compõem uma síndrome, e não o fator desencadeante da mesma. Penso que é mais que preciso abandonar o exercício da “macro-análise” do comportamento humano. Nos acostumamos a contextualizá-lo para justificá-lo. Errar não é humano. O que é característica humana é banalizar o erro para supervalorizar pequenos acertos em causa própria.

A violência cotidiana, aquela que sucessivamente vai abrindo pequenas feridas em nossa confiança é a mais nociva forma de degradação emocional. É mais velha que o mundo e nunca é combatida. Não mata, não sangra, não deixa marcas visíveis, apenas fere. Esse tipo de violência agrega adeptos. Contamina quase tudo a seu redor. Ninguém nunca estará completamente impermeável, porque nela sempre estará seu componente essencial: sua capacidade de convencimento.

É possível convencer qualquer um de convicções e justificativas, quando sustentado por uma multidão cega. É possível promover um autismo coletivo capaz de transmutar significados e conduzir uma legião em marcha para o que fizemos parecer legítimo.O ser humano é o resultado de uma montanha de valores morais moldados a partir de sua própria satisfação pessoal.

Uma mãe amorosa é capaz de convencer o filho do delicioso sabor de uma saudável maçã, quando sabemos que há frutas muito mais saborosas e que gosto é uma questão pessoal. Funcionou com ela. E ela aprendeu rapidamente a reproduzir essa inocente lavagem cerebral. E, ainda que a criança adquira maturidade para fazer valer sua vontade, nunca lhe será permitido discutir as intenções embutidas na violência de ter sido coagida a comer o que não queria por anos a fio. Foi um ato de amor, de bondade e de zelo maternal.

O mesmo funciona no famigerado “tapa na bunda”. Canso de ouvir que um tapa na bunda na hora certa, é um ato de amor. Que é um mal necessário e uma forma de aprendizagem. E é mesmo! Serve para ensinar como a vítima deve agir, quando a vida inverter seu papel social. Teremos netos aptos a levarem legítimos tapas na bunda, “correcionais e amorosos”.

Fazer o que se acredita certo em detrimento do quão errado possa parecer, é fundamentalmente a mais importante incoerência humana. E, de longe, a mais aceita também. Quem “normal” iria torcer pelo colega que pleiteia a mesma vaga na empresa? Desejar a própria vitória, nesses casos, é a maneira mais direta de desejar o mal ao outro. Mas como evitar? Como saber detectar o momento exato em que para satisfazer nossas vontades, aniquilamos as possibilidades alheias?

A dificuldade em perceber essa linha limítrofe é o que, ao longo dos anos, foi sistematicamente “endurecendo” a raça humana. Não que seja passível de punição desejar o melhor para si mesmo e sim fazê-lo, sem que isso seja uma competição.

Nunca vi um animal que não seja humano, vangloriar-se por ter derrotado alguém numa disputa. Ainda que seja uma disputa legítima e que envolva prêmios ou qualquer outro tipo de compensação. Não há, por exemplo, nos Jóqueis Clubs, uma festa na estrebaria para que o cavalo vencedor possa se reunir aos amigos para comemorar e sobrepujar o perdedor.

Somos competitivos e isso faz de nós o mais vil espécime jamais visto. Há quem diga que isso assegurou a sobrevivência humana. Ou estaríamos vendo dinossauros comendo uns aos outros do outro lado da rua, disputando uma vaga de estacionamento.

A violência cotidiana tem várias formas e modalidades. Vem travestida de boas intenções e é quase impossível identificá-la, ou proteger-se, até que você mesma se torne vítima dela. Ela advém da convivência com pessoas “boazinhas” imbuídas de instinto assassino justificado mas moral e socialmente amenizado.

Como não é “possível” matar fisicamente suas vítimas ou fazê-las desaparecer para deixarem de ser um obstáculo pessoal, dedicam-se ao assassinato moral e por vezes, existencial das mesmas. É preciso estar atento! É imperioso que estejam suficientemente próximo da vítima para terem suas intenções realizadas. Assim, o agressor pode estar mais perto do que pensamos!

Todos nós temos um momento ou outro, desse tipo de intenção covarde. O que diferencia esses “egos” maldosos dos sazonais é o cotidiano. Esses “profissionais da sedução” desconhecem como relacionar-se de forma diferente. Esse agressor nato tira proveito de circunstâncias que os demais ignorariam. Se atentam e supervalorizam detalhes isolados, ridicularizam a fragilidade (ainda que momentânea) de suas vítimas e geralmente, busca provas contundentes que avalizem seu ponto de vista.

Não há culpa ou arrependimento em nenhum momento. Ainda que voltem atrás em seu posicionamento, sempre haverá um indício do propósito de vitimar o outro.Qual o prêmio ao agressor cotidiano? Notoriedade. Rapidamente a fama de implacável é disseminada e ele passa a ser o centro das atenções. Temido por muitos e adorado por outros, a essência é a mesma: o poder de agregar igual ao de destruir. Transforma-se surpreendentemente no paladino da verdade absoluta e sempre haverá multidões de covardes menos expressivos para se utilizarem de seu poderoso dom de arauto.

Pais, mães, educadores e amigos não estão livres de serem identificados dentro desse perfil, apenas pela suposta proximidade afetiva com a vítima. Ao contrário, são suspeitos em potencial, uma vez que desfrutam da proximidade necessária para se desenvolver.

É preciso destacar que as vítimas sempre estarão enquadradas dentro da dualidade “desprezo-admiração” que despertam. O agressor, em geral, inveja as qualidades de sua vítima, sente-se aquém em diversas esferas, mas ao mesmo tempo o despreza por vê-lo como alguém incapaz de utilizar essa vantagem a favor de si mesmo. Sua tendência, então, é qualificar a vítima como um adversário perigoso, mas “ingênuo” o suficiente para ser combatido sem maiores problemas.

O emprego de técnicas psicológicas, apesar de estender seu olhar pra esse tipo de personalidade, torna-se limitada por sua necessidade de isenção. A imparcialidade que os terapeutas precisam adotar impede a ação mais direta e nominativa sobre esses indivíduos. Impede-os também de provocar confrontos que desmascarem definitivamente o agressor, já que sua função primeira como terapeuta é estimular o auto-aprendizado.

Entretanto, estudos apontam para uma descoberta que pode ser o começo de uma nova abordagem no combate á esses agressores. A percepção de que são susceptíveis á inversão dos papéis. Se sobreviver, a vítima após o agressor cansar-se dela e mudar seu alvo, pode mostrar-se um discípulo bastante aplicado e voltar os ensinamentos que recebeu contra o seu próprio algoz.

Claro que não há aqui um apoio ao “a melhor defesa é o ataque”, mas, é possível através da observação desse fenômeno abrir-se caminho em direção á proteção já tão necessária e urgente. Pode-se, por exemplo, evocar o princípio do condicionamento: técnica que envolve o aprendizado pela freqüência de sucessos e fracassos, devidamente punidos ou recompensados. A vítima poderá, enfim, auto imunizar-se. E o agressor morrer asfixiado pelo seu próprio veneno.

Fonte: http://www.quandonadaenoticia.blogger.com.br/2007_09_01_archive.html

PSICOLOGIA DO SENSO COMUM?



Todos nós no dia-a-dia ouvimos falar de psicologia e de psicólogos, mas na verdade ainda resta muita confusão entre a sua verdadeira conotação científica e o significado que muitas das pessoas lhes dão.
Pensa-se muitas vezes que psicólogo é aquele que abana com a cabeça e responde assertivamente às questões que se lhe colocam, trazendo milagrosamente a cura para os problemas do paciente (ou cliente, consulente, utente, como lhe queiram chamar). Espera-se dele tudo o que até então não foi conseguido, como que se ele tivesse um poder mágico ou sobrenatural.
No entanto, infelizmente ainda se encontram muitos charlatães, que sem aptidão profissional exercem a profissão de psicólogos, iludindo pessoas com falsas esperanças, só para poder angariar algum dinheiro, o que contribui para agravar ainda mais o estado do paciente que o procura.
Também há por aí muitos curandeiros, que procuram a “libertação da mente”, dos “problemas espirituais” dos homens, com métodos (se assim se podem chamar) que nem eu mesma sei designar.
Mas afinal qual é o papel do psicólogo, o que é que ele faz, qual o seu âmbito de atuação, e o que o distingue das outras artes?
Psicólogo é um profissional devidamente qualificado para o exercício profissional da psicologia, que usa métodos e técnicas científicas, devidamente estruturadas, que atua no sentido da prevenção, promoção e desenvolvimento psicológico, em situações normativas ou não-normativas. O seu principal foco é o comportamento humano. Estuda também situações que se desviam do normal, chamadas psicopatológicas, no sentido clínico. Não aborda somente a pessoa (como as outras abordagens), mas sim o indivíduo no seu contexto, que é alvo de múltiplas inter-ocorrências. Isto faz todo o sentido, pois o sujeito não vive isolado dos outros, sendo influenciado por todas as determinantes que ocorrem no seu meio. Por exemplo, uma criança pode manifestar problemas de aprendizagem na escola, sendo que por detrás disso estão problemas de sono, instabilidade do humor, problemas e conflitos familiares, desemprego dos pais, meio socioeconômico precário, marginalidade... Portanto, faz sentido analisar-se o sujeito como um todo, não como uma entidade isolada.
O que torna complexa a psicologia e os seus modos de intervenção é, tanto a complexidade de atuação em todos os contextos de inter-relação do sujeito, como a singularidade dos problemas individuais. O que quero dizer com isto é que não há dois sujeitos que tenham o mesmo problema, porque ele não pode ser visto da mesma forma. Assim, a intervenção tem de adaptada a cada pessoa. Há manuais que ajudam a identificar conjuntos de sintomas, mas apenas servem para fazer diagnósticos, não se constituem, obviamente, como instrumentos únicos, apenas como meios auxiliares. Por outro lado, julgo importante precisar que o poder de mudança não cabe somente ao terapeuta, sendo que o paciente exerce um importante papel. Trata-se de um “jogo de cooperação”, em que o terapeuta vai progressivamente concedendo o poder de mudança ao cliente, ajudando-o a alcançar sempre patamares mais elevados, funcionando a terapia como um local de experimentação de comportamentos difíceis de alcançar, e o técnico como uma base de segurança. Tal como as mães para os bebês. Os terapeutas também se preocupam com os doentes (ou deveriam realmente preocupar), e anseiam tanto pela cura como os mesmos. Não sugestionam as pessoas, nem condicionam o seu futuro com promessas irrisórias. Antes, definem objetivos realistas, que visam uma melhoria, ajustamento ou desenvolvimento psicológico dentro dos trâmites normativos. E a necessidade destes profissionais é tão premente, que todas as pessoas, em qualquer momento da sua vida já necessitaram dos seus serviços, mas que por escassez de recursos ou de informação, estiveram privadas deles. Isto se deve não à falta de iniciativa dos psicólogos em promover os seus serviços, mas às barreiras burocráticas, legislativas e laborais que se lhes colocam. Entidades governamentais deviam antes pensar no bem-estar dos nossos cidadãos, ao invés de limitar o âmbito de atuação destes profissionais em que a precariedade laboral é cada vez mais visível. Pense-se nisso.

Artigo escrito pela autora,
Joana Dias.

DOR DA PERDA



Todos os seres humanos estabelecem relações afetivas com os outros, umas mais outras menos intensas. Esta intensidade depende da proximidade do relacionamento, bem como do envolvimento emocional.
Por isso, situações de ruptura são sempre complexas, pois implicam a vivência do fenômeno da perda e/ou posterior elaboração de um processo de luto.
Reportar-me-ei a este último conceito.
A nossa sociedade parece ainda não estar preparada para lidar normalmente com o fenômeno da morte, sendo esta, a mais comum das vezes entendida como a degradação do corpo e finitude da vida. É vivida intensamente, pois nunca desejamos separar-nos daqueles que nos são próximos, querendo tê-los sempre ao pé de nós.
Não será esta atitude contraproducente? Ou seja, o que com isto quero dizer é que, ao invés de vivermos atormentados com a perda e querermos prolongar o sofrimento de outrem em prol do nosso bem-estar psicológico, porque não a encarar como um processo de transição?
Apesar dos avanços crescentes da medicina, há cada vez mais pessoas a sofrer de doenças crônicas e incapacitantes, em que a única coisa que se pode fazer é prolongar a vida do doente por mais algum tempo, ainda que isso acarrete agravamentos na sua qualidade de vida. Não raras vezes os familiares procuram (ou são encaminhados para) apoio psicoterapêutico, devido ao sofrimento que se encontram a vivenciar, o que é um acontecimento normal. Toda a dor e sofrimento devem ser exteriorizados, para sua posterior elaboração e seguimento de um processo de luto normal.
Em doenças terminais, quando mais a medicina não pode oferecer do que cuidados paliativos, deve então fornecer-se ao doente a qualidade de vida que ele tanto merece que pode passar por diversos níveis. Desde cuidados adequados em centros especializados, a visitas de familiares e amigos para uma última despedida, à realização de últimos desejos e cumprimento de tarefas necessárias à organização da vida dos que cá ficam após a sua morte.
É comum que os doentes sofram mais com a dor que sentem que estão a provocar-nos outros, do que com a sua própria condição. É importante falar-se com eles sobre a própria morte, atenuando as suas preocupações, a sua dor, tranquilizando-os para o momento da partida. Porque é algo comum, a que todos devemos estar sensibilizados, procurando não vivê-la com uma tonalidade de dor e amargura.
Muito do nosso sofrimento passa pelas representações que adquirimos ao longo da vida. E a vivência do luto deve começar a ser encarada como algo inevitável na vida de todos nós.
Qualidade de vida, tranquilidade e bem-estar não são sinônimos de dor e sofrimento nos últimos dias... O toque e um sorriso podem relevar mais do que uma lágrima em momentos de aflição.

Artigo escrito pela autora,
Joana Dias.

Setembro 02, 2008

Filhos de ninguem



No Brasil existem milhares de crianças abandonadas, vivendo em condições de risco ou aguardando processo de adoção.
Para iniciar um texto com a frase acima, eu teria que me valer de estimativas e dados estatísticos. Mas, num Brasil pós acidente da TAM, falar de estatísticas é quase como nivelar por baixo o valor da vida humana.
Além disso, não acredito em sensos, sejam eles de qualquer modalidade ou responsabilidade. Dessa forma, resta confiar em minhas impressões, em meu olhar cidadão. Então, começarei meu texto assim:
O mundo é um país de centenas de milhares de crianças sem pais, sem direitos e sem pátria. Do caminho da minha casa até meu consultório dezenas delas tocam com dedos sujos o vidro do meu carro. Quase sempre têm olhos marejados, pés descalços, cabelos emaranhados e trajam camisetas de propaganda política.
Um contraste ultrajante é o sinal de positivo e dentes brancos da foto dos políticos, silkadas acima de uma legenda eleitoral, com a boca semi-aberta repleta de dentes podres dessas crianças. Não é uma cena agradável.
Confesso que algumas vezes me amedrontam e aciono o controle elétrico de meu carro para separar-me delas. Já me apoiei em discursos inflamados de juízes da infância, de diretoras de Ong de proteção infantil que pregam o “não dê esmola”. Justifico minha covardia atrás de uma máscara de preocupação que não dura nem dois quarteirões depois do semáforo ou ponte onde elas vivem. São crianças de rua.
Não! São crianças NA rua.
Em sua maioria não são loiras, não têm olhos claros e já alcançaram uma idade em que nem seus pais conseguem se livrar delas abandonando-as em caçambas de lixo e nem a sociedade deseja adotá-las. Uma alta porcentagem delas nunca crescerá o suficiente, e também sua estatura mental estará para sempre comprometida.
Quem haveria de querê-las?
As que estão na rua, em geral, têm mãe e pai. Um dos dois estará por perto vigilante das moedas arrecadado por eles. As que os pais se livraram ainda bebês, nunca saberemos quem são. Das primeiras, “conhecemos” a carga genética herdada de um pai presidiário e de uma mãe oportunista. As outras, nem isso.
Quem iria adotá-las?
* “LA MAGIA DE SER ADOPTADA” é um livro escrito há cerca de dez anos por uma garota argentina de, na época, 23 anos. É um relato da experiência de ter escapado de fazer parte da estatística que citei acima. É a negação de tudo aquilo que ouvimos sobre os problemas causados pelo abandono, quando amparados pela desburocratização da adoção. A autora hoje com 30 e poucos anos é a mãe amorosa de minhas duas “afilhadas” argentinas. É a amiga valiosa que citei há dois posts atrás. É a filha agradecida dos, como ela mesma chama de “heróes en la tierra de los sueños”.
A mesma mão que conduziu a caneta para escrever esse testemunho de gratidão, poderia ter sido aquela que sujaria os vidros dos carros nos semáforos argentinos. Há dez anos, essas mãos procuram alguma editora que se interesse por sua história. Há dez anos o “livro” é uma caprichosa xérox em espiral aguardando que alguém abra os vidros da alma e a deixe se aproximar de seu coração.

Fonte: http://www.quandonadaenoticia.blogger.com.br/2007_09_01_archive.html

Setembro 01, 2008

DES(PRAZERES) DA BEBIDA



O alcoolismo refere-se a um conjunto de problemas relacionados com o consumo excessivo e prolongado do álcool, entendido como um vício de ingestão excessiva e regular de bebidas alcoólicas, bem como todas as consequências decorrentes.
A dependência advém dos reforços que se obtêm enquanto se bebe, portanto, se a pessoa bebe e sente satisfação com isso, estamos perante um reforço positivo (uma valorização). Se, por outro lado, a pessoa bebe para evitar dor ou desprazer, vemo-nos fronte um reforço de índole negativo (uma compensação).
Após um certo período, quando a pessoa deixa de sentir os efeitos desejáveis da bebida, quer deixar os consumos, mas, começa a sentir um conjunto de sintomas desagradáveis, o chamado síndrome de abstinência, que a impele a continuar a beber, em quantidades ainda maiores.
É difícil tratar estes doentes, e as maiores dificuldades sentem-se com a adesão e permanência no tratamento. Isto é, a identificação do problema é prejudicada pela negação do paciente face ao seu estado, a maior parte das vezes pela conotação negativa que a sociedade devota aos alcoólatras. Ainda assim, em estádios iniciais é complexo fazer a distinção entre o uso social (ou recreativo) e a dependência propriamente dita.
Para se iniciar o tratamento é necessário (além da aceitação da problemática), que o paciente tenha auto-confiança na sua potencialidade para mudar. É um processo sujeito a recaídas, mas é necessário o clínico saber lidar com elas, desdramatizando-as, incentivando sempre a continuação do tratamento.
É muito mais comum do que se imagina a coexistência de alcoolismo com outros problemas mentais, que podem mesmo despoletar a doença. Entre elas contam-se os transtornos da ansiedade, depressão e insónia. Transtornos da personalidade tornam o tratamento mais difícil e dificultam a obtenção de sucesso.
O alcoolismo acarreta muitas consequências para o indivíduo (além de todo o seio familiar em que se encontra circunscrito, embora não nos reportemos a este assunto).
Á medida que o consumo avança, as repercussões corporais também se fazem sentir com maior intensidade. Os órgãos mais atingidos são o cérebro, sistema digestivo e coronário, músculos e glândulas hormonais. O desenvolvimento de doenças cardíacas pode levar 10 anos a manifestar-se, mas pode ser interrompido com a cessação dos consumos. O álcool interfere também com a função sexual masculina, com infertilidade, impotência, diminuição do desejo sexual, ou surgimento de características sexuais femininas (no caso de aumento da mama, nos homens).
De entre os vários problemas que o alcoolismo pode causar considero pertinente salientar o síndrome de demência alcoólica, semelhante à demência de Alzheimer. O álcool pode causar graves lesões no cérebro, comprometendo a memória, capacidade de julgamento, abstracção e personalidade. O comportamento vê-se, portanto, prejudicado em todas as suas manifestações.
O alcoolismo trata-se de um problema complexo que pode ter origem em muitas causas, não sendo, no entanto, as evidências suficientemente claras para sustentar um único enquadramento e uma única definição da problemática. O primeiro passo, antes da intervenção, é o sujeito reconhecer que precisa de ajuda. Mas até lá, certamente que se entrecruzará por muitos caminhos difíceis de circunscrever...

Artigo escrito pela autora.
Joana Dias.

PORQUÊ TRISTEZA NOS ÚLTIMOS DIAS?


Cada vez mais o nosso país está a envelhecer, e em poucos anos perspectiva-se que uma larga percentagem da população seja considerada idosa. Com isso advêm elevados custos para a saúde, pelo aumento de doenças, em especial as crónicas e incapacitantes.
Quase todos os idosos sofrem de pelo menos uma doença crónica, pois são os alvos mais susceptíveis, dado o avançar da idade. No que diz respeito às doenças mentais, a depressão e a demência são as mais comuns.
A depressão na terceira idade tem sintomas bem diferenciados de outras faixas etárias, por exemplo, é mais centrada nos problemas somáticos (físicos), ao invés da perda de auto-estima, interesse, desprazer, etc. Não raras vezes é sub-diagnosticada e sub-tratada pelos médicos de família, pois de uma maneira geral os clínicos não se encontram devidamente familiarizados com estas características, e tendem a atribuir as queixas dos idosos tanto às comuns manifestações da senescência (queixume típico dos mais velhos), como a sintomas somáticos. As causas orgânicas devem ser sempre descartadas para a elaboração de um diagnóstico correcto.
Por outro lado, julgo ainda importante referir que também comum é a atitude de conformidade para com a velhice, assumindo uma posição de que “pouco mais há a fazer”, atribuindo todos os problemas à determinante da idade do paciente. Uma das maiores complicações da depressão nesta idade é o elevado risco de suicídio, pois as tentativas realizadas por este grupo específico costumam estar embuídas de maior intencionalidade. Ou seja, isto não quer dizer que os idosos tenham maior premeditação relativamente ao acto, mas sim que estas tentativas são menos falhadas (encaram-se menos como uma chamada de atenção, e mais como um forte desejo que ponha fim a um sofrimento intenso).
Com o avançar da idade, maior é o risco do desenvolvimento de demência. Esta caracteriza-se por uma deterioração gradual das capacidades intelectuais, que vão deixando o idoso progressivamente mais dependente dos outros, normalmente familiares. Em estados terminais, o doente fica acamado e em estado completamente vegetativo, sendo satisfeitas apenas as suas necessidades básicas, para a manutenção de um estado vital. Por isso, é muito importante que os cuidadores (pessoa(s) que se encarregam do cuidado do idoso) sejam devidamente informados acerca da doença, da sua progressão, sintomas e formas de lidar com as mais variadas situações com que se podem vir a deparar. A formação e informação destas pessoas é crucial para a manutenção do estado geral do doente, evitando-se internamentos e institucionalizações mais precocemente. Posto isto, é importante que os profissionais de saúde que lidam com estes doentes estejam atentos aos primeiros sintomas, que normalmente são negligenciados pelos familiares, dizendo que se tratam de “coisas normais da velhice”, pois quanto mais cedo se iniciar o tratamento, por mais tempo se pode retardar o agravamento da doença (pois infelizmente ainda não existe um tratamento totalmente eficaz).
Com isto, vários sectores da sociedade serão afectados, pois há que formular políticas da saúde, dedicar mais investimentos na promoção e prevenção de doenças, promover mais centros de ocupação de tempos livres em que os mais velhos possam usufruir de estimulação cognitiva, mais serviços ao nível do apoio domiciliário (no que respeita a cuidados básicos, de enfermagem, alimentares e de higiene) e mais centros de acolhimento (residências, lares...) que não imponham tantos obstáculos na altura de acolher um idoso dependente e disfuncional... pois a velhice deve ser vivida com o máximo de qualidade até ao fim da vida, mesmo por mais básicas que sejam as coisas que achemos que podemos fazer. Às vezes um abraço e um sorriso valem mais do que mil palavras. Hoje pensamos neles, mas amanhã seremos nós...
Todos temos direito a respeito, dignidade, aceitação, felicidade e qualidade de vida. Mas se nos resignarmos e deixarmos de promover iniciativas para melhorar o panorama da situação actual, certamente que com o aumento de casos de idosos incapacitados, muito poucos serão aqueles que terão oportunidade em usufruir de um tempo último digno e feliz.

Artigo escrito pela autora,
Joana Dias

No mundo que é só MEU...



O autismo trata-se de uma alteração cerebral que afecta a capacidade da pessoa comunicar, estabelecer relacionamentos e responder adequadamente ao ambiente.
É comum na infância.
Algumas crianças autistas mantêm a inteligência e fala intactas, outras apresentam défices intelectuais, mutismo ou importantes atrasos no desenvolvimento da linguagem. A maioria não fala, mas quando falam, é comum a ecolália (repetição de sons ou palavras) ou inversão pronominal.
O comportamento destas crianças é constituído por actos repetitivos e estereotipados (por exemplo abanar as mãos ou balançar-se), sendo pouco sensíveis a mudanças ambientais, preferindo permanecer em contextos inanimados. Podem tornar-se agressivos para com os outros sem qualquer motivo, ou mesmo auto-mutilar-se (não reagindo face aos ferimentos).
O autista possui uma incapacidade inata para estabelecer relações afectivas, bem como para responder aos estímulos do meio. É universalmente reconhecida a sua dificuldade na expressão de emoções.
Apesar do grande número de pesquisas e investigações clínicas realizadas em diferentes áreas e abordagens de trabalho, não se pode dizer que o autismo é um transtorno mental claramente definido. Algumas correntes teóricas sugerem que as alterações comportamentais decorrentes dos primeiros anos de vida são cruciais para definir o transtorno. No entanto, este facto é ainda bastante controverso.
Até o momento, os pesquisadores ainda não identificaram claramente os factores causais que podem estar na base do autismo. Poucos são os tratamentos actualmente existentes, uma vez que os resultados são pequenos e morosos. O tratamento deve sempre começar por uma abordagem aos pais, para que fiquem mais relaxados e não transmitam o seu stress e tensões acumuladas ao longo dos anos aos seus filhos, impedindo-os dessa forma de fazerem os progressos que precisam. Depois segue-se com uma abordagem à criança que passa por uma estimulação e apoio contínuos, como forma de estimular e fazer com que ela interaja com o ambiente, com as pessoas e com outras crianças. Não obstante, terapeutas e pais de pessoas com autismo têm experimentado diversas formas de ajudar estas crianças, formando grupos de auto-ajuda em que se partilham experiências comuns e se encontram formas mais adequadas de fazer fronte às adversidades com que diariamente se confrontam.

UM OUTRO ESPELHO DA VIDA: Mudanças na Adolescência
A adolescência é uma das etapas do desenvolvimento humano caracterizado por alterações físicas, psíquicas e sociais, sendo que estas últimas recebem interpretações e significados diferentes consoante a época e a cultura em que sujeito se insere.
Está compreendida entre o início da puberdade e o alcance da maturidade física e emocional.
Às mudanças físicas desde já conhecidas (nas raparigas o alargamento das ancas, crescimento do peito, aparecimento de pelos axilares púbicos, e início da menstruação; nos rapazes a modificação da voz, aparecimento da barba e de pelos axilares, desenvolvimento dos órgãos sexuais), associam-se alterações hormonais, que despertam desejos sexuais. É frequente o namoro começar na adolescência. Estas alterações também estão relacionadas com o mau humor ‘típico’ dos adolescentes. As alterações físicas acentuadas que sofrem podem ser geradoras de um mal-estar emocional, pelo que os jovens podem tornar-se depressivos ou apáticos. Há também situações em que um bem-estar excessivo leva a surtos de entusiasmo.
São também comuns reacções contra a autoridade, acompanhadas de um desejo de individuação. O jovem quer a todo o custo tornar-se independente, e expressa a sua personalidade. Contudo, o desejo em assumir responsabilidades e tornar-se independente pode surtir dificuldades com o manuseamento do desafio. Por isso, nalguns momentos eles podem agir de forma independente, e mais tarde voltarem a sentir o desejo de protecção e dependência.
As mudanças comportamentais dão origem a angústia, que deve ser reconhecida tanto pelo jovem, como pelos que o rodeiam.
É importante manter uma comunicação aberta e o mais clara quanto possível, de forma a ajudar o adolescente a ultrapassar as crises emocionais por que vai passando. O papel da família é muito importante nesta fase. Os pais (e demais familiares) devem procurar transmitir compreensão, simpatia, conselhos e discussões sobre todos os problemas fisiológicos e psicológicos que acompanham este período da vida.
Os adolescentes que levam mais tempo a amadurecer têm tendência para ter uma auto-estima melhor do que aqueles que amadurecem precocemente ou na idade normativa.

Artigo escrito pela autora,
Joana Dias.

Traumas causam danos no cérebro



Cientistas alemães identificaram mudanças físicas no cérebro de vítimas de violentação e tortura. Terapia em teste tenta reverter danos que impedem o traumatizado a situar sua experiência no tempo e no espaço.Mesmo depois de saradas as feridas físicas, pessoas que foram violentadas ou torturadas sofrem ainda com freqüência conseqüências psicológicas durante anos a fio. Na memória das vítimas, os traumáticos momentos parecem ter acabado de ocorrer. Psicólogos da Universidade de Constança, na Alemanha, estudaram o assunto e descobriram que as experiências traumáticas deixam um rastro no cérebro.
Frank Neuner, do grupo de pesquisas de psicologia da instituição, relata uma de suas recentes conversas com uma das pessoas que se dispôs a contar sua experiência. "A última mulher que entrevistei era uma paciente curda, que passou 15 dias numa prisão na Turquia, onde sofreu as piores torturas. Foi espancada várias vezes, recebeu eletrochoque e foi violentada. Isto há quatro anos. Ainda hoje ela sofre fortemente as conseqüências desta experiência", contra Neuner.
A pesquisa – A curda é uma das 45 pessoas estudadas pelos cientistas de Constança, no extremo sul da Alemanha. Todas elas tinham um ponto em comum: foram submetidas a torturas graves e até hoje não conseguiram processar psicologicamente a experiência. A equipe de pesquisadores as entrevistou e examinou com métodos especiais de medição. Entre eles, o MEG – magnetoencefalograma.
"A gente mede as ondas magnéticas do cérebro com um aparelho, que se parece um pouco com um tomógrafo nuclear ou um grande raio-x. As ondas magnéticas surgem da atividade elétrica do cérebro. Da medição, tiramos conclusões sobre os processos cerebrais" explica Neuner.
As descobertas – Através dos exames com o MEG, os pesquisadores de Constança fizeram uma emocionante observação. Em comparação com pessoas que se submeteram ao teste, mas não tinham experiências traumáticas, determinadas partes dos cérebros de vítimas de tortura apresentavam anomalias em seu funcionamento, segundo o psicólogo.
"É a região cerebral do lobo temporal médio e em ligação com outras estruturas cerebrais, como o hipocampus, responsável pela codificação das vivências pessoais em associação espacial e temporal", detalha Neuner.
Sobretudo a clara diminuição do hipocampus chamou a atenção dos cientistas alemães. A eles pareceu que a redução é responsável, especialmente, pelo fato de as vítimas de tortura não considerarem o contexto espacial e temporal quando se lembram das horríveis experiências por que passaram. Ou seja, no momento que as recordações vêm à tona, as vítimas as sentem como uma novidade real, mesmo que já tenham acontecido há anos. A regressão do hipocampus impede uma localização no tempo do episódio. Em paralelo, os psicólogos constataram, através do MEG, mudanças nos processos de ligações no cérebro.
Terapia experimental – A partir das observações destas alterações orgânicas no cérebro, os pesquisadores desenvolveram um método de tratamento, a chamada terapia da exposição narrativa. Com ela, as vítimas de tortura aprendem, em longas conversas com os psicólogos, a colocar suas traumáticas experiências no devido contexto espacial e temporal, isto é, a compreender que os terríveis momentos que relatam ocorreram no passado e em outro lugar.
Coordenador do projeto, o professor Thomas Elbert parte do princípio que as unidades desta terapia da mesma forma provocam mudanças orgânicas no cérebro, mas de forma positiva. "Sabe-se que as estruturas da memória estão sempre se alterando plasticamente, também o substrato neuronal. As ligações entre as células são refeitas. E após algumas seções da terapia, no decorrer do relativo curto prazo de poucas semanas, tem-se condições de gerar alterações substanciais na arquitetura da rede", acredita o cientista.
Alterações que, conforme o objetivo dos pesquisadores da Universidade de Constança, devem fazer com que as vítimas de tortura não tenham mais de sofrer repetidamente com as cruéis experiências que viveram no passado.

Thomas Wagner / mw
Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,9137,679527,00.html

Estastística do MEC contem distorções

Prova Brasil na zona rural: imprescindível
Se as escolas rurais estivessem incluídas na avaliação nacional, resultados dos exames reduziriam Ideb de municípios com alta concentração de ensino no campo, alterando o ranking dos que mais necessitam de investimentos emergenciais do governo federal




O Ministério da Educação (MEC) atribui a 4,2 milhões de alunos brasileiros do Ensino Básico (15% do total) um Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) que não reflete, de fato, a qualidade de sua aprendizagem. Eles estudam nas 88 mil escolas rurais do país (45% do total). As turmas de 4ª e 8ª séries desse universo não fazem a Prova Brasil, como ocorre com os colegas das áreas urbanas. O resultado da Prova é o principal componente qualitativo da fórmula de cálculo do Ideb. Por isso, localidades onde o ensino rural é predominante podem estar com o índice inflacionado por notas que consideram apenas a minoria urbana. Essa distorção as tira da lista de municípios prioritários do MEC e as priva dos investimentos e ações emergenciais que vêm sendo realizadas.

Para tentar reduzir a imprecisão, o MEC compõe o cálculo do Ideb com os resultados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Porém, feito por amostragem, o Saeb permite recortes apenas por estado ou por rede de ensino, dentro do estado. Nunca por município, muito menos por escola.

No ensino rural, segundo dirigentes do MEC – e como indicam os próprios resultados do Saeb –, estão presentes inúmeras dificuldades que fazem cair o nível de aprendizagem dos alunos. As principais dizem respeito a formação de professores, a infra-estrutura, a transporte e a oferecimento de material didático adequado à realidade no campo.
Apesar de admitir o problema, de afirmar que ele precisa ser corrigido e que já há soluções em estudo, o MEC não tem data definida para incluir as escolas rurais na Prova Brasil.

Nesta reportagem, você vai conhecer quatro municípios (com 9.372 alunos matriculados no campo) para os quais é evidente a necessidade de investimentos. Em três deles, o cálculo do Ideb leva em conta a minoria dos alunos – os que estudam na área urbana. Já em Palmeiras (BA), como acontece em outros 156 municípios brasileiros, o Ideb sequer foi calculado. No caso do município baiano, o índice não existe porque não há escolas urbanas de Ensino Fundamental. Numa quinta história, a de Catas Altas (MG), a solução foi radical: as escolas do campo foram fechadas. Mas eram apenas duas, onde estudavam 14 alunos, que hoje têm transporte à disposição para levá-los à cidade. Não é, certamente, a solução para a imensa zona rural brasileira.

Fonte: Revista Nova Escola, Agosto de 2008.

Geração desejo



Antes encarado como um prêmio da relação amorosa, o prazer sexual passa a ser direito de uma juventude que se inicia mais cedo, tem mais parceiros e se casa mais tarde.

Então chega o momento em que a alma se aquece e as contrações involuntárias se alongam por compassados segundos. Ah, o relaxamento profundo, o faiscante brilho no olhar e o incontornável sorriso no rosto. A deliciosa sensação do tempo que pára e problemas que somem. Pois a desejada oportunidade de retornar sempre ao prazer, sem culpas nem traumas, está agora ao alcance de uma geração inteira de brasileiros. Pela primeira vez, o reconforto do sexo é algo igualmente acessível a homens e mulheres, finalmente libertados da moral católica, das convenções sociais e de uma repressão histórica. Antes encarado como um prêmio da relação amorosa, a realização do desejo passou a ser direito de uma juventude que se inicia mais cedo, tem mais parceiros e se casa mais tarde.

“A grande revolução é feminina”, diz a psiquiatra da Universidade de São Paulo (USP), Carmita Abdo. “Elas fazem sexo sem estar apaixonadas.” Coordenadora do Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, o primeiro trabalho completo sobre o tema, que ouviu cerca de sete mil pessoas em 20 capitais, em 2004, Carmita antecipou a ISTOÉ os novos resultados da atualização dessa pesquisa. E eles mostram que uma revolução está em curso. Veja o caso das meninas: em 2004, a moça que tinha entre 18 e 25 anos havia perdido a virgindade aos 17. Atualmente, ela se inicia sexualmente aos 15 anos, a mesma idade dos rapazes. Foi a mudança acelerada no comportamento delas que ajudou a modificar um costume deles. No caso dos homens, virou coisa de antigamente começar a vida sexual com garotas de programa. Consolidou-se a tendência de que a primeira relação aconteça entre colegas de escola, vizinhos ou amigos.

Paralelamente, o brasileiro vem adiando cada vez mais o casamento. Dados do IBGE mostram que a troca de alianças acontece, em média, aos 28,5 anos – eles, aos 30,2 anos e elas, com 26,8. Há apenas uma década, a geração anterior se casava, em média, com 26,1 anos. Nesta nova perspectiva de vida, em que o jovem transa pela primeira vez mais cedo e se casa mais tarde, é natural uma multiplicidade de parceiros. Mudou, portanto, a acepção do que antes se chamava “ficar”.

“Ficar virou sinônimo de fazer sexo”, explica Carmita Abdo. “O jovem, hoje, fica com alguém e não estabelece nenhum tipo de compromisso ou vínculo. O sexo virou um prazer que ele vê como um direito e não como um prêmio de uma história afetiva construída.” Esse é o mais novo traço da liberação sexual que ocorre entre os jovens.

O paulista Ricardo Gazarra Pizone é um exemplo dessa geração. Solteiro, ele mora com os pais e sai à noite quatro vezes por semana. Diz que nunca voltou para casa sem “beijo na boca”. “Num domingo do mês passado, beijei 19 mulheres e transei com três em uma festa”, garante Ricardo, comerciante de 25 anos, que já freqüentou um motel com três garotas. Em 2005, em um carnaval fora de época, ele afirma ter beijado 53 meninas em cinco horas – uma a cada dez minutos, em média. “Não sinto nenhuma culpa por agir assim, porque jogo aberto. Digo antes que não quero nada sério.”

De acordo com o Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, os homens entre 18 e 25 anos afirmam ter 4,2 parceiras sexuais durante um ano. Parceira sexual é mais do que uma transa de apenas uma noite, é alguém com quem o encontro teve alguma seqüência. Já as mulheres dizem ter 1,6 parceiro sexual anualmente. Se imaginarmos que essa garota começa a vida sexual aos 15 anos e se casa aos 27, ela poderá ter 19 parceiros até trocar alianças. Um quadro bem diferente do passado. Quarenta anos atrás, a moça transava pela primeira vez aos 22 anos com o namorado com quem se casaria ou, no máximo, com alguém que imaginasse ser o príncipe encantado que a levaria ao altar. Segundo os especialistas, nunca em nenhuma época da era contemporânea o sexo esteve tão desvinculado do casamento.

O curioso é que essa geração nasceu e/ou cresceu diante da propagação da Aids, mas a doença não pôs um freio na multiplicidade de parceiros, como se imaginava. O jovem domina plenamente os meios contraceptivos – embora nem sempre os utilize corretamente – e a liberdade sexual cresce de forma avassaladora. “Foi mal veiculada e mal captada a mensagem sobre a Aids. Enquanto se divulgava “não transe sem camisinha”, a garotada entendia “use o preservativo e faça sexo”. Foi um convite para o sexo sem preocupação”, opina Carmita, da USP.

O ambiente erotizado da juventude de hoje favorece essa ebulição sexual. No fim dos anos 80, a nudez nas novelas e a genitália exposta no Carnaval arrepiavam muitas famílias e geravam polêmica. Hoje, ambos ganham closes cada vez mais ousados na tevê. Na internet, o jovem encontra sexo protegido, de fácil acesso e, por meio dela, também agenda encontros. Mais: para dar o toque de fantasia, uma conotação festiva, a esse encontro, pode recorrer aos sex shops, que deixaram o submundo e estão cada vez mais visíveis nas esquinas das grandes cidades.

Com tantas possibilidades, não passa pela cabeça dessa juventude unir-se a outra pessoa para ter atividade sexual ou se libertar dos pais, como ocorria antes. Com isso, o casamento deixou de ser a espinha dorsal em torno da qual se desenha uma trajetória. A jornalista paulista Denise Molinaro, 31 anos, recebeu cinco pedidos de casamento (aos 19, 22, 26, 27 e 30 anos) e recusou todos. “Quero casar somente depois dos 32”, afirma ela. “Minha mãe fica horrorizada, mas sempre pensei assim. Tenho de crescer profissionalmente, viajar, conhecer lugares e pessoas antes.”

Psicoterapeuta e professora titular em relações de gênero da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Noeli Montes Morais é autora do livro Fica comigo para o café da manhã, que nasceu da tese de doutorado Sapos não viram príncipe, defendida por ela. “Percebi que a mulher entre 20 e 30 anos, após uma noite de amor, queria que seu parceiro ficasse para o café, mas não necessariamente para o almoço”, diz Noeli. “Significa que deseja uma relação estável até certo ponto. Porque não tem a expectativa de que o casamento, o amor se perpetuem para sempre.” Para a psicóloga Márcia Bittar Nehemy, da PUC, o jovem está reinventando novas fórmulas de manter vínculos com outras pessoas. “Quando ele diz que não quer casar, foge, na verdade, do modelo de casamento tradicional, aquele que oprime, usurpa, dá direito à herança e à divisão de bens materiais”, afirma ela, especialista em sexualidade humana. “Mas viver aos pares é visceral, algo acima da racionalidade de não querer se juntar a alguém.”
Calcado na idealização de uma vida a dois, o amor romântico – que nasceu entre os abraços de Tristão e Isolda na Idade Média e, depois da Segunda Guerra Mundial, entrou no casamento quando desapareceu de vez o costume de os pais escolherem os parceiros dos filhos – está perdendo espaço. Para a psicanalista Regina Navarro Lins, autora do best seller A cama na varanda, cuja segunda edição acaba de ser lançada, os jovens estão mais interessados em satisfazer suas individualidades e descobrir os próprios potenciais.

Depois de oito namoros, a gaúcha Alessandra Marder deixou o romantismo de lado para priorizar uma vida mais livre, voltada para desejos e objetivos próprios, sem expectativa de um relacionamento. Solteira há mais de um ano, ela mora sozinha há seis meses e sai pelo menos três vezes por semana. Aos 29 anos, diz que não fica se “rifando, pegando todo mundo” na balada. Mas estabelece bem um dos pontos dessa nova liberação sexual dos brasileiros: “Se eu transar com um cara na primeira noite, sei que ele vai achar que eu não sirvo para namorar”, diz ela, numa referência aos velhos costumes. “Mas isso não me impede de, às vezes, sair pensando em fazer sexo na primeira noite, se pintar a oportunidade. As mulheres querem ser assim mas não assumem”, completa, indicando a nova postura.

Com tantas transformações em curso, como será, então, a família do futuro? Para Regina Navarro Lins, um filho poderá crescer sem a figura do pai e da mãe sob o mesmo teto e ter irmãos em casas diferentes. “E eu não acredito que a família será regida pela exclusividade sexual. Um casal poderá estar ligado por questões afetivas, profissionais, familiares, e ter uma vida amorosa se multiplicando com outras pessoas”, afirma Regina, que conhece homens e mulheres que já convivem dessa forma.

A escritora observa ainda que mesmo os pares que estão juntos sob um pacto de fidelidade toleram cada vez mais uma relação extraconjugal. “A mulher está separando sexo de amor, como o homem sempre fez. E ele está enxergando isso”, afirma Regina. “Depois de sete anos de casamento e dois filhos, uma paciente minha transou com um homem numa viagem a trabalho. O marido ficou chocado, mas sua preocupação era se a esposa estava envolvida emocionalmente com o outro. Não pensou em separação, não a chamou de vagabunda, nada disso.”
A psicoterapeuta Noeli Morais afirma que os cônjuges, atualmente, tendem a discutir o ocorrido com o intuito de descobrir o sentido da infidelidade. “Não vou terminar meu relacionamento só porque minha parceira ficou com outra pessoa. Sinto um ciuminho, mas isso não interfere”, diz o web designer carioca Rafael Dias, 24 anos. A namorada dele, a modelo Aline Figueiredo, 28, trocou beijos com duas outras pessoas nesses dois meses em que estão juntos. Rafael divide um apartamento com Aline, com quem espera construir uma história feliz. Não enxerga a infidelidade dela como uma mancha e segue firme com o relacionamento. “É mais valioso o que sentimos um pelo outro. Não pode é haver possessividade”, opina ele. É mais um traço dessa liberação sexual dos brasileiros. Na primeira grande revolução, na década de 60, o sexo trazia consigo um discurso de contestação, ruptura ou independência em relação à família, à religião ou à sociedade. Agora, a geração desejo o enxerga de um jeito bem direto: sexo existe para dar prazer.

Por: RODRIGO CARDOSO
Fonte: Isto É, julho de 2007.

Educação sexual se faz a cada dia

Através do convívio com os pais e os amiguinhos na escola, as crianças aprendem comportamentos e normas de conduta que irão influenciar sua vida. sexual


Até bem pouco tempo, era inconcebível o fato de crianças serem sexuadas. “Sexo não é coisa de criança!” E não é mesmo, se olharmos a sexualidade exclusivamente dentro de sua função reprodutora e de sua intenção erótica. Entretanto, sabemos, hoje, que a sexualidade também tem outra função, a relacional, e que o ser humano passa por vários estágios evolutivos até atingir a sexualidade adulta.

A construção dos alicerces da sexualidade começa na infância: a capacidade de se ligar afetivamente; a identidade sexual; o registro de climas e situações que causam excitação; o respeito, a confiança em si e no outro; a permissão ao prazer sexual; a segurança, a imagem corporal, a auto-estima e a autonomia; os limites, as normas sociais, os valores morais...
Desde muito cedo, os pais se encarregam de educar sexualmente seus filhos de maneira informal, passando seus valores e crenças através da convivência. Simultaneamente, as relações sociais favorecem trocas intensas de informações sobre normas de condutas. Esse amplo conjunto de influências exercidas direta ou indiretamente sobre o indivíduo recebe o nome de “Educação Sexual”.
A escola participa desta educação sexual, mesmo quando não tem um programa formal de orientação sexual. Ao proibir ou permitir certas manifestações, ao optar por informar os pais sobre as atitudes do seu filho, ao reforçar ou desencorajar um comportamento ligado aos papéis sexuais, a escola está sempre transmitindo valores, mais ou menos rígidos, de acordo com a sua cultura e as crenças dos seus profissionais.

A escola e o desenvolvimento sexual
O ambiente social é, hoje, muito mais liberal em relação às manifestações dos desejos e sentimentos infantis, inclusive os sexuais. As crianças já não se intimidam em fazer perguntas sobre sexo, nem em manifestar o prazer que sentem ao tocar seus genitais. Meninos e meninas têm acesso a fotos de pessoas nuas, participam de jogos sexuais, vêem casais trocando carícias em ambientes públicos, e até mantendo relações sexuais em filmes e programas de TV. Além de tudo isto, eles também observam e imitam os comportamentos de pessoas que têm significado para eles. Todo esse contexto faz parte da evolução psicossexual da criança e do adolescente, e é levado pelo aluno para dentro da escola.

Ali, o aluno encontra um ambiente altamente favorável ao seu desenvolvimento e socialização, proporcionado pelo convívio entre ambos os sexos. Por isso, os comportamentos ligados à sexualidade, muitas vezes, são mais freqüentes na escola do que em outros locais. Os educadores precisam se preparar para conduzir estas experiências de forma adequada.

A consciência dessa necessidade têm levado as escolas a capacitarem seus educadores para enfrentar esse desafio, sem medo, desmistificando tabus e preconceitos, a fim de que possam tomar atitudes baseadas numa visão integrada das experiências vividas por seus alunos e contribuir para a adequação social do comportamento sexual das crianças e adolescentes.

*Artigo publicado no material lúdico educativo do Instituto Kaplan – Jogo de Corpo.

Fonte: Revista Nova Escola, Agosto de 2008

Macacas de gaiola



O culto à celebridade é um sinal do desespero da nossa era, o grito de uma civilização que não encontrou saídas

Miguel Falabella é ator, diretor, dramaturgo e autor de novelas

Certa vez, eu gravava uma telenovela, quando se deu um fato curioso: havia, na trama, a visita de um circo à cidade fictícia, evento prestigiado por quase todas as personagens da história e, para evitar o deslocamento de todo o elenco, resolveram que o circo seria montado e apresentado dentro do estúdio. Para lá seguiram os equilibristas, trapezistas, palhaços e começamos os trabalhos. Eram muitas cenas e o plano de gravação, previsto para dois dias, terminou transformando-se em três. Chegou enfim a vez dos chimpanzés amestrados que, talvez por sua incapacidade de verbalizar o descontentamento com a produção, foram deixados para o fim. Entre os símios, havia a eterna macaca de laço de fita na cabeça e saiote pregueado e lembro que comentávamos sobre a tristeza de tudo aquilo, porque geralmente esses animais são brutalizados para aprender os truques, quando a macaca gritou e disse não. A seu modo. Cansada da espera, das luzes e da confusão do estúdio, ela mordeu a mão do treinador com uma violência ímpar. O sangue espirrou e o caos tomou conta da tarde. A história ganhou contornos de anedota, mais tarde, porque eu, na época trabalhando mais do que de costume, atravessava um período de grande stress e tinha variações de humor constantes. Corre a lenda que o produtor da novela, Sérgio Madureira, ao ser informado da confusão, levou as mãos à cabeça e disse:

- Meu Deus! A macaca está pior que o Falabella!

Anedotas à parte, o fato é que a imagem da chimpanzé brutalizada passou a morar comigo, desde então, e é uma das minhas flores de obsessão mais recorrentes.

Certa ocasião, entrevistando Bárbara Heliodora, a grande crítica e estudiosa de teatro, perguntei-lhe o que a irritava como espectadora, já que suas resenhas são sempre temidas pela classe teatral e seus comentários são propagados nas rodas e telefonemas da classe. Ela respondeu-me que a experiência teatral precisava transformar o espectador numa pessoa melhor, fosse através do riso, da reflexão ou da emoção, mas que era essa a premissa básica para a realização no palco. Se isso não ocorresse, o teatro não se justificava e, como bem disse Nelson Rodrigues, era obsceno como uma missa profana.

Tenho observado o processo do circo midiático que quer nos trancafiar a todos na gaiola das macacas brutalizadas. É sedutor o chamado. São lisonjeiros os convites e, se a atenção não for redobrada, estamos todos condenados a perder a alma no mercado de bens mais do que perecíveis. O culto à celebridade, no fundo, é um sinal do desespero da nossa era, o grito de uma civilização que não encontrou saídas para os próprios labirintos.

Mas se aprendi alguma coisa naquela tarde no circo de mentira é que as macacas de gaiola podem dizer não. E, a seu modo, elas acabam dizendo.

Pobre adoece mais



Pesquisa estuda propensão para doenças cardiovasculares em crianças de baixa renda

Hipertensão arterial, diabetes e obesidade não podem mais ser consideradas apenas como doenças de adulto. É o que revela a pesquisa Vigilância dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares do adulto em uma coorte de criança em idade escolar atendidas no Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria da Ensp, coordenada pelas pesquisadoras Sueli Rosa Gama e Elyne Montenegro Engstrom. O estudo tem o objetivo de detectar a prevalência de fatores de risco em crianças de 5 a 9 anos em comunidades de baixa renda.

As pesquisadoras querem estimular uma mudança de atitude que envolva alimentação e atividade física


A pesquisa, contemplada no edital do Programa de Auxílio à Pesquisa (APQ1) da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), é um desdobramento da dissertação de mestrado de Sueli. O estudo está sendo aplicado em cerca de 350 crianças pré-púberes usuárias do Centro de Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz. “Essa é uma mostra aleatória de crianças em idade escolar. Além das crianças que já participaram das pesquisas para o mestrado, no período de 2004 a 2007, estamos captando também crianças que correspondam à faixa etária menor”, explica. Esse estudo é longitudinal, e a idéia das pesquisadoras é acompanhar essas crianças até a fase adulta. “Queremos observar como os fatores de risco se desenvolvem, quando e porque eles acontecem”, diz Elyne.

De acordo com Sueli, o desenvolvimento de ações, para que os fatores de risco não se tornem doenças, é a meta principal do projeto. Durante o mestrado, Sueli detectou a presença desses fatores em crianças com peso adequado e com pouco peso. “Não aconteceu apenas em crianças obesas. Isso comprova a ocorrência silenciosa dessas doenças”, alerta. Para alcançar as crianças e as famílias e conseguir mudar hábitos de vida a pesquisa conta com a colaboração das equipes do Programa Saúde da Família e das escolas da região de Manguinhos. Elyne comenta que mudar hábitos e incorporar melhorias em prol de uma vida mais saudável não é fácil. “Isso requer uma mudança de atitude que envolve alimentação, atividade física e muitas outras coisas. Entretanto, se a criança crescer em um ambiente saudável, certamente será um adulto menos propenso a desenvolver doenças cardiovasculares”, afirma a pesquisadora.

“Aqui no Centro de Saúde”, explica Elyne, “trabalhamos com a idéia de prevenção. Nossa abordagem não é a doença. Não podemos dizer que uma criança de 8 anos é doente porque tem a taxa de colesterol elevada para a idade. O que ela tem é um aspecto em seu corpo que precisa e pode ser melhorado”. De acordo com a pesquisadora, isso mexe com a auto-estima da criança. “O foco é vigiar de forma saudável e criar hábitos em toda a família. Já conseguimos melhorias significativas dentro de famílias inteiras, como o caso de pais que são hipertensos e diminuíram a quantidade de medicação receitada”. Em alguns casos, a criança tem autonomia para escolher o que quer comprar e comer. “Suas escolhas farão toda a diferença, e os hábitos saudáveis serão levados por toda a vida”, destaca Sueli.

Todas as crianças que participam da pesquisa passam por uma primeira consulta e fazem diversos exames. As que apresentam problemas recebem um acompanhamento mais rigoroso com uma nutricionista e uma pediatra. As crianças que não apresentam problemas voltam de três em três anos para repetir os exames. “Assim conseguimos acompanhar o desenvolvimento da criança e dos possíveis fatores de risco”, diz Sueli. Pesquisas assim costumam durar mais de dez anos e acompanham as crianças até a fase adulta. “A nossa pesquisa vai até quando conseguirmos consolidar dados suficientes”, afirma Elyne, que completa entusiasmada: “À medida que os problemas vão aparecendo, nós criamos intervenções criativas para reverter o quadro clínico. Grupos educacionais e atividades físicas são algumas delas. Evitamos ao máximo intervenções médicas. Tenho certeza que podemos mudar a situação com alternativas saudáveis”.

O projeto tem uma parceria com o Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos (Demqs) da Ensp, por meio das pesquisadoras Letícia de Oliveira Cardoso e Marília Sá Carvalho. Com a pesquisa está sendo construída uma forma de assistência mais organizada para o grupo. É uma tentativa de melhorar o atendimento coletivo. “Temos um bom espaço dentro do campus que pode ser aproveitado, mas não temos profissionais para as atividades. Outra perspectiva é conseguir implementar atividades fora do campus, nas escolas de Manguinhos. O PSF é a nossa ponte, nossa parceria com esses locais. Com isso, as equipes de saúde da família também serão sensibilizadas e conseguirão ter uma visão ampliada dos problemas de cada área. Isso melhora o trabalho deles e o nosso”, conta Sueli.

Fonte: Fiocruz