Março 18, 2009

Vidas que se pertencem



Nos dias em que nos encontramos, absolutamente, quase ninguém nega a ameaça do “câncer do individualismo” a querer manter tantas vidas encarceradas em si mesmas. Em situações de extremo isolamento, como não lembrar da obra clássica de Thomas Merton, um dos mais influentes escritores espirituais do século XX, intitulada: “Homem Algum é uma ilha”. O autor deixa tão claro que não só estamos neste mundo com os outros, o que é óbvio, mas somos responsáveis pelos outros. Também recordamos aquela máxima de Saint Exupéry, na sua obra “O Pequeno Príncipe”: “Somos responsáveis por aquilo que cativamos!”.

O Cristianismo dá um salto na compreensão do sentido de pertença que vai além da afeição, dos sentimentos ou mesmo dos laços de parentesco. Somos responsáveis pelos outros, não porque os cativamos simplesmente, mas porque o outro é dom de Deus, vida que Ele quis por si mesma. Vida desejada não importando se “um acidente ou uma tragédia” a gerou. É lamentável tal banalização da geração da vida, mas Deus quer esta vida e não a sua morte. Na sua raiz primeira e original está a beneplácida bondade de Deus que sabe perfeitamente tirar um bem de um mal. O sentido de pertença na fé cristã é fruto da comunhão e relação com o amor de Deus, “porque ele nos amou primeiro” (I Jo 4, 19). Este amor foi manifestado em plenitude em Cristo, Seu único Filho. Nele fomos todos feitos irmãos. Cada mistério de uma nova vida deve arrancar de nós entusiasmo e aquele vínculo de responsabilidade que teve o apóstolo por seu irmão Onésimo: “Ele é como o meu próprio coração” (cf. Fm 12). Cada nova vida traz a humanidade consigo e parte de nós. Quando a matamos também destruímos a nós.

Quando somos alcançados na nossa própria vida pelo esplendor e beleza, largura e profundidade do amor de Cristo, então não é difícil explicar o que faz tantas pessoas viverem um amor altruísta capaz de promover o outro, de viverem o sacrifício, a renúncia, a oferta da própria vida para que o outro seja feliz. Também aqui nesta experiência salvífica de amor não se dispensa a dor e o sofrimento. Quando essas pessoas são interrogadas acerca do segredo que as motivou a tal oferta de vida, são prontas a responder: o meu coração ama! Estes corações sabem perfeitamente que precisaram passar pela prova e pela purificação do amor; amor que os fez capaz de dar a vida pelo outro (cf. 1 Jo 3,16).

Este amor não é masoquista, irracional ou alienante. É amor verdadeiro que não se encaixa numa lógica fria e calculista. Este amor jamais aceita “uns trocados ou fama de homens inteligentes e modernos” para se matar uma vida. Este amor sabe ser fiel aos seus princípios e valores que promovem a dignidade humana. Este amor não mata em nome de Deus e muito menos em nome de um progresso que se diz existir para melhorar as condições de vida. É amor fruto de um encontro com “quem amou-nos ao extremo” (cf. Jo 13,1). Amor maturado na escola do cotidiano, nos pequenos gestos, no silêncio e na oração. É amor que sabe discernir o bem e evitar o mal. Talvez a escola dos Santos nos ensine mais sobre esse amor do que as Cátedras das Universidades. Como não lembrar aqui de Gianna Beretta Molla, Santa dos tempos atuais. Sua vida cheia de amor fez a escolha de morrer para que seu pequeno bebê vivesse. Este é o amor que protege e que não escolhe nunca sua vontade egoísta. Ela pôde exigir que se protegesse seu bebê em qualquer situação. Só a mamãe ou alguém responsável pode fazer isso, proteger a vida por aquele indefeso que já não pode fazer o mesmo. Mas não precisa: ali é uma vida humana, dom de Deus.

Qual o sentido de pertença ao qual somos chamados a viver? Quais os vínculos que nos ligam uns aos outros? O que estamos fazendo com a vida? “Contra o pessimismo e o egoísmo que obscurecem o mundo, a Igreja está do lado da vida: e em cada vida humana sabe descobrir o esplendor daquele ‘Sim’, daquele ‘Amém’ que é o próprio Cristo” (João Paulo II, FC, 30). Revista-nos, Senhor, deste amor, que é o vínculo perfeito (cf. Cl 3, 14).

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por Antonio Marcos , Missionário na Comunidade de Vida Shalom
Fonte: www.comunidadeshalom.org.br

Março 12, 2009

Banco mundial relaciona Globo a divórcios



Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sugere uma ligação entre as populares novelas da TV Globo e um aumento no número de divórcios no Brasil nas últimas décadas.
Na pesquisa, foi feito um cruzamento de informações extraídas de censos nos anos 70, 80 e 90 e dados sobre a expansão do sinal da Globo - cujas novelas chegavam a 98% dos municípios do país na década de 90.
Segundo os autores do estudo, Alberto Chong e Eliana La Ferrara, “a parcela de mulheres que se separaram ou se divorciaram aumenta significativamente depois que o sinal da Globo se torna disponível” nas cidades do país.
Além disso, a pesquisa descobriu que esse efeito é mais forte em municípios menores, onde o sinal é captado por uma parcela mais alta da população local.
Instrução
Os resultados sugerem que essas áreas apresentaram um aumento de 0,1 a 0,2 ponto percentual na porcentagem de mulheres de 15 a 49 anos que são divorciadas ou separadas.
Os pesquisadores vão além e dizem que o impacto é comparável ao de um aumento em seis vezes no nível de instrução de uma mulher. A porcentagem de mulheres divorciadas cresce com a escolaridade.
O enredo das novelas freqüentemente inclui críticas a valores tradicionais e, desde os anos 60, uma porcentagem significativa das personagens femininas não reflete os papéis tradicionais de comportamento reservados às mulheres na sociedade.
Foram analisadas 115 novelas transmitidas pela Globo entre 1965 e 1999. Nelas, 62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% eram infiéis a seus parceiros.
Nas últimas décadas, a taxa de divórcios aumentou muito no Brasil, apesar do estigma associado às separações. Isso, segundo os pesquisadores, torna o país um “caso interessante de estudo”.
Segundo dados divulgados pela ONU, os divórcios pularam de 3,3 para cada 100 casamentos em 1984 para 17,7 em 2002.
“A exposição a estilos de vida modernos mostrados na TV, a funções desempenhadas por mulheres emancipadas e a uma crítica aos valores tradicionais mostrou estar associada aos aumentos nas frações de mulheres separadas e divorciadas nas áreas municipais brasileiras”, diz a pesquisa.

Fonte: http://tvcontacto.wordpress.com/2009/01/31/banco-mundial-relaciona-globo-a-divorcios/

Março 10, 2009

Novo Acordo Ortográfico: Dificuldade para professores e alunos??



O novo acordo privilegia a fonética, aproximando a língua escrita da língua falada; no que toca às diferenças orais e gramaticais, permanece tudo na mesma, quer em Portugal como no Brasil; como a ortografia vai ficar muito semelhante à forma como falamos, os alunos vão errar menos. Com o acordo, pode-se verificar que a língua está em constante evolução, bem como algumas mentalidades, porém, nota-se que vai existir uma certa dificuldade em implementar o acordo em determinadas camadas sociais; em contra partida, nas escolas não vai haver algum período de transição e isso vai fazer com que a mudança dos manuais escolares, gramáticas e dicionários tenha de ser feita de imediato; o novo acordo não vai integrar alterações trazidas pelos países africanos, sendo as mesmas viradas para Portugal e Brasil.
O mundo muda. Tudo, um dia, evolui. Chegou a hora da nossa língua. Se nada disso acontecesse, ainda estaríamos falando e escrevendo “vossa mercê”. Hoje usamos o “você”, e é bem provável que o “vc” não esteja tão distante da incorporação.

É estranho dois paises falarem a mesma língua e usarem grafias diferentes. Segundo José Luiz Fiorin, professor de lingüística da USP, a montagem de documentos internacionais tem de ser feita nas duas ortografias, brasileira e portuguesa.

O Acordo foi proposto como forma de simplificar e padronizar a língua portuguesa, já que ela é falada por mais de 215 milhões de pessoas, ou seja, é a quinta língua mais falada no mundo. Assim como a língua inglesa é padrão e referência no mundo inteiro, o português terá seu padrão a ser seguido em todos os países que falam a língua de Camões. É uma estratégia de driblar o espaço e o tempo, responsáveis pelas milhares de variações que podemos encontrar na análise dos textos ao redor do mundo.

O linguista Marcos Bagno escreve um excelente artigo em seu site destacando a importância política do acordo. Ele prefere a expressão acordo ortográfico à reforma ortográfica, pois não ocorrem mudanças radicais, uma vez que só houve alterações em cerca de 0,5% das palavras do português falado no Brasil.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), haverá um período de transição entre 2009 e 2011 (ou seja, permitindo as duas grafias como corretas) para todas as adaptações possíveis da ortografia, incluindo editoras, currículos escolares, vestibulares, concursos públicos e demais recursos usuários da língua portuguesa.

O acordo deve ir para a frente, principalmente para mostrar às mentes mais conservadoras, que a mudança traz sempre algo de bom, podendo assim alterar um pouco a maneira como vemos o mundo e principalmente aproximar-nos dos países lusófonos.

Março 07, 2009

A falsa questão do "casamento gay"


Foto: Fred Pontes

A reação irada de elementos conservadores contra uma legislação que reconheça as uniões homossexuais estáveis esconde o velho e inconfessável desejo humano de ter alguém para desprezar.


A discussão sobre a união CIVIL entre pessoas do mesmo sexo, não deveria em absoluto preocupar qualquer grupo de pessoas, religiosas, conservadoras ou simplesmente preconceituosas por capricho.

Afinal, trata-se de um conjunto de tecnicalidades jurídicas que se limitam a regularizar questões como heranças, direitos sobre aposentadorias, adoção de crianças, etc. Na prática, existem vários tipos de dispositivos legais para que os homossexuais obtenham estas mesmas garantias, sem uma legislação específica. Então o que de fato está em jogo?

É tudo muito simples: Os gays e lésbicas não estão apenas atrás da solução de problemas jurídicos específicos e sim de RESPITABILIDADE. E é isso que de fato irrita os conservadores.

Para eles, o “viadinho” e a “sapata”, enquanto forem apenas objeto de escárnio e diversão, são inofensivos, e não merecem maior atenção do que manifestações de indisfarçável desprezo. O mesmo se aplica ao “neguinho”, a “mulé”, etc. É só quando alguém que é diferente, e sempre pode ser chutado, levanta a cabeça, é que vira “questão de princípios”.

Assim foi com a “pretensão absurda” das mulheres de querem votar e ser votadas, com os negros “metidos à gente” que se recusam a andar no fundo dos ônibus, etc. Em todos esses casos, a indignação dos conservadores logo se traduz em campanhas pela defesa da “moral” e das “tradições”.

Por traz disso existe o desejo de manter privilégios e deter poder. A mulher emancipada, com controle sobre seu próprio corpo, disputa o poder com o homem. As minorias raciais, tão logo obtém direitos civis iguais, passam a disputar espaço com as raças dominantes. É isso que de fato está em jogo.

E por isso que os “moralistas” têm horror aos anticoncepcionais e ao direito ao aborto. Essas coisas aumentam consideravelmente o poder das mulheres. Direitos civis, proibição de discriminação racial, cotas em universidades, capacitam os negros e índios para enfrentar o mundo com igualdade de condições com os brancos.

Uma legislação que reconheça as uniões homossexuais servirá de ponto de partida para a aceitação dessas pessoas da maneira como são. Eles não podem mudar o que são. Assim como as mulheres não podem virar homens e os negros não podem virar brancos para ter direito ao reconhecimento de sua plena humanidade.

É lógico que os gays e as lésbicas não querem “só” uma legislação para seu tipo específico de união. Do mesmo jeito que as mulheres não queriam “só” o direito de voto e os negros não pretendiam “só” o direito de sentar em qualquer lugar nos ônibus.

Eles querem muito mais, querem ser vistos com RESPEITO, querem DIGNIDADE. Querem que eles e seus parceiros não continuem sendo objeto de chacota. É por isso que valorizam tanto essa demanda. E é percebendo isso que os eternos defensores da violência e da desigualdade entre os seres humanos reagem com tanto furor.

Hoje, não podem mais mandar as mulheres calarem a boca, não podem lembrar a um negro qual é o seu lugar. Será insuportável para eles o dia em que não puderem mais cuspir na cara de ninguém...

Fonte: www.midiaindependente.org

Março 02, 2009

Aposta na consciência



Jogos podem proporcionar maneiras criativas de testar a percepção e a intuição
por Christof Koch e Kerstin Preuschoff


Muitas de nossas ações se passam fora do alcance da consciência: se ajustamos nossa postura corporal ou se decidimos casar, com freqüência não temos idéia por que ou como fazemos certas coisas. A noção freudiana de que a maior parte de nossa vida mental é inconsciente é difícil de ser estabelecida de maneira rigorosa. Embora pareça fácil responder à pergunta “você (conscientemente) viu a luz acender?”, mais de um século de pesquisa mostrou que não é bem assim. O problema-chave é definir a consciência de tal forma que seja possível medi-la de maneira independente do estado interno do cérebro do indivíduo, ao mesmo tempo que se “capta” seu caráter subjetivo.

Uma avaliação experimental comum da consciência – da sensação percebida ou do pensamento – é baseada na “confiança”. Por exemplo: um voluntário tem de julgar se uma nuvem de pontos numa tela de computador se move para a esquerda ou para a direita. Ele então relata quão confiante se sente assinalando um número – por exemplo, 1 para indicar puro palpite, 2 para alguma hesitação e 3 para certeza completa. Esse procedimento mostra que quando o participante tem pouca percepção da direção do movimento dos pontos sua confiança é baixa, enquanto quando ele “vê” claramente o movimento sua confiança é alta.

QUESTÃO DO DINHEIRO

Um relatório apresentado recentemente pelos pesquisadores Navindra Persaud, da Universidade de Toronto, Peter McLeod e Alan Cowey, ambos da Universidade de Oxford, apresenta uma forma mais objetiva para mensurar a consciência, valendo-se do desejo das pessoas de ganhar dinheiro. Esse método foi adaptado da economia, em que é usado para avaliar a crença da pessoa a respeito do resultado provável de um evento. Aqueles que sabem que têm as informações adequadas estão dispostos a apostar nisso. Isto é, aceitam pagar para ver. Pense no investimento em fundos mútuos. Quanto mais certo você estiver de que a alta tecnologia irá render bem no ano seguinte, mais dinheiro irá alocar para um fundo desse setor de alta tecnologia.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/aposta_na_consciencia.html

Março 01, 2009

O que é um psicopata?



Cercada de mitos, a psicopatia nem sempre está associada à violência e, ao contrário do que se imagina, pode ser tratada
por Scott O. Lilienfeld e Hal Arkowitz


O termo “psicopata” caiu na boca do povo, embora na maioria das vezes seja usado de forma equivocada. Na verdade, poucos transtornos são tão incompreendidos quanto a personalidade psicopática.

Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. Encantadoras à primeira vista, essas pessoas geralmente causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente.

No entanto, costumam ser egocêntricas, desonestas e indignas de confiança. Com freqüência adotam comportamentos irresponsáveis sem razão aparente, exceto pelo fato de se divertirem com o sofrimento alheio. Os psicopatas não sentem culpa. Nos relacionamentos amorosos são insensíveis e detestam compromisso. Sempre têm desculpas para seus descuidos, em geral culpando outras pessoas. Raramente aprendem com seus erros ou conseguem frear impulsos.

Scott O. Lilienfeld e Hal Arkowitz são professores de psicologia; o primeiro, da Universidade Emory, e o segundo, da Universidade do Arizona. – Tradução de Julio Oliveira

Fonte:http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/o_que_e_um_psicopata_.html

Os riscos de trocar o dia pela noite



A Organização Mundial da Saúde adverte: o trabalho em turnos fixos ou irregulares pode causar câncer

Quem trabalha em turnos tem maior risco de desenvolver câncer. A advertência é da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (AIPC) da Organização Mundial da Saúde (OMS), que acaba de classificar o trabalho em turnos, fixos ou irregulares, como possível agente carcinogênico, o que o coloca na mesma categoria do tabaco, da radiação ultravioleta e das drogas anabolizantes. As evidências que motivaram tal medida foram publicadas em dezembro de 2007 na revista The Lancet Oncology.

Os pesquisadores examinaram oito estudos epidemiológicos e constataram que em seis o trabalho em horários irregulares se associou a um pequeno aumento na incidência de tumores. Imagina-se que a perturbação crônica dos ritmos circadianos, que regulam o sono, a temperatura corporal e a secreção de diversos hormônios, predisponha o organismo ao desenvolvimento de células malignas. Cerca de 20% da população ativa mundial trabalha em turnos, principalmente no setor de saúde, transporte e comunicação.

GRANDES ACIDENTES
Em maio de 2007 as pesquisadoras brasileiras Cláudia Moreno, Frida Marina Fischer e Lúcia Rotenberg abordaram na Mente&Cérebro os riscos individuais e coletivos ligados à inversão dos horários de trabalho. Pouca gente sabe, mas grandes acidentes de repercussão mundial, como o desastre nuclear de Chernobyl e a explosão do ônibus espacial Challenger estão relacionados a jornadas excessivas de trabalho de pessoas que haviam dormido muito pouco nos dias anteriores. Leia mais no artigo “A sociedade 24 horas”.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/os_riscos_de_trocar_o_dia_pela_noite.html