Setembro 29, 2009

FORREST LULA (o professor foi genial)



Finalmente alguém abordou o tema com uma simplicidade franciscana, foi direto ao ponto.
O melhor de tudo é que o autor é docente de uma grande universidade onde, via de regra, a grande maioria é de esquerda, festiva, burra e eleitora de LULA.
APROVEITEM A ANALISE INTELIGENTE DO PROFESSOR DA USP Wagner Valenti*
Professor da USP / Departamento de Biologia Aplicada. Esse professor da USP fez um belo resumo, que aí vai ….
‘Todos conhecem o filme Forrest Gump , que narra a história de um imbecil que sobe na vida auxiliado por circunstâncias a ele absurdamente favoráveis.
Pois nós brasileiros temos aqui nosso Forrest Lula, pelas razões que apresentarei abaixo.

1) Ele pensa que chegou a presidente pela competência, mas foi por uma junção entre sua persistência malufiana e o ‘mudancismo’ do eleitor, que só pelo desejo de mudar nem se sabe o quê vota alternadamente em candidatos como Collor e Maluf, e depois em Lula & companhia.

2) Ele pensa que é respeitado lá fora, mas não passa de uma curiosidade zoológica, como o mico-leão dourado. A esquerda romântica de lá acha lindo um operário do terceiro mundo ter virado presidente: Se ele é competente ou não, o terceiro mundo
que se dane. Ele recebe essa corda toda e acredita.

3 ) Ele pensa que trouxe programas sociais, mas a única coisa que o PT fez foi proteger os terroristas sem-terra, e transformar o bolsa-escola em bolsa-esmola.

4) Ele pensa que faz sucesso com a imprensa, mas na verdade contou, pelo menos até os recentes escândalos, com uma imprensa domesticada e cordial.

5) Ele pensa que não existe ninguém que possa questioná-lo tanto em ética quanto em política, mas isso só acontece por que ele nunca se expôs a entrevistas coletivas sérias, com jornalistas especializados, onde teria de dar uma satisfação objetiva de seu desempenho.

6) Ele pensa que é imune a essa crise porque seu percentual de aprovação ainda é alto, mas as pessoas que ainda confiam nele são aquelas tão avessas à leitura quanto seu presidente, e por isso nem sabem o que acontece.

7) Ele pensa que é responsável pelo sucesso da política econômica, mas isso aconteceu porque a diretriz econômica foi a única herança do governo anterior que ele não estragou.

8) Ele pensa que causou o aumento das exportações, embora isso tenha sido conseqüência de uma série de fatores anteriores a seu governo, mais as circunstâncias favoráveis no cenário internacional.

9) Ele pensa que não sofrerá impeachment por estar acima de tudo o que acontece, embora Collor tenha sido defenestrado por muito menos. Na verdade, ele só vai ficar lá porque não interessa a ninguém transformá-lo em mártir, dando-lhe chance de retornar à cena política, ao mesmo tempo que ninguém quer ver o escroto do Alencar tomar o poder e arruinar a política macro-econômica...

Wagner Valenti* Professor da USP / Departamento de Biologia
Aplicada ‘ ..

(*) é um bom prof. de Biologia, pois, mostrou que entende bem de moluscos, vermes e parasitas…

Fonte:http://robertoleite.assisfonseca.com.br/?cat=15

Setembro 24, 2009

O relacionamento acabou. E agora??



Faz parte da vida que relacionamentos amorosos não deem certo e encontrem seu fim. Não que todos precisem ser assim, mas acontece. E dependendo do amor que ainda se tenha pelo outro, dos investimentos feitos – sentimentais ou materiais, a dor do fim pode ser quase intolerável, chegando a ser física.

Uma amiga minha se separou recentemente, e tenho acompanhado os altos e baixos dela. Também já passei por términos de relacionamento, mas quem nunca passou? Acontece, que quando terminamos com alguém que amamos muito, ficamos achando que aquela perda é o fim do mundo. Mas nunca é. A vida não acaba ali, apenas deixamos de enxergar as milhares de possibilidades e situações que teremos que enfrentar ainda pela vida. E, acredite, existem perdas muito piores e realmente insuperáveis.

Existe vida após o namoro / casamento / relacionamento. Claro que toda relação deixa marcas em nós, temos momentos bons e outros nem tanto, e geralmente saímos magoadas do relacionamento- mesmo que não assumamos isto. Mas é preciso saber aprender a conviver com as cicatrizes que inevitavelmente ficam. Sempre vai existir alguma coisinha que vai nos fazer lembrar de um momento vivido com o outro seja ele bom ou ruim.

Existe um período de “luto” que vem logo após o término, que é realmente difícil para quem amou demais e ainda ama. Choramos copiosamente, não conseguimos dormir, ideias tolas veem à nossa mente como achar que a culpa do fim do relacionamento é nossa e que o outro estava certo em dizer que ninguém mais no mundo vai conseguir nos aturar (acredite, até isso eu já ouvi de um infeliz). Este momento de tristeza precisa ser respeitado, por mais que te faça se sentir mal. Porque somente exorcizando toda esta mágoa que você poderá se reerguer.

Não acredite em hipótese nenhuma que de foi você quem errou. Para dar certo, um relacionamento conta com ajuda de duas pessoas. Se não deu certo é porque os dois tiveram incompatibilidades e falhas. Esqueça esta ideia que você não é boa o suficiente para ninguém. Procure se lembrar que criatura maravilhosa você é, das suas qualidades, dos seus valores. Depois do período de tristeza mais forte, o “luto”, vem um período de verdadeiros altos e baixos.

Existirão dias que você se sentirá bem e cheia de oportunidades pela frente – o que é a mais absoluta verdade – e outros que você irá cair no choro e pensar bobagens novamente. Neste período, saiba que, por mais que você chore hoje, amanhã ou depois se sentirá forte de novo. É natural que seja assim. É natural ter momentos de tristeza e não se culpe por eles. Chorar é a melhor maneira de colocar para fora tudo aquilo que nos incomoda.

Procure se apoiar em todas as amigas que puder para superar cada uma das fazes pós relacionamento. Elas saberão te ouvir e também te dar bronca quando alguma ideia boba passar pela sua cabeça. Elas estarão lá para você caso você queira chorar ou apenas sair para desanuviar a mente. Conte com estas irmãs de coração.

Aos poucos, devagar, os momentos de tristeza ficarão mais escassos, até que quando você se der conta já partiu para outra. Estará fazendo coisas que gosta, resgatando saídas com amigas que você costumava fazer na solteirice, fazendo aqueles programas culturais que tanto curtia, mas que ele nem tanto e por isso você nunca mais os fez.

Quando tiver retomado as rédeas da sua vida – o que irá fazer mais cedo ou mais tarde – você sentirá um prazer tão grande de te-las nas mãos que, ao se apaixonar novamente (sim, você irá se apaixonar novamente) estará mais forte e mais sábia para discernir o que é melhor para você.

Infelizmente, não existe um remédio instantâneo que nos faça parar de sofrer. O único remédio é o tempo, que vai delicadamente acariciando nossos corações e apagando as mágoas, até que elas se tornem apenas pequenas e quase imperceptíveis marcas em nossos corações.

Estas marcas não somem completamente para que possamos lembrar do que é bom e o que não é bom para nossa saúde emocional. São pequenas lições ali guardadas, como um sistema de autodefesa. E ainda assim, apesar delas, o sol volta a brilhar em nossas vidas e voltamos a sorrir com o coração mais leve e cheio de esperanças.

A vida é linda, e as oportunidades são muitas. Temos muito o que fazer, muito o que descobrir e amar e perder fazem parte do ciclo da vida, do nosso crescimento. E quanto mais crescemos, mais aprendemos com a vida a importância de amar, em primeiro lugar, a nós mesmas. Para só então permitir que outro ser ocupe espaço em nossas vidas.

Fonte:http://silentdevotion.cyncardoso.net/2009/05/28/fim-de-relacionamento-como-lidar-com-a-dor/

Pesquisa aponta a importância da aparência para o sucesso profissional



O levantamento com mais de 500 profissionais das áreas de recursos humanos mostra que 90% deles consideram o visual de um candidato a uma vaga de emprego o principal aspecto para formar uma primeira opinião sobre eles

A percepção de muitos executivos de que a aparência não é algo essencial para o sucesso na carreira foi contestada por um estudo global realizado pela consultoria norte-america Harris Interactive. Para o levantamento foram ouvidos 514 diretores da área de recursos humanos de grandes corporações e boa parte deles disse que analisa a forma como o profissional se comporta e a roupa com a qual ele está vestido durante um processo de seleção para a vaga de um alto executivo.


Aproximadamente 90% dos participantes do levantamento afirmaram que o visual dos candidatos é o principal aspecto que forma a primeira opinião sobre eles. Isso porque, segundo os entrevistados, as pessoas bem arrumadas despertam mais confiança do que aquelas que simplesmente não se importam com a forma como se apresentam.

Além disso, mais de 50% dos participantes consultados disseram que têm a impressão de que o candidato não está muito interessado no posto quando vai à entrevista vestido de forma inadequada. E, quando perguntados sobre a importância das competências de um candidato versus a aparência deles, os participantes da pesquisa foram categóricos ao responder: “em processos seletivos para postos de alto escalão sempre há bons candidatos, por isso o ideal é que eles combinem conhecimentos a um visual adequado.”

No caso dos processos de seleção de CIOs, o mais indicado é comparecer à entrevista vestido de terno (homens) ou tailleur (mulheres), com sapato engraxado e cabelo penteado.


Meridith Levinson, da CIO/EUA

Setembro 15, 2009

Editor do UOL Tabloide revela toda a verdade sobre a mentira



Raul Seixas já perpetuou:

"Não quero ser o dono da verdade
Pois a verdade não tem dono, não
Se o 'V' de verde é o verde da verdade
Dois e dois são cinco, n'é mais quatro, não"

Ou, se você prefere televisão, podemos citar o dr. House: "Todo mundo mente".

Mas o fato é que a mentira, aparentemente, está na moda, para o bem e para o mal.

(Mentir está tão na moda que o ótimo HowStuffWorks? tem até artigos como "Como funciona a mentira", "Como saber se alguém está mentindo" e, claro, "Como mentir".)

Veja três casos recentes do tema, em três áreas diferentes (política, esporte e cultura):

1 - Dilma x Lina
Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal, afirmou em várias ocasiões que foi recebida pela ministra da casa Civil, Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. Segundo Lina, a ministra teria pedido para que a fiscalização feita em empresas da família Sarney fosse "acelerada". Em várias ocasiões a ministra negou o encontro.

Alguém está mentindo, não? Ou isso ou a realidade é mais elástica do que supõem os cientistas que estudam mecânica quântica.

2 - Nelsinho x Briatore
O piloto Nelsinho Piquet acusou sua ex-equipe na Fórmula 1, a Renault, de o ordenar que batesse deliberadamente seu carro no GP de Cingapura de 2008 a fim de favorecer a vitória do espanhol Fernando Alonso, seu colega de equipe.

O chefe da Renault, Flavio Briatore, afirmou que a escuderia vai abrir um processo criminal contra Nelsinho Piquet e o seu pai, Nelson Piquet. Briatore nega a denúncia.

Alguém está mentindo, não? Ou isso ou não estou entendendo nada.

3 - A mentira da sobrevivente de 11 de setembro

E está na Folha de S.Paulo (Ilustrada) de hoje:

"Tania Head se tornou nos primeiros anos após o 11 de Setembro a mais célebre sobrevivente do ataque às Torres Gêmeas. Sua história de superação e perda -enquanto ela fugia, ferida, do 78º andar da torre sul, o noivo, David, morria na torre norte- chegou a milhares de pessoas no mundo todo.

Em pouco tempo, ela se tornou presidente da associação de sobreviventes. Chegou a ser recebida por políticos de primeira grandeza dos EUA. Só em 2006 a verdade veio à tona. Tania Head nunca existiu.

A mulher loira, baixinha e gordinha que causou tanta compaixão e admiração no país se chama, na verdade, Alicia Esteves Head. É espanhola e nem sequer estava em Nova York quando o World Trade Center foi destruído. A família do suposto noivo jamais ouvira falar dela. Os e-mails semanais que enviava a outros sobreviventes narrando a luta para livrar-se do trauma eram fantasia.

A saga de uma das mentiras mais bem contadas da última década será exibida hoje às 21h pelo canal pago GNT, na estreia do documentário 'A Impostora do 11/9'. Uma mistura de imagens de arquivo, entrevistas e depoimentos de sobreviventes (verdadeiros), o filme trabalha bem com elementos de tensão e emoção, e não só pela sensibilidade do tema ou pelos contos reais de heroísmo.

(...)

Mesmo depois de saber a verdade, muitos mantiveram dose de gratidão, como a sobrevivente Carrie Sullivan. 'Ela fez muitas coisas boas por nós. E é difícil descartar tudo isso', diz.

Tania colaborou de verdade. Não só doou dinheiro como transformou o grupo de sobreviventes em uma organização oficial. Obteve financiamento do governo. Conseguiu permissão para a primeira visita de sobreviventes ao marco zero, em 2003. Foi guia voluntária do local -os primeiros a ouvi-la foram o prefeito Michael Bloomberg e o ex-prefeito Rudolph Giuliani, durante inauguração do memorial pelas vítimas.

Alicia deixou os holofotes sem nunca se explicar. Como jamais lucrou financeiramente, seu comportamento nos EUA não foi criminoso. Acredita-se que ela tenha deixado o país."

(Falta de) conclusões do Editor do UOL Tabloide:

Por que as pessoas mentem, afinal?

Há mentiras que são boas?

O ser humano mente por natureza?

Você mente?

O título deste post é uma mentira - afinal, não existe verdade absoluta sobre a própria verdade, que dirá sobre a mentira. Ou melhor: o título deste post é uma liberdade poética, porque mentir é feio.

Mentir é feio? Se sim, por que você mente?

Fonte: http://editordouoltabloide.blog.uol.com.br/arch2009-09-01_2009-09-30.html

Editor do UOL Tabloide critica a obra literária do novo imortal: Fernando Collor de Melo

Fernando Collor vira imortal da academia de letras. Alguém me explica isso?
Ele jamais escreveu um livro. Para justificar sua candidatura, enviou à Academia Alagoana de Letras sete coletâneas de artigos e discursos publicados em gráficas oficiais - nenhuma das publicações foi vendida ao público em livrarias.

Mesmo assim, Fernando Collor de Melo foi eleito "imortal" da Academia Alagoana de Letras (AAL).

Alguém me explica isso?

Como se critica a obra literária de um escritor que não escreveu livros? Talvez com um post em branco: Editor do UOL Tabloide critica a obra literária do novo imortal, Fernando Collor de Melo.

Será que o Collor vai ficar muito bravo ao ler este post e, educadamente, mandar o Editor do UOL Tabloide engolir, digerir e fazer de Tablog o uso que julgar conveniente, tal qual ele fez a outro colega senador, em pleno Congresso?

Fonte: http://editordouoltabloide.blog.uol.com.br/arch2009-09-01_2009-09-30.html

Essa não!! Se ele pode, eu também queroooooo.... Escrevi 7 artigos só esse ano, para revistas e livros e nem um "parabéns!" eu recebi... (rá, rá, rá). Acho que é por não ter nascido alagoano!!!

Setembro 11, 2009

A educação possível



Educação é algo bem mais amplo do que escola. Começa em casa, onde precisam ser dadas as primeiras informações sobre o mundo (com criança também se conversa!), noções de postura e compostura, respeito, limites. Continua na vida pública, nem sempre um espetáculo muito edificante, na qual vemos políticos concedendo-se um bom aumento em cima dos seus já polpudos ganhos, enquanto professores recebem salários escrachadamente humilhantes, e artistas fazendo propaganda de bebida num momento em que médicos, pais e responsáveis lutam com a dependência química de milhares de jovens. Quem é público, mesmo que não queira, é modelo: artistas, líderes, autoridades. Não precisa ser hipócrita nem bancar o santarrão, mas precisa ter consciência de que seus atos repercutem, e muito.

Estamos tristemente carentes de bons modelos, e o sucesso da visita do papa também fala disso: além do fator religião, milhares foram em busca de uma figura paternal admirável, que lhes desse esperança de que retidão, dignidade, incorruptibilidade, ainda existem.

Mas vamos à educação nas escolas: o que é educar? Como deveria ser uma boa escola? Como se forma e se mantém um professor eficiente, como se preparam crianças e adolescentes para este mundo competitivo onde todos têm direito de construir sua vida e desenvolver sua personalidade?

É bem mais simples do que todas as teorias confusas e projetos inúteis que se nos apresentam. Não sou contra colocarem um computador em cada sala de aula neste reino das utopias, desde que, muito mais e acima disso, saibamos ensinar aos alunos o mais elementar, que independe de computadores: nasce dos professores, seus métodos, sua autoridade, seu entusiasmo e seus objetivos claros. A educação benevolente e frouxa que hoje predomina nas casas e escolas prejudica mais do que uma sala de aula com teto e chão furados e livros aos frangalhos. Estudar não é brincar, é trabalho. Para brincar temos o pátio e o bar da escola, a casa.

Sair do primeiro grau tendo alguma consciência de si, dos outros, da comunidade onde se vive, conseguindo contar, ler, escrever e falar bem (não dá para esquecer isso, gente!) e com naturalidade, para se informar e expor seu pensamento, é um objetivo fantástico. As outras matérias, incluindo as artísticas, só terão valor se o aluno souber raciocinar, avaliar, escolher e se comunicar dentro dos limites de sua idade.

No segundo grau, que encaminha para a universidade ou para algum curso técnico superior, o leque de conhecimentos deve aumentar. Mas não adianta saber história ou geografia americana, africana ou chinesa sem conhecer bem a nossa, nem falar vários idiomas se nem sequer dominamos o nosso. Quer dizer, não conseguimos nem nos colocar como indivíduos em nosso grupo nem saber o que acontece, nem argumentar, aceitar ou recusar em nosso próprio benefício, realizando todas as coisas que constituem o termo tão em voga e tão mal aplicado: "cidadania".

O chamado terceiro grau, a universidade, incluindo conhecimentos especializados, tem seu fundamento eficaz nos dois primeiros. Ou tudo acabará no que vemos: universitários que não sabem ler e compreender um texto simples, muito menos escrever de forma coerente. Universitários, portanto, incapazes de ter um pensamento independente e de aprender qualquer matéria, sem sequer saber se conduzir. Profissionais competindo por trabalho, inseguros e atordoados, logo, frustrados.

Sou de uma família de professores universitários. Fui por dez anos titular de lingüística em uma faculdade particular. Meu desgosto pela profissão – que depois abandonei, embora gostasse do contato com os alunos – deveu-se em parte à minha dificuldade de me enquadrar (ah, as chatíssimas e inócuas reuniões de departamento, o caderno de chamada, o currículo, as notas...) e em parte ao desalento. Já nos anos 70 recebíamos na universidade jovens que mal conseguiam articular frases coerentes, muito menos escrevê-las. Jovens que não sabiam raciocinar nem argumentar, portanto incapazes de assimilar e discutir teorias. Não tinham cultura nem base alguma, e ainda assim faziam a faculdade, alguns com sacrifício, deixando-me culpada quando os tinha de reprovar.

Em tudo isso, estamos melancolicamente atrasados. Dizem que nossa economia floresce, mas a cultura, senhores, que inclui a educação (ou vice-versa, como queiram...), anda mirrada e murcha. Mais uma vez, corrigir isso pode ser muito simples. Basta vontade real. Infelizmente, isso depende dos políticos, depende dos governos. Depende de cada um de nós, que os escolhemos e sustentamos.

Lia Luft
Fonte: www.veja.com.br

Cultura do sucesso


De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 37% dos alunos de origem asiática no Brasil concluem a universidade – quatro vezes mais do que a média dos estudantes brasileiros. Uma das evidentes razões para o sucesso desses jovens é mensurável – e simples: eles estudam mais. Enquanto um típico aluno brasileiro passa cinco horas por dia às voltas com aulas e livros, os que vêm de família coreana, chinesa ou japonesa dedicam pelo menos oito horas aos estudos, segundo a pesquisa. Em suma, eles repetem no Brasil a fórmula aplicada em seu país de origem: investem tudo o que têm em educação – e varam noites debruçados sobre apostilas e equações matemáticas. Deu certo lá. Está funcionando aqui. Conclui o pesquisador Kaizô Beltrão, autor do estudo, também descendente de japoneses: "Os asiáticos no Brasil estão deixando o restante da população para trás".

Outro fator que esclarece a superioridade dos estudantes pesquisados por Kaizô é um aguçado senso de competição – alimentado em casa e incentivado em escolas que recebem os filhos dos imigrantes, como a Polilogos, em São Paulo. Em salas nas quais se ouve apenas a voz do professor (sim, os alunos asiáticos costumam permanecer em silêncio durante as aulas), a briga pelo posto de melhor da classe é um eficiente motor ao bom resultado geral. A escola implantou um sistema para premiar os campeões. A cada três meses, produz um novo ranking dos estudantes, baseado nas notas. No fim do ano, os melhores são celebrados na frente dos demais e recebem como prêmio aparelhos eletrônicos variados, bem à moda asiática. No ano passado, o estudante Clinton Sung Shin, de 14 anos, foi o número 1 de sua turma. Vibrou. Agora mergulha nos livros para repetir a dose. Tímido, ele se assume nerd. "Entre meus amigos de família asiática, isso é sinal de prestígio, e não de vergonha, como para os brasileiros", diz. Um detalhe sobre a escola de Shin: lá os bons professores também são recompensados. Antes de serem efetivados, eles precisam responder a uma prova sobre a matéria que vão ensinar. Os que vão mal ficam de fora. Aqueles que se destacam, por sua vez, recebem os salários mais altos. A meritocracia que impera nessa e em outras escolas do gênero é coisa rara no Brasil. Em geral, o que predomina no país é um modelo que coloca os bons e os maus alunos (e professores) no mesmo patamar – e não incentiva ninguém.


Os estudantes de origem asiática não sobressaem apenas na escola. Um levantamento feito pela Universidade de São Paulo revela que eles chegam a ocupar quase 20% das vagas nas carreiras mais disputadas, como medicina e engenharia. O número surpreende, uma vez que, na população brasileira, os asiáticos são bem poucos: apenas 0,45% do total. Em outros países, como os Estados Unidos, a situação é semelhante. Nas melhores universidades americanas, eles circulam por toda parte (especialmente nas carreiras tecnológicas, uma outra tradição importada de casa). Não passam de 4% da população no país, mas em Stanford são donos de 24% das vagas. Na Universidade da Califórnia, em Berkeley, o número chama ainda mais atenção: concentram quase a metade das matrículas. "Eles têm o estudo no DNA", define a especialista americana Soo Kim, descendente de coreanos e autora de um livro sobre o assunto. Desde os primeiros anos de vida, são estimulados pela família a dedicar-se à escola (e às vezes engatam em rotinas maçantes, que incluem noites insones e muita decoreba). A ativa participação dos pais na vida escolar, como ocorre na casa dos estudantes Liane Iwahashi e Clinton Shin, é certamente um fator decisivo ao ótimo desempenho alcançado em sala de aula. Resume o economista Claudio de Moura Castro: "As famílias asiáticas entenderam há muito tempo que o sucesso depende de sacrifícios e paciência para esperar pelos resultados". Os brasileiros ainda não.

Fonte:www.veja.com.br

Conhecendo a Nova Ortografia